O ensino de filosofia é acima de tudo uma questão filosófica, ou Da irresponsabilidade jornalística

por Raphael Douglas – Entre Reinaldos Azevedos, Diogos Mainardis e Olavos de Carvalhos – e, naturalmente, seus discípulos – é que infelizmente localizamos a crítica filosófica e a crítica da filosofia, enquanto disciplina, no nosso nobre país. Este último, o Olavo, talvez seja o único que conheça o “ofício” filosófico de perto. Ademais, o que vemos é histeria e desconhecimento de causa. Matérias superficiais tergiversam de maneira ultrajante e simplória acerca da questão. Com a lei nº 11.684/2008, que opera o retorno da filosofia e da sociologia ao ensino médio, cria-se um problema com o qual os pseudocríticos ainda não se depararam e provavelmente nunca se depararão enquanto não buscarem no lugar correto: o ensino da filosofia para crianças e adolescentes é ironicamente um problema acima de tudo filosófico. Mais uma vez, para que não seja esquecido: ensinar filosofia aos infantes é uma questão filosófica e não simplesmente política, ideológica ou religiosa.

A esmagadora parte das análises e críticas voltadas ao expediente filosófico nas escolas passa obrigatoriamente por temas de política e politicagem. Sempre! Há algum motivo? Tenho uma tese. Todas elas são usadas para criar uma imaginária notocorda entre a filosofia e o famigerado comunismo. Um exemplo? A matéria “Ideologia na cartilha“, de um jornalista chamado Marcelo Bortoloti na revista Veja. Não sei se o ilustre em questão é formado em filosofia, mas parece desconhecer onde reside exatamente o problema do ensino da velha senhora aos pequenos seres humanos que consomem cerca de quatro horas por dia dos seus neurônios nas acolhedoras salas de aula. Na visão desse tipo de crítico, a filosofia se move em tom panfletário, como se, dentro da filosofia, se pudesse espraiar eficazmente toda sorte de propagandas e apologias político-partidárias.

-- Revista Veja castiga o ministério da Educação --

Diz Bortoloti: “O viés presente nas aulas de sociologia e filosofia tem suas raízes fincadas nas faculdades de ciências sociais – de onde saíram, ou a que ainda pertencem, os professores responsáveis pela confecção dos atuais currículos.” Filosofia fincada em faculdades de Ciências Sociais? Não será aí desconhecimento das ilhas de saber que infelizmente se formaram em nossas universidades? Ele continua: “Desde a década de 70, quando se firmaram como trincheiras de combate à ditadura militar nas universidades, tais cursos se ancoram no ideário marxista, à revelia da própria implosão do comunismo no mundo – e estão cada vez mais distantes do rigor e da complexidade do pensamento do alemão Karl Marx (1818-1883).” Em que universidades ele anda fazendo tais pesquisas? Na USP da petista Marilena Chauí? Alias, irei mais além na pergunta. Tem esse jornalista pesquisado sobre a realidade da filosofia entre os filósofos de fato? Sigamos.

Marxistas, hoje, são os mais impopulares “intelectuais” entre os estudantes e professores de filosofia, à exceção de alguns caquéticos resistentes que estão, ainda, à espera da tão famosa revolução. Marx, inerme leitor da dialética hegeliana, é considerado – entre alguns estudantes de filosofia – pensamento obsoleto e quem a ele faz apologia pratica uma espécie de necrofilia fanático-político-filosófica. Um bom estudante de filosofia aprecia ler o Marx não marxista ao Marx crítico da submissão do proletariado. Se o leitor não possui conhecimento, o jovem Marx redigiu sua tese de doutoramento acerca do materialismo grego. Frankfurt, Marcuse e o Neomarxismo todo, me perdoem! Estou a falar mal apenas da decrepitude marxista que não enxerga um mundo indiscutivelmente diferente e com complexidades outras que não aquelas oriundas da Revolução Industrial.

