Igarapeba: uma fábula nordestina

por Fernando da Mota Lima – Por duas vezes Igarapeba foi arrancada da sua vil e sofrida obscuridade. A primeira, no início do remoto ano de 1964; a segunda, no dia 29 de junho deste ano, quando entrou no noticiário estadual e nacional graças às enchentes que devastaram muitas cidades e vilas de Pernambuco e Alagoas. A primeira data está associada à passagem de Antonio Callado por Igarapeba, então assaltada por um clima de mudança e agitação política absolutamente inéditas na sua história sem história. Callado veio do Rio de Janeiro para escrever uma série de reportagens sobre a tensa e potencialmente explosiva situação política de Pernambuco, sobretudo na região dos canaviais ainda amarrados a relações de produção e trabalho típicas do Brasil colonial. As reportagens, mais tarde enfeixadas no volume Tempo de Arraes, foram publicadas no Jornal do Brasil poucos meses antes do golpe militar que sufocou as transformações em curso no país e particularmente em Igarapeba.

Na reportagem, depois capítulo de livro, intitulada “Fábula da Igreja e do Partido Comunista”, Callado descreve a atmosfera de tensão social liderada pelas duas forças empenhadas na hegemonia do nascente movimento dos trabalhadores organizados em sindicatos rurais: a Igreja Católica, tradicional aliada da oligarquia regional, e o Partido Comunista orquestrado pelo combativo Gregório Bezerra. Callado foi a Igarapeba entrevistar o padre Edgar Carício, líder do sindicato rural na região que compreendia a vila de Igarapeba. Citando o próprio Callado, o encontro ocorreu “… em Igarapeba, um fim de mundo a 175 km de Recife, à beira do grandioso e pérfido Rio Piranji”. O adjetivo grandioso entra na frase, convenhamos, como um cochilo retórico do admirável romancista. Pérfido, com suas águas contaminadas pela calda das usinas e da miséria ribeirinha, o Piranji sempre foi; grandioso, apenas quando seu volume ameaçador transbordava durante as enchentes ocasionais. É o que agora volta a acontecer, só que num grau de devastação sem precedente.

Liguei a TV ontem (29) à noite para ver o noticiário sobre as enchentes na tradicional zona canavieira de Pernambuco. De repente, vejo Igarapeba enquadrada em planos gerais filmados de um helicóptero. Em seguida, cenas filmadas na própria vila: as águas do rio grandioso e pérfido rolando barrentas, os vestígios da ponte destruída, único ponto de conexão entre a vila e a estação ferroviária, que há muito não acolhe trens, e a estrada sinuosa e lamacenta que conduz à rodovia e à “civilização” pernambucana. Por fim o povo, o mesmo povo da minha infância. Vê-lo na TV, com seus corpos retalhados pela miséria e o obscurantismo daquele mundo sem história é repor na minha consciência e memória o pior de minha infância. Quando Antonio Callado passou por Igarapeba, eu, ainda menino, vivia já no Recife, onde vim estudar com toda a minha família. Sendo assim, nada sei em termos de experiência vivida de tudo que aconteceu naquele remoto e turbulento ano do governo Arraes.

O que sei, ouvindo o repórter da Globo enquanto a câmera enquadra planos da vila, é que três coisas cresceram em Igarapeba desde a esquecida passagem de Antonio Callado pelas suas poucas ruas: a população, a miséria e a força destrutiva do pérfido Piranji, agora justamente grandioso. À fábula ironicamente esboçada nas páginas das reportagens e do livro de Callado soma-se uma outra, ainda mais terrível: a da inércia social e política que há séculos castiga uma região assolada pela miséria e o desamparo das gentes. A enchente traz para Igarapeba e sua população irreparavelmente sofrida apenas essa dádiva divina: Igarapeba está na Globo, Igarapeba enfim existe para o Brasil, talvez para o mundo que sopra histericamente suas vuvuzelas para animar em escala global uma Copa do Mundo que tem mais ruído do que futebol.

Por fim, um outro sopro de memória acionado pela reportagem da Globo. Custa-me ainda compreender o arbítrio da memória humana que recria num passado tão brutal apenas os traços nostalgicamente transfiguradores da realidade. Aludo, noutros termos, aos processos psíquicos que nos transportam de volta à infância vivida entre escravos, desvalidos e tantas outras formas brutais de opressão selecionando desse mundo submerso apenas as memórias de beleza e gratificação egocêntrica. Penso, por exemplo, na célebre passagem de Minha Formação na qual Joaquim Nabuco, nosso grande abolicionista, recria nostalgicamente sua infância de senhor de escravos; penso nos meus parentes e amigos provenientes de Igarapeba, que organizam anualmente um Encontro dos Amigos de Igarapeba para celebrar um passado que idealmente recorta apenas a memória conveniente à nossa natureza egoísta. É por essas e outras que cultuamos o mito da infância feliz. Em contraponto, penso em Infância, de Graciliano Ramos, obra rara na grandeza com que investe contra nossas entranhadas mitificações do passado e da infância.

Passada a enchente, que deixará rastros de miséria ainda maiores do que aqueles secularmente enraizados na vida dos igarapebenses, Igarapeba afundará novamente na sua vil e sofrida obscuridade. Seus poucos privilegiados, os que de lá saíram para viver uma vida melhor, certamente renovarão o encontro anual no qual confraternizam por um dia na igrejinha da vila com os humilhados e ofendidos condenados a mofar naquela Sibéria tropical. Como a fábula da miséria nordestina se prolonga através de séculos sem vestígios de solução aparente, é provável que no futuro próximo sobrevenha outra enchente de semelhante magnitude para repor Igarapeba no noticiário do Brasil, talvez do mundo.


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  3. cap 01/07/2010 em 10:11 pm

    O que me deixa pasmo é constatar que de um solo tão hostil brote inteligências tão brilhantes. São os mistérios da vida.
    abraço,
    cap

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    • CARLOS GILBERTO GUSMÃO 20/08/2010 em 4:47 pm

      É, meu camarada, Igarapeba é assim mesmo, alem de Fernando Mota sairam de lá figuras de expressão internacional como; Waldemar Lopes. um dos maiores sonetistas do Pais, que tem nome de praça na cidade do Porto em Portugal, Amauri de Medeiros, presidente da Academia Pernambucana de Letras. Grandes nomes do passado como: Alcides Lopes, Edmundo Gusmão que escreviam para um Jornal Local e correspondiam para o Jornal do Commercio de Recife. Poetas, Artistas plásticos,etc. Visite Igarapeba.

