Jean Charles: eu boicoto
por Marjorie Rodrigues * – Decidi boicotar o filme Jean Charles, dirigido por Henrique Goldman e que acaba de estrear, por causa da “Carta Aberta para Luísa”, publicada na coluna do diretor na revista Trip, em setembro do ano passado (leia aqui).
Para quem não se lembra, a chamada da própria revista faz o resumo da ópera: “Nosso colunista pede desculpas públicas à empregada da família com quem transou, contra a vontade dela, quando tinha 14 anos”.
Para começo de conversa, não existe “sexo contra a vontade”. Existe um nome para a atividade sexual exercida contra a vontade de um dos envolvidos: estupro. Luísa (exista ela ou não) não fez sexo naquela tarde. Ela foi estuprada.
Estupro não necessariamente envolve porrada. Estupro não necessariamente envolve uma faca no pescoço. Estupros também são praticados mediante pressão psicológica. E foi isso que aconteceu com Luísa — que, além de uma opressão de gênero, sofreu uma opressão de classe. Se não fosse pobre, se não precisasse do emprego, Luísa não se veria forçada a deitar-se com o filho adolescente do patrão.
Tal opressão tem cheiro de escravidão. Não podemos esquecer que, se hoje somos um país que acha bonito se dizer miscigenado, isso foi graças ao estupro de milhares e milhares de escravas negras. As moças “de família” tinham de se casar virgens, mas os rapazes precisavam de uma iniciação sexual para provar sua macheza. Luísa é, portanto, uma velha personagem de nossa história.
Escrever um texto como o de Goldman é um insulto a todas as Luísas. As de ontem e as de hoje. É extremamente ofensivo achar que a questão está resolvida ao publicar essas porcas desculpas numa revista que a Luísa, se existir, sequer tem dinheiro para comprar.
Chamo as desculpas de porcas porque, embora o pretexto do texto seja pedir desculpas, o estuprador vai, aos poucos, arranjando atenuantes, pedindo ao leitor para que lhe dê uma colher de chá. A culpa é dos seios fartos da empregada, a culpa é do Adalberto, a culpa é até do Brasil por seu histórico de escravidão, mas não dele. Pois é: até o lugar de vítima o estuprador quer tirar da Luísa. O efeito do texto acaba sendo conclamar os leitores da Trip a se eximir de “erros” semelhantes, caso os tenham cometido.
(Repare também que o cara só se diz arrependido depois de reconhecer que “no fim, não rolou legal”. Ah, porque se tivesse sido bom para ele, então tudo bem?)
Diante da enxurrada de críticas, Goldman e a Trip disseram que seu único erro foi não ter avisado que se tratava de um texto ficcional – como se tanto o leitor quanto o editor da coluna fossem burros. Ora, a chamada é clara. É “nosso colunista pede desculpas à empregada”, não “nosso colunista traz um conto sobre um rapaz que pede desculpas à empregada”.
Além disso, há a assinatura: “Henrique Goldman se tornou mais jeitosinho com as mulheres” (esta frase não está na versão online, mas estava no impresso). Ora, se não é o próprio Henrique o autor da carta, que importaria saber quão jeitosinho ele é? Qualquer leitor com habilidades mínimas em interpretação de texto percebe que esta frase tem o objetivo de limpar a sua barra. De dizer: “Calma, gente, ele melhorou. Ufa! Não precisam se preocupar”.
Mas eu me preocupo, sim. Eu me preocupo com as tantas Luísas por aí. Luísas que não têm voz. Que não têm espaço numa coluna de revista, no noticiário, na mídia. Estupro, caro Goldman, não é algo de que se aprende a rir depois. Porque ele não é engraçado nunca. Não importa quanto tempo passe.
Ficcional ou não, o texto é irresponsável. O mínimo que Goldman e a Trip deveriam ter feito era admitir isso e pedir, desta vez sim, desculpas públicas às Luísas. Mas ficou tudo por isso mesmo. Assim como o estuprador achou que podia se eximir com um texto mequetrefe, Goldman e Trip acham que se eximiram com uma desculpa esfarrapada.
Devo dizer, no entanto, que não me surpreendo que a Trip tenha aprovado a coluna nem que tenha fugido à responsabilidade depois. Afinal, essa é a revista que anualmente reduz as funcionárias aos seus corpos. Os funcionários homens são avaliados pelo desempenho. Já as funcionárias, apenas por serem mulheres, têm de passar por outro teste: é preciso ser gostosa o suficiente para inspirar punhetas nos rapazes. Nas demais páginas, entretanto, há todo um discurso de pseudoesquerda. Porque é mesmo mais fácil botar a culpa no Brasil, essa entidade amorfa, do que reconhecer o seu papel em perpetuar uma cultura que trata a mulher como objeto sexual acima de tudo. Mas, ó: eu não caio nessa balela da “beleza de verdade, sem photoshop”, revista Trip. Eu não caio na balela de que isso tem o objetivo de valorizar a mulher comum. Não caio no discursinho metido a descolado, mas que no fundo se revela extremamente conservador. Não caio na discriminação de gênero disfarçada de polêmica.
São discursos como o de Goldman que reforçam o que as feministas chamam de “cultura do estupro”. Primeiro, a linha entre consentimento e não-consentimento é atenuada (sabe como é, mulher quando diz que não na verdade quer dizer que sim…). Sendo assim, é costume desconfiar primeiro da mulher que se diz estuprada do que do homem acusado. Para que seu relato não caia em descrédito, ela precisa atender a uma série de variáveis. Não pode estar vestida assim ou assado, não pode estar alcoolizada, não pode ser sexualmente ativa, não pode estar andando sozinha em determinada hora, não pode ter uma relação afetiva com o agressor. Senão, estava pedindo.
Como mulher, sou diretamente prejudicada por essa cultura. Logo, sinto que tenho de combatê-la. O boicote a Jean Charles faz parte desse combate. Como Goldman fugiu à responsabilidade de reconhecer o tamanho da merda que era seu texto, eu decidi fugir de seu filme. Boicotarei Jean Charles e tudo mais quanto ele dirigir. Para mostrar que eu não esqueço. Afinal, as Luísas nunca esquecem.
P.S. – Sei que filmes são obras coletivas e que o meu boicote fará muito pouco, quase nada, para combater a cultura do estupro. Mas, pessoalmente, não quero dar dinheiro para quem eu acho que não merece. É engraçada a reação que algumas pessoas têm ao boicote, aliás. Há quem torça o nariz quando alguém diz que boicota produtos, marca ou artistas por conta de algo em que acredita. Acho que é porque estamos tão acostumados a viver num mundo onde as pessoas se definem pelo que consomem (já que a publicidade associa produtos a conceitos e valores) que, quando alguém se define pelo que não consome, a reação é mesmo o choque.