Mas sem perder o foco, voltando ao jornalista em questão, acredito que ele esteja levando em consideração não os departamentos de filosofia e sim o atual “movimento estudantil”, que é uma tentativa anã e esquizofrênica de introjetar ideais cadavéricos em mentes plenamente vivas. O movimento estudantil sem dúvidas já teve seu momento de utilidade e glória. Hoje em dia não passa de um cosplay político. Então, como se falar em Marx e filosofia ao passo que quem domina nossas universidades hoje são as percepções filosóficas mais contemporâneas? Que heideggeriano aprova a prática marxista e suas resoluções ônticas para problemas que são de ordem existencial? Há quem defenda uma espécie de marxismo heideggeriano, mas quem sou eu para atestar impossibilidades? Que estudante de Filosofia Analítica ou Filosofia da Mente tem paciência para escândalos políticos de chão de fábricas que não existem mais? Será que nem os próprios críticos habitam a sociedade do Visa Electron? Que popperiano dá crédito a uma pseudo-ciência? Eis o erro nevrálgico dos exegetas da filosofia no ensino médio: eles não falam da e sobre a filosofia. Note bem as fontes que o rapaz da reportagem analisada utiliza: o sociólogo Simon Schwartzman, a doutora em Ciências Sociais Eunice Durham, a educadora Teresa Pontual e o sociólogo Bolívar Lamounier. E os filósofos e professores de filosofia? Inexistem? Por que não citar nenhum departamento de filosofia? A sociologia é uma pretensa ciência, ainda que haja pouco progresso consensual. Todavia, ao negligenciar e obliterar os departamentos de filosofia, os professores da disciplina e os filósofos de formação, essas constatações jornalísticas transformam-se em atitudes extremamente desonestas e aviltantes. VEJA bem onde esse tipo de matéria é articulada – muita gente lê, não?

Como se pode mesclar descaradamente sociologia e filosofia num balaio de gatos indiscernível? É como não ver diferenças entre coreanos e japoneses: uma gafe. Educar filosoficamente não é formar cientistas, não faz parte da essência da filosofia que ela se realize como ciência! Aliás, concordamos aqui com a máxima que afirma não podermos tomar a filosofia como ciência “entre outras, nem tampouco por algo que só encontramos quando de algum modo indagamos as ciências quanto às suas posições fundamentais. Não há filosofia por que há ciências, mas, ao contrário, só pode haver ciência quando há filosofia” (Heidegger, Os conceitos fundamentais da metafísica). Da mesma maneira que não se mostra como ciência, também não se apresenta como declaração de uma visão de mundo ou de viés político. Não se ensina filosofia, diria o ancião Immanuel Kant, se ensina a filosofar. Logo, a filosofia seria uma postura, não uma doutrina. Ensinar o filosofar é deixar os adolescentes tomados por questões filosóficas e não entregá-lo como mero instrumento desta ou daquela utilidade. Pois a essência da filosofia se confunde com a essência do próprio homem. Antes de uma disciplina, a filosofia é uma das realizações existenciais do homo sapiens.

Enfim, deixando o melodrama de lado, se algum professor de filosofia pleitear uma vaga para a disciplina de matemática em qualquer escola, receberá risadas na cara por apresentar uma formação que nada tem a ver (ao menos pragmaticamente) com o que estudou na penosa faculdade. Eis a questão: 90% dos docentes que lecionavam filosofia para as tenras cabecinhas adolescentes não possuíam formação dedicada numa graduação especificamente filosófica. Isso nos leva a crer que as aulas não eram muito atraentes, simpáticas e interessantes. Engenheiros químicos, pedagogos, Educadores Físicos, e mesmo os sociólogos faziam pleno Usucapião desta terra originária há tempos sem dono. Desta feita, será uma espécie de 13º trabalho de Hércules lavar as indeléveis marcas deixadas no ensino de filosofia ao longo dos anos e no péssimo exercício atual dessa antiga fração do conhecimento humano.

É exatamente por isso que o presente texto e seu autor afirmam que o ensino de filosofia nas escolas é uma questão essencialmente filosófica e em andamento. Uma série de questões deve ser levantada. A principal é que filosofia é essa que será repassada às crianças e aos adolescentes. Como demonstrar aos pais e aos principais “afetados” por essa nova lei que essa disciplina não é dispensável, como acredita boa parte da sociedade? Como poderão os “profissionais” de filosofia extirpar o estereótipo do sujeito que carrega consigo o uso indiscriminado de drogas, apologia ao suicídio, aos questionamentos metafísicos indissolúveis, à ausência de vontades monetárias, amorosas e sanidade mental?

O ideal é deixar que a roupa suja do controverso ensino da filosofia seja lavada em sua própria casa. Só os matemáticos podem dissertar acerca do ideal exercício da matemática. Apenas os psicólogos podem criar seu código de ética. Apenas os políticos discutem o aumento ou não de seus salários. Apenas os Estados Unidos julgam onde ou não deve haver guerra contra o Terror. E apenas uma coisa é certa neste momento: em briga de marido e mulher, jornalista deve ter cuidado e atenção ao meter a colher.


