Notícias são necessárias?

por Luiz Biajoni – Existe um dado interessante na biografia de Henry Miller que, me parece, não tem sido muito levado em conta por críticos e estudiosos da obra desse mestre da literatura: Miller não lia jornais.

E essa postura era opção. Ele dizia que não encontrava nada de relevante nos jornais e os diários apenas o deprimiam com suas notícias rasteiras e catastróficas. Miller tomou a decisão de viver sua vida intensamente e escrever sobre ela independente do que estava acontecendo no mundo. Fazia mesmo questão de não saber.

Isso foi no começo do século XX, antes de ir para Paris. Como sabemos, Miller escreveu livros sobre sua vida pessoal e sobre como eram as pessoas com quem se relacionava e como era a vida nesse período, os anos 20. Acabou construindo, muito provavelmente, o melhor painel social da Europa. E da condição humana.

Notícias seriam mesmo necessárias?

5 comentários | Dê sua opinião

  1. Ricardo Cabral 21/05/2009 em 8:10 pm

    Biajoni, algo falta a essa pergunta. E esse algo diz respeito ao universo em torno do qual gira vida de cada sujeito. Para alguns, sem notícias para preencher o oco de seus dias, a vida seria um nada. E um nada bem chocho, não um desses nadas existencialistas pra lá de angustiantes e que viram (ou viravam, sei lá) livros de filosofia, romances e peças de teatro. Em casos assim fica evidente a função das notícias, não?

    Para outros, sejam os raríssimos Henry Miller da vida ou os Simeões do deserto, — só para ficar com 2 exemplos extremos —, dá pra dizer que as notícias são prescindíveis.

    É claro que se pode encontrar outras variações em torno ao tema, inclusive a de um simples meio termo, onde de vez em quando se dê ouvidos e olhos a uma ou outra notícia, enquanto se vive milhares de outras experiências e se inventa a própria história. Mas esse equilíbrio não é nada fácil…

    Por último, lembrei sobre cinema, área em que você é craque. Já viu um filme chamado “Preto e Branco em Cores” (“La Victoire en Chantant”), do Annaud? Passa-se em 1915, na África colonizada por franceses e alemães. Tudo corre tranquilamente entre eles até que chegam jornais, com 5 meses de atraso, dizendo que os seus países estavam em guerra. De uma hora para outra, os cordiais vizinhos resolveram que tinham que ser inimigos, e para dar conta desse novo cenário, os 9 franceses resolvem formar um exército com os negros da região e assim combater os 3 alemães ex-cordiais vizinhos, que por sua vez montam outro exército semelhante… O que associei do filme com o teu texto foi a maneira como as notícias podem mudar radicalmente o mundo, mesmo que se trate de algo absolutamente (e absurdamente) distante da gente. Esquisito isso, não?

    Abs

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  2. Sue 21/05/2009 em 11:56 pm

    Ow! Dessa eu não sabia. E olha que foi sobre Henry que falei no concurso que fiz para entra na Universidade aqui. Ele é ótimo. Adorei saber que ELE, meu amigo Miller não lia jornal. Adorei porque, é claro, de narcizista tenho muito, eu também não leio jornal. Não leio porque não gosto do cheiro (me dá náuseas), da cor, do formato, do tato, e principalmente porque não vejo grande vantagem nisso para o tipo de vida que levo. Além disso eu também não assisto televisão. Não assisto porque não gosto, não tenho paciência, me cansa o corpo e a mente. A televisão de que falo é a programação em si. Uso o tal aparelho de TV para ver filmes e outras coisas cujo controle me deixa dominar a velocidade de exibição …
    Esse pessoal que lê jornal costuma por exemplo se compadecer das dores de povos distantes, se enchem da notícia globalizada e esquecem da notícia delimitada. Mandam dinheiro para as vítimas da fome na Arfrica, se apavoram com a crise nos EUA e não sabem dos que morrem de fome na esquina de suas casa. Vai entender este mundo cão.
    S.

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  3. Sue 22/05/2009 em 12:00 am

    Ow! Dessa eu não sabia. E olha que foi sobre Henry que falei no concurso que fiz para entrar na Universidade aqui. Ele é ótimo. Adorei saber que ELE, meu amigo Miller não lia jornal. Adorei porque, é claro, de narcizista tenho muito, eu também não leio jornal. Não leio porque não gosto do cheiro (me dá náuseas), da cor, do formato, do tato, e principalmente porque não vejo grande vantagem nisso para o tipo de vida que levo. Além disso eu também não assisto televisão. Não assisto porque não gosto, não tenho paciência, me cansa o corpo e a mente. A televisão de que falo é a programação em si. Uso o tal aparelho de TV para ver filmes e outras coisas cujo controle me deixa dominar a velocidade de exibição …
    Esse pessoal que lê jornal costuma, por exemplo, se compadecer das dores de povos distantes, se enchem da notícia globalizada e esquecem da notícia delimitada. Mandam dinheiro para as vítimas da fome na Arfrica, se apavoram com a crise nos EUA e não sabem dos que morrem de fome na esquina de suas casas. Vai entender este mundo cão.
    S.

    Responder
  4. Biajoni 22/05/2009 em 10:18 am

    Não faz muito tempo, o Jabor escreveu um texto falando sobre o advento da não-notícia, essas coisas que enchem jornais e tvs e são completamente irrelevantes. Acho que a onda disso gerou esse textinho – que foi escrito beeeem antes do texto do Jabor, btw.
    Hoje, na Ilustrada, Jorge Furtado fala sobre o excesso de realismo na tv. Não sei o que tem a ver, mas assim que li, achei que alguma coisa tem.
    :>)
    E a corrida pelos portais de notícias, para se atualizarem cada vez mais e mais rapidamente, gerando coisas como “reinaldo gianecchini toma banho de mar em Ipanema” ou “corpo da menina baleada chega a rio claro”.
    Notícias demais? Precisamos mesmo delas?
    Precisaríamos de alguma?
    :>/

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  5. Pingback: Biajoni

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