* Marjorie Rodrigues é a nova colaboradora do Amálgama. Escreve de São Paulo. Mais sobre ela e link para o blog pessoal, na nossa página de colaboradores.
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Nada contra boicotes mas… que besteira!
Se o texto for verídico, processo para o diretor, caso seja – como afirmam – um conto de ficção, um viral no fim das contas – parabéns pra eles que conseguiram a polêmica que buscavam. Como se na internet não aparecesse esse tipo de coisa todo dia….
O que o filme dele, sobre um tema tão relevante e interessante, tem a ver com um texto isolado para uma revista, sem qualquer relação com o filme?
Que nonsense!
O texto do cara, aliás, é uma merda e, de longe, dava pra notar que era ficção!
Engraçado que, para as feministas, TUDO é errado, tudo é uma afronta, tudo é opressão de gênero… Olha, eu sou o primeiro a ficar na linha de frente quando vejo opressão real, fico lado à lado com as feministas, mas tem hora que enche o saco. O texto é uma ficção, é pra divertir. Não gostou? Paciência, mas puxar boicote e dizer que é uma afronta às mulheres? Pfff…
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Coitado do Jean Charles. Morreu confundido com terrorista e agora vai perder público por causa do diretor do filme… Na minha opinião, há um certo exagero aqui. Filho do patrão pegar a empregada é mais velho que Matusalém. Era quase que uma espécie de cultura – não só no Brasil, mas em todo o mundo. Não justifica o erro, claro, mas infelizmente era um “costume” que, hoje, ao que parece, tem diminuído bastante, se é que não acabou. Acho que todo cara que passou por situação semelhante (felizmente não sou um deles) hoje se envergonha disso. Quando somos jovens fazemos muitas bobagens, e é importante reconhecer erros passados e se arrepender deles. Se era essa a intenção do autor do texto, é louvável, por mais que depois tenha acontecido a mudança de rumo, de coluna para conto. Jogar a culpa de séculos numa pessoa só é a mesma coisa que dizer que o Brasil está do jeito que está por causa do “descobrimento”. Esse tipo de argumentação não se sustenta.
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Marjorie, mais do que boicotar o filme (que deve ser ruim pra burro), seu texto serve para levar esse fato ao conhecimento de mais pessoas. Eu não conhecia essa carta, achei nojenta a atitude do Goldman e da Trip. Pessoalmente, já não via razão nenhuma pra assistir um filme com um argumento (e possivelmente roteiro) tosco como esse. Agora, então…
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Rapfhael, o Angry,
Fui la ver no seu blog o que seria a “opressão real” que você diz acima, se dava pra entender o que seria então o significado de opressão pra você, já que a frase “Olha, eu sou o primeiro a ficar na linha de frente quando vejo opressão real” me deixou achando que estamos pensando em defições de opressão bem diferentes, com certeza.
E abundaram fotos e videos de palestinos ensanguentados. Fiquei com a impressão de que a sua noção de realismo (em “opressão real”) é imagetica-cinematica: quanto mais pancada e sangue, mais real, não seria assim? Seguindo este significado, acho que compreendo melhor o que dizem os dois raphfaéis: Que seria um estuprozinho corriqueiro, coisa comum, sem porrada nem roxinho? Coisa boba que acontece a qualquer um. Coisas de infância. É isso?
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Ah! Fala sério! O que uma coisa tem que ver com a outra. O que um pequeno leitor que não reconhece o alcanço da ficção tem que ver com um filme e direção? Ah!!
Estupro é coisa séria, mas uma carta ficta com propósitos idiotas numa revista não menos, não merece tanto barulho. Too much ado about nothing.
S.
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não leremos mais borges ou pessoa, já que provavelmente eram racistas?
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A verdade é que, ficção ou não, o texto é terrivelmente ruim, não serve nem pra criar polêmica. Tanto a forma que foi escrito como sua abordagem são completamente equivocadas ao que sugere, ou deveria sugerir.
Bom, em todo caso, acredito que o castigo a ele já foi dado, com a execração também pública que recebeu, seja por um motivo ou por outro. Não vou boicotar, mesmo porque não vou assistir, pois parece ser um tema sofrível, mais pra um Globo Repórter da vida.
No mais, escondam-se assediadores morais, pois ninguém mais tolera suas imoralidades. Pelo menos não vão ficar servindo de exemplo pra ninguém.
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Biajoni;
Se você vai ler ou não Borges ou Pessoa, eu não sei. Só sei que Marjorie vai boicotar o filme – e está no direito pleno dela fazê-lo. O caso do texto do Goldman na Revista Trip apenas simboliza o que as mulheres vêem todos os dias: como a violência contra ela banalizou-se de tal maneira que a confissão de um estupro (fictício ou real, não importa), escrita naquele tom de “foi mal, aê” é finalizada, no rodapé, com um “Henrique Goldman hoje é jeitosinho.” Uma piada que não tem lugar nem hora, mas que, aos olhos da revista e do autor do texto, fecham com chave de ouro a confissão (fictícia ou não) de um crime.
Mas pera lá, foi estupro da empregada – uma prática “mais velho que Matusalém”. Tão comum, né? Tão velha que nem causa mais horror, escândalo, choque, repulsa – e quando provoca é apenas em gente que está fazendo “Too much ado about nothing”. Henrique Goldman é paulista radicado em Londres e as empregadas domésticas estupradas em seus quartinhos-sem-janela.. Ops, pra onde foram? Sei lá, né? Todo mês tem uma nova em casa… Elas não páram, sabe? Entra uma e sai outra e nenhuma delas quer nada com o trabalho e ainda arranjam barriga de porteiro e garagista (e filho de patroa, mas isso não se fala) só para atrapalhar a nossa vida.
E fica tudo como adantes no quartel de abrantes.
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Rafael, xará, não é por aí.
Estupro é estupro, esse papo de que “é cultura” é ridículo e inaceitável.
A questão toda é uma só: É um conto. Ficção!
Ficar soltando slogans feministas, puxar boicote e etc por um conto de ficção? Faça-me o favor!
Marok: Realmente, o texto é péssimo, li, achei ruim e não vi nada que causasse tanta polêmica… Se as feministas se concentrassem em coisas sérias e não em censura, talvez conseguissem mais….
