O dossiê contra Serra e a cortina de fumaça

por Tiago Pereira * – Quando a campanha , ou pré-campanha como gostam os politicamente corretos, parecia transcorrer com certa normalidade, salvo multas, mútuas acusações de antecipação do processo e a rispidez de Serra com certos jornalistas (que ingrato!) e com a Bolívia (sic), eis que surge o componente que faltava: o jogo sujo. No momento em que Dilma passa a despontar nas pesquisas, tratam de ressuscitar os “aloprados”.

A expressão, cunhada por Lula, passa a fazer parte do jargão da política quando, em 2006, fieis escudeiros do petismo, um tanto atabalhoados, tentam adquirir um suposto dossiê contra Serra e são pegos junto com o montante de dinheiro necessário para a aquisição dos explosivos. O material nunca foi encontrado.

Retornam agora na figura de espiões. Não tentam mais comprar os tais “dossiês”. Teriam decidido fazer por conta própria, ou melhor, contratar quem soubesse fazer – justo agora, com a candidata prenunciando um voo tranqüilo? Entraram em contato com arapongas, gente da melhor espécie, ex-militares ou federais aposentados especializados em grampos e maracutaias.

Aí a história complica. Uns dizem que o objetivo óbvio seria a preparação de munição contra Serra. Outros aventam a hipótese de tensões entre grupos petistas, na luta por espaço. Quem é o alvo, afinal? E o mandante? Por excesso de responsabilidade ou falta de dinheiro, abortaram a missão. O suficiente para a mídia querer acreditar estar à frente da versão torta do “Watergate”. Como base, as denúncias do araponga. Super confiável, não? Pouco, ou nada, aprenderam com Woodward e Bernstein.

A bomba-relógio na verdade é outra, que oposição e mídia tentam desarmar desesperadamente. E não se trata de bomba suja. Não se trata também de Lanzotti, Onésimo, o araponga, ou Pimentel. O personagem chave é Amaury Ribeiro Jr. Premiado jornalista, Essos e Werzogs no currículo, que pretende lançar um livro, apoiado em farta apuração documental, não em escutas ou espionagens, que teria potencial de arrasar com o primeiro escalão tucano. Investigou, quando ainda era jornalista do Estado de Minas, os descaminhos, pra dizer o mínimo, dos processos de privatização do governo Fernando Henrique.

Lá estariam expostas as estranhas ligações entre a filha de Serra, o genro – de sobrenome Bourgeois (Burguês, do Francês) -, seu primo e Daniel Dantas, o bandido geral da república, chamado de “brilhante” por FHC, além de outras figuras de altíssima plumagem. Veja e Folha já estariam de posse de parte ou totalidade do material. Interesse em divulgar? Nenhum.

O que mais impressiona: uma das motivações para que Ribeiro Jr. iniciasse as investigações, ainda pelo jornal, teria sido um pedido do governador Aécio Neves. Seria um movimento de defesa contra a preparação de dossiês por parte da turma de José Serra, quando da disputa pela indicação do partido para a candidatura à presidência. Gente essa liderada por Marcelo Itagiba, ex-chefe de segurança no governo Rosinha Garotinho, e leal soldado de Serra e amigo de Dantas.

Alguém ai interessado em investigar tais tramas diabólicas, movimentações e dossiês, que de fato parecem ter sido produzidos, ou ao menos tentado? E as tais tramas escusas do período das privatizações, nunca serão devidamente esclarecidas? Será que o tal livro esclarece? O jogo sujo do Serra já é conhecido. Os aloprados do PT também. A grande mídia, idem. Serra, em mais um rompante, pede explicações. Foi interpelado pelo PT. Falarão na justiça. Dilma, como boa “guerrilheira”, ameaça mandar ao “paredão” gente próxima que se meter em furada. Como diria o Ciro, fora do páreo, “Durma com um barulho desse!”.

* Tiago Pereira, Mairiporã-SP. Blog: tiagopereira.wordpress.com.


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