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54 comentários | Dê sua opinião

  1. Marcela Andrade 20/04/2010 em 1:48 am

    O que essa tucanada quer? Apenas cursos técnicos nas universidades? Ou será que eles desejam professores de filosofia engajados com uma filosofia cafeeira? Concordo com o dono do texto. Nem Lula, Nem Serra. A filosofia precisa ser desintoxicada dessa politicagem toda!

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    • Marcela Andrade 20/04/2010 em 2:14 pm

      Sinceramente não sabemos o que há de velado nessas asserções, mas que dá a pensar, dá.

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  2. Sara Altina 20/04/2010 em 2:52 am

    Os colegas geralmente não solicitam as pedradas e temos que nos limitar aos elogios e camaradagens, então irei aproveitar a situação para arremessar um pequeno mineral contra você, Raphael…
    O seu entusiasmo pelo ensino da filosofia é contagiante, mesmo para mim que estou chegando agora. Quanto às reportagens citadas, gostei da sua preocupação em dizer que os estudiosos da filosofia não se comportam como supõem na matéria citada. Entretanto, tanto o seu texto, aqui, como os deles, lá, devemos lembrar que tem um propósito meramente informativo e não podem abarcar questões muito complexas como o fato de o ensino da filosofia ser uma questão filosófica. Daí já teríamos que entrar num território que não cabe a um artigo. Neste ano e pouco cursando filosofia na UFPE pude perceber que muitos por lá exaltam nossa importância, falam sobre falta de consideração, mas isto não contribui nem para uma melhora do apoio financeiro do governo e nem para o progresso de seu ninguém. Sendo bem franca, já é difícil conseguir estudar a filosofia com qualidade lá dentro, quanto mais falar em refinamentos na forma de ensinar. Creio que os poucos que puderem fazer um bom curso estarão aí discutindo esta questão e farão certamente o melhor nas escolas. Essas matérias da Veja e os sobressaltos paternos não fedem nem cheiram a história em minha opinião.

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    • Raphael Douglas 20/04/2010 em 2:17 pm

      Não sei se tanto entusiasmo em ensinar. Mas ver omissões graves e opiniões inadvertidas, faz o espirito se incomodar. E não consigo concordar com você quando diz que essas matérias da Veja não possuem poder de opinião. Um pai, que se deixa guiar por opiniões revistescas, que proibe ou libera serviçõs para sua criança baseado no que lê, vai observar uma reportagem dessa e verá o ensino de filosofia e sociologia como algo daninho. Correto?

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      • Sara Altina 21/04/2010 em 9:22 am

        Muitas pessoas se guiam por opiniões revistescas, nem por isso essas opiniões tornaram-se boas fontes de conselhos…
        O seu incômodo é normal e compreendi sua intenção, o seu texto foi feliz na tentativa de mostrar opiniões equivocadas. Porém quis lembrar que essas revistas funcionam para gerar escândalo e pregar justamente idéias com pouco fundamento e isso não mudará.

        Responder
  3. Harim Britto 20/04/2010 em 6:28 am

    Belo texto, Raphael! Não podemos nos calar diante da estupidez gratuita! Parabéns pela análise!

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    • Raphael Douglas 20/04/2010 em 2:18 pm

      Harim,

      Agradeço a visita. Sei que professores responsáveis como você se inquietam com injustiças como essas.

      Responder
    • Brunno Amâncio 26/04/2010 em 3:08 am

      Não é gratuita não, custa alguns bons reais que pagam passagem, almoço e janta.

      Responder
  4. Germana 20/04/2010 em 7:53 am

    O problema que motivou o texto assola cada vez mais debates e reflexões. O alcance da esmerada colocação feita pelo autor está, como ele mesmo disse, em recolocar o problema em seu devido lugar: na instância eminentemente filosófica.
    Quase que subscrevo-o integralmente, só não por ver um deslize preconceituoso na afirmação: “Marxistas, hoje, são os mais impopulares “intelectuais” entre os estudantes e professores de filosofia, à exceção de alguns caquéticos resistentes que estão, ainda, à espera da tão famosa revolução.”
    Sendo caquéticos ou não, marxistas, marxianos e toda espécie de pensadores ou meros estudantes, podem se filiar a heranças filosóficas sem necessariamente produzirem noções canhestras de seus labrores intelectuais.

    No mais, parabéns pela iniciativa, o texto é vigoroso.