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O texto do Goldman era ficção? Coitados dos editores da Trip, que se deixaram enganar ao fazer o subtítulo e as chamadas para a coluna…
Há melhores maneiras de se honrar a memória do Jean Charles do que assistindo esse filme. Quem quiser assistir, assiste, claro. Mas não se pode comparar a ler ou não ler Borges. Cada livro do Borges é um universo em si. O filme do Goldman não é a única forma de se conhecer e se indignar com o que aconteceu com o Jean; está mais para o caso da Nike, quando abusava de menores (dizem que não abusa mais): você usa se quiser, mas pode boicotar e calçar outras marcas. Eu boicoto.
Abs.
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Gente, no fim das contas acho que o PS é a parte mais significativa do texto. Talvez eu devesse tê-la desenvolvido mais.
Não é triste que alguns comentaristas se incomodem mais com o fato de uma mísera pessoa boicotar um mísero filme (vejam vocês que o texto não está convocando um boicote — estou apenas explicando os meus motivos) do que com toda uma cultura que banaliza o estupro?
Tão banalizado ele está que é encarado por alguns comentaristas como um problema de menor importância, embora isto prejudique 50% da população.
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“A situação, da forma descrita pelo autor, se ocorresse hoje, se enquadraria no crime de assédio sexual, e não no de estupro. Primeiro, porque deriva diretamente de uma relação de poder, afinal Luisa era a empregada da casa e estava subordinada hierarquicamente a Henrique. Segundo, porque Luisa “cedeu” às investidas, fazendo sexo com os rapazes, e a resistência à violência é necessária para a caracterização do crime de estupro.”
Cynthia Semíramis
http://cynthiasemiramis.org/?cat=14
E outro link, Marjorie: http://www.rafael.galvao.org/2008/10/o-estuprador-e-as-pseudo-feministas/
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Marj, vc não entendeu? Segundo alguns comentários aqui, o problema do mundo somos nós, as feministas! Não o estupro de empregadas domésticas, não a Trip publicar que um cara que estuprou uma mulher agora “é mais jeitosinho”, não a banalização do estupro na nossa cultura. Nada disso! O problema somos nós, feministas, que não nos concentramos nos problemas “reais” (estupro, pelo jeito, é um mal imaginário), e reclamamos de qualquer coisinha. Pô, vamos deixar que os homens nos digam exatamente quando devemos reclamar. Afinal, eles são sempre os “primeiros a reclamar” quando veem opressões reais. Vamos nos pautar por eles. Eles sabem o que é bom pra gente.
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Interessante, Daniela. No link que você passou, pro texto da Cynthia, a passagem que complementa o parágrafo a partir de onde você parou é:
“Quanto dessa resistência é necessária? Sinto dizer, mas isso depende do machismo de quem julga, afinal, o direito é masculino [pdf], e o que acaba valendo é a lábia para descaracterizar o crime e evitar a condenação dos homens.”
Ela passa o link pro PDF, dentro de “direito é masculino”. O link leva a um importante documento do Instituto Arendt: http://www.institutoarendt.com.ar/salon/articulos/olsen.pdf
Estupro e assédio são dois tipos de abuso sexual. Então, que a Luísa foi abusada sexualmente é fato.
Sim, a lei 10.224/2001 diz que assédio é: “Constranger alguém com intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função” — o que parece cair como uma luva no caso da Luísa.
Por outro lado, segundo o Código Penal Brasileiro, o estupro pode se dar tanto mediante violência real ou presumida. Usar da “relação de poder” para que uma empregada “ceda” e faça sexo, é violência presumida. Ou não? Aliás, fazer alguém “ceder” para oS rapazeS, e não apenas para um deles, é a vulga curra — outro crime de abuso sexual.
Palavras…
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Acabo concordando com Lola. Dizer que acha ruim que um autor tenha banalizado o estupro mesmo se ficcionalmente, o que muitos aqui não concordam que seja cabido, dado o próprio texto, resulta na desqualificação de quem tecle.
Caso o tal texto estivesse em 3a pessoa (dizendo: fulano confessa que estuprou… ao inves de confesso que estuprei) dava processo contra o autor por calúnia (calúnia é quando aquilo que é relatado pode ser enquadrado como crime). Se é serio na 3a pessoa, porque não o é na 1a? Vamos la, leitores de Borges, que tal apresentar por nome o texto ou melhor ainda, por link um crime descrito em primeira pessoa por Borges, fora do contexto de um livro de contos? O contexto avisa o que se pode esperar do conteúdo: no caso de um livro de contos, o gênero literário é um aviso: tudo o que esta dentro do livro de contos é ficção. A qualidade atestada ao meio diz que uma coisa publicada em um blog tem uma qualidade diversa do que é publicado em um fórum e ambos tem uma qualidade diferente do que é publicado numa publicação médica.
Há uns 30 anos atrás um homem poderia matar sua esposa na boa, caso entendesse que esta tivesse lhe manchado a honra. Isso, que hoje em dia é descabido, antigamente era visto como a mais pura normalidade na sua unilateralidade, pois apenas uma mulher poderia manchar a honra de um homem, um homem, ao trair, não fazia mais nem menos do que a sua natureza manda. Assim também é banalizado o estupro, quer se enquadre como assédio sexual, quer se enquadre como pedofilia, pois se forem padres abusando de meninos, é uma coisa, se for o abuso de uma adolescente de 16 anos é outra.
É preciso dar atenção à forma como se utiliza a palavra, o verbo e a pessoa, o contexto do texto e suas significações. O mesmo texto dentro de um livro de contos é uma coisa, numa coluna já é outra coisa, como documento, depoimento criminal é outra coisa.
Adiciono ao que disse Lola, que basta assinar com nome feminino para, num caso como este, ser tachado de feminista (nos sentidos pejorativos que são dados à palavra). Desde a revolução Francesa existem autores feministas, como é o caso de Chordeclos de Laclos, um fundador de movimento feminista, segundo a sua biografia. Gostaria de adicionar, que eu poderia assinar como João, pois a pagina aceita.
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Marjorie,
eu não acho triste, não. O texto, assim como uma obra de arte, pode ser interpretado por qualquer um; enquanto uma obra de arte pode causar gozo em algumas pessoas, em outras pode causar gozo. Algumas pessoas consideram A importante e outras, B.
