3D e pirotecnia para maus roteiros
por Luiz Biajoni – Muito se falou sobre o batido e previsível roteiro de Avatar. Tanto quanto se falou sobre as inovadoras técnicas de filmagem e pós-produção desenvolvidas por James Cameron. No final das contas, há ali muita técnica e pouca história. Há emoção? Sim. Então temos muita técnica a serviço da emoção. Não é mais a história que impressiona, estimula, sensibiliza, supreeende e emociona – agora é tudo uma questão de, tecnicamente, mexer com os sentidos. Até mesmo os atores estarão sendo dispensados em breve: não vamos mais precisar da interpretação de um Robert De Niro, já que um boneco de computador programado vai fazer as caras e bocas com pintinha sobre o lábio. Cinema, agora, é uma arte de nerds programadores.
Ei, esse não é um texto que vai reclamar da nostalgia do preto-e-branco de Bergman, acalme-se. O cinema evoluiu a partir das transformações técnicas. A sensibilidade da película, o aparecimento do som, da cor, dos novos formatos de tela e das novas salas para exibição, do technicolor, do surround, dos efeitos especiais… Até chegarmos ao 3D e toda pirotecnia tecnológica que permite que tudo – tudo! – possa ser conseguido na tela. Não há mais limites.
Temos aí 110 anos de cinema – e o que são 110 anos de cinema diante dos milhares de anos de escrita e literatura, não? – e o ápice da tecnologia para realizações plenas mas… sem boas histórias! Ei, não temos mais boas histórias! Não há mais histórias originais a serem contadas! O que está acontecendo? Acabou o repertório da humanidade? Vamos agora refazer todos os filmes que já foram feitos e vamos pintar todos os atores de azul e vamos colocá-los sobre bichos voadores para que a platéia tenha a impressão de que estão todos zunindo sobre suas cabeças? É isso a modernidade?
Que tal um remake de Casablanca em 3D? Hein, hein?

-- Humphrey Bogart e Ingrid Bergman em Casablanca 3D --
Acho que é aí que vamos parar, já que a originalidade e a novidade parecem ter ido para o ralo. Vejam o Oscar de roteiro original para Guerra ao Terror! Veja isso! O que temos ali? Um soldado maluco, em missões suicidas? Temos zilhões de filmes assim, desde Apocalipse Now!
Dê uma boa olhada nos filmes que estão aparecendo. São remakes fajutos. A Hora do Pesadelo? Karatê Kid? Robin Hood? Fúria de Titãs! É preciso atualizar esses filmes? Estão filmando para uma geração que não pôde ver os filmes originais? Meu Deus, com TVs a cabo exibindo esses filmes continuamente! O que Tim Burton quis dizer com sua Alice? Algo novo? Algo que não havia sido dito? Ou é só um filme bonito, de estética vazia?
Até mesmo os filmes de heróis têm um ranço desagradável. Para quem, como eu, cresceu lendo os quadrinhos por anos e anos a fio, um filme parece sempre uma maneira de simplificar personagens. Tudo bem, não vou ser o chato, adoro filmes de heróis – até para poder criticar depois. Mas veja esse Homem de Ferro 2… Assim como Transformer 2, serviu apenas para mostrar que não há nada além de explosões gigantescas a serem mostradas. Nada.
A abstração chegou ao cinema.


salve, biajoni,
o mundo do cinema tá muito é do chato. creio que a cultura do videogame e a wikipédia nivelaram a mediocridade no cinema e na mídia também.
a proliferação dos remakers é só o melhor caminho pressa falta de imaginação da arte cinematográfica, apesar dos belos exemplos de filmes fora do circuito de roliud. tô ficando, talvez, meio ranzinza com isso. a idade conta, né não?
a propósito, descobri aqui em fortaleza um distribuidor de filmes antigos e seriados dos anos 30 e 40, que agora estou me deliciando com flash gordon, o império submarino e jim das selvas. é um “vale a pena ver de novo”, só que individualizado.
abçs
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Vc está olhando para a tela errada…
Há uma grande diversidade de histórias, formatos, roteiros, etc… O problema é que você só está olhando para um modelo de produção falido… O hollywoodiano. Que como a música e as gravadoras faliram. É só marcar o funeral.
Procure (sim, exige um certo esforço e uma mudança de paradigma) por audiovisual de outros países. Você vai ficar absorto em ver como existe gente criativa por aí, sem crédito.
E vamos combinar q pagar 25 reais no cinema para ver explosão e tecnologia… Hum… Q preguiça! Nem mais me dou ao esforço de “baixar” esses enlatados. E não fique triste pela falência do cinema americano… Isso está dando espaço para outras cinematografias. É ótimo na verdade.
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Concordo. Avatar é tecnica. Muito previsível e chato. Eu que curto filmes com boa história, sequer consegui assistir até o final. Não só de efeitos especiais se faz cinema, mas sim de boas histórias.