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  4. Ezio Jose 02/07/2010 em 1:24 am

    Sempre foi difícil para o ser humano a mudança de opinião, aliás, as mudanças em geral. Existem cidades grandes e até capitais de Estados que nunca aparecem nos noticiários para justificar suas belezas; quando aparecem é porque algum crime, alguma calamidade aconteceu. As notícias más sempre são mais consumidas.
    A sociedade foi organizada desde os princípios para questão de trocas com a demanda de ofertas e isto ficou impregnado até nos líderes políticos, mesmo porque este são produtos do meio. Enquanto o indivíduo não mudar seus conteúdos o mundo à sua volta não mudará. Isto é que precisa as igrejas fazerem e não fazem. Claro, elas necessitam da ignorância humana para sobreviverem.

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  5. Oseildo Florencio dos Santos ( Dido Brasil) 03/08/2010 em 2:50 am

    Fernando da Mota, de início fiquei muito feliz ao ver um texto na internet de um filho da terra, mas infelizmente, percebi nitidamente uma frustação, uma revolta do meu conterrânio, provavelmente de péssimas lembraças da aurora de sua vida.
    1- Igarapeba não foi notícia apenas duas vezes. Lembra do crime do padre Hozano? Foi notícia até no Brasil e no MUNDO!!!!
    Outra, Igarapeba teve o privilégio de receber o ator que interpretava 007 Hoger Muoor.
    A Fundação José Luiz da Silveira Barros Sobrinho, centro educacional no qual eu lecionei, foi escola modelo no Brasil. Eramos referência, do Programa de Eradicação do Trabalho Infantil ( PETI). Várias matérias e notas foram publicadas nos principais jornais e revistas.
    Igarapeba também serviu de cenário para o cinema brasileiro, atuamos como figurantes No filme História de Um Valente Homem Feito de Flôr a Ferro. Narra A brava história de Gregório Bezerra. E eu nesse fim de mundo como você afirma, fui escolhido para ser produtor local. É uma “pena” quando você diz:
    “corpos retalhados pela miséria e o obscurantismo daquele mundo sem história é repor na minha consciência e memória o pior de minha infância.” A pesar das dificuldades que passamos somos felizes, longe das drogas, da poluição, aqui nossas crianças brincam livres, longe de sequestros e assaltos, elas brincam de bonecas de pano, de barro ou de carrinhos artesanais. Elas não brincam com armas de fogo, com cachimbos de craque ou cigarros de maconha.
    ,Você, transpassa seus limites de revolta quando diz: ” certamente renovarão o encontro anual no qual confraternizam por um dia na igrejinha da vila com os humilhados e ofendidos condenados a mofar naquela Sibéria tropical. ” essa Sibéria a qual você se refere é rica em cultura, temos vários artistas seja na dança, no teatro, nas artes visuais ou na literatura. Não esqueça que daqui saiu um acadêmico Dr. Waldemar Lopes, Grandes nomes como Amaury de Medeiros, Edmundo Gusmão entre outros. Hoje Igarapeba, apesar da péssima administração política, o indece de analfabetismo e mortalidade infantil reduziram, temos muitas pessoas graduadas e pós-graduadas e brevemente mestres. O que falta na realidade, é pessoas como você filho da terra se mobilizar e fazer sua parte. Fique com Deus!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Aguardo respostas anciosamente, gostaria que vc falasse-me mais sobre sua família talvez eu tenha conhecido sua história. Fica na paz!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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    • Fernando da Mota Lima 03/08/2010 em 1:22 pm

      Caro Oseildo:
      Acabo de ler seu extenso comentário relativo a uma crônica minha postada no Amálgama. Antes de tudo, prezo o tom compreensivo e educado do seu comentário, ainda mais se considero que ele diverge profundamente do que escrevi. Devo ainda lhe agradecer por corrigir minha ignorância acerca de muito do que aconteceu em Igarapeba desde que dela me afastei completamente. É evidente que escrevi a crônica do ponto de vista de uma pessoa há muito desligada do seu mundo de origem. Aliás, queria esclarecer que sou nativo de São Benedito do Sul. O fato de sempre me identificar como nativo de Igarapeba é uma evidência de que não a renego. Você sugere explicações puramente biográficas para o meu ponto de vista. Isso é em parte verdadeiro, mas o tom crítico da minha crônica refere-se antes de tudo à permanência de um estado de atraso social e de manutenção de miséria que substancialmente permanece o mesmo desde a data remota em que Antonio Callado visitou Igarapeba. Sem negar mudanças como as que que você assinala, foi isso o que pretendi traduzir na minha crônica. Sei que quase todo mundo tende a idealizar seu lugar de origem, por pior que seja. Minha família também é assim e procuro compreender perfeitamente a memória idealizada que preserva da nossa remota vila. Queria por fim lhe dizer que em muitos sentidos vivi em Igarapeba uma infância feliz, mas isso não me impede de reconhecer as condições de atraso e miséria que ressalto na crônica. Confesso que não encontro razões para idealizar os horrores que vi durante minha infância e adolescência em meio à maioria da nossa população, antes de tudo entre os trabalhadores da cana entre os quais vivi muitos anos. Muito grato pelo comentário educado e esclarecedor, Oseildo.
      Fernando.

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    • Carlos Gilberto Gusmão 17/08/2010 em 11:13 pm

      Caro Irmão conterrâneo Dido. O Blogueiro em questão é meu querido primo fernando Mota, filho de Antônio Gomes de Lima, fornecedor de cana dos arredores das cobras. Morador da casa ao lado da residencia de Dorgival Barros, pai da nossa Socorro Barros Duran. Fernando é sociólogo e professor por mais de vinte anos da Universidade Federal de Penambuco. A crônica do Fernando só pode ser traduzida de um sentido sociológico sem a emoção de idealizar seu lugar de origem. Fernando, nosso conterrãneo, tem muitas coisas interessantes no seu blog. Visite e conheça um pouco de mais uma grande figura de nossa IGARAPEBA QUERIDA E INTOCÁVEL. Abração ( chego aí por este dias e conversaremos sobre o assunto)

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    • Carlos Gilberto Gusmão 19/08/2010 em 12:24 am