Particularmente, entendo sua reclamação mas não entendo sua postura. Acho que o protesto não se dá simplesmente pela legalidade da situação, mas também por conta do abuso da liberdade do outro, propriamente dito; além disso, acho que um texto – como este – pode ser mais importante que o boicote. E fiquei curioso: você também boicota filmes do Polanski?
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borges era, possivelmente, racista.
http://www.verbeat.org/blogs/biajoni/2005/11/por_que_borges.html
:>)
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Daniela,
como o Daniel ressaltou, o direito é masculino. Para a lei, estupro nada mais é do que pênis na vagina. O resto é atentando violento ao pudor. Isso reflete, assim como a legislação sobre aborto, a idéia de que a “honra” da mulher reside no hímen — por isso um estupro que só envolve penetração anal, por exemplo, seria considerado menos grave. Embora a punição seja a mesma, vamos concordar que o termo “atentado violento ao pudor” SOA menos grave.
Eu estou lidando aqui com a definição básica de estupro, aquela que está no dicionário: atos sexuais praticados sem o consentimento de uma das partes. Porque o significado da palavra é este. A lei traz diversas nuances à definição. Mas as leis surgem em um determinado contexto histórico e social e por isso os reflete — não podemos nos esquecer disso.
Sendo assim, a lei não é perfeita nem imutável — à medida que a sociedade muda e progride, as leis mudam. Então não é porque a letra da lei é assim ou assado neste momento que eu vou abaixar a cabeça e concordar com essa definição, como se ela fosse absoluta e eternamente correta.
Isto dito, acho o texto do Rafael Galvão desrespeitoso para com o movimento feminista. Primeiro, ele só consegue enxergar estupro com esse olho jurídico — então as feministas estariam exagerando ao chamar de estupro uma coisa que, na lei, não é estupro. Mas, na lei de outros países, é. Para o senso comum, é. É mais ou menos como dizer que é apologia ao crime fazer uma marcha da maconha — como se a gente não pudesse discutir uma alteração nas definições que as leis trazem.
Por fim, ele cita a Camille Paglia, que é uma notória anti-feminista — já em descrédito. Paglia é uma grande porta-voz do status quo. Então, na boa, dependendo do caso, citá-la quando se fala de feminismo é como citar o Diogo Mainardi numa discussão sobre o PT. Eu dou de ombros. Prontofalei.
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Biajoni,
eu não estou boicotando o Goldman por conta de sua vida pessoal. Senão eu teria de boicotar um mundaréu de gente. Não só o Borges e o Pessoa, mas também Monteiro Lobato e, por que não, o próprio Machado de Assis.
Mas eu boicoto o Seth Rogen, por exemplo. Porque O TRABALHO dele trata o estupro como piada, banalizando-o. Goldman, utilizando-se de sua influência como colunista e diretor, está fazendo uma DECLARAÇÃO irresponsável e nociva. O que um artista faz na sua vida pessoal, pouco me interessa. O que me interessa é a mensagem que o seu trabalho passa. Eu acho que, se você ler meu texto com atenção, vai perceber que eu faço essa diferença.
Num mundo em que o maior poder que se tem é o de consumir, acredito que a gente fala com o bolso. Ao consumir determinada obra ou produto, você está ajudando aquela empresa ou artista a prosseguir do jeito que está.
Eu e todas as demais pessoas que se sentiram ofendidas com o texto (ficcional ou não, não importa) temos todo o direito de boicotar a obra de Goldman. É uma decisão pessoal e política que nos cabe.
Agora, vejam que, em nenhum momento, eu julgo quem vai assistir ao filme. No texto, estou apenas dizendo por que EU decidi não assisti-lo. Acho inclusive que uma pessoa que se sentiu ofendida com o texto da Trip, mas não queira boicotar o filme, está em seu direito de fazê-lo. Eu não vou dizer que essa pessoa é exagerada, frescurenta nem que devia se envergonhar de sua opinião.
Ao contrário, percebo uma reação bastante forte de comentaristas HOMENS a essa informação que, repito, é mísera. Vamos colocar os pingos nos is, então: a reação tão forte não é ao boicote. Sua defesa não é do filme. A reação, aqui, é contra o movimento feminista em geral. Há uma clara tentativa, por parte de alguns comentaristas, de colocar TODO o movimento feminista em descrédito. Não importa o que ele critique.
É mais ou menos como a Lola disse: “as feministas estão sempre erradas, são sempre exageradas e histéricas. Só nós sabemos quais problemas são REALMENTE importantes”. Fato é que estupro é uma questão importante para a gente. Pode não ser importante pra você, porque não te afeta diretamente, mas isso não signifique que não seja importante. A gente tem de aprender a sair da própria casca, a tirar as lentes do nosso privilégio. Não é porque um problema não me afeta que eu vou desmerecer a reclamação de quem é afetado por ele.
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marjorie, por causa desse texto, q achei por acaso no google, virei sua leitora e leitora desse blog. na pesquisa, eu estava procurando comentários sobre o filme, q tinha me programado pra ver hj. seu texto me fez pensar. me senti desconfortável demais e concordo c/ toda a sua análise. a gente diferente, porém, no modo de agir diante dessa análise, o q é abolsutamente desejável e bom num país democrático. vale a sua opiniao. a sua atitude. vale a minha. vale a variedade de posturas e opinioes expostas aqui. fui ao cinema e adorei o filme. mas adorei tbem seu artigo. lidando com as contradicoes, sem resolve-las, aqui estou pra te deixar um abraco e parabenizar pela coragem de expor com franqueza o seu ponto-de-vista. é seu papel como formadora de opiniao. obrigada por isso. mesmo.
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Biajoni, quanto ao Borges é o que eu falei num dos comentários anteriores.
Agora, vamos combinar aqui, até pra descontrair um pouco: se é verdade que o texto do Goldman é um conto (que enganou até os editores da revista, mas enfim), e se o homem for tão bom diretor quanto é escritor, o filme deveria se chamar “A morte e a morte de Jean Charles”. Cá na minha opinião, claro…
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Poxa, Josi, muito obrigada pelo seu comentário. Me tocou mesmo. Beijo!
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marjorie, como formadora de opiniáo, como bem disse a josi, quando você expõe sua opinião pessoal, o direito de boicotar ou não isso ou aquilo, você está, diretamente, influenciando outras pessoas a pensar da mesma maneira. o boicote no seu caso, tem mesmo como base o texto e não O FILME EM SI, já que você, ér, não viu – não é um caso de JULGAMENTO DA OBRA.
acho que seria talvez mais conveniente ver o filme, analisa-lo como obra, contextualizar com o histórico do diretor e, aí sim, bradar e conclamar qualquer boicote.
afinal, sem ver, como podemos saber “a mensagem que seu trabalho passa”?
