29–06–2010

Serra mira o próprio pé


por Alan Souza * – Nunca como agora pareceu tão fácil para Dilma Rousseff vencer a eleição presidencial. Listo três motivos claros e simples para essa afirmação: a) Dilma está à frente de Serra nas pesquisas eleitorais mais recentes, na pesquisa espontânea; b) a rejeição a Serra aumenta de forma contínua; c) Serra está cometendo erro sobre erro na condução de sua campanha. E é sobre esse festival de erros que vamos comentar agora.

Serra briga constantemente com jornalistas, mesmo sabendo que a imprensa é uma de suas poucas aliadas. Além de brigar, nas entrevistas ele recorre a um estratagema que ficou conhecido como prática de Paulo Maluf (PP/SP): quando um repórter lhe faz uma pergunta embaraçosa, Serra rebate com outra pergunta, geralmente pedindo dados detalhados sobre o que o repórter está perguntando. E a partir daí Serra responde qualquer coisa, aplica uma mentira ou simplesmente briga com o repórter. Na prática, porém, Serra torna impossível passar ao público a imagem de que é o mais preparado para governar o país, sem responder ao que lhe é perguntado.

A campanha de Serra tem suas decisões centralizadas nele mesmo, o que já foi motivo de críticas dos cabeças de seu próprio partido. Mesmo diante das cobranças de seus correligionários, ele não parece disposto a mudar, e a cada anúncio de nova pesquisa eleitoral mostrando sua queda e subida de Dilma, as críticas se renovam.

A estratégia de campanha de Serra junto à mídia tem sido um procedimento que já mostrou não funcionar contra Lula: a divulgação (e por vezes a criação) seqüencial de crises. Contra Lula nem mesmo a maior das crises funcionou – a do Mensalão. Contra Dilma já foram criadas crises antes da campanha começar (como a da agenda de Lina Vieira), e agora, em plena campanha, a estratégia continua, como no caso da crise do suposto dossiê contra Tucanos. Observe que nenhuma crise tem finalização (nada fica provado), mas a estratégia dos tucanos não se baseia na verdade, e sim no factóide: o importante é falar, mesmo que não se prove nada. E, apesar da estratégia da crise não estar funcionando, é mantida, o que prova outro defeito da campanha de Serra: não há outro caminho a seguir. Daqui pra frente, será bater e bater, de preferência abaixo da linha da cintura, um estilo já conhecido do PSDB.

Por fim, Serra criou um problema para sua candidatura: escolheu um vice do seu próprio partido, o senador Álvaro Dias (PR), entrando em rota de colisão com seu principal aliado, o DEM. Isso revela o grau de centralização da campanha tucana na pessoa do próprio candidato. O DEM ameaçou romper a aliança com o PSDB, o que parece improvável por um motivo simples: a quem irão apoiar, a essa altura dos acontecimentos? Ao Democratas não restará outra alternativa, a não ser engolir a decisão unilateral de Serra. Algo que demonstra o quanto o partido perdeu em importância, depois que perdeu seu único governador eleito (José Roberto Arruda, do DF).

A jornalista Denise Rothenburg, do Correio Braziliense, revela uma estratégia inacreditável do candidato tucano: Serra acredita que com a escolha de Álvaro Dias irá ganhar, apenas no estado do Paraná (que tem 7,6 milhões de eleitores), votos suficientes para reverter sua desvantagem e ganhar a eleição. Nunca um candidato ou um vice do Sul do país decidiu nenhuma eleição. Não se sabe de onde Serra tirou essa ideia. Aliás, como bem lembrou Denise Rothenburg, faltou combinar com o eleitor.

Na modesta opinião deste que vos escreve, Serra apenas quis se livrar do DEM, que é praticamente um peso morto, não acrescenta voto e não tem nenhum palanque de peso pra oferecer nos Estados – além de ser um partido muito comprometido com políticos tradicionais, coronelistas e muitas vezes envolvidos em denúncias de corrupção. Como o ex-quase vice de Serra, José Roberto Arruda. Serra precisa de um discurso anticorrupção, e por isso rifou o DEM, que poderia trazer-lhe mais dores de cabeça do que bons insumos.

* Alan Souza, Brasília-DF. Blog: prof.alan.blog.uol.com.br.

