Balanço positivo na política externa
por Marlon Marques
Devido ao bom desempenho de Celso Amorim à frente da pasta de relações exteriores, muitos apontavam sua continuidade como certa, mas Dilma mudou o comando, nomeando Antonio Patriota ministro. Acredito que ninguém imaginava um início de mandato tão turbulento do ponto de vista internacional. Entre muitos acontecimentos, destaco quatro eventos como os mais importantes.
Desde o não-reconhecimento, por parte do Brasil, da China como economia de mercado, o país asiático tem se tornado, não um aliado, mas um adversário. Embora componham um mesmo grupo – a que Jim O´Neal chamou “BRIC” –, as relações sino-brasileiras não são das mais amistosas. É só lembrarmos que o plano de ação conjunta Brasil-China foi muito criticado por analistas, por não ter pontos claros sobre em que exatamente irão cooperar. A China fala em vantagens para ambos, mas até que ponto é possível confiar em um governo semi-democrático (para não dizer autoritário)? Dilma irá a Pequim se encontrar com Hu Jintao – veremos se sairá desse encontro algo mais concreto, que poderá enfim definir os rumos dessa relação.
Devido ao alto nível de integração entre Brasil e Japão (103 anos de imigração japonesa no Brasil), nada mais coerente da parte de Dilma colocar o Brasil à disposição para ajudar o país após a catástrofe. A ajuda brasileira foi de US$ 500 mil, entregues à Cruz Vermelha para ajudar nas ações humanitárias. Com isso o Brasil solidifica ainda mais as relações com os nipônicos – acreditando numa reviravolta não somente estrutural, mas também (e sobretudo) econômica.
Muitos se perguntaram o que Barack Obama veio fazer no Brasil. Energia pode ser a resposta mais correta. Dada a crise no mundo islâmico (não apenas árabe), a produção de petróleo na região sofreu um revés quantitativo, elevando os preços (prejuízo para os grandes importadores). Com a incerteza que ronda o Oriente Médio e adjacências e com a escassez mundial do petróleo anunciada para meados de 2013-15, o Brasil e o seu pré-sal podem ser a tábua de salvação americana, justamente num momento em que o país norte-americano parece sair da crise econômica. Outros pontos da agenda são: cooperação em energias alternativas – a solar em mais alta conta atualmente do que a nuclear – e superação de contenciosos comercias, tais como a derrubada de barreiras sanitárias à carne brasileira e medidas antidumping aplicadas sobre o suco de laranja brasileiro. Mas Obama não sinalizou seriamente para o grande Eldorado brasileiro, a tão sonhada cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU – a Índia está bem mais perto que nós.
Quanto à crise na Líbia, Dilma deixou claro que não concorda com Kadafi (violação de direitos humanos), mas que também não concorda com a intervenção internacional. Tanto que o Brasil se absteve no Conselho na votação autorizando intervenção militar das potências ocidentais. Dilma não vê garantias de que a invasão vá poupar os civis de ataques e morte, e diz: “É preciso encontrar uma solução favorável à população”. A bandeira de Dilma é clara quanto às questões humanitária (já que foi torturada), democrática (já que combateu o regime militar no Brasil) e das liberdades femininas nos países islâmicos radicais (já que é mulher e luta pelos direitos de gênero).
O balanço que se faz até agora é positivo, pois, muito embora nada esteja certo e muito menos resolvido, Dilma não dá sinais de que vá esmorecer e muito menos se curvar diante de imposições de outros atores outrora muito distantes de nós na escala do poder. Hoje, num cenário multipolar, o Brasil tem plenas condições de se impor, não mais como intruso (corpo estranho) nas relações internacionais, mas desempenhando um dos papéis principais.
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Artigo ingênuo e limitado. Ingênuo por acreditar que os passos corretos são resultado de alguma reflexão pura do atual governo e limitado por deixar passar os aspectos negativos, que são claros.
Como aponto no meu artigo, que faz parte desta série de postagens sobre o governo, Dilma coleciona fracassos na Política Externa exatamente nos pontos em que discrepa da política de Celso Amorim.
Voto contrário ao Irã no conselho de Direitos Humanos, abusos da segurança dos EUA na visita do Obama – que também não resultou em praticamente nada -, o foco errôneo nos direitos humanos que propõe uma agenda de subserviência frente aos EUA… Se mfalar na posição claudicante do Brasil frente às revoltas do Egito e da Líbia, em seu início.
Meu caro.
Em primeiro lugar o Daniel esqueceu-se de colocar uma interrogação no título do artigo – que na verdade é uma ironia da qual você não percebeu (pelo visto). O tempo todo eu digo que não há clareza sobre praticamente nada – em relação à China e aos EUA, e ironizo a ajuda ao Japão (ridícula) e a posição pessoal de Dilma quanto à crise no mundo islâmico. Quanto aos aspectos negativos em momento algum eu disse que não existem (ou disse?). Isso será fruto de um novo artigo (em processo). Você chamou o artigo de ingênuo OK, mas acho mais ingênuo é esse discurso ultrapassado de “subserviência frente aos EUA” – e ainda insistir em “esquerda” e “direita” – e outra “terceiro mundo”, o que é isso? Aliás, o artigo é limitado e pouco pretensioso (limito-me) – o seu é muito extenso (desconfio muito de artigos muito abrangentes e de pessoas com muita opinião), isso sem contar com a patrulha ideológica gasta e aproximações duvidosas.
Sem dúvida a ironia não saltou aos olhos em momento algum, e a interrogação do título fez uma falta imensa. O texto parece ter sentido contrário ao que você, aparentemente, quis dar.
sobre direita e esquerda, recomendo Bobbio, só quem defende a superação é claramente a direita, que tem vergonha de admitir seu lado. sobre subserviência frente aos EUA, infelizmente, é uma realidade objetiva, argumento usado e considerado por vários especialistas, recomendo a leitura da Agência Carta Maior, onde a franca maioria dos autores – especialistas em suas áreas – utilizam o conceito.
E, sem duvida seu artigo é limitado, na verdade limitado demais para analisar o tema, especialmente com ironia não-explícita, o que torna impossível de compreender o ponto central.
O meu é extenso, pois tive a intenção de analisar diversos aspectos do governo em seu inicio – era esta a proposta -, e sinto muito se você tem algum problema que as pessoas questionem e tenham opinião, e não se limitem a conhecer apenas um tema no mundo.
Quanto à patrulha, engraçado, que eu saiba, textos em blog, com comentários abertos estão aí para serem…. comentados! O mundo não é feito apenas de elogios e aplausos.
Marlon,
Realmente não deu pra entender a ironia da sua análise da política externa, muito menos em algumas partes, como na do Japão. Alias, seria assim mesmo que você interrogasse no título, pois o texto acaba respondendo no ultimo parágrafo que acha sim o saldo positivo, apesar de pequenas ressalvas.
Eu particularmente sou muito crítico à essa mudança na política externa brasileira, mas se você defende, ótimo, só acho que faltou qualificar um pouco melhor os argumentos. Por outro lado, se você não defende e a intenção era ironizar, criticar, aí o texto deixou muito a desejar mesmo, tem que escrever outro.
Abraço,