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RT @magopaco: Muita correria, explosão e desrespeito a inteligência e nenhuma história. http://www.amalgama.blog.br/05/2010/3d-pirotecnia/ (via @biajoni)
Poxa, assino embaixo da Danielle. Falou e disse.
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3D e pirotecnia apenas escondem maus roteiros, a crise criativa do cinema http://www.amalgama.blog.br/05/2010/3d-pirotecnia/
ah, sim, danielle e pedro. estou falando de filmes que PASSAM NO CINEMA. é disso. e não de cinema pra baixar, pra comprar o dvd. a coluna é disso.
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RT @biajoni 3D e pirotecnia apenas escondem maus roteiros, a crise criativa do cinema http://www.amalgama.blog.br/05/2010/3d-pirotecnia/
RT @biajoni: 3D e pirotecnia apenas escondem maus roteiros, a crise criativa do cinema http://www.amalgama.blog.br/05/2010/3d-pirotecnia/
RT @biajoni: 3D e pirotecnia apenas escondem maus roteiros, a crise criativa do cinema http://www.amalgama.blog.br/05/2010/3d-pirotecnia/
RT @biajoni 3D e pirotecnia apenas escondem maus roteiros, a crise criativa do cinema http://www.amalgama.blog.br/05/2010/3d-pirotecnia/
Luís, concordo plenamente quando você afirma que a inserção e o avanço da tecnologia no meio audiovisual foi inversamente proporcional à criação de roteiros de criativos e de boa qualidade. No entanto, seu texto apenas faz referência apenas ao cinema hollywoodiano que desde os seus primórdios valorizou sempre a produção de películas para encher os nossos olhos e esvaziar nossas mentes (e bolsos, porque não). Não se esqueça que ainda existem filmes sim, que apesar de estarem fadados às inovações tecnológicas não consiga se sobressair (veja o cinema francês e até alguns filmes brasileiros, por exemplo). Cinema não é só feito de blockbusters, mas de mentes que pensam e sabem externar suas emoções não apenas com imagens, mas com o contexto, da forma mais não-linear e sutil possível.
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RT @JuDacoregio: RT @biajoni 3D e pirotecnia apenas escondem maus roteiros, a crise criativa do cinema http://www.amalgama.blog.br/05/2010/3d-pirotecnia/
RT @alinebicudo: RT @biajoni: 3D e pirotecnia apenas escondem maus roteiros, a crise criativa do cinema http://www.amalgama.blog.br/05/2010/3d-pirotecnia/
RT @doni: RT @biajoni 3D e pirotecnia apenas escondem maus roteiros, a crise criativa do cinema http://www.amalgama.blog.br/05/2010/3d-pirotecnia/
Aqui surge uma discussão até mesmo de conceito: filmes que só saem em dvd são cinema? Ou cinema é composto de filmes que passam no cinema, apenas? Afora essa questão, há algum tempo que tenho dado preferência para séries de tv, que em muitos casos são mais inteligentes que ps filmes. Ao lado, logicamente, da literatura, que nunca perderá seu posto de preferência.
Isso não quer dizer que eu não goste de explosões e lutas de monstros e robôs gigantes. Apenas que há coisas mais importantes, às quais dedico mais tempo e (meu pouco) dinheiro.
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Não acho que o mercado cinematografico irá se consolidar apenas nas técnicas em 3D, muito menos de contratar atores consagrados como Robert De Niro como foi citado, cinema é como a música, existe genêros para vários gostos, se ficar num formato só, as pessoas acabam se cansado da mesmisse, sem dúvida os filmes em 3D terão um crescimento exponencial, mas não acho que isso vai prevalecer somente estes nesses formatos, acho que as variedades e os formatos devem existir, até porque ninguém gosta de assistir um filme em apenas um genêro, até porque se os filmes 3D foi a consagração dos cinemas, o filme AVATAR não teria perdido o oscar para Guerra ao Terror. Acho que é possível sim fazer filmes em 3D com conteúdo, não se pode generalizar, como em qualquer meio existe as coisas boas e as coisas ruins.
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o problema, yanna, é que eu coloco o guerra ao terror no mesmo patamar. não tem 3d mas tem as explosões pirotécnicas de sempre. o roteiro é pífio, ganhou o oscar. o cinema, de maneira geral, caminha por aí. é isso.
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Não é só o cinema que sofre de mesmice, as artes de modo geral se reduzem ao gosto/não gosto, há anos não surge nada instigante, que modifique ou ajude a modificar o mundo ao redor(ou mesmo o setor da obra), vai ver o nivel educacional no mundo deteriorou-se ao máximo.
E saindo um pouco dos EUA, o cinema de outros países também está um tédio geral, sempre os mesmos temas, sempre as mesmas atuações “para ganhar oscar”, afetadas e beirando ao histerismo.
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