      Poetas reverenciam cidades destruídas pelas chuvas
      Paulo Carneiro
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      As enchentes que atingiram a Zona da Mata Sul de Pernambuco e a Mata Norte de Alagoas no mês passado foram tão cruéis quanto um terremoto, dos quais os brasileiros felizmente estão livres.
      Nos dois Estados, cidades, vilas e aldeias foram por água abaixo, não restando, em alguns casos, um mínimo vestígio de fundações centenárias.
      Referindo-se a si próprio, Friedrich Nietszche (1844-1900) disse que alguns homens nascem póstumos. Acertou. Seu reconhecimento como um dos mais importantes filósofos da história só correu o mundo depois de sua morte.
      O mesmo parece se aplicar a algumas das localidades, como Herculano e Pompéia, na Roma antiga, sufocadas pela lama vulcânica do Vesúvio.
      Ou Igarapeba, na Mata Sul pernambucana, que agora também some, com a desvantagem de nunca ter vivido dias de glória.
      Um de seus filhos mais ilustres, o poeta Fernando da Mota Lima, lembra, comovido, em crônica publicada no portal Amálgama, que a vila flertara com a fama nos anos 60, mas a sorte não colaborou para um desfecho risonho.
      No auge das lutas camponesas, a entrincheirada Igarapeba recebeu o jornalista e escritor Antônio Callado para uma entrevista com o líder comunista Gregório Bezerra, eternizada no livro “Tempos de Arraes”.
      A brutalidade do golpe de 1964 mudou o destino da vila. É possível que as chuvas tenham completado o trabalho.
      Palmares é outra evidência de que há semelhança entre o destino de uma comunidade e o eco do saber filosófico.
      Com 65 mil habitantes e fama de “Atenas Pernambucana”, a cidade mostrou-se fértil na revelação de poetas e escritores em meio às plantações de cana de açúcar.
      Destacam-se o poeta modernista Ascenso Ferreira (1895-1965) e o jornalista, teatrólogo e romancista Hermilo Borba Filho (1917-1976).
      Autor de uma obra original, Hermilo nasceu no Engenho Verde, onde há muito o matagal impertinente ocupou o espaço da poesia.
      Há quem prefira o Hermilo da fase do realismo fantástico, mas a autobiográfica tetralogia “O Cavaleiro da Segunda Decadência”, editada pela Civilização Brasileira, é a melhor forma de conhecer o escritor.
      No primeiro livro da série, “Margens das Lembranças”, o autor apresenta o cenário agridoce da mata sul pernambucana. A geografia, pura aos olhos da criança, deforma-se ante a fúria predatória dos usineiros.
      O mesmo Rio Una que agora espalha tristeza, na prosa de Hermilo é manancial de alegria, esperança e vida para uma população solidária. Nele, o personagem Miguel Pescador, exerce o ofício sob o olhar admirado do narrador, que absorve lições de sabedoria na interação do homem com o meio.
      Essa Palmares é preservada pela literatura, mas a revolta das águas por pouco não causa estragos também na ficção ou parte dela.
      O Teatro Apolo, palco de artes e artimanhas do escritor jovem, foi coberto pela lama e por pouco não desaba.
      Fica a esperança de que uma nova era ressurja após o dilúvio.
      PAULO CARNEIRO é vice-presidente do Diário de Guarulhos.

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  6. amara belo gonçalves 03/08/2010 em 12:23 pm

    MANDOU BEM DIDO BRASIL, EU NÃO SOU BEM INTELECTUALMENTE, MAS TODOS ESTES OCORRIDOS QUE VC CITOU EU LEMBRO DE ALGUNS , POR EXEMPLO O CASO DO PADRE OZANO. E MAIS ALGUNS. EU ESTOU FORA DE IGARAPEBA HÁ MAIS DE TRINTA ANOS , MAS TENHO UMA PARTE DE MINHA FAMILIA MORANDO AÍ, FIQUEI MUITO TRISE COM ESSA ENCHENTE, MAS TEMOS QUE LEMBRAR DAS COISAS BOAS QUE ACONTECEU SIM E QUE MUITAS OUTRAS BOAS VIRÃO COM CERTEZA. ABRAÇOS PARA TODOS IGARAPEBENCES.

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  7. Erik d Andrade Silveira 03/08/2010 em 11:49 pm

    Mesmo com uma certa discordância (e vejo com razão), as boas palavras do blogueiro Fernando da Mota Lima tem uma linha de raciocínio meramente capitalista, certo de que ele por ser natural da zona da mata sul, de uma pátria margeada pelo Rio Piranji, queria ver sua cidadela com um pólo industrial de grande potencial e com maior desenvolvimento sócio econômico, é visto também que ele demonstra estar a muito tempo ausente, fala sem propriedade, tem uma visão selenita, sabe apenas o que viu na televisão. Vivo e convivo, logo afirmo: Igarapeba ainda é o melhor lugar de se viver, comparo com terras que conheci e vejo que como bem disse o caro internauta Dido Brasil: “Aqui se vive sem poluição, sem cigarros de maconha, sem o terror do crack” que leva pessoas sem limite de idade a cometerem os mais terríveis delitos e que assola famílias inteiras país a fora. Compare a linda Igarapeba com cidades vizinhas que conseguiram centavos a mais de desenvolvimento, não precisam ir muito longe e vejam que por lá a insegurança é igual à incerteza de dias melhores, sair da tal obscuridade tem um preço e se paga caro por isso. Sou a favor do desenvolvimento sempre com muita benevolência e cautela. Reafirmo convicto nas palavras: Os Igarapebenses estão muito bem, o que os falta são políticos sérios, pessoas comprometidas com a desigualdade social, não assistencialistas como vejo alguns meros aproveitadores das necessidades dos menos favorecidos, Igarapeba ainda é sinônimo de qualidade de vida, com habitantes valorosos que precisam de oportunidade.
    Não precisamos de novas enchentes ou catástrofes para servir de manchete e virar assunto de imprensa, diferente do que pensa o caro blogueiro desassisado que se intitula privilegiado por ter saído de uma “Sibéria tropical”, da obscuridade. Saiba meu caro que há pessoas que fazem o caminho inverso ao seu, um sujeito ímprobo e traumatizado na infância.
    Erik de Andrade Silveira – Brasília-DF 03.08.2010

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  8. Ary Sampaio 06/08/2010 em 8:00 pm

    Também nasci e vivi em Igarapeba nos gloriosos anos 80, e devo dizer que o autor deve ter tido inúmeros traumas para, num meio internacional como a internet, vociferar contra a pacata e boa Igarapeba, destratando a boa província como uma espécie de Sibéria tropical. Em Igarapeba tive grandes amigos, joguei bola de gude descalso, além de futebol com os amigos. A gente não tinha preocupação com violência nem com nada. Éramos felizes. Até hoje lembro de Igarapeba onde a felicidade me acenou com mais força. Se você é igarapebense e não gosta da cidade por motivos pessoais, por que difamá-la na internet? Quantos sulistas não leráo o seu texto e dirao: “Por isso não vou ao nordeste, o nordeste é Sibéria”. Muitos pegaráo o seu texto e leráo em voz alta para amigos do sul, dizendo que no nordeste so tem miseria. Nao eh verdade. O brasil ganharia muito se fossi parecido com igarapeba.

