Velhos filmes
por Luiz Biajoni – Quando o “negócio” do vídeo começou no Brasil, no final da década de 80, não existiam fitas seladas. Os filmes também não eram de boa qualidade. Muitos eram gravados da própria TV, com comerciais e tudo!, e colocados para a locação. Você vai dizer: que podre! Mas era legal! A gente podia encontrar muita coisa que hoje não se tem em catálogo e vai se encontrar em DVD apenas importado, a preços impróprios e sem legenda em português.
O mercado se profissionalizou e eu (e mais um monte de gente) achava que as locadoras iriam se transformar em imensas “bibliotecas audiovisuais” onde poderíamos entrar e pedir por aquele filme obscurantíssimo e ele estaria lá. Acontece que alguns fatores inviabilizaram isso. Primeiro o VHS se mostrou um suporte frágil – as formigas o adoram. Segundo, as locadoras não tinham condição de dispor de espaços para seu catálogo. E terceiro, o consumidor é ávido por lançamentos. Ele pode não ter assistido o filme lançado no mês passado, mas esse se tornou velharia. Ele quer o filme que saiu hoje.
Então as locadoras adotaram uma prática lamentável, que é vender o filme que não é alugado há seis meses. Se ele fica seis meses na prateleira é porque ninguém mais se interessa por. Alguns são jogados no lixo! Essa prática faz com que as locadoras tenham acervos baseados apenas em “hits”, ignorando o principal num filme: sua importância artística, seu valor como peça cultural.
O filme é tratado apenas como peça comercial.
O advento do DVD tem colocado no mercado alguns títulos antigos, mas nem todas as locadoras se dispõem a comprá-los. Quem vai querer rever um filme que já passou tanto na TV? – é a pergunta que se fazem.
Assim, se você quiser rever, por exemplo, A honra do poderoso Prizzi, filme do Houston com o Nicholson, não vai achar nem pra remédio! A fita deve estar derretendo em algum lixão, enquanto a produtora sequer pensa em comprar o direito para distribuir no Brasil, gastar grana com legendagem e dublagem para o DVD.
E mais uma vez vamos ficando sem opções culturais.
No aparecimento do vídeo achamos que fosse o fim dos cineclubes e suas exibições importantes e restritas. Foi uma bolha que estourou e, novamente, o capitalismo impera sobre a cultura. Triste.
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Por isso é que eu gosto de uma conexão de internet rápida. Pego os filmes que eu quiser, sem me preocupar com a miopia do mercado brasileiro.
É incrível que a indústria acuse o usuário de “pirataria”, quando muitas vezes ele baixa coisas que ela não quer vender…
É isso, Biajoni, somos atropelados todos os dias e vamos ficando assim quebrados e parece que não tem jeito mesmo. Felizmente, algumas locadoras ainda mantêm um bom arquivo de filmes não- hits e ainda podemos desfrutar, não sei até quando…
Enquanto isso, resta-nos observar a incrível velocidade em que nós e os produtos menos hits vão sendo descartados impunemente. Beijo.
Desculpe pelo SPAM, mas a solução para isso é a TV Baixada:
http://usuariocompulsivo.blogspot.com/2009/05/eu-quero-minha-tv-baixada.html
[]‘s
Compulsivo
Os descartes de filmes que não se alugam propriamente são feitos por empresas que são franquias. aqui tenho todos filmes que compramos, pois não os vendo.. pois gosto de ter variedades para oferecer para meus clientes.
realmente muitos clientes , querem os filmes que acabaram de chegar os superlançamentos. na semana e esqueçem que no acervo existem milhares de filmes ótimos que ja se passaram pela categoria lançamento e hoje é catalogo.
tenho o seguinte pensamento.. pra mim lançamento é aquele filme que ainda não assisti.
Pingback: Alessandro Martins
A questão cultural é importante, nisso: o público médio adora ver lançamento, oras. Não se trata tão somente de capitalismo, porque logística também vale pros socialistas.
Aqui em São Paulo existem algumas boas lojas que conseguem manter pacotes enormes de lançamentos e, o melhor, toda a montoada de cinema de arte e antigo que se possa imaginar. Enlatado pra quem gosta de enlatado e variedade pra quem gosta de pratos diferenciados.
Além disso, um bom espaço cultural pode fazer a diferença. Já viu o que tem de filme diferente no Centro Cultural? Vai aí a dica: http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao_cinema.asp
Mas existem coleções lançadas nas bancas… Pode não ser AQUELA edição, mas já é alguma coisa…
Pingback: Denise Somera
comentadores, a questão é que imaginávamos que as locadoras avançariam, cresceriam, se tornando verdadeiras videotecas com tudo – ou quase tudo. aconteceu o contrário: vemos apenas super-hits e lançamentos. claro que existem opções, mas são pouquíssimas, raríssimas opções de locadoras que conservam filmes de pouca saída.
mas talvez o principal problema seja: produtoras e distribuidoras estão sequer lançando em DVD alguns filmes, aqueles que não foram considerados hits. aí não dá nem para a locadora adquirir, né?
quanto a “tv baixada”, não dá pra falar nisso quando vemos que menos de 3% da população no Brasil tem banda larga em casa.
:>/
“O principal num filme: sua importância artística, seu valor como peça cultural”, isso mesmo Luiz.
Acho q. ñ. é só mercado brasileiro q. precisa cuidar da sua ‘miopia’, q. é muito ‘bem-vinda’ graças ao gosto e exigência do ‘público médio’é questão cultural.
P/ mim lançamento é tb. todo filme que ainda não vi, por isso é maravilhoso qdo. se encontra uma locadora que tem um acervo grande p/ consultar,concordo c/ a Holly Video o problema é q. quem é q. tem capital suficiente p/ combater as ‘formigas’, e tudo o mais q. ameaçam os velhos filmes?
A locadora tem q. ter toda uma infraestrutura p/ aguentar o ‘tranco’, que além de tudo tem por exemplo a facilidade de comprar as ‘raridades’ pela internet, como por exemplo, por $1,00 vc. obtém o “A honra do poderoso Prizzi” no Merc.Livre.
E coo o Murdock comentou, tb. sempre há a possibilidade de se obter alguma ‘coisa’ em bancas de jornais.
Na pça. da Sé por exemplo existe uma pequena loja com uma infinidade de filmes velhos, lacrados, alguns importados, uma verdadeira videoteca, é ver p/ crer, e comprar e formar seu acervo particular. bjos.
e muito dificio baixa filmes velho eu gostaria de asiste um fime Averdadeira estoria de gabi