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Mas Biajoni, as colunas na Trip não fazem parte de sua obra? O Goldman tem uma carreira cinematográfica e uma carreira como cronista. O trabalho dele como cronista me ofendeu e essa ofensa me faz sentir vontade de boicotá-lo.
Eu já boicoto a Trip. Mas tb senti que devia boicotar o filme — embora o filme não tenha mesmo a ver com essa história (eu nunca disse que tinha, aliás). O fato é que, se eu vir o filme, estou dando dinheiro ao Goldman, indiretamente. E, do meu bolso, não quero que saia nada para ele. É simples assim.
Quanto à parte que vc fala da “contextualização”: discordo de você porque acho que o talento do Goldman como diretor é uma questão à parte. O filme pode ser ótimo. Ele pode ter um talento enorme como diretor. Se eu analisasse o “Jean Charles” (se fizesse uma resenha, por exemplo) e descambasse a meter o pau na obra por conta do artigo na Trip, aí sim eu estaria errada. Porque a direção do filme é a direção do filme, a coluna é a coluna.
A questão é que eu não posso misturar alhos com bugalhos. Não posso criticar o filme com base na coluna. Mas eu posso decidir não ver o filme para não dar dinheiro ao autor de uma coluna que me ofende. Aí, eu estou me abstendo de julgar o filme.
Sobre o fato desta coluna ajudar a formar opiniões: acho que a opção pelo boicote é uma opção válida como qualquer outra, como tb disse a Josi. Eu não estou convocando um boicote coletivo (embora, não vou negar, acharia muito legal se isso acontecesse). Tampouco desrespeito quem optou por ver o filme. Mas se alguém, por acaso, decidir não ver o filme por conta dessa reles coluna, eu pergunto: qual o problema nisso?
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Marjorie,
espero que não esteja me colocando na categoria dos que tentam desqualificar, porque não estou. Eu expus minha idéia – um direito que os comentários me possibilitam exercer – e fiz uma pergunta, por curiosidade. Achei relevante. Não quiser, não precisa se explicar, se não quiser.
Voltando aos meus dois centavos, celebridades não têm muito de seu trabalho dissociado de sua vida pessoal, diante do grande público. Basta ver o caso de Oprah, que tem apoiado campanhas contra vacinação, lá nos EUA. Sim, ela fala isso no programa dela, mas é uma opinião, simples assim. E uma opinião que, muitos médicos dizem, pode levar à morte.
Quando um Obama, negro, assume a presidência dos EUA, muita coisa muda, como símbolo. Quando uma personalidade assume ser homosexual, muita coisa muda, muita discussão surge.
Quanto ao caso de Seth Rogen, só o fato dele servir como motivo de discussão já soa enriquecedor, porque possibilita que textos como o teu surjam. Um filme dirigido pelo Von Trier, como Dançando no Escuro ou Dogville, pode não agradar, mas provoca discussões; e que dizer dos livros de Nelson Rodrigues?
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A mensagem que ele, Henrique Goldman, passou com o texto da Trip foi de um cara que acha estupro uma coisa menor. Ele não forçou a prima, a irmã, a vizinha (o que já seria um horror). Se o amigo tivesse forçado a irmã dele também seria “foi mal aê?” Ele forçou a empregada, aquela que, com certeza, não ia contar pra ninguém. Não satisfeito, ainda levou o amigo. E tantos anos depois usa isso (o estupro de uma empregada) como tema de um texto numa revista de circulação nacional. Se ele não fez nada disso, não importa a mínima. Se real ou fictício, forçar uma mulher ao sexo é estupro.
Ele podia escrever dizendo que sim, tinha cometido um crime. Quão odioso ele tinha sido. Que percebe hoje como as mulheres – principalmente as de baixa renda, que vivem feito mucamas nos quartinhos/dispensas/quarto de passar roupa cheirando a gordura e sem janela – são literalmente usadas e ainda têm que levar na boa, encarando isso como “normas socialmente aceitas”. Ele perdeu a oportunidade de falar de uma prática nojenta que hoje ainda existe na nossa sociedade – e eu sei porque fui vítima dela, mesmo sendo branca, classe média, terceiro grau completo, profissional liberal & que tais.
Mas ele optou por escreveu um texto em que, no final, ainda podia botar um “foi mal aê” que não destoaria. Foi um erro mas, puxa vida, nada demais, né? No fim, é uma prática corriqueira, que quase se iguala a ter fumado unzinho ou ter mentido pra mamãe pra ir num show proibido. Coisas da adolescência.
McFly, aquele texto não é uma obra de arte. Quando você põe o estupro em discussão num filme, você está contribuindo para que ele seja dissecado e, como eu disse, discutido. Polansky estuprou uma menina de 13 anos e se mandou para a Europa. Ele fez a bobagem e foi julgado e condenado à revelia pelo crime – tanto que não pisa mais nos EUA.
No caso do Henrique Goldman, ele escreveu e nada aconteceu. Ao contrário: teve gente que o DEFENDEU. Como se disse aqui, “Too much ado about nothing”. Estupro de doméstica é prática banal – “um costume mais velho que Matusalém”. Um crime que é um “costume”, é assim que o estupro de domésticas é encarado.
E Biajoni, tal como a Marjorie, Henrique Goldman quando ” expõe sua opinião pessoal, [...] está, diretamente, influenciando outras pessoas a pensar da mesma maneira”. Assim sendo, aqueles que lêem a Trip e já fizeram semelhante coisa – estupraram suas empregadas/babás/serventes – também vão achar que, aí, não tem nada demais. Além do que hoje eles, com certeza, estão mais jeitosinhos.
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Boicotar um filme de um diretor por causa de alguma coisa que ele teria feito quando tinha 14 anos? É isso?
Well…
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McFly — vamos combinar que Henrique não é Oprah nem Obama. Ele não tem o mesmo alcance nem o mesmo significado. Então eu não acho que a comparação se aplique.
E a coluna dele não trouxe nada de enriquecedor, a meu ver. Muito pelo contrário. É um retrocesso. Eu gostaria de NÃO ter que estar falando essas coisas DE NOVO.
