O Brasil é longe daqui
por Milton Ribeiro – Eu acredito que os brasileiros têm cada vez maior dificuldade de identificar-se com sua Seleção. Os representantes da tal Pátria de Chuteiras usam Nike e seus pés pouco pisam o solo nacional. Não pensem que vou defender a indústria esportiva nacional ou tenha me tornado um bobo nostálgico que vá defender a manutenção de nossos craques no Brasil. O que escreverei tem apenas força de constatação. Era assim, hoje é assado.
Acostumado a ver times como a Internazionale de Milão – time que ganhou a Copa dos Campeões após ter entrado em campo sem NENHUM jogador italiano – ; acostumado a ver Lúcio e Maicon, por exemplo, naquela seleção mundial; acostumado a ver a CBF dando-lhes preferência nas convocações – pois seriam mais experientes em âmbito internacional – não há como alguém considerar a Seleção Brasileira sua óbvia representante. Sim, eles irão à Copa jogar por nós – isto é certo – e tornar-se-ão ídolos nacionais se ganharem; porém, se jogarem menos do que em seus clubes serão chamados o mais brandamente de mercenários. Neste caso, há possibilidades de nossa torcida achar mais divertida a Espanha ou a Holanda, por exemplo. O que quero dizer é que perdemos grande parte da emoção e a parceria entre time e torcida é hoje mais discreta, rarefeita. Vemos tanto o Campeonato Brasileiro quanto o Italiano, Espanhol ou Inglês. Nossos ídolos são quaisquer.
Tenho filhos adolescentes e, semana passada, eles discutiam para quem torcer. E, sim, havia os que gostariam de ver Brasil campeão e outros que queriam os argentinos ou holandeses no topo. Discutiam animadamente, com naturalidade. Uns gostavam de Messi e Milito, outros de Snejder e do futebol bonito da ex-Laranja Mecânica. Nada surpreendente. Somos um país estranho, nem nossa direita é nacionalista, muito pelo contrário… Não somos nem um pouco parecidos com nossos vizinhos neste quesito.
Para piorar, a seleção é convocada e administrada pela CBF, vista com antipatia por todos os torcedores que não sejam corintianos ou flamenguistas. Nos últimos anos, foram descobertos escândalos na arbitragem, assim como a entidade realizou mudanças nos jogos do Corinthians de 2005, com a clara finalidade de beneficiá-lo. O Flamengo… Bem, o Flamengo devia erguer uma estátua aos árbitros. Melhor dizendo, várias estátuas.
Mas derivo. A CBF, doida por dinheiro, também não se esforça muito para a identificação do time com a torcida e marca amistosos em qualquer lugar do mundo que lhe pague uma boa cota. Não lembro de um jogo amistoso da seleção em território nacional nos últimos tempos. Tais jogos são sempre vendidos para o exterior. Então, além dos jogadores viverem fora do Brasil, também não movimentam nossas cidades, torcida, hotéis, estádios. É tudo muito frio, distante. Como se não bastasse, há as convocações para estes jogos… Nada vai me convencer de que certas convocações vieram apenas para facilitar a venda de jogadores para a Europa. Sandro, do Internacional de Porto Alegre, foi vendido para o Tottenham logo após uma despropositada (e solitária) convocação; e o que dizer dos chamamentos – muito piores – feitos ao loirinho Mozart, ao piadista Eduardo Costa, ao “artilheiro” Afonso, a Vagner Love ou a Hulk? Parece sério?

-- Talentos internacionais que não se fixaram na seleção: (sentido horário) Mozart, Sandro, Hulk e Afonso --
Para terminar, há a imprensa brasileira. Com esta, convivemos diariamente. E ela é muito chata. Ela não quer apenas resultados. Quer festa e show. Sem show é uma merda. Para ela, o futebol dos times de Mourinho, por exemplo, não servem. O Mundial de 1994 parece hoje ser uma vitória da qual devemos nos envergonhar. O time do Parreira jogava feio – todos jogavam parecido naquela Copa – , então, aquele Mundial tornou-se a vitória de Romário e seus brucutus.