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  1. bruno dias bento (30–06–2010 1:30 am)

    alan, concordo com você. e “e agora, josé?”

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    Alan Souza:

    Bruno, vamos mais além: o próprio José Serra anunciou, agora há pouco, o deputado federal Índio da Costa (quem?), do DEM/RJ, para seu vice.

    Significa que Serra não tinha mais ninguém além de um deputado federal de primeiro mandato para colocar na cadeira.

    E que ele abriu mão de seu “Estado Salvador”, o Paraná.

    Ou seja, conformou-se em perder a eleição, já que ele contava com os votos do Paraná para a “virada”…

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  2. Ary Martini (30–06–2010 9:08 am)

    A verdade, no fundo, é uma só: É impossível fazer oposição consequente e propositiva ao governo do presidente Lula. Por tabela, é impossível derrotar uma candiata apoiada por um governo com tais índices de aprovação pessoal e institucional. Por isso José Erra vai perder (e bem perdido!) no primeiro turno.

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    Alan Souza:

    Ary, até a própria imprensa aliada de Serra parece estar abandonando o barco. Sobre isso, leia a crônica da jornalista Ruth de Aquino na Época desta semana. O título, para desgosto de Serra, é “a virada de Dilma no primeiro tempo”…

    Transcrevo aqui só o parágrafo final:

    “Dossiê, aparelhamento e Bolívia são palavras de ordem que não ganham nem eleição para síndico. Agora, Serra aposta no erro da adversária, e não em suas próprias jogadas para reverter o resultado no segundo tempo. Já o Lula acha que não adianta chorar, a nega está lá dentro…”

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    Alan Souza:

    Ary, última forma, perdoe-me por ser desatualizado: não é só a imprensa que está largando Serra de mão, até mesmo o deputado Rodrigo Maia, do DEM/RJ, um dos principais líderes do Democratas, parece já ter entregue os pontos. Segundo ele: “a eleição nós já perdemos, não podemos perder o caráter”. Leia aqui: http://migre.me/Tk2r.

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  3. Serra atira no próprio pé | ESTADO ANARQUISTA (30–06–2010 12:18 pm)

    [...] Souza pelo Amálgama [...]

  4. Thaís (30–06–2010 12:43 pm)

    Pra vc que não entendeu porque o vice do Serra não é do DEM http://www.amalgama.blog.br/06/2010/serra-mira-o-proprio-pe/

  5. Idaulo Cunha (30–06–2010 10:38 pm)

    Fiquei em estado catatonico ao ouvir a notícia que o DEM indicará um deputadfo neofito e amplamente desconhecido para o alto cargo de candidato a Vice presidente na chapa do principal homem público de envergadura inquestionável no Pais.
    Ao ver a imagem do grande senador Jorge Borhnausen imaginei que ele conduziria a seleção no elenco de homens com grande valor dos quadros do DEM pra oferecer como candidatos ao cargo de candidato a Vice.
    Parece que ele foi surpreendido pelo expontaneidade do grupo juvenil do Partido, que se esqueceu que a candidatuta de Serra e a indicação de seu Vice é maior e mais relevantes que arroubos e desavenças de jovens políticoc.
    O DEM não pensou que a metade dos eleitores brasileiros estava acompanhando com apreensão o desfecho da sua Convensão. Os dois candidatos, uma vez indicados, são nossos candidatos, nossas esperanças de mudança do stoto quo.
    Há tempo, Jorge e jovens dirigentes- escutem os clamores do |Brasil. Jorge voce já liderou o magnifico movimento da Frente Liberal, que conduziu a vitoria de Tancredo. Haja(m) com e epolgação de Tasncredo em seu inolvidável discurso, como candidato, iincorporem as palavras que diziam- Tiradentes ensandecido de espírito de brasilidade conduziu o primeiro movimento de independencia.

    Com esperança de que o DEM mude seus critérios de avaliação e indique um nome que some votos e prestigio a SERRA.
    Não entreguem antecipamente e de bandeja a derrota de SERRA, a nossa derrota de ver varrido o grupo que se apoderou do Pais.
    Senador Jorge pelo teu passado de glórias – lidere um movimento interno do DEM e reveja a indicação do atual indicado. Voces já retiraram a candidatura do primeiro indicado a Vice na chapa de Trancredo- Senador Guilherme Palmeira.
    O tempo não se esgotou, ainda podemos salvar o Brasil
    Idaulo

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    Alan Souza:

    Idaulo, lamento desfazer suas esperanças, mas… “homem público de envergadura inuqestionável”? Você está falando de quem? Do Serra não é. Depois de escândalo Alstomm, da falência da Educação e da Segurança Pública paulistas e de mais de 50 CPI’s barradas pelo rolo compressor tucano na Assembléia Legislativa de São Paulo, certamente não pode ser dele.