    Responder
  9. Fernando da Mota Lima 07/08/2010 em 8:29 am

    Caros leitores igarapebenses:
    Tinha decidido não mais comentar os comentários das pessoas que concederam atenção à minha crônica por achar, a partir de certo momento, que seria inútil explicar a crônica e minhas intenções. Acho ainda que continuarei sendo mal interpretado. Por que então respondo? Respondo porque respeito o leitor, é para ele que escrevo e quero na medida do possível discutir com ele. Só não discuto com gente que rompe esse limite sagrado do respeito e da comunicação humana civilizada.
    Acho no entanto inútil explicar-me ainda porque feri uma coisa que é cega contra o argumento racional: feri o orgulho de alguns igarapebenses cujos comentários acima deixam isso evidente. Se me lessem deixando de lado esse mito poderoso, o orgulho ligado a nosso lugar de origem, notariam que minha crítica não tem uma linha contra Igarapeba ou os igapebenses. Aliás, na minha resposta a Oseildo deixei isso tão claro que até confessei o fato de que não sou igarapebense de origem, mas sempre me apresentei como tal por ser o lugar da minha vida consciente, o lugar onde vivi minha infância com a consciência e a memória que dela preservo. Se me lessem fora dessa prisão emocional, o orgulho pelo lugar de origem, notariam que estou criticando os horrores do atraso social que mantém Igarapeba e os igarapebenses, na sua maioria, em condições de atraso e miséria indignas de seres humanos. Se essas pessoas que me criticam com tanta incompreensão e até ressentimento tanto exaltam Igarapeba, por que saíram de lá, assim como eu e todos que puderam encontrar melhores condições de vida? Por que o senhor Erik, que vive em Brasília, com certeza em condições bem melhores do que as que teria em Igarapeba, não volta para lá? Tenho amigos e parentes que ainda visitam Igarapeba. Tenho até um primo muito amado que ama Igarapeba ainda tão intensamente que reformou uma casa para passar férias ou fins de semana lá. Respeito e admiro essa devoção pelo passado que lá viveram. Minha última visita a Igarapeba foi em 1986. Fui a pedido do meu pai, que queria visitar pela última vez seu último amigo de geração. Há quem ame seu lugar de origem, como o senhor Ary, e em nome de um mito, o orgulho de sua origem, se recuse a reconhecer a miséria e o atraso que dominam em Igarapeba. Além disso, fica ressentido com um igarapebense que ousa afirmar essa verdade. Há quem ame seu lugar tal como ele é. É o meu caso. Por isso sofro ao ver a permanência de todo aquele atraso e me recuso a tapar a realidade com uma peneira. Lamento, portanto, que alguns igarapebenses me tenham interpretado de forma tão equivocada.
    Fernando.

    Responder
  10. Carlos Alfredo Melo 07/08/2010 em 11:02 am

    Prof. Fernando,
    a discussão está tão animada, que já meu até vontade de conhecer a cidade de Igarapeba.

    Responder
    • Carlos Gilberto Gusmão 18/08/2010 em 12:18 am

      Caro Carlos Alfredo! A cidade de Igarapeba infelismente é um distrito de São Benedito do Sul. Visite as cachoieras do peri-peri e Caboclo. Tem um hotel fazenda que voçe vai gostar muito: http://www.fazendabetania.com.br Aproveita enquanto os igarapebenses discutem a cr\õnica do Fernandão. Abraço forte.

      Responder
  11. Aristóteles Ramos Cardoso 08/08/2010 em 3:06 pm

    Prezado Fernando Mota

    É um prazer enorme ter a oportunidade de lê tantas mensagens,pois o principal é resgatar este contato com tantas pessoas,quanta lembrança da nossa Igarapeba,da rua da lama,da rua do Cabugá,da baixa do choro,da disputa no futebol da rua de cima com rua de baixo,de jogar com bola de pano,da festa de Sanata Luzia, muitas lembranças.Sou filho de José Cardoso,cuja família sempres honrou e nunca ignorou suas origens,sendo uma famílis vencedora e que teve seu berço e as primeiras aulas ali,lembro da professora D.Bete,sua pamatória inesquecível,aprendi muito com ela.Coincidentemente passei na entrada de Igarapeba semana passada,totalmente calçada,da pista até a ponta que o rio levou.Gostaria de saber se o Fernando Mota é filho do Sr.Anton io Gomes,irmão de Roberto. Felicidades para todos igarapebenses.

    Responder
    • Fernando da Mota Lima 08/08/2010 em 8:59 pm

      Meu caro Aristóteles:
      Tanta água e anos rolaram sob as pontes, infelizmente também acima delas, que já não sei se posso tratá-lo como Tota, como o tratava nequeles anos remotos de Igarapeba impregnada de todas essas memórias que você enumera no seu comentário. Sou, sim, o Fernando que você identificou acima. Lembro-me da nossa amizade, que incluía Zoroastro, e sobretudo das nossas inesquecíveis peladas, dos jogos de futebol em Palmares etc. Outra coincidência surpreendente: acabo de escrever para sua irmã Cristina, que me escreveu da Alemanha. A filha dela descobriu o meu blog na Internet, que definitivamente tornou o mundo muito pequeno. Ela reduziu o mundo ao tamanho da nossa remota vila. Pedi seu e-mail a Cristina para lhe escrever. Um abraço de saudade de
      Fernando

      Responder
      • Aristóteles 10/08/2010 em 5:40 pm

        Caro Fernando
        Nossos contatos; 081-34699169- Candeias(residência de apoio)
        82-33136338(residência em Maceió)
        82-32188281(trabalho) aricardoso@grupojl.com.br
        82-99744640
        Na próxima ida a Recife vamos marcar para comemorarmos este reencontro,geralmente vou a cada 15 dias.
        Fiz Agronomia e semprei trabalhei em usinas,tanto no Nordeste como no Sudeste e hoje fico sediado em Maceió,onde o Grupo tem duas unidades em Minas e três em Alagoas,uma vez por mes vou a Minas,estou indo amanhã.
        Abraços
        Ari

        Responder
    • Carlos Gilberto Gusmão 18/08/2010 em 12:29 am

      Caro conterrâneo Tota! Foi preciso Fernando lançar esta cr\õnica, para muitos polêmica para que os filhos da terra surgisem de todos os cantos. Aproveito para convida-lo para os encontros que fazemos todos os anos na terrinha querida. Moro em Recife, no bairro da Imbiribeira, meu telefone é: 87561308/34474290. Abraço

