O que é isso, companheiros?
por Tiago Pereira * – É impressão minha ou a horda e onda conservadora que se prenuncia tenta gerar constrangimentos àqueles que lutaram contra a ditadura? Alguns chamam de revolução, outros de ‘dita branda’, o que demonstra certo respeito de tais grupos ao período em que sonhos e liberdades foram ceifados pelos homens de roupa verde. Pois bem. Ainda que o STF tenha interrompido a possibilidade de um debate mais amplo ao recusar a revisão da Lei da Anistia, 2010 está impregnado de 64. Seja por conta da biografia dos dois principais candidatos que, em níveis diferentes, se opuseram e lutaram contra o golpe, os pleitos de familiares daqueles que foram ao chão na mão dos militares e que hoje pressionam por justiça, ou ainda, dos partícipes e cúmplices do regime, que apostam no esquecimento.
A mídia, saudosa, enaltece a luta política apenas daqueles que não sujaram suas mãos de sangue ou pólvora, dos ditos ‘democratas’. Os que ‘radicalizaram’ são alvos preferenciais do constrangimento articulado, rebaixados às mesmas condições dos torturadores, a menos que, no lugar do vermelho de ontem, hoje adotem colorações mais verdes ou azuladas.
Foi mais ou menos esse o ponto que Marta Suplicy tentou tocar, ao falar para a militância petista no último domingo. Lembrou que Dilma foi presa e torturada, e portanto, merece respeito. “É a forma de eles [da oposição] agirem, tentando desqualificar com mão de gato. A Dilma pertenceu a uma organização na época da ditadura (…). E isso, gente, não merece desqualificação, merece respeito, porque alguém com 20 anos, que vai ali, põe em risco a sua vida pra defender a liberdade do país (…). E ser presa e torturada durante três anos, merece o nosso respeito e não a desqualificação”.
Foi mais longe, buscando comparações: “Todo mundo aqui já ouviu falar do Gabeira? Já, a maioria, pois é. Vocês notaram isso: que do Gabeira ninguém fala! Ele, sim, seqüestrou (…). Eu não tô desrespeitando ele, ao contrário. Mas ele sequestrou. Ele era o escolhido pra matar o embaixador (…). E ninguém fala, porque o Gabeira é candidato ao governo do Rio e se aliou com o PSDB. Então, dele não falam”.
Não entenderam que não se tratava de desrespeito. Ou não quiseram entender. Armaram um circo, a candidata como palhaça, tratando o caso como uma tremenda gafe. E lançaram a cortina de fumaça. Gabeira não era o alvo ou objeto, mas sim a ambivalência apontada. Nem o próprio Gabeira conseguiu se desvencilhar, negando apenas que fosse o escolhido para matar. E se tivesse tido que matar? Politicamente, deveria envergonhar-se disso? Vergonha é, depois de ter pego em armas, aparecer de mãos dadas com César Maia. Não dá pra entender a guinada à direita de uma de nossas figuras mais progressistas, e com história de luta que merece aplauso. Quanto à grande mídia, continuarão a escorregar nas próprias cascas de banana.
* Tiago Pereira, Mairiporã-SP. Blog: tiagopereira.wordpress.com.
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E lá do fim da sala um cara grita:
“Deveriam se envergonhar sim!! Eles queriam substituir uma ditadura por outra!!”
E daí? Como responde a isso?
Eles entenderam o que ela dizer sim. O que essa gente quer é ganhar no grito.
A marta não desrespeitou ninguém, Não disse nada que desabonasse Gabeira.
Se o tivesse feito, o Gabeira não a teria processado.
Pro Gabeira tb não é bom ficar tocando no assunto, afinal pelo que andei lendo, ele foi o bocó que caiu na armadilha da policia.
Marta vai ganhar em SP e de lavada.
conferindo/ o que ela quis dizer