Há tanto tempo a gente se esforça para transformar a cultura machista, para que a vida das mulheres melhore, obtendo conquistas lentas e graduais. Aí vem um Henrique ou um Rogen e joga isso ladeira abaixo. Utiliza seu espaço na mídia para tratar estupro como piadinha, como um mote para que ele pareça “cool”. Assim como o Millôr, que, embora seja uma das cabeças mais fodas desse país, me lasca que “o melhor movimento de mulheres ainda é o dos quadris”. Ou seja: um homem tão inteligente e manda um “foda-se, no fim vocês não passam de enfeites, objetos sexuais”.
Isso faz com que a gente retroceda na discussão, tendo de repetir tudo que parecia mais ou menos sedimentado, em vez de avançar. É o que se chama de “backlash”. O fato de Henriques e Rogens terem mais espaço na mídia do que pessoas mais sensatas é um agravante. Então, eu não agradeço ao Goldman por me dar a oportunidade de abordar esse assunto. Eu gostaria é de estar discutindo mais além, gostaria de estar discutindo outras coisas, em vez de bater na mesma tecla que as feministas batem há séculos porque vem backlash em cima de backlash.
Repito: como consumidora, eu posso escolher quem eu quero incentivar. E eu quero incentivar gente que me respeite, que respeite as diferenças. E que não tire sarro da estrutura desigual de poder, seja em termos de renda, seja em termos de gênero.
Eneraldo — o fato de ter sido há 10, 15, 20 anos atrás, whatever, anula o fato de ter sido deplorável? Não entendi.
Suzana — assino embaixo e ainda carimbo o dedo, etc.
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Continuo sem entender, que mal fez o conto?
É ficção. Ponto final.
O autor estuprou alguém? Não.
Se tivesse, cadeia. Mas não fez anda, apenas escreveu um texto besta de ficção.
O que o filme tem a ver com tudo isso? Absolutamente nada.
Mas tem gente que precisa, para viver, protestar, boicotar…
Depois não entendem porque tanta gente acha o feminismo uma babaquice, por qualquer besteira se protesta, se acusa de machismo, disso e daquilo… E o que realmente merece atenção escapa.
tsavkko.blogspot.com
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Quem foi que disse mesmo que é ficção? Ah sim, a revista, uma edição depois, após muita crítica dos leitores. Tudo bem, o subtítulo foi “Nosso colunista pede desculpas públicas à empregada da família com quem transou”. Tudo bem, ele escreveu assinando o texto com seu próprio nome, em uma coluna de opinião, mas vá lá — era um conto. E, como eu disse em outro comentário, se o homem é tão bom diretor quanto “contista”, recomenda-se com ainda mais ênfase não gastar dinheiro com o filme.
Quanto a ataques rasteiros ao feminismo, mal merecem resposta. É a rebeldia a favor; culpe a vítima. Nada que uns minutos de estudo não resolvam.
Abs.
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Marjorie
O fato não foi menos deplorável por ter ocorrido há + 20 anos. O ponto é que ele tinha 14 (catorze) anos na época. Supondo que a história aconteceu. Eu posso estar muito errado, mas acho que isso faz alguma diferença.
Isso, é claro, se estivermos discutindo o fato, real ou fictício, a que o tal texto se refere.
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Desculpa, Marjorie, mas não vou combinar. O alcance das pessoas é diferente, mas o do Henrique é maior que o teu ou o meu. E, justamente por causa disso, eles acabam influenciando muito mais gente que eu ou você – o que me parece ser um dos seus pontos de argumentação -.
E não, não precisa agradecer a ninguém. Agradecimentos não são obrigatórios só porque um fato é enriquecedor.
Suzana, quando o Henrique colocou aquele texto na VIP, ele inadvertidamente pôs o assunto em pauta, de forma que pôde ser dissecado e discutido. Pouca importa qual a motivação dele.
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Daniel: Se você discorda ou duvida da revista, a processe. Vá atrás e descubra a “verdade”.
Agora puxar um boicote estúpido a um filme por causa do diretor, esquecendo das centenas de pessoas envolvidas, quiçá milhares indiretas, além de toda a política e crítica por trás – o assassinato covarde de um brasileiro em londres, que acabou sem qualquer condenação – então vá em frente.
Realmente, este boicote é fantástico!
É rir para não chorar…
Confusão completa, alho com bugalhos é pouco!
Qaunto ao feminismo, caro, me coloco muito mais do lado das feministas que qualquer coisa, apenas acho tosco quando isso vira desculpa para qualquer atitude torpe com oa desse boicote… Usar o feminismo para qualquer coisa besta é muito fácil, já para questões sérias…
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Combinado. Vou entrar com um processo contra a revista. Se eu ganhar, a coluna foi um relato biográfico. Se eu perder, foi um conto.
Existem exageros do feminismo ao flamenguismo. Você está no seu direito em achar o boicote da Marjorie (que ela própria reconheceu não terá qualquer efeito na arrecadação do filme e passa o post quase todo apenas explicando sua atitude bem pessoal) uma estupidez. Eu não acho. Objeção de consciência é coisa séria.
Abs.
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[...] #cinema >> Jean Charles: eu boicoto >> http://www.amalgama.blog.br/06/2009/jean-charles-eu-boicoto/ [...]
Olha, Rafael Tsvakko, pelo que dá para perceber, você não está a fim de um debate sério.
Eu não desrespeito a opinião das pessoas que discordam de mim. Não digo que as decisões delas sejam babaquices, que suas atitudes sejam torpes, nem que suas visões de mundo sejam besteiras.
Tampouco acho que as minhas opiniões sejam um “ponto final” para nada. Quem diz “é isso e ponto final” não está mesmo a fim de debater. Então não sei mesmo o que você está fazendo aqui…
Todo debate que se preze tem de ser baseado em respeito às opiniões divergentes. Senão, é criancice. E improdutivo. Eu tento debater de forma adulta — se não chego a um consenso com o outro, concordamos em discordar, simples assim.
Quem pensa diferente de mim, apenas pensa diferente de mim. Não vou insinuar que a pessoa seja burra, histérica ou imbecil apenas porque discordamos.
Então, quando você aprender essa coisa básica, a gente volta a conversar.
Tksbai.
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McFly — ué, que o Henrique Goldman tem mais alcance que eu e você juntos (e mais uma caralhada de gente), é um fato. Mas também é fato que Goldman não tem o mesmo alcance do Barack Obama. Por isso, eu não vi em quê a analogia com o Obama se aplica. Não vi onde que uma coisa é comparável à outra.
E, pelo que entendi, vc está tratando a coluna do Goldman como intrínseca e indiscutivelmente enriquecedora, é isso? Mas iso não é um juízo de valor SEU? Você acha enriquecedora, mas eu e uma caralhada de outras pessoas não achamos.