      Responder
  12. Carlos Gilberto Gusmão 18/08/2010 em 12:39 am

    Sim, não esqueça de levar sua filmadora para registrar o encontro fraternal. Tá lembrado do nosso ultimo encontro no Paraiso das Aguas? Voçe estava com seus pais, vindos de igarapeba para pegar Zoroastro no clube. Vç não parava de filmar, lembra? Abraço

    Responder
  13. Marcus Diniz 19/08/2010 em 11:34 pm

    mal pude acreditar quando minha irma me disse que tinha um rapaz de igarapeba tirando onda com a cidade na internet e pousando de intelectual! Eu passei alguns anos da infância em Igarapeba e descordo completamente desse artigo do professor Mota Lima. Diz ele em sua biografia, que “ama a Inglaterra, onde teve a ventura de viver anos fundamentais de sua vida”. Mota Lima quiz na verdade nacer inglês, mas infelismente naceu em igarapeba! Que azar o dele! Por minha vez, eu tenho muito orgulho de nacer nessa terra abençoada, com pessoas muito doces e amigas que são muito mais interessantis que os ingleses. Mota Lima: já estive em Londres e confeço: entre Igarapeba e terra da rainha que manda tropas para o Iraqui e destrói a ecologia do mundo com suas potentes xaminés, eu prefiro a primeira.
    Igarapences: vamos se juntar pra tomar uma e fazer um dezagravo a brasileiros que amam mais a Inglterra que a propia terra.

    Responder
    • Fernando da Mota Lima 20/08/2010 em 10:05 pm

      Marcus Diniz:
      Fiquei me torcendo de rir quando afinal desvelei sua real identidade. Minha resposta é apenas esta: quem tem amigos como eu não precisa de inimigos. Bem que desconfiei quem de fato você era, Marcus Diniz. Estou ainda rindo, juro.
      Fernando.

      Responder
  14. Erik de Andrade Silveira 20/08/2010 em 9:32 pm

    Amigos São Beneditenses,

    Fico feliz por tantos reencontros! Quando no texto acima disse que fiz o caminho contrário ao do Fernado Mota foi porquê tenho vinculo com Igarapeba a pouco mais de um ano. Lá adquiri um pequeno terreno, antes conhecido como engenho Barra, me apaixonei pelo lugar e pelas pessoas, sempre que posso estou em São Benedito. Sou alagoano. Hoje divido meu tempo entre Maceió e o rancho em Igarapeba, quando não estou viajando a trabalho.

    Abraço a todos,

    Erik de Andrade Silveira

    Responder
  15. Aristóteles 21/08/2010 em 7:15 pm

    Caro Carlos Gilberto
    Com certeza nos encontraremos,lembro da Imbiribeira,onde Sr.Novaes adquiriu uma casa assim como meu pai José Cardoso,neste bairro reside minha tia Maria Luiza,ainda recordo da rua Julio Verne -54-, nos anos 60.
    Poderíamos marcar um encontro em Recife com certa antecedência,quando haveria oportunidade de reunirmos várias pessoas de Igarapeba,pense nisso juntamente com todos que frequentam esta página ou fora dela,pois a vida é muita curta e este BLOG foi muito feliz em permitir este reencontro.Tenho 4 filhos e 5 netos.
    Forte abraço
    Aristóteles/Tota/Ari Cardoso

    Responder
  16. carlos gilberto gusmão 08/01/2011 em 12:22 am

    IGARAPEBA, terra do ilustre Edmundo Uchôa de Gusmão. Ícone maior desta terra de encanto e magia, as margens do belo Pirangí. ” Um poema do ilustre Edmundo Gusmão”

    Defesa de minha terra.

    Sinto-me bem neste lugar tristonho.
    Pequena vila, filha da pobresa
    Isenta das divagações de um sonho.
    Que ostenta a pompa e odeia a singileza.

    Fertilíssimo solo onde a riqueza
    Acha a guarida e foge do progresso,
    -Pobre terra! Inda adoro essa tristeza!
    -Pobre terra! Inda abraço esse regresso!

    Porém não posso ver com meus bons olhos
    Os filhos de outros lares, de outras terras
    Procurarem transpor os teus encolhos.

    Que te afastam da moda e da vaidade,
    vendo com mofa o que o melhor encerras:
    Teus filhos…Teu futuro de cidade…

    SONETO DE LOUVOR A IGARAPEBA (Waldemar Lopes)

    Simples tu foste sempre, eu sei. No entanto
    Quantas lembranças boas tu nos dás!
    Tua humildade é Dom de teu encanto
    E quem te viu já não te esquece mais.

    Há sortilégios teus em cada canto.
    Teu luar, o teu rio, entre os demais
    São ícones do belo. Enleiam tanto
    Que se tornam eternos, no fugaz

    Passar do tempo, com ou sem magia.
    Tu pareces imune à dor do mundo:
    Trazes a paz a cada coração.

    (No silêncio da noite, construia
    teu poeta-maior, o bom Edmundo Gusmão,
    seus sonetos de amor e solidão.)

    Perdeste o nome. Não perdeste a alma.
    Tua doçura a angústia toda acalma.

    Responder
  17. MARIA DAS NEVES DA SILVA 12/01/2011 em 7:52 pm

    Só em pensar que tenho uma filha com um político deste destrito me revolta,não por ter minha filha,mas por ver o sofrimento do povo,e político nenhum faz nada é de se revoltar.

    Responder
  18. carlos gilberto gusmão 28/02/2011 em 4:26 pm

    pirangí

    rio da gente, faceiro e presente
    porém, ás vezes, pérfido,
    agressor e desleal.
    enfim, nós te amamos
    mesmo assim.

    Responder
  19. Aristóteles (TOTA) 13/03/2011 em 11:18 am

    Encontro de Igarapebenses.

