Um chamado à razão e à ação
por Eduardo Bessa
Nesse brilhante livro, Diamond parte da demonstração de que muitos dos nossos méritos e defeitos têm raízes em nossos ancestrais ditos irracionais e faz um apelo à humanidade para que abra mão de sua natureza símia e aplique a razão, caráter tão enaltecido quanto ignorado, para mudar o rumo de nossa história. O leitor embarca na descoberta de uma espécie peculiar de primata que Diamond nos convida a conhecer abandonando nosso olhar de membros dessa espécie e assumindo o olhar curioso de um naturalista alienígena de passagem pela Terra.
Leitura fascinante tanto pela fluidez textual do autor, que recebeu o prêmio Pulitzer por Armas, germes e aço, quanto pelo domínio do assunto e por sua urgência. O terceiro chimpanzé nos apresenta uma visão da história humana muito diferente, com bases na biologia, mas de maneira bem menos determinística do que outros textos do autor que me são familiares.
O livro é dividido em quatro partes. A primeira insere a humanidade num contexto zoológico mais amplo, correlacionando-nos a nossos parentes mais próximos e mostrando o que nos tornou tão diferentes deles. Na segunda, o livro começa a apresentar as idiossincrasias de nosso ciclo vital, bases do que mais tarde nos farão mais uma espécie única. Aí são discutidos a menopausa, a monogamia, o adultério e o envelhecimento. Em seguida, algumas de nossas singularidades, boas e ruins, são discutidas: a arte, a linguagem, a agricultura e o abuso de substâncias entorpecentes, encerrando com um debate sobre a vida extraterrestre. Na quarta e última parte, Diamond apresenta seus dois cavaleiros do apocalipse: o genocídio recíproco das subpopulações humanas e a devastação do próprio planeta pelo homem, indicando como essas atividades tão humanas ameaçam nossa própria sobrevivência.
Ao final de um outro livro, O gene egoísta, Richard Dawkins explica que conhecer as bases genéticas do comportamento humano não é uma justificativa para atrocidades, mas uma proposta de identificar essas inclinações e poder lutar contra elas. Em sua obra, Diamond nos ajuda a trilhar este processo de autoconhecimento porque, na impossibilidade de mudar o começo, fica a nosso critério mudar o final dessa história.
::: O terceiro chimpanzé: A evolução e o futuro do ser humano ::: Jared Diamond (trad. Cristina Cavalcanti) :::
::: Record, 2011, 432 páginas ::: compre no Submarino ou na Livraria Cultura :::
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Pela síntese oferecida, pareceu-me interessante o contexto da obra. Não soube sentir se o autor é darwinista de carteirinha, de meia-carteira, ou crítico do homem-macaco.
Pelo que observei, o analista ia bem até citar Richard Dawkins, o inventor e inimigo número um da fé cristã e dos místicos e esotéricos. O que me fez suspeitar que a obra em sinopse parte de princípios da Teoria Evolucionista, onde tantos entusiastas adoram terem sido gosmentas amebas, depois rastejantes e informes espécies semi-animais antes de se tornarem macacóides, até finalmente se terem formado humanos. Por oportuno, o darwinismo é uma bela teoria ficcionista de um vir-a-ser sem nunca ter sido, daquilo que jamais será.
Você quis dizer que Dawkins é o inventor da teoria da evolução ou da fé cristã? Seja como for, recomendo que abandone as drogas mais pesadas.
Não Daniel:
Eu quis dizer que Dawkins é um inventor de teorias esdrúxulas e odeia a fé, às religiões e à Deus. Ele já disse isso, mas se noutro lugar se contradisse é porque é mesmo maluco. Droga pesada é aturar inventores como esse. Não uso nenhuma, minha vida é light por natureza. Sou cristão, raciocínio com o cérebro e ouço a alma.
Quanto à Teoria da Evolução….teoria!
Teoria comprovada de várias maneiras, entre elas: amostras de DNA, que provam que os humanos são descendentes de um ancestral tambem comum a outros primatas (não do macaco como muitos dizem); alem de fósseis que podem mostrar como diversos seres vivos evoluiram através do tempo.
Tambem saiba que droga pesada não é “aturar” esses autores e sim acreditar que o homem veio do barro e a mulher de sua costela, mesmo levando em conta que o DNA contido nas mitocôndrias (uma organela existente nas células que produz nossa energia) é inteiramente materno.