Quão enriquecedora a coluna é ou poderia ser é um assunto que deve ser debatido. Mas jamais dado como um fato dado. Então, de novo, não entendi. What’s your point?
bjs
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Eneraldo, mas eu não estou boicotando o filme por causa do que o Goldman fez quando tinha 14 anos. Até porque, embora eu não acredite que o texto seja ficção, eu não sei se ele de fato fez isso. Não posso afirmar nada.
Eu estou boicotando o filme por conta do tom adotado no texto que ele escreveu trocentos anos depois — tratando o estupro como se fosse algo de que se pudesse rir depois.
Não boicoto pelo que ele fez. Boicoto pelo que ele escreveu. São coisas diferentes.
Tanto que eu digo “ficcional ou não, não importa”. Por isso que eu tb acho que qualquer um que queira encerrar a discussão dizendo “era ficcional, ponto final” está saindo do foco. Porque não importa o gênero do texto — ficção ou crônica. O que importa é o efeito que o texto causa. A mensagem que passa.
O texto, nas suas entrelinhas, incita os leitores a achar que um erro desses não tem tanta importância — que não é um caso grave, é apenas caso para um “foi mal aê”. É ISSO que me incomoda exatamente. Podia ser até um hai kai, ia me incomodar do mesmo jeito.
bjs
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Desculpe, Raphael;
Se estupro é uma “coisa menor”, “uma coisa besta” para as mulheres, o que para você seria uma “questão séria”? Gostaria muito de saber, já que você diz que está “muito mais do lado das feministas que qualquer coisa.”
E por que a atitude (pessoal e intransferível) da Marjorie seria entorpecente, embaraçada, acanhada, impudica, obscena, sórdida, infame, ignóbil, interesseira, nojenta, impura ou suja?
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Marjorie
Sim, agora eu entendi o seu ponto.
Vendo o texto como ele está agora (eu não o vi na época), não me pareceu, sinceramente, que o Goldman estivesse fazendo graça, ou tratando o estupro como algo de que se pudesse rir depois. Realmente não me passou essa impressão (a qual, reconheço, pode ser algo enviezada por eu ser homem). Contudo acho possível que se interprete de outra forma, pois o texto realmente não é lá essas coisas.
Por outro lado, aparentemente o tratamento editorial original também foi extremamente infeliz, a ponto de autor e revista terem que se desculpar e sair com a história do “conto”, emenda que ficou pior que o soneto.
De todo o modo, eu acho que não deixarei de ver o filme (provavelmente se e quando sair em DVD) conta dessa polêmica, pois essa história do Jean Charles me toca, e se fosse possível separar as duas coisas seria melhor, mas entendo que ninguém daria bola para um texto tipo “Henrique Goldman, eu boicoto”. Enfim….
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Na época em que o texto saiu, não havia qualquer comentário por parte da revista explicando tratar-se de texto ficcional, só o parágrafo dizendo “Nosso colunista pede desculpas públicas à empregada da família com quem transou, contra a vontade dela, quando tinha 14 anos.” Essa explicação apareceu depois, por conta da enxurrada de protestos contra a tal carta. Por conta da estratégia inicial da revista (e suponho que também do autor) sugerindo tratar-se de fato real e não de ficção, fiz algumas considerações algo laterais sobre o texto, citando inclusive um post do Biajoni sobre um livro do Bataille como contraponto — embora no post aqui discutido eu hoje discorde das posições que o Bia expôs.
Aliás, Marjorie, as tuas razões me parecem bem fundamentadas, claras e tremendamente defensáveis. Seu boicote ao filme — e o desejo que esse boicote influencie outras pessoas — é uma atitude política de muito boa cepa, não tenho dúvidas. As minhas razões para não vê-lo são outras, mas não deixo de ser solidário às tuas.
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Sobre o boicote da Marjorie ao filme, é um direito dela.
Sobre o texto publicado pelo Goldman, sendo confissão ou ficção, considero isso típico de mau caráter.
Sobre o filme “Jean Charles”, não recomendo. A idéia é oportunista e a realização é fantasiosa e mediocre. Mesmo sem conhecer a pessoa ou o trabalho do Henrique Goldman, a impressão que tenho é que faltou coragem e criatividade ao diretor na realização desse filme. Mas isso parece ser típico dele.
Ainda que o filme não fosse ruim, conhecendo a “história” do diretor, eu também boicotaria o filme.
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Eu sou uma mulher.Costumo ser curta e grossa então vamos as minhas impressões depois de ler ambos os textos e alguns comentários:
1 – Fiquei furiosa ao ler o título da coluna “Jean Charles: eu boicoto”. Sugiro trocar o título para “Eu boicoto o filme do Jean Charles porque o diretor é machista.”
2 – Achei louvável o tema central do texto. As mulheres sofrem muitos abusos durante o seu dia-a-dia e de fato, o mundo ainda está bem longe de ser igualitário. Há todos os tipos de abusos, inimagináveis.
3 – Terminado de ler o texto, gostando do conteúdo contra os abusos, ainda fiquei me questionando o que o pobre do Jean Charles tem haver com isso. Resolvi ler a coluna da Trip.
4 – Achei o texto fraco, visivelmente ficcional. Fiquei em dúvida se a ironia era enviada contra os caras que utilizam do poder para infringir tais abusos ou uma das muitas piadinhas contra as mulheres.
5 – De qualquer maneira achei o boicote descabido. Não conheço o diretor nem o seu trabalho, então não posso me dar ao luxo de qualquer crítica sobre ele.
6 – Achei alguns comentários muito infelizes, e outros muito válidos. Pincipalmente aqueles que alertam que as vezes o feminismo caí numa histeria sem precedentes, o que acaba por invalidar o seu discurso.
7 – Parabéns Marjoriê, pelo alerta que você deu sobre as mulheres que sofrem constante abuso devido à sua posição social.
8 – Eu tenho muito desgosto pelo tipo de movimento feminista que exagera em tudo e em tudo vê práticas opressoras do machismo. Acho que há praticas opressoras de todos os tipos. Dos ricos para os pobres. Dos brancos para os negros. Dos estadunidenses para os latino americanos. etc.
9 – Amo Clarice Lispector pela grande autora que ela é, e me recuso a reduzi-la a uma simples autora que escreve “com sentimento de mulher”. Os sexos e gêneros existem sim. Mas eles são apenas uma parte do todo.
10 – Acredito em equilíbrio.