    No mes passado,fevereiro, tive a oportunidade de rever vários amigos em Igarapeba, durante tradicional encontro anual, cujos baluartes Socorro Barros e Carlos Gilberto conseguiram implantar este encontro, quando no próximo ano deverá estar completando 200 anos a igreja de Igarapeba, necessitando de melhorias e que poderíamos desde já organizar um fundo para angariar ajuda no sentido de adotar a Igreja, com certeza muitos irão colaborar com recursos próprios e até conseguir através dos conhecimentos politicos, podem contar conosco ! Estava junto com minha esposa Alzira e foi um prazer enorme rever o colega de escola primária Mário Celso Gusmão e família,muitos anos, acredito que uns 40 anos ou mais, lembrei que ainda estudamos em uma escola na rua Motocolombó, no Largo da Paz,Recife, residíamos na Imbiribeira.Encontrei o Carlo Gilberto, sua irmã e esposo, tia Terezinha,Socorro e esposo, Darcy, Raminho e esposa. Durante a missa, muito bem organizada, lotada,o padre identificando as pessoas e estas falando ao microfone, dizendo o nome e que família fazia parte, todos emocionados, honrando sua origem, valorizando sua terra natal, é um verdadeiro resgate e quando fazemos uma retrospectiva da nossa infância, da luta que os pais fizeram na busca da educação, passando por Quipapá,Palmares,Garanhuns e Recife, luta esta que valeu a pena, pois foram vários igarapebenses que venceram, tornando realidade o sonho de todos aqueles pais que não mediram sacrfícios para encaminharem seus filhos, eu só tenho que agradecer, sinto-me realizado, pois foi nesta Igarapeba que iniciei o aprendizado da Escola da Vida. Obrigado aos meus pais José Cardoso(em memória) e Zezé Cardoso e a professoara D. Bete, inesquecivel sua palmatória ensinando a matemática.

    Responder
  20. amara belo gonçalves 15/03/2011 em 1:59 pm

    Oi pessoal!!! precisou tantas polemicas para que o destino reunisse os velhos amigos.
    qdo eu leio tadas essas opinioes de cada um de vcs, me vem na lembrança todos que eu conheci,
    claro que eles não me conheceram, eu morei em fazenda bananeira ,sou filha de Sr. Manoel Belo
    empregado do Dr Eutiquio. lembro de D. Zezé cardoso que fez todas certidoes de nascimentos,da maioria de nós.Sr edmundo gusmao d. Vitorinha Sr versoza, antonio costa e tantas outras pessoas importante desse lugar maravilhoso.um respeitoso abraço para todos tenho bastante fotos de igarapeba se podesse colocaria aqui. feliz reencontro pra vcs.
    tantos outros….

    Responder
    • carlos gilberto gusmão 22/04/2011 em 11:12 pm

      Amara Belo Gonçalves: Estamos esperando o envio das fotao que voçe prometeu que gostaria de envia-las. Peça ajuda a uma amiga sua e mande-nos estas fotos. Será de muita importancia para nós. abarção

      Responder
  21. Aristóteles (TOTA) 23/03/2011 em 12:41 pm

    Olá Amara !

    Lembro do Sr.Amaro Belo e o Dr.Eutiquio. Tenho grande lembrança de um trator de esteira que fazia estradas e muitas vezes íamos olhar aquela grande novidade, envie as fotos para nosso e-mail.
    arccardoso@hotmail.com

    Abraços
    Aristóteles

    Responder
  22. carlos gilberto gusmão 23/03/2011 em 4:38 pm

    Olá Amara! eu sou carlos gilberto, filho de Edmundo e Vitorinha. Faço parte do grupo que organisa, anualmente, o encontro dos igarapebensas que, na ocasião da solidariedade, resgatam fotos e lembraças dos velhos tempos, na terrinjha querida. Vç está convidada, desde já, para participar dos próximos encontros. Se possível, envie as fotos através do meu e-mail. gilcamarada@hotmail.com.
    Exemplo: voçe manda escanear as fotos e envia através de e-mail. um beijo

    Responder
  23. carlos gilberto gusmão 23/03/2011 em 5:12 pm

    ATENÇÃO, FILHOS E AMGOS DE IGARAPEBA.

    No próximo ano, a igreja de Santo Antônio de Igarapeba estará completando 200 anos. Solicitamos a todos que participem de alguma forma para engrandecer ainda mais a festa que estamos organizando.
    Enviar sugestões, ajuda…. e-mail gilcamarada@hotmail.com

    Responder
  24. zoroastro ramos cardoso 06/04/2011 em 5:46 pm

    Gente, estou realmente impressionado com o amor de tantos igarapebenses pela terra natal! Tenho a impressão que o autor do blog – meu inesquecível amigo Fernando com quem aprendi muito nas conversas coloquiais em Igarapeba, no Ginásio Agrícola de Palmares e no Recife sobre a literatura brasileira, portuguesa, inglesa, francesa e russa – sem querer, motivou muita gente, que vivia distanciada, a se comunicar através do seu blog, quase fazendo na prática uma apropriação deste, como agora faço sem me dirigir diretamente a Fernando, mas a todos os igarapebenses. Posso asegurar que Igarapeba continua fazendo parte da minha vida e tão presente no meu imaginário que, indiretamente, se expressa na minha produção acadêmica através de trabalhos historiográficos apresentados em eventos regionais, nacionais e internacionais. A pedido de Socorro Barros, deixei alguns textos para a biblioteca de Igarapeba com o título “VISÕES DE HISTÓRIA: confluências com o lugar de origem”. Assim que publicar meu primeiro livro, deixarei lá um exemplar. Ainda não publiquei porque pela Universidade Federal o livro não circula, fica restrito a biblioteca universitarias. Se alguem souber de uma editora (Bagaço no Recife ou outra) com boa distribuiçãoi nacional, mostre-me o caminho das pedras [preciosas].

    Não sei se alguém lembra do casal de adolescentes que demonstrou pra todos num baile em Igarapeba (meados da década de 1960) como se dançava o twist (uma variante do rock). Socorro era ali a moça do baile; o rapaz era eu (Depois perdi o jeito de dançar, mas ali “arrasei”). Socorro dançava muito bem. Não sei se ela perdeu o jeito como eu por conta de quase ter me tornado um monge beneditino.

    Lembro da feira de Igarapeba. Gente dos sitios, fazendas e engenhos enchiam a feira, que se estendia pela rua do Comercio e ramificava-se para a rua do Areado e em direção ao riacho Cobras, na parte baixa da vila, enquanto também se estendia em direção à Baixa do Choro, na parte alta. Havia no sabado a matança do Areado e outra no Cabugá. Comia o sangue de boi ainda quente nessas matanças. Gostava mesmo era de um churrasco assado na chapa do fogão de ferro lá de casa. Haja carne pra abastecer tanta gente. Na quarta já não havia mais carne bovina. Ninguém tinha geladeira. Era a vez de bodes, porcos, galinhas e peixes. Alguns caçadores vendiam paca, tatu e outros bichos. Hoje o IBAMA prende os infratores. Os canaviais ainda não haviam ocupado as áreas de policultura.

