Eleição presidencial: a mídia toma partido

por Alan Souza – A eleição parecer ter começado pra valer agora, com a saída de Ciro do jogo eleitoral. Delineadas as três candidaturas principais (Serra, Dilma e Marina), começam também a se alinhar os aliados de uma ou outra. A mídia, principalmente a escrita, parece ter tomado partido em definitivo, e claramente vê-se que escolheu José Serra, o pré-candidato do PSDB. Não falo aqui da revista Veja ou do jornal Folha de São Paulo, estes sempre foram claramente anti-PT e nunca fizeram questão de esconder. Falo de órgãos até então mais ou menos isentos, como a revista Época.

A revista Época partiu para o jogo de confundir o leitor/eleitor. Na edição desta semana a coluna Vamos Combinar, do jornalista Paulo Moreira Leite, faz questão de incensar o início de campanha de Serra, segundo ele “impecável”. E diz que Dilma está atrapalhada com seu discurso. Em uma outra reportagem de três páginas a revista reforçou o viral mais recente da mídia de internet, de que Dilma estaria mal na campanha e provocando apreensões em seu partido e no presidente Lula. Por fim, a crônica da jornalista Ruth de Aquino, na página final da revista, procura acusar, veladamente, a campanha de Dilma de usar de “falsidade” na apresentação da pré-candidata, inclusive com uma frase final parecendo sob encomenda para a tropa de choque de José Serra na internet (“ninguém engana todos todo o tempo”). Mote perfeito para o PSDB, que através de Eduardo Graeff, chefe da campanha do Tucano na web, mantém um virulento blog acusatório contra Dilma e o PT chamado “Gente que mente”.

É incrível que os jornalistas de Época só enxerguem mazelas na campanha de Dilma e apontem a de José Serra como perfeita. Serra ainda não encontrou seu discurso, evita a qualquer custo atacar Lula e vive elogiando Dilma, mas seu partido espicaça o PT e Lula sempre que tem chance. Serra foge do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como o vampiro que foge da cruz, mas ninguém da mídia parece ver isso. Serra enrolou-se por completo ao falar de gestão pública: disse que em seu governo criaria algo que já existe (a Defesa Civil), e apregoou sua ideia de criar um Ministério da Segurança Pública, ao mesmo tempo em que a criminalidade em São Paulo (governada por Tucanos há mais de 15 anos e por Serra nos últimos três), explodia em números ultrajantes. Serra declarou que iria acabar com o Mercosul, e depois que foi criticado no Brasil e demais países da América do Sul teve que explicar-se.

Olhando apenas para um lado a mídia concluiu que só Dilma teve problemas na saída – e Época trata de repercutir o viral nesta sua última edição.

A postura da mídia escrita terá nesta campanha a finalidade de servir de reforço ao discurso dos candidatos. A estratégia parece ter se delineado da seguinte forma: numa semana uma rede de blogueiros e sites de revistas e jornais criam um fato na mídia digital e na semana seguinte algumas revistas dedicam-se a reforçar a imagem e a mensagem do que foi dito na web. Ocorre que isso parece estar funcionando muito bem para Serra, e nem tanto para Dilma…

No mais, é uma prova de que os candidatos estão (Serra principalmente) acreditando que a internet é quem decidirá a eleição no Brasil. Essa ideia foi importada com entusiasmo da campanha de Barack Obama nos EUA. Mas apostar nisso num país como o nosso, com realidade de acesso à internet completamente diferente da norte-americana, e onde massas inteiras de eleitores ainda decidem o voto com base na campanha da TV ou na força de aliados dos candidatos, me parece muito temerário.

Mudança de rumo no DF
A eleição indireta para governador do DF, há cerca de duas semanas, ajudou a mudar (e muito!) o rumo da eleição no Distrito Federal. O peemedebista Rogério Rosso, eleito pela Câmara Distrital, é cria política do deputado federal Tadeu Filippelli. Este, por sua vez, é o criador do mote “Brasília é maior do que a crise”, criado para tentar afastar o fantasma da intervenção federal e ao mesmo tempo varrer a sujeira para debaixo do tapete da memória do eleitor. Não por acaso Filippelli chegou a ser tratado por algum tempo como o futuro vice de José Roberto Arruda, quando este começou a discutir sua reeleição, em meados do ano passado. E também não é por acaso que Rogério Rosso e sua vice, Ivelise Longhi, ocuparam cargos de destaque na gestão de Arruda. Igualmente não é por acaso que a esposa de Rosso, Karina Curi, é amicíssima das filhas do ex-governador Joaquim Roriz.