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Não conheço o teor dessa carta, no entanto, se ela faz, de qualquer forma, apologia a violência sexual contra a mulher, deve ser repudiada com veemência. Não existe essa história de ser uma ficção ou fato real, isso é irrelevante; se a carta faz uma apologia ao estupro, ou defende a tese de que tal ação pode ser tolerada, deve sofrer as mais severas críticas. E aliás, confesso que fiquei surpreso com alguns comentários tão indiferentes a essa questão. Isso só reforça a idéia de que, de fato, ainda estamos imensamente distantes de uma real democracia sexual.
É a cultura da cretinice que se legitima.
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Existe uma boa intenção (excelente, na verdade), que é mostrar o estrupro como ele é: um crime. Intenção do qual compartilho. Mas a forma como isso foi passado ao leitor foi infeliz. Boicotar o filme porque você não acredita na palavra do autor da coluna (ou do conto) e da revista não combina com a moralidade que deseja passar ao demonstrar o ódio ao estupro. É possível até imaginar a autora como uma beata ajudando a atear fogo nas bruxas na inquisição, tamanha sua “paixão” e “religiosidade” ao defender suas opiniões. Apoie-se em fatos se sua intenção é jornalismo de verdade, não em hipóteses ou crenças. A partir de uma hipótese fazemos uma investigação para prová-la ou refutá-la, não uma crucificação. Primeiro investigue a veracidade do caso. Se aconteceu mesmo, divulgue-o. Um “post denúncia” seria infinitamente mais útil do que um post de ódio baseado em achismo.
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Eu entendo que, tendo sido um ato real, o sexo contra vontade tenha sido um ato de violência, um estupro. O que eu não concordo é que o texto sobre isso, como eu o li, seja a uma manifestação jocosa,uma aqpologia, uma ofensa. Parece-me ser exatamente o contrário. Fato EXTREMAMENTE relevante, a idate do suposto autor do crime. Vamos reduzir a maioridade penal? Enforcá-lo numa árvore? Que tal? O texto, realmente, me parece o de alguém que diz “fiz merda quando era adolescente e quero confessar”, não percebo ironia. E, sendo ou não ficção, parece-me haver intenção de descrever a dupla situção de exploração da mulher, por ser pobre e por ser mulher. Que o EVENTO fosse rechaçado com essa energia, então eu apoiaria totalmente, pois é horrendo, mas o TEXTO sobre ele, é outra coisa. É como aquelas letras do Chico Buarque, sabe? São denúncia? São apologia? Eu não acho que sua reação seja exagerada. Acho injusta.
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a verdade é uma so, de tanto bater punheta, como ele diz, o henique goldmann perdeu todos os seus cabelos. A gora vamos falar serio esse henrique goldmann para escrever a coluna que escreveu sobre as luisas tem um forte desvio de carater.
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CARA boicota nada vao ver um filme de mais um brasileiro
que foi tentar a vida fora e foi ASSASSINDO por policiais!
eu como BRASILEIRO me sinto na obrigação de ir ver
esse filme,porque tem muita gente ai achando que a vida ta dificil
vai ver a historia desse cara
boicotar porra nenhuma!
VIVA JEAN CHARLES
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NÃO COSTUMO LER TEXTOS MUITO LONGOS NA INTERNET MAS O SEU MERECEU MEU TEMPO….
NOSSA! FALOU E DISSE TUDO. QUANTAS HISTORIAS DE LUISAS JÁ OUVI…FORAM MUITAS.
E É VERDADE SOBRE A REVISTAS, NÃO SÓ ESSA, MAS A MAIORIA: POSSUEM CONTEÚDOS MACHISTAS ONDE SÓ O CORPO É VALORIZADO. NÓS MULHERES DEVERÍAMOS PENSAR MAIS SOBRE ISSO POIS QUEM SOFRE SOMOS NÓS E NÃO OS HOMENS, QUE DESSE JEITO VÃO SE ACHAR SEMPRE SUPERIORES À NÓS.
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Concordo plenamente com tudo, menos com o boicote ao filme. Acho que o filme é realmente importante, ficou bem feito e seria ótimo se os brasileiros pudessem ter acesso a esse debate sobre a imigração, o preconceito, a vida fora do país, a injustiça, a violência etc.
Eu cheguei em Londres 2 dias depois das primeiras bombas, estava lá, vi a loucura que aquilo estava. Fiquei muito feliz com o resultado do filme.
Uma lástima que o cara seja um estrupador que se finge de bom moço e que a revista cumpra esse papel lamentável.
Também fiquei muito contente com esta publicação, muito bem posta. O importante é debater que esse não é um caso isolado, mas uma característica deste país, da violência que vivem as mulheres constantemente.
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O Filme é muito bom, adorei, eu como passei 7 anos trabalhando nos estados unidos lembrei muito meus tempos de imigrande….. Parabens pelo filme… agora quanto as criticas nao vem ao meu caso, eu vejo bons filmes, não vou deixar de torcer pro flamengo se um goleiro capitão do time matou uma mulher…. e porai vai…
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Se sentiu assediado(a) moralmente? Pede demissão, coloca a boca no trombone, vai atrás de seus direitos. Procura outro emprego.
Empregada não é estuprada por filho de patrão. A maioria dá porque gosta. Os casos que conheci de colegas que ‘comeram’ a emprega, comeram porque elas deram. E não foi necessário assediar moralmente, nem sequer, pagar uma cervejinha… bastou dizer: ‘Maria’… você é gostosinha… vamos trepar? E ela foi …
Portanto para toda regra há excessão. Mulher que cede à pressão moral … é fraca. Prefere ‘dar umazinha’ a ir em busca de algo melhor (emprego) e de justiça. De alguma forma, está se prostituindo. Do mesmo modo que aquela … que … digamos, casou por dinheiro. É puta. A diferença é que essa tem … aposentadoria vitalícia. E partilha de bens no caso de encerramento do contrato. Não é puta free lancer. É puta registrada. Mas é puta. Dorme com um cara, pra ter um determinado padrão de vida.
Há o caso de muitos homens, que saem com mulheres da empresa que possuem cargos gerenciais para obter favores, beneficios. Também está se prostituindo.
Enfim, trepou porque gostou da pessoa e porque gosta de trepar, é só uma pessoa sexualmente ativa.
Trepou sem gostar, pra ter algo em troca (estabilidade no emprego, continuar na casa do patrão, dinheiro, benefícios), é puta(o).
Trepou na marra … é vítima.
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