    Vou parar por aqui pra não tomar o tempo de vcs que deve ser precioso. Hoje tenho algum tempo livre, mas logo mais estarei na sala de aula, agora como estudante de Teologia. Fui católico, marxista que via a religião como alienação e hoje sou evangélico. Tenho muita experiencia pra contar. Não consigo parar de aprender um pouco sobre o mundo dos homens e o mundo de Deus. Para quem ainda não me identificou, sou Zoroastro (Zoro), irmão de Aristóteles e filho de Zé e Zezé Cardoso (donos de cartorio, armazem, mercearia e padaria na ex-rua da Ponte).

    A todos vcs um abraço cordial e saudoso. E ao meu velho amigo Fernando agradeço de coração por ter compartilhado comigo suas leituras tão plenas de experiência de vida sob a ótica de tantos escritores. Estou vivendo agora na Amazônia, porém, antes de partir, fui despedir-me de Igarapeba, minha mãe terra. Vi a ponte destruída pela enchente e fiz fotos dela. Ainda garoto pré-adolescente pulei algumas vezes de cima da ponte com o rio cheio procurando demonstrar coragem. Hoje sei que era um ritual de iniciação. Outros garotos fizeram também como eu. A mãe em casa nem sabia do perigo que o filho corria morcegando caminhões e trens, subindo em árvores altas e até em coqueiro. Os garotos de hoje aventuram-se pelo mundo dos jogos eletronicos e da internet. Os riscos são outros, talvez mais perigosos como a prostituição e pedofilia. Houve uma “cheia” em Igarapeba, “meninos eu vi”, que cobriu todos os degraus da estação de trens. Contudo, as enchentes anteriores não chegaram a inundar a plataforma da estação como a mais recente.

    Agora findo por aqui. Até outra oportunidade, gente como a gente da boa terra de Igarapeba.
    Com saudades dos velhos tempos que continuam no meu imaginário, um abraço bem pernambucano de

    Zoroastro Ramos Cardoso (ou simplesmenmte Zoro para meus conterrâneos)

    Responder
  25. carlos gilberto gusmão 19/04/2011 em 12:21 am

    No ultimo sábado 16 de abril, Igarapeba recebeu a visita do museólogo Aécio Oliveira, ex diretor do museu de Artes Sacras do estado, Newton Alves, Timóteo e Eduardo, que são restauaradores, pintores, e criadores no mundo da Arte Sacra, que realizam belos trabalhos através de exposições: em Pernambuco, em outros estados e fora do país. e o artista plástico Lula Gonzaga, muito querido no meio social do Recife. A comitiva vinda da capital a convite de Carlos Gilberto Gusmão, se encontrou com a equipe composta por: Raminho Ramos, Ivone Carneiro e Socorro Barros, que organizam a festa de 200 anos da Igreja de Santo Antônio, da Vila de Igarapeba, seguiram direto para a centenária Capela. Os artistas fizeram uma análise de orçamento de restauro do altar mor, pintura, forro e piso. Após os trabalhos os mestres foram omenageados com musicas, ato religioso e lanche. A ansiedade da equipe é que os trabalhos sejam concluidaos até 13 de junho, DIA DE SANTO ANTÔNIO.

    Responder
  26. zoroastro ramos cardoso 06/05/2011 em 4:18 pm

    Nesta primeira semana de maio de 2011 mais outra enchente atingiu comunidades rurais e urbanas do vale dos rios Pirangi e Una praticamente repetindo o flagelo do ano passado com graves prejuizos, evidenciando o descaso das autoridades governamentais nos três níveis administrativos. As pessoas atingidas direta ou indiretamente pela maior enchente dos rios Pirangi, Panelas e Una em 2010 nem se recuperaram dos prejuizos. Será que desta vez o descaso e a morosidade dessas autoridades darão lugar a iniciativas emergenciais concretas ou continuarão como projeto apenas no papel ?

    Responder
  27. Oséildo ( Dido Brasil) 29/07/2011 em 5:12 am

    Poxa!!!!!! Fiquei até sem fôlego ao ler tantos comentários. Mesmo acreditando que algumas colocações do artigo foi exagerada, valeu a pena. De um lado as evidências dos descasos políticos é uma verdade. Igarapeba tem 3 veriadores que nada fazem, exceto receberem seus salários, fazerem promessas e semanas antes da eleição “ajudar o povo com cestas básicas, botijões de gás e pegar a enérgia de alguns moradores.” De outro existem pessoas maravilhosas, que lutam honestamente para sobreviverem e que na hora da necessidade, dividem seu pão com o vizinho. Fiquei muito feliz em ver que meu comentário gerou uma boa polêmica épica, “todos lutando em defesa e amor à terra natal!” E, o mais interessante foi o elo de reencontro entre pessoas que à muito tempo não comunicavam-se. Eu sou filho de Deda, Neto de Dona Jaú, uma senhora negra de cabelos pretos e lisos, olhos glaucos e com traços de cabocla e que arduamente criou sem pai muitos filhos, netos e vários desamparados, trabalhando dia e noite nas cozinhas de dona Carminha de Dorgival Campos, Alfrachar Verçosa, do Sr. Braz, Zezé Cardoso, Augusto Freire, Antônio Costa… lavando e engomando roupas para D. Vera de Sr. Zé Luís. Nasci na década de 80, sou homossexual assumido, sofri os piores tipos de préconceito por ser o primeiro travesti de Igarapeba, mas venci! Consegui superar todos os obstáculos seguindo um dos principais conselhos que essa “GRANDE NEGRA” me ensinou, “A única herança que o pobre deixa para o filho é a educação. Estude para ser alguém na vida!” Hoje sou pós-graduado e continuo morando aqui na minha pequena vila, dando minha contribuição como Agente Comunitário de Saúde, e a noite leciono na cidade de Jaqueira.
    Visitem meu orkut didobrasildance@hotmail.com msn didobrasil24@hotmail.com

    BJS para todos!!!
    Grato

    Dido Brasil

    Responder
  28. maria 11/08/2011 em 1:02 pm

    nossa que bom q as pessoas ainda lembra da sua terra natal , conheço toda historia de igarapeba onde meus pais moram e meus avos moraram , tem 19 anos q sai de la mais tenho muita saudade dos meus amigos dido, alexandre e tantos outron q a muito tempo nao vejo sou filha de galego e dona severina q muito deve conhecer, morei na fazenda bananeira com meus avos seu Vitor e dona QUITERIA

    Responder
  29. maria 12/08/2011 em 1:45 pm

    Ola Dido parabens pelos comentarios maravilhosos, continue assim nao sei si lembra de mim sou nene filha de galego e severina vou ai sempre q consigo tira ferias.
    bjs

    Responder
  30. Dido Brasil 16/10/2011 em 3:35 am

    Oi Maria! Claro que lembro de vc, mas não por Maria, e sim NENA!!!! KKKK!!! Saudades de vc gata!!! Espero que você venha mais vezes. Sua mãe ficou super feliz ao saber que temos contato virtual. Poxa!!! Que bom em!! A final Igarapeba não vai tão mal assim, estamos na era digital conectados com o Brasil e o mundo. BJS linda!!!!!!