Espero uma boa Copa. Claro, sou louco por futebol. Vou torcer pelo nosso “escrete” e desejo jogos sensacionais, mas sinto em mim aquele germe, aquela vontade que tudo dê bem errado e que um país menor e inédito leve a melhor.


Suspeito que o Brasil vai fazer corpo mole nessa Copa, imaginando que a de 2014 já está no papo.
Torço pela nossa seleção, claro, mas queria muito que a Coréia do Norte fizesse um gol, só pra ouvir o Galvão: É da Coréeeia do Noooortiiii, amigo
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cellynha:
July 7th, 2010 at 12:21 am
vc é idiota né vey como a coreia fazer um gol doente
só se vc fosse tecnico
e nem isso a coreia naum chegava a fazer 1 pelo seu treinamento
dow a acoreia fez gol na copa sim só vc q naum viucara de b…
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Milton,
Um parágrafo inteiro aí no texto foi contrabandeado. Ainda que fosse verdade que a CBF favorece Corinthians e Flamengo, a conclusão de que por isso os torcedores teriam simpatia pela seleção de Dunga seria falaciosa.
Eu tenho horror a essa seleção — mesmo sendo corinthiano. A tese do benefício do Corinthians em 2005 é estapafúrdia do ponto de vista jurídico e sobretudo lógico. Primeiro, constata-se irregularidades e favorecimentos. Pra quem acredita num complô pró-Corinthians, a CBF deveria deixar rolar, transigindo com as intervenções ilegais, como se nada tivesse acontecido. Isso só faz sentido na cabeça de um anti-corinthiano. Segundo e mais importante, alguns jogos foram anulados e realizados novamente, portanto, a combinação de resultados favoráveis ao Corinthians é uma POSSIBILIDADE ENTRE OUTRAS, ou seja, os resultados poderiam também ter se combinado desfavoravelmente. Para ressalvar a tese do favorecimento é preciso acrescentar uma suposição claramente onerosa e inverídica: a de que a CBF também manipulou os resultados das novas partidas para favorecer o Corinthians. Além disso, como a CBF poderia saber, no meio do campeonato, que a diferença de um ou dois pontos seria determinante para decidir o campeão? Se ela não sabia, por que se arriscar por um diferença tão minguada, que poderia não garantir o resultado desejado?
A conta não fecha, é muito hipótese inaceitável. Eu entendo a antipatia por um time, tenho certa antipatia pelo Flamengo e uma antipatia pelos torcedores do São Paulo, mas esses malabarismos que vocês fazem pra culpar o Corinthians chega a dar torcicolo.
No mais, concordo com seu texto.
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Ronaldo Gomes:
June 3rd, 2010 at 2:36 am
Leonardo, em 2005 o Corintias conquistou a Copa Adilson Pereira de Carvalho ou se voce preferir a Copa Carlos Eugenio Simon, ou ainda a Copa Luis Sveiter, escolha aquele que voce acha que foi importante para a conquista daquele título.
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Leonardo Bernardes:
June 3rd, 2010 at 12:35 pm
Belo contra-argumento. Eu não saberia como responder, Ronaldo. Acho que só posso admitir que você está certo. (E talvez, com um pouco de boa vontade, sugerir um analgésico pra sua dor de cotovelo).
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O Brasil é longe daqui: http://tinyurl.com/37ppjct
@bernajribeiro http://tinyurl.com/37ppjct
Disse tudo Milton Ribeiro.
GOLAÇO!!!
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De bons anos para cá estou fora da exaltação futebolística, e tenho vários motivos para isso! Sinceramente, estou pouco me lixando para o que der e vier nessa Copa, juro! Preferiria, de coração, que meu país não tivesse adentrado a tabela classificatória, porém, não negasse aos seus filhos essa tal “gentileza” de Mãe Pátria tão gentil!!!! Desculpem, mas meu momento (e acredito que o de alguns, também) é outro… de recolhimento e tristeza!!!!!!! Um abraço a todos…
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CBF beneficia o Flamengo? Ok.
