Dr. House e seus clones
por Emilio Gonzales * – Tenho acompanhado com uma certa frequência o seriado da Universal Channel. E eu, como muitos outros, adoro o estilo cético, niilista e agnóstico do Dr. House. Tudo nele é uma incógnita, um desafio, um negação da felicidade tal como a conhecemos. Nada de água com açúcar, nada de abraços e beijos. O contato se reduz ao mínimo, a troca de afeto inexiste para ele, pois tudo na vida é uma eterna dor e sacrifício. Eis a necessidade de acreditar apenas na ciência, nos fatos passíveis de comprovação.
O curioso é que não lembro ter ouvido ou visto, em nenhum capítulo do seriado, qualquer situação ou crítica ao sistema. Lidamos apenas com situações individuais (a doença) e a descoberta da sua cura. Nada de extrapolações ou alusões ao contexto sócio-político-econômico. O coletivo se reduz à equipe dele, à chefia gostosa e um ou outro convidado especial. Raramente temos externas, afinal o sofrimento do Dr. House está internalizado e tudo o que vem de fora provoca repulsa e medo. As necessidades do corpo como extensão da mente não interessam. O que conta apenas é o corpo como máquina e seu funcionamento (ou mau funcionamento).
Bem diferente do ceticismo do Dr. House é o ceticismo do jornalista Ricardo Boechat, âncora da Band News FM no horário matutino (e também âncora do Jornal da Band à noite). Aqui é a situação política do país que está em discussão constante, pois nada presta e só nos resta – segundo ele – a alienação como opção de vida. Nesta semana, por exemplo, o jornalista defendeu o boicote às eleições enquanto a legislação eleitoral não for profundamente alterada. Criticou de forma ferrenha o Congresso e a classe política. Lançou diversas dúvidas sobre a política do governo federal de prevenção da gripe suína no Brasil e por aí vai. Enfim, tudo está perdido. A sociedade civil deve desconfiar dos seus representantes e tocar a vida olhando e preocupando-se apenas com o seu círculo de amigos e familiares. Chega de eleições, está na hora de fechar o congresso e trocar o governo por pessoas mais dignas e confiáveis sem qualquer vinculação política-partidária.
É lógico que não estou aqui para defender os maus políticos, longe disso. Devemos fiscalizar, punir e acabar com os desvios e excessos. Mas para que fazer o jogo da direita e defender o boicote às eleições? Por que generalizar e afirmar categoricamente que todos os políticos não prestam? Por que desconfiar a priori de tudo aquilo que o governo faz ou tenta fazer? – “Se o ministro da Saúde fala apenas em 4 casos comprovados de gripe suína é porque devemos ter muito, muito mais”. Protejam-se, escondam-se, vamos todos morrer e salve-se quem puder.
O Ricardo Boechat precisaria trocar algumas palavras com o Dr. House. Mesmo que o ranzinza médico deteste cuidar das doenças da alma, um check up completo talvez possa ajudar com tanta descrença e ceticismo.
* Emilio Gonzales é publicitário, poeta diletante e pequeno empresário. Nascido no Peru, brasileiro por opção e paulistano de coração.


Um motivo pra desconfiar a priori é o mesmo que guia o método científico: você escolhe uma hipótese e procura verificá-la. A quantidade de vexames e desvios que nosso governo demonstra é tão grande que parece mais razoável partir do pressuposto que tudo vai mal que o contrário.
Todos têm direito a uma segunda chance, ou terceira, ou quarta, ou quinta ou sexta ou… infinitas chances? Quero dizer, todo dia é uma nova denúncia! Agir como se a denúncia fosse culpa da imprensa é agir como se a culpa do estupro fosse da testemunha. Nossa mídia não é limpa, mas as informações estão aí pra serem averiguadas por quem tiver curiosidade.
House adora dizer “todo mundo mente” e não “todo mundo é honesto”. Ele parte da mentira alheia pra chegar à(s) causa(s) dos males.
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“Um por todos e todos por um?”
Respeitando sua forma de ver as coisas, e sua opinião, sou mais o Boechat, pois reflete toda a nossa indignação diante deste quadro de falta de moral, de falta de patriotismo, e de “vergonha na cara” destes politicos corruptos que assolam nosso congresso, nosso senado e demais “banheiros” de Brasilia.
A única moral que devemos ainda acreditar é aquela que aprendemos em casa, com nossos pais.
Agora, os politicos vão aos microfones e dizem que estão pouco se lixando com a opinião pública e com a imprensa…
Tudo é levado na esportiva e na brincadeira.
Enquanto o mundo se preocupa com a gripe suína, aqui em Sucupira, os pobres brasileiros morrem de Dengue, febre amarela e sarampo.
Brincadeira né?
“Cada um por si e Deus por todos”
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Brilhante, penso assim também. E viva o Dr. House!
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De mais a mais, eu acho o House o máximo!
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emílio:
o boechat certamente votaria nos donos da band.duvido que ele questione a
integridade dos patrões.
romério
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Tô com o Romério Rômulo!
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A bem da verdade, o que a grande imprensa anda fazendo é: você escolhe uma hipótese e procura prová-la. Já li algo a respeito na coluna do Mino Carta e do Ricardo Kotscho.
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[...] enquanto Emilio Gonzalez lembra-se somente da aplicação do ceticismo dos doutores, em crítica onde dois personagens – sim, isso mesmo – têm seus ceticismos confrontados; Gonzalez deixou o [...]