Ou seja, em termos ideológicos a gestão do DF continua nas mãos do mesmo grupo de sempre (Roriz/Arruda e agora Filippelli/Rosso), apenas com alguns de seus protagonistas momentaneamente afastados por questões ocasionais.

Ocorre que hoje o grupo de Tadeu Filippelli (Rosso inclusive) é aliado do PT local. A aliança, diz-se, visa impedir o retorno de Joaquim Roriz (PSC) ao GDF. Com essa aliança reduzem-se a quase zero as chances da decretação de intervenção federal no DF (repare que o assunto praticamente sumiu da mídia nas últimas duas semanas). Com um aliado no governo o PT quer dar tranquilidade para a gestão, de forma a ter tranquilidade na campanha.

Setores da mídia já dão como certa uma aliança selada entre PT e PMDB no DF, e apostam na indicação de Tadeu Filippelli para vice de Agnelo Queiroz. Seria, do ponto de vista estratégico, uma excelente jogada, por dois motivos: primeiro, com a saída de Arruda do cenário o trio DEM/PPS/PSDB virtualmente ficou inativo e irrelevante na política do DF. E segundo, com a costura da aliança com o PDT, dando a este a vaga de candidato ao Senado a Cristovam Buarque (candidato a reeleição e bom de voto no DF), restou apenas Roriz para bater chapa.

Uma pesquisa divulgada no último domingo, 2 de maio, mostra que Agnelo Queiroz subiu nas intenções de voto e tem apenas 8 pontos percentuais a separá-lo de Roriz. Este, por sua vez, debate-se com o maior índice de rejeição (33%). E a mesma pesquisa colheu a intenção de voto para o Senado (onde lidera Cristovam Buarque, com 42%), para deputado federal (dos cinco candidatos melhor posicionados três são de oposição) e para deputado distrital (dos cinco primeiros colocados quatro são de oposição). Se acredita em pesquisas, Roriz deve ter comemorado ainda estar em primeiro lugar – mas certamente já começa a se preocupar.


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5 comentários | Dê sua opinião

  1. Pingback: Rodrigo Rocha

  2. tucano 06/05/2010 em 2:28 am

    vixe..to sentindo um cheiro esquisito..parece..credo!! PETRALHA!

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    • Alan Souza 06/05/2010 em 9:28 pm

      O mau cheiro que você sente, meu amigo, é o dos seus próprios pensamentos.

      Responder
  3. Gildo A´raújo 07/05/2010 em 10:24 pm

    Eu votei quatro vezes em Lula da Silva, mas me senti um idiota, quando Mercadante afirmou que se Henrique Meireles cometeu algum crime – quando o acusaram de mentir para a justiça eleitoral e de sonegar os impostos – foi antes de entrar no Governo, então tudo bem. Eu também tomei partido, será que também estou sendo motivado por motivos escusos?
    Também não entendo essa indignação dos petistas em relação ao site dos tucanos, não foi o próprio presidente Lula da Silva que defendeu a democracia na internet, mas estranhamente, no seu blog ninguém pode comentar. Vale salientar que em alguns blogs (do R7, do IG, e do Paulo Henique Amorim) os comentários críticos em relação ao presidente Lula da Silva são censurados. Apesar de tudo isso, vou continuar achando que Diogo Mainardi é o cretino fundamental número 1 do Brasil, pra falar a verdade nem leio a Revista Veja, prefiro a CartaCapital editada por Mino Carta, a única cabeça pensante que ainda acredita no presidente Lula da Silva e mesmo assim já afirmou que FHC fez mais pela Reforma Agrária do que os petistas, demonstrando claramente a decrepitude do governo petista.

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