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Fico felicíssimo lendo o texto e os comentários, já bordei a sexta estrela, o hexa é nosso. Lembro vivamente de acompanhar, pelo rádio portátil japonês, a copa de 1966, de estarrecido ouvir um tal de Eusébio derrotar a nossa seleção. E de meu irmão mais velho dizer que não tinha repescagem. Sem chance. Na copa de 70 vi todos os jogos numa televisão preto e branca, a cores era muito cara. Todo mundo falou muito mal, Pelé estava muito velho, final de carreira, sua última copa e cego de um olho, sempoder cabecear bem. Tostão que o apoiava era um anão,com queda da retina de um dos olhos e muito batoré para superar as altas defesas dos ingleses. Gersom um escãndalo, careca, velho e se defendendo pifiamente: “erealmente não corro mais, mas sei fazer a bola correr”. Jairzinho era catimbeiro, fazedor de gol em campeonato estadual. O goleiro era um grande frangueiro. E a seleção como um todo não tinha bom rendimento aeróbico, palvra da moda. Não tínhmaos vez no futebol moderno, com tanto ex favelado. Hoje escuto atônito a clarividência das mesmas pessoas elogiando que a seleção de 70 é a melhor da história de todos os futuros mundiais!!! O lulismo tem duas carcterísticas sociológicas, perdeu em todos os embates internacionais, e odeia o dungismo. Dunga presidente não deixaria Sarney jogando, a turma da cocaína e da maconha estariam fora, os corruptos fora, os do jogo mole, fora. Lula está lapidado na alma do povo brasileiro, e Dunga odiado pois expulsa a nossa cordialidade nacional. Lula perdeu em todos os embates da política externa. Dunga é um vencedor na competição internacional. Entenderamo raciocínio? Vai dar Dunga na cabeça. A turma que se identifica com o teleco telequismo lulistas, leia-se a torcidona, explicará que a selção era isso e aquilo de bom, na maior cara lisa de Romer Simpson, que é a índole do povo brasileiro. Eu fico rindo, pois o processo civilizatório dos luso-brasileiros que não eliminou a lógica da escravidão da cabeça é de morrer de rir. Ri muito lendo este artigo e os comentários. É engraçado ver um país que quer ser morderno sem cumprir as leis da modernidade. Adorando vencer e odiando Dunga que é um vencedor. Vamos rir e nos angustiar muito nesta copa.
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Rebecca:
June 11th, 2010 at 2:17 pm
Dirceu,
Vai lá ser Presidente, ou técnico da seleção brasileira, vai.
Falou muito e não falou nada.
Homer (com H) é o típico AMERICANO. E foi criado para expressar exatamente isso.
Acho que a melhor saída para argumentar alguma coisa não é nem de longe comparar presidente com técnico de seleção, não.
E, poxa, você já disse o que todo mundo queria ouvir: “O hexa é nosso”. “Confio na seleção brasieira” e blablabla… Não precisava ter esticado demais o assunto.
Me desculpe se causei ofensas.
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Dirceu Tavares:
June 14th, 2010 at 12:06 am
Rebecca
Grato pela correção sobre o nome de Homer Simpson e esclarecer seu ponto de vista a respeito da cordialidade deste personagem, que atua sem racionalidade, e não assume a responsabilidade por seus atos, como sendo apenas típica do (povo) AMERICANO. Penso que esses comportamentos também são comuns à malandragem idealizada pelos brasileiros. Creio que a atitude “caxias” de Dunga, que é conduzida por normas racionais igualitárias não é bem vista pelo brasileiro típico. Dunga se fosse “presidente” teria expulsado senadores que atuam como superiores às leis, como o fez com Adriano. Creio que a opinião pública avalia o presidente da república e o técnico da seleção com critérios semelhantes. À moda Homer Simpson.
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eu acho q foi pessima escolha do dunda.mas ate q eles estao bons ,viu nao pisa na bola de novo depois na procima copa de 2014.
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