Con Alan García el Perú avanza
por Lelê Teles – Esse é o slogan do governo aprista peruano eleito há somente dois anos e meio e cheio de realizações. Estou em Lima, a bonita capital peruana, e daqui se percebe claramente o avanço e as mudanças. Ontem, 28 de julho, comemorou-se os 187 anos da nação peruana com a realização das tradicionais fiestas patrias (“Somos libres” é o primeiro verso que surge no hino peruano).
A todos os departamentos peruanos que se vá se percebe os altos investimentos em infra-estrutura – o Peru é um país em construção. Goza da menor taxa de inflação do continente e assiste a um crescimento econômico horizontal, com ganhos para os mais pobres. Em dois anos e meio de governo aprista triplicou-se o número de acesso a telefones fixos, as importações cresceram 60% e as exportações aumentaram em 20%.
Exporta-se, sobretudo, produtos agrícolas e importa-se máquinas e peças, o motor do desenvolvimento. Cinco milhões de peruanos encontraram empregos formais desde que Alan assumiu, cresceu o seguro social e reduziu-se consideravelmente a pobreza. Ampliou-se o acesso à luz e o programa Água para Todos leva água potável aos lugares mais distantes, aos mais pobres, como o presidente acaba de falar em seu discurso “não conheço um só rico que não tenha acesso à água potável”.
Ainda no campo da economia, cresceram 44% as vendas de eletrodomésticos, computadores e móveis. Duplicaram as viagens aéreas e cresceu o consumo de alimentos. O governo constrói e subsidia casas populares e conjuntos habitacionais para a classe média, o que gera mais emprego. Cidades antes dominadas pelo narcotráfico hoje respiram aliviadas. Mas ainda existem muitos apristas que não são alanistas. A filosofia do partido APRA, crescimento com distribuição de renda e amparo aos mais pobres, está sendo seguida por Alan Garcia, mas há muitas incongruências ainda em seu governo e no congresso. Acabam de ratificar uma lei que permite o uso da força extrema (inclusive atirar para matar) a quem viola bens públicos e/ou propriedades privadas – isso porque nos paros (as greves) o povo costuma depredar. É uma lei cínica e anacrônica.
Fujimori, o japa ladrão, já foi condenado a seis anos de prisão e continua o seu julgamento. Montesinos, o assessor especial com status de ministro, que serviu como um cão ao presidente fujão, está com a corda no pescoço, e a sua ex-esposa, uma dessas modelos reboladeiras, vai em cana por enriquecimento ilícito. No entanto, acusam Alan Garcia de aliviar a barra do assassino Fujimori e de manter vínculos informais com ele.
Leysi Suárez, uma modelo gostosona e vulgar, posou nua, sentada em um cavalo que estava coberto com a bandeira peruana. O que causou furor e histeria na imprensa conservadora. Pedem 4 anos de cana para a beldade, uma vez que a constituição diz que essa é a pena para quem ofende os símbolos pátrios. Ora, a seleção peruana de futebol vendeu-se por seis milhões de dólares na Copa de 78 para os argentinos – ali a seleção representava a pátria e a sua bandeira, e ninguém foi em cana. Fujimori e Montesinos deveriam também ser julgados por ultrajarem a pátria. A modelo Luciana Salazar, uma loira argentina estupenda, posou em Vina del Mar, no Chile, com um sutiã minúsculo que tinha em um seio a bandeira do Chile e a da argentina no outro, depois mergulhou na piscina na frente dos fotógrafos e se desnudou – pois nem o governo chileno nem o argentino se importou com isso.
Paulina Rubio, a popstar mexicana, também já havia posado desnuda com a bandeira asteca e pagou multa de 5 mil dólares pelo ultraje. Que pátria é essa em que se paga 5 mil por ultrajá-la. Quem tem dinheiro pode cuspir na bandeira, quem não tem vai em cana? No caso peruano, confundiram moralidade com moralismo e quase ofuscaram as festas pátrias e a comemoração dos vistosos números dos avanços no campo social, político e econômico.
No mais, os machos brancos continuam mandando por aqui. Não há oficiais negros nas forças armadas e nem congressistas de origem indígena. No entanto, o Peru avança, e isso é muito bom para a América Latina.
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Lelê, que lindo texto. Sua linguagem é muito vigorosa e você sabe encontrar o que destacar numa visita a um país que não é o seu. Poucos conseguem essa façanha. Além disso o texto tem senso de humor e muita, muita criatividade. Por tudo, merece os parabéns. Pega mais no pé do Fujimori, que ele merece. Um abraço, Clara.