PS:Acho muito melhor saber que vim de uma linha de espécies que sobreviveram a tudo que lhes foi jogado (desastres naturais, doenças, predadores…) do que achar que vim do barro.
Olhe Matheus, essa discussão é longa com muitos intervalos para almoços e lanches. No final, espremendo os seixos do darwinismo, comprova-se inequivocamente que a Teoria da Evolução, tendo se passado 150 noites de sonhos de verão, continua sendo exatamente como era no seu início: meramente uma teoria insossa, informe, incolor, inodora e ainda insalubre. Uma tentativa de vingança dos céticos, pseudo e materialistas de plantão, contra as religiões e o esoterismo.
Tudo é teoria e nada é verdade no darwinismo. No darwinismo nada se prova, nada se comprova, tudo se renova para um passado velho, matusalém, que nas suas cavernas e caminhos meândricos, ri de dar gargalhadas das descobertas e assertivas darwinistas. Se existe um ancestral comum, cujo dna teria sido aventado, onde se encontra a prova e a contra-prova? A ciência materialista basta-se somente com provas concretas. So, where is it? Prova de prancheta não vale, é rascunho.
Já reparou que o homo sapiens sapiens já não existiu há 35 mil anos como rezava a bíblia antropológica, nem tão pouco o neanderthalensis? Já foram jogados para escanteio, para mais de 100 mil anos atrás. Já reparou que o primeiro não descendeu do segundo, mas, ou talvez ao contrário, ou foram no mínimo contemporâneos?
Isso é que são hipóteses com ares darwinistas – boas da cepa, castelos feitos de imaginação em pântano arenoso, sô!
Se o homem veio do barro e a mulher da costela de Adão, acho que sim – um tanto no simbolismo outro tanto numa arremetida a um passado sequer suspeitado pelos doutos da ciência, não dá mesmo para provar como a ciência desejaria. Pois nem mesmo a ciência consegue provar quem é o ancestral comum que apregoa e “materializa” com suas infantís teorias.
Há tantas outras coisas em contrário das “descobertas” da ciência, que nem desejo aqui colocar e nem discutir. Quem sabe outro dia!
Realmente o Sr. Carlos Reis é um exemplo clássico q fé religiosa e religião remove neurônio.
Creio mesmo que os neurônios estão removidos do sr.Luciano, pois meu nome é Cesar Reis.
Cesar Reis utiliza uma definição de teoria tirada do senso comum para desqualificar a Teoria da Evolução. Teoria científica é uma síntese de um campo do conhecimento, formada por hipóteses que são confrontadas entre si e com os fatos científicos, fatos estes que integram um conjunto de evidências que, juntamente com as hipóteses, alicerçam o conceito de teoria científica. O fato de existirem varias correntes dentro do darwinismo só o legitima dentro das ciências e não o transforma num conjunto dogmático.
Não se trata de Jared Diamond ser darwinista de carteirinha. A teoria da evolução não é uma nova religião ou novo partido/ideologia política e que deva funcionar no estilo “ou tudo ou nada” ou “quem não está com nós, está contra nós”. Trata-se de uma explicação sobre a origem e desenvolvimento da vida. Certamente está sujeita à críticas, revisões e acréscimos de novos elementos. É o que existe de mais consistente hoje. Daí extrapolar suas conclusões (e das pesquisas genéticas em geral) para todos os aspectos da existência e história humanas (da arte à política por exemplo) é algo a ser visto com cautela (lembrando dos abuso do chamado “darwinismo social”).
Diamond é rigoroso, e não faz analogias indevidas. Está ciente da complexidade dos assuntos que trata e argumenta da forma mais consistente e fundamentada possível, sem querer ser dono da verdade. Ele é mais polido do que Richard Dawkins e não tenciona ser um superstar das ciências.
Quanto à religião, Diamond só trata do assunto quando ele é importante para o contexto, e não faz juízo de valor. O autor de Armas, germes e aço e O terceiro chimpanzé possui mais desenvoltura em tratar de temas que abarcam ciências naturais e ciências sociais, sem superficialidade e reducionismo ( acusação fácil seria a de “determinismo geográfico e ambiental” , mas não se sustenta) do que Dawkins, impecável nos conhecimentos da biologia, mas bastante ignorante e prepotente no quesito ciências humanas, como se nos genes estivessem todas as respostas (curiosamente uma postura meio que religiosa).