Reflexão sobre as mães a partir do filme “Tempo de Despertar”
por Juliana Dacoregio – Após alguns minutos assistindo Tempo de Despertar eu já estava chorando copiosamente. Nenhuma tragédia quanto ao destino dos personagens havia sido apresentada. Coisas sutis me emocionaram. Um médico que só havia trabalhado com pesquisa e que, mesmo precisando de emprego, quase chega a desistir de uma oportunidade de trabalho porque teria de lidar com seres humanos de verdade. A maneira com que esse mesmo médico lida com uma situação que seria considerada fracasso para a maioria das pessoas. (Ao falar sobre o tipo de pesquisa que estava desenvolvendo, outro médico retruca: Mas realizar isso é impossível!, ao que ele responde: – Eu sei que é impossível. Eu provei isso.Ou seja, ao invés de se envergonhar diante do fato de ter passado 5 anos de sua vida tentando fazer algo, que desde o início muitos consideraram impossível, ele encarou a frustrada experiência como o que ela era exatamente: experiência!)
Mesmo assim ele aceita o emprego e descobre que há muito mais a fazer pelos pacientes acometidos de doenças psiquiátricas ainda desconhecidas na época. Até então, o hospital servia apenas como um asilo para tais pacientes, que eram alimentados, medicados e cuidados por enfermeiros e médicos solícitos, mas que não consideravam a hipótese de tentar curá-los. Mas o médico vivido por Robin Willians, que em toda a sua carreira só havia feito pesquisas e nunca tratado gente de verdade, começa a perceber que os pacientes catatônicos não estão totalmente alheios ao mundo. Eles respondem a alguns estímulos. A partir daí, o médico começa a pesquisar novas drogas e tratamentos para tentar melhorar a vida de seus pacientes.
Quando Robert De Niro entra em cena é um capítulo à parte. É emocionante ver aquele homem que já interpretou tantos personagens poderosos e violentos interpretando um doente mental, que não se comunica, não reage a nada e é penteado com esmero pela mãe já idosa. É tocante ver a versatilidade de um ator numa situação como essa. Acostumado a papéis viris, Robert De Niro se sai perfeitamente bem, como um homem totalmente dependente dos cuidados de outros. Ele transmite inocência, com seu olhar perdido no horizonte e seu ar acanhado e ignorante das maldades do mundo.
Quando o médico, vivido por Robin Willians, vê a mãe do personagem de De Niro penteando-o com tanto carinho, ele pára diante dos dois e segue-se o seguinte diálogo:
- Ele se comunica com a senhora?
- Não através de palavras.
- Como assim? Não entendo.
Ao que a mulher responde com aquele ar de sabedoria e superioridade que só as mães têm:
- Você não tem filhos, não é? Se você tivesse, você entenderia.
Foi nesse outro momento que mais lágrimas verteram de meus olhos. Pela emoção da cena em si, pelo drama dos personagens, pela interpretação maravilhosa dos atores… Mas muito mais, porque lembrei de minha mãe e de todas as vezes que ela me compreendeu sem que eu dissesse palavra alguma. Lembrei das crises depressivas, das tristezas da adolescência, em que eu não conseguia explicar o que estava sentindo, mas que ela, com sensibilidade, fazia tudo que pudesse para aliviar meu sofrimento. Pensei também em minha avó e em atitudes que ela teve para cuidar de um filho em um momento em que todos o deixavam de lado. Lembrei de todas as vezes em que minha mãe conversou comigo porque eu não tinha sono, todas as vezes em que ela acendeu a luz do quarto porque eu tive medo.
Chorei. Chorei de alegria por ter mãe. E por saber que mesmo com as desavenças, discordâncias e distanciamentos que uma relação mãe e filho naturalmente geram, ela sempre me compreenderia. Até mesmo sem palavras, se preciso fosse.
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![- No domingo, manifestantes tomaram a Paulista em protesto contra a ação da PM em Pinheirinho [foto: Pádua Fernandes] -](http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/protesto-pinheirinho.jpg)

Ju, esse filme é mesmo demais. Faz tanto tempo que o vi e hoje senti muito prazer em relembra-lo, reexperiencia-lo, através de seu texto que aliás ficou muito bom.
Valeu
Sue
Obrigada Sue. É um filme fascinante. Escrevi essa crônica qdo o assisti e já faz algum tempo. Agora quero revê-lo.
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É mesmo hora de despertar,como seres humanos e abraçar mais ao próximo como queremos ser abraçados.Despertar para vida crendo no impossível aos homens mas possivel a Deus!E com garra e determinação vencemos.Este filme é mesmo bom,sua visão em seu texto ficou maravilhosa.Abraços amiga,saudades…me mande seu email para contato.bjos
Valeu Angélica! Sempre precisamos despertar para alguma coisa na vida e o cinema nos ajuda muito nisso.
beijo:)
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O filme é magnífico. Mas o mais surpreendente é ver como é tênue e frágil a linha que nos mantém em nossa sanidade e no controle de nossas ações e o esforço dos médicos em entender e buscar explicações para fatos que anterior à data do filme ainda não tem explicações.