    Responder
    • Fernando da Mota Lima 20/04/2010 em 8:29 am

      Caro Raphael:
      Além de haver antes notado sua presença no Amálgama, Daniel me falou elogiosamente de você. Aliás, o fato de ele convidá-lo para assinar uma página exclusiva no blog speaks volumes, como dizem em inglês.O que pessoalmente me impressiona é o fato de não haver notado sua existência (nem você a mim, devolvo a tempo) no curso de filosofia da UFPE, onde ensinei sociologia do conhecimento durante vários semestres. Pena que você tenha se escondido com tanta discrição e método.
      Quanto ao artigo acima, importa por muitos pontos de vista expostos em tom polêmico. Há nele muita verdade necessária ao debate consistente da questão. Ressaltaria, porém, que concordo com a restrição que Germana lhe faz no comentário que precede o meu. Parece-me que você aprecia muito sumária e parcialmente a atualidade da obra de Marx e a de alguns marxistas que não podem ser desacreditados ou pior ainda ignorados simplesmente porque está teórica e sobretudo historicamente comprovado o fracasso da teoria revolucionária do marxismo. Sinto-me à vontade para afirmar este ponto de vista porque não sou marxista. Não fui nem mesmo quando era moda ou até imposição nos círculos intelectuais em que me (de)formei durante minha juventude. No mais, é bom saber que uma pessoa como você fez graduação e agora pós no ambiente da velha e alquebrada filosofia que se pratica, salvo as exceções de praxe, na UFPE.
      Fernando.

      Responder
      • Raphael Douglas 20/04/2010 em 2:29 pm

        Ilustre,

        Fui seu aluno na disciplina de Sociologia do Conhecimento em 2003. Confesso que suas análises dos filmes baseados literatura nacional me ofereceram muito o que pensar acerca do ethos brasileiro. Infelizmente, quando de sua disciplina, eu era apenas um calouro, alguém chegando e perdido como em guerra civil, mas me alegro agora em saber que talvez tenhamos um “segundo tempo.” Quanto ao marxismo, fui realmente ad hoc, mas as vezes necessito de ferramentas para trazer um pouco que seja de luz ao debate. Certamente não é possível ignorar um pensamento gigante como o de Marx. Meu incômodo é somente em relação ao doutrinamento via leituras rasas, quem sabe até como a minha, acerca de implantações socialistas ultrapassadas. Por isso citar o Neomarxismo e as cabeças atualizantes do pensamento marxista. Como não é ocasião aprofundar o assunto Marx, usei apenas caracteres sociais do uso cotidiano e inadvertido da filosofia alemã supracitada e seu ajuntar-se a essência da filosofia. Agradeço demais a intervenção aqui e a feliz coincidência.

        Responder
  5. Victor Costa 20/04/2010 em 12:06 pm

    Vou botar mais lenha nessa fogueira. Primeiro porque acho um absurdo discutir quem deve dar aula de filosofia. Desnecessário.

    O que venho discutir é: Será que deveria ser obrigatório? Entendam o que quero dizer. Não quero discutir a necessidade de se estudar filosofia. O conhecimento em si nunca é desnecessário. Mas, minha opinião é que quando algo não é obrigado, acaba sendo mais atraente.

    Responder
    • Izze Odelli 20/04/2010 em 2:15 pm

      E daí vem a pergunta: deveria ser obrigatório estudar matemática? física? biologia?

      Acho que é uma coisa a mais para o currículo escolar, tão importante quanto as outras matérias.

      O termo “obrigatório” tem um peso muito forte para a gente, remete a coisas ruins. Mas não acho que tornar o ensino de filosofia obrigatório nas escolas tenha sido uma escolha ruim. Alunos sempre vão odiar aprender certas coisas, e é mais fácil achar gente que odeia todas as matérias (menos educação física) do que gente que gosta. Acho que dizer que tornar algo obrigatório desestimula o ensino não é uma regra em si nesse caso.

      Responder
      • Victor Costa 20/04/2010 em 7:30 pm

        Izze, nao quis que fosse opcional para a escola. Acho que deve ser sim obrigatório o ensino da Filosofia. Mas o aluno, quer esteja na sala de aula, quer nao, não é obrigado a aprender. Baseado nisso, discordo de que a(s) disciplina(s) devem ser obrigatórias. É porque o meu comentário foi só a ponta de uma linha de raciocínio inteira quanto a educação. Se as matérias (dentre elas a Filosofia) não fossem obrigatórias, o aluno seria livre para estudar vários assuntos. Por exemplo: Estudei em uma escola que, em paralelo a grade curricular (que a escola tem de seguir por causa da lei), tínhamos aula de história de pernambuco, latim, literatura, filosofia e sociologia mesmo antes do ensino médio. Obviamente nem tudo eram flores, mas o professor (de um modo bastante generalista) se empenha mais quando ele sente a necessidade de conquistar o aluno e não o contrário. Posto isso, ao invés do aluno sonhar com os setenta por cento de aproveitamento, praticamente inalcançáveis. Ele consegue oitenta e cinco a cem por cento de aproveitamento sem sacrifício, porque quis se esforçar.

