O mundo virtual quer mandar em mim

Quem sabe comprando algum das centenas de notebooks e celulares ofertados eu possa usar a internet para resolver esse dilema existencial que não me cabe.

Dias desses, averiguando meus e-mails, deixei alguns “salvos” na lixeira pensando em escrever sobre as estranhas propostas que recebo. Meu endereço eletrônico dá margem a dúvidas, portanto estou na lista dos aptos a usar uma prótese peniana. Claro que teria que passar por uma cirurgia de mudança de sexo, mas meu cérebro não equaciona muito bem essa proposta. Resta deletar… do cérebro ou da lixeira?

Quem sabe comprando algum das centenas de notebooks e celulares ofertados eu possa usar a internet para resolver esse dilema existencial que não me cabe, mas que me oferecem. Como o tempo urge, aproveito e compro um dos 270 modelos de relógio, algum deles deve marcar o tempo certo e me avisará quando é chegada a hora da grande mudança.

Vou pagar com uma das inúmeras contas que tenho em bancos que me pedem para atualizar dados, sem que meus dedos tenham assinado um só contrato nos conceituados estabelecimentos bancários, que também são vítimas de estelionatários virtuais, ou posso utilizar algum dos cartões de créditos oferecidos a mãos cheias. Pagar a fatura é outra história. Aproveito os mesmos para assinar todas as revistas, sejam elas de fofocas ou não, e também aquelas de lançamentos jurídicos, já que sou uma socióloga metida e toda lei que me interessa é desembaraçada do cipoal legislativo que vigora nesse país, incluindo as revogações e novas redações.

Para não descer do salto, algum dos inúmeros sapatos das mais variadas marcas que querem me impingir para proteger ou embelezar meus velhos pés. E aproveito para usar umas gotas de perfume para espantar o chulé. E, quem sabe, um dos produtos femininos e masculinos? Agora já acho que tanto faz. Afinal, estão me oferecendo um abdome sarado, assim como a possibilidade de perder peso com uma das dietas milagrosas, em pouco tempo. Acho que vou instalar aquele chip no cérebro, ligar a TV (de plasma, LCD ou Led?), enquanto aguardo a lavadora fazer seu trabalho de limpeza e o refrigerador refrescar meus neurônios, para não prejudicar as sinapses neurais.

Mas eis que chega o cheque devolvido que nunca assinei e o comprovante de depósito de quem nunca me deveu. Vou é viajar, qualquer lugar ou lugar nenhum, tanto faz. Vou para a net averiguar minhas redes sociais e logo sou informada que alguém quer compartilhar aplicativos e jogos, ou me é sugerido que devo ter por amigo. Socorro! O mundo virtual que mandar em mim.

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