Serra queria ser o candidato de Lula
por Alan Souza – Há algumas semanas publiquei aqui no Amálgama um texto em que analisava a dificuldade que a oposição teria em alinhar um discurso para a campanha eleitoral. Escrevi que precisaria de um discurso marcante, que se opusesse a Lula e Dilma, sem que o eleitor entendesse isso como mudança, o que classifiquei como uma bela sinuca de bico.
Pois bem, o que vimos nas últimas semanas é a prova de que não só a oposição não achou um discurso, como variou entre os dois piores de todos: há algum tempo Serra tentou fazer crer que ele (e não Dilma) é que seria o candidato que representava a continuidade da era Lula! A entrevista, que causou espanto mesmo aos jornalistas mais habituados a olhar com carinho especial para os Tucanos, foi concedida à Rádio Jornal, em Pernambuco.
Apesar de a mídia ter se esforçado para mostrar um começo de campanha ruim para Dilma, quem está enfrentando um verdadeiro inferno eleitoral é José Serra. Tucano autêntico, o ex-governador paulista tem que se mostrar como candidato à continuidade da obra de seu maior opositor, se quiser abocanhar alguns votos. Não pode demonstrar nenhuma antipatia, senão terá colado em si o rótulo de autoritário que tenta pregar em Dilma – e mesmo assim ele bateu boca com nada menos do que três jornalistas…
Acossado pela divulgação de pesquisas eleitorais que o colocavam empatado ou mesmo abaixo de Dilma, Serra resolveu mudar o discurso: adotou a tática de bater não em Lula, mas em Dilma e na Bolívia, aliado regional do governo brasileiro. Serra chegou a insinuar que o governo boliviano mantém como política de governo a remessa de cocaína para o Brasil. Além de adotar o caminho que o antipatizará com os 78% de brasileiros que avaliam Lula como bom/ótimo, Serra abre uma frente de batalha altamente explosiva e virtualmente inócua, apesar de tentar encaixar o discurso no tema da segurança pública. Trata-se de tema que, como as críticas à posição do governo brasileiro em relação a Cuba e à Venezuela, não atinge nem 5% do eleitorado.
E por falar em segurança pública, Serra deu mais uma bola fora: afirmou que em seu governo o Ministro da Justiça (ao qual está subordinada a Polícia Federal) será escolhido entre membros do Ministério Público. Serra desconhece por completo que há algum tempo as relações entre o MP Federal e a PF estão estremecidas – para não dizer absolutamente envenenadas.
Procura-se um vice
No curto período de dois dias, Serra amargou duas desfeitas. Na quinta-feira, dia 27 de maio, o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, reafirmou o óbvio: não será candidato a vice-presidente. Aliados de Serra apressaram-se em apresentar outro nome de peso, o senador Tasso Jereissati (PSDB/CE), que no dia seguinte tratou de tirar o corpo fora, afirmando sua condição de candidato ao Senado.
Por óbvio, o drible de corpo dos quase-vices mostra que nenhum dos dois dá um tostão furado pela vitória de Serra. Se acreditassem, logicamente prefeririam ser vice-presidentes a senadores, dado o alcance nacional do cargo de vice.
O maior problema de Serra é ele mesmo. Durante anos a fio Serra alimentou uma forma de convivência perversa tanto com aliados políticos como com opositores, maltratando a uns e outros com a mesma força e freqüência. Não foi à toa que Aécio desdenhou da condição de vice na chapa Tucana, afirmando que se sua presença fosse assim tão importante deveria ser ele o cabeça de chapa.
Assim, Serra está, no quesito vice, uma posição atrás de Dilma e de Marina Silva – ambos com seus vices já definidos. E, claro, as campanhas adversárias saberão explorar esse fato, colocando-o como mais uma prova da postura desagregadora de Serra.
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![- No domingo, manifestantes tomaram a Paulista em protesto contra a ação da PM em Pinheirinho [foto: Pádua Fernandes] -](http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/protesto-pinheirinho.jpg)



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Eu acho que o vice da Dilma não está nada definido não.
Existe risco nada desprezível de o PMDB pular fora do barco.
Se isso acontecesse eu definiria o voto em Dilma imediatamente – por enquanto ainda estou muito em dúvida…
André, acho que não é do DNA do PMDB desprezar uma chance dessas, de ter o cargo de vice na chapa de Dilma. Aliás, não é do DNA do PMDB desprezar chance nenhuma…