        Quando cogitei o fato da disciplina ser opcional, nao foi para a escola e sim para o aluno.

        Responder
    • Germana 20/04/2010 em 2:22 pm

      De acordo com o comentário acima (vide Vitor Costa), pergunto: por que a necessidade de se ensinar português? Só pelo fato de lidarmos cotidianamente com a língua? Por que estudar matemática? Apenas para atender nossa necessidade de lidar com a quantidade e representação dos elementos à nossa volta ? Diante disso, por que o ensino de filosofia? Simplesmente por sermos seres questionadores de mundo e ansiarmos por respostas conceitualmente racionais?

      Vitor, minha discordância com sua posição me leva a um outro questionamento: por que se dar preferência a saberes convencionalmente instituídos em detrimento da filosofia?

      Responder
      • Victor Costa 20/04/2010 em 7:52 pm

        Germana, parte da resposta a sua pergunta acabei respondendo no comentário acima.
        Mas vamos lá (Vou logo avisando que tenho uma visão meio anárquica das coisas)…
        1. Português aprendido na escola não é usado nas ruas. A nossa língua, aprendemos ouvindo e lendo. A disciplina, portanto, não vejo como necessária. Mas se pudesse escolher, teria colocado ela na minha grade.
        2. na sétima série questionei um professor de matemática sobre essa mesma questão. Ele me respondeu mais ou menos assim: “A matemática desenvolve o raciocínio lógico e é necessária até para saber quanta comida seus pais precisam ter em casa”. Eu respondi: “Xadrez desenvolve o raciocínio de forma mais eficiente que a matemática e compro pão pra minha casa todo dia desde os dez anos de idade”. Saí da sala e não houve mais aula de matemática nesse dia.
        3. Por que o ensino da filosofia? Bem, acredito que se chegassem pra mim (no auge da minha aborrecencia) dizendo que tinha mais duas matérias para estudar no segundo grau, eu não ficaria feliz. Mas se me mostrassem que aprender filosofia, portugues, matematica, informatica, xadrez, educação física, química orgânica e física quântica fosse importante pra mim, aí sim, provavelmente eu teria interesse.
        Tenhamos cuidado para não inverter as coisas. O importante não é que a Filosofia (disciplina) seja obrigatória. É que ela seja desejada, necessária. O ensino não deve ser obrigatório. O aprendizado, sim.
        Professora Socorro Feitosa (Garanhuns – PE) me disse uma vez: “Você não é obrigado a amar o português como eu amo. Nem o colégio. Mas você tem que ser esforçado e competente em alguma coisa na sua vida”.

        Em resumo: Gostaria que as próximas gerações tivessem um ensino realmente diferente e não acredito que grade curricular fechada e obrigatória seja a forma correta de fazer isso.

        Responder
        • Otávio 21/04/2010 em 12:13 am

          Estou cansado, bastante, mas curioso: uma disciplina supostamente obrigatória perde tal característica se o professor conquistar o aluno? Pode não ser encarada pelo aluno como tal, mas o conhecimento não deixou – neste caso – de ser obrigatório. E aí me parece que temos duas questões diferentes.

          E discordo de algumas coisas:
          1) Aprendemos nossa língua ouvindo e lendo. Mas, sem padronização, haverá um empobrecimento da normal culta da língua; essa norma culta, queiramos ou não, me parece ainda ser um baluarte da língua (qualquer seja ela). Não é fundamental conhecer a norma culta, verdade, mas é importante conhecer pra transitarmos entre diferentes autores, conversas, etc.

          2) Seu professor não deu uma resposta boa, bem verdade. Isso aponta, talvez, uma falha na formação dele. Mas o fato é que saber operações básicas de matemática não preparam ninguém pra entender como funciona a estatística, que é fundamental pra que entendamos relações ao nosso redor. Nem todo garoto de 10 anos toma banho de boa vontade, simplesmente porque não compreende o motivo daquilo ser bom pra ele; uma ponte pode ser criada, claro, mas em momentos diferentes da vida simplesmente não entendemos processos e temos que aceitar o conhecimento de alguém que se especializou num assunto. Ou você acha que auto-medicação é uma boa ação?

          3) quando o aluno não quer aprender, ele não aprende. É fácil: aluno surdo, por exemplo, quando faz birra, fecha os olhos na sala. O aluno não