    “Homens de grande valor dos quadros do DEM”… Quem são? Aponte um só, por favor. O DEM é um bando de saudosos da Ditadura, já deviam ter sido relegados ao lixo da história há muito tempo. A única coisa de “valor” que o DEM produziu, através de seu único governador, José Roberto Arruda, foi o Mensalão do DF. Realmente, os valores desviados dos cofres públicos são impressionantes!

    “Metade dos eleitores brasileiros estava acompanhando com apreensão o desfecho da sua Convensão” (sic, a a palavra correta é “convenção”)… Nessa você se superou. Metade do Brasil olhando aflita a convenção do DEM? Só se for nos sonhos do ACM Neto! Nem o Serra tem metade dos eleitores olhando pra ele, que dirá esse resquício do autoritarismo e da extrema direita chamado DEM, que está em processo de desintegração!

    Por fim, me indique um nome do DEM que some votos e prestígio. Só um.

    E aproveite pra ler, no blog do Fernando Rodrigues, da Folha (nesse você deve confiar, ele é de Direita e ardoroso defensor dos Tucanos), o motivo pelo qual o próprio Serra não queria um vice do DEM (leia aqui: http://migre.me/Tsgl).

    Serra só engoliu esse ilustre desconhecido, Índio da Costa, para não perder os minutos de TV do DEM. Só por isso mesmo…

    Ah, e quanto perder a eleição, não se preocupe: o próprio Rodrigo Maia, cabeça coroada do DEM, já entregou os pontos. Leia meu comentário acima, à resposta do Ary Martini.

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  6. antonietto (1–07–2010 2:03 pm)

    Como eu já havia previsto, o PSDB entrou na campanha presidencial já derrotado no 1º turno qdo. referendou a pre candidatura do egocêntrico e centralizador Sr. José Serra em detrimento de apresentação de um projeto concreto de governo por parte de outros pré-participantes. Aliás essa não é a 1ª vez que o fato ocorre. Lembremos na convenção para candidato a Gov. de SP. onde o Alckmin tinha todos os ingredientes para a disputa…outro fato foi a teimosia do rapaz da ex-UNE em lançar-se pre candidato a presidente e, com o consentimento do partido , em detrimento de pelo menos ouvir o candidato Aécio .. esse sim tem brios… tb. com o avô que teve…prova que o berço favorece..
    Essa situação mostra que, infelizmente, o PSDB entra numa campanha eleitoral derrotado moralmente pelo fato de o candidato de oposição necessitar se preparar muito bem para enfrentar a popularidade o então presidente….
    Hoje já não se discute mais se é possível o presidente ter o poder de repassar seus votos para sua candidata…percebem ??? o fato é irrelevante… porque a fila anda…
    Infelizmente quem perde com isso é o país que poderia , com candidatos e projetos melhor elaborados ,dar um salto de qualidade na apresentação e programa de governo para melhoria de nosso povo.

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    Alan Souza:

    Antonietto, como bem definiu o Josias de Souza, o PSDB é uma agremiação de amigos inteiramente composta de inimigos.

    Agora, me esclareça: você acredita mesmo que o PSDB poderia apresentar um programa de governo de qualidade e que melhorasse o Brasil?

    Durante o governo FHC a cartilha tucana foi uma só: desmantelamento do Estado, pequenez econômica, investimento em infraestrutura próximo do zero e muita propaganda e maquiagem pra mostrar pro povo que isso era bom pro Brasil. De lá pra cá o PSDB não mudou uma linha de suas ideias gerais.

    São Paulo sofre com a falência da educação, da saúde e da segurança pública. O rombo do Detran paulista é de 70 milhões, atolado em corrupção. O principal candidato a vice do Serra era o Arruda. Cadê a qualidade e a melhoria pro Brasil, com esse pessoal?

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