    Responder
  31. igarapeba 01/11/2011 em 10:09 pm

    Olá pessoal me segui aí no twitter @igarapeba.

    Responder
  32. Erik de Andrade Silveira 07/11/2011 em 2:26 am

    Amigo(a)s,

    Postei a pouco mais de um ano o meu sentimento e apreço por esta comunidade que me recebeu tão bem. Terra de pessoas amáveis, lugar aonde conquistei muitos amigos. Hoje com um pouco de insonia e navegando pela net, vejo que a conversação virtual continua viva. Viva!!! No início deste ano, conheci uma pessoa na casa da minha amiga “Tidinha” e por elas fui convidado à participar do Encontro dos Igarapebenses, foi a queridíssima de todos nós (hoje me incluo), Dna. Socorro Barros. Lá estive e tive a oportunidade de conhecer pessoalmente alguns dos filhos que descendem da encantadora Igarapeba e que aqui participam com os seus comentários. Ah, podem contar com a minha presença na próxima festa!
    Foi graças a tecnologia que aproxima as pessoas e a crônica do professor Fernando da Mota Lima, utilizando-se do seu blog com suas belas e rebuscadas palavras e que inicialmente fora mal interpretado que tudo isto foi possível. Vemos tantos reencontros, dos que estão aqui no Distrito com os que por determinação Divina saíram e estão produzindo noutras cidades, mas que não esqueceram suas origens. Parabéns!

    Einstein disse que: A mente que se abre a uma nova idéia, jamais voltará ao seu tamanho original.
    Que possamos todos juntos desenvolver idéias que impulsione positivamente para o crescimento daquilo que amamos.

    Abraços e que Deus abençoe a todos,

    Erik Silveira

    Responder
  33. igarapeba.terra 20/11/2011 em 6:22 pm

    estou tambem no fecebook.

    Responder
  34. carlos gilberto gusmão 04/12/2011 em 11:41 pm

    É verdade, amigo Erik!! A crônica de Fernando Mota nos proporcionou este espaço virtual. E aproveitando, mais uma vez este espaço do amálgama para convidar a todos para próximo ENCONTRO DOS FILHOS E AMIGOS DE IGARAPEBA, no dia 11 de junho de 2012, quando a igreja de Santo Antônio estará completando 200 anos. Participe!

    Responder
  35. carlos gilberto gusmão 06/12/2011 em 11:32 pm

    Atenção, pessoal: Uma correção na data do ENCONTRO DOS FILHOS E AMIGOS DE IGARAPEBA…

    11 de FEVEREIRO DE 2012. Vamos participar!!!!

    Responder
  36. erotides 21/12/2011 em 4:37 pm

    Igarapeba e de grande entendimento de professor a doutor, sairam daqui de dentro.

    Responder
  37. Erik Silveira 09/01/2012 em 12:46 am

    Grande, Carlos Gilberto,

    Com certeza estaremos mais um ano juntos.

    Quero aproveitar para convidar os amigos e amigas para um passeio a cavalo, intitulado: “Cavalgada dos Amigos de Igarapeba”. Será no dia 15 próximo. Sairemos com destino ao Assentamento dos Sem Terra em Ibateguara, AL e retornaremos para a inauguração do “Bar e Restaurante do Bodão”, como assim foi batizado em homenagem ao Serginho filho do Cosmo e da Neide, donos do estabelecimento, na rua da Estação. Lá iremos saborear um delicioso carneiro na brasa, um mocotó de primeira, além da banana verde cozida com sardinha que só a Dona Neide sabe preparar (Acho até que ela deveria mostrar aquela receita no programa da Ana Maria Braga). E tudo isto ao som do autêntico forró pé de serra do Trio Pai e Filhos. Não teremos venda de camisas (FREE). Foram confeccionadas 150 camisetas e restam pouquíssimas, mas se acabar as camisas, não tem problema vocês irão passear do mesmo jeito, só precisam confirmar a presença. Vamos aproveitar para apreciar as belas paisagens desta terra maravilhosa e nos confraternizarmos. O horário previsto para a saída da Estação de Igarapeba será às 08 horas da manhã. Esta brincadeira já foi transferida de data umas quatro vezes, pelos mais diversos motivos… (Risos) Até que enfim, iremos sair! Os organizadores são: Valdério e Carlinhos (Filhos do Sr. Valdir), o Carlinhos Vereador, o Cláudio que trabalha com o Sr. Fredd, Careca do Sr. Galego, Carrero, Zé da Cachorra, enfim, todos amigos que trabalham, passeiam ou usam como meio de transporte o melhor amigo do homem (O Cavalo).
    Será um prazer tê-los conosco!
    Att,
    Erik Silveira

    Responder
  38. erotides 17/01/2012 em 11:06 pm

    Oi pessoal o encontro dos Filhos e Amigos de Igarapeba sera no dia 11 de fevereiro, estamos organizando uma surpresa, vc ñ pode perder. Igarapeba tem de tudo eu sô fia naturà conheço a pedra que ronca là no fim do Cabugà. E padre sem cabeça inda reza missa là.

    Responder
  39. Carlos Gilberto Gusmão 26/01/2012 em 11:10 pm

    No próximo Domingo, 29 de Janeiro, Igarapeba receberá pela segunda vez a presença dos Olindenses Nilton e Timóteo, restauradores de artes sacras, com a finalidade de orientar um grupo de rapazes da terra, para darem apoio nos trabalhos de
    restauro do altar mor da secular igreja de Sto Antônio de Igarapeba. contamos com a presença de: Dido, Celso, Tiago, Pedro Paulo, Alexandre e Adilson para reunião na paróquia.

    Responder
  40. Erik Silveira 31/01/2012 em 11:16 pm

    Dna. Erotides (Tidinha), encontrei no sábado passado a Dna. Socorro e conversei com ela sobre a festa. Esta semana passo na tua casa para ajustarmos alguns pontos necessários conforme combinei com ela.

    Um forte Abraço,

    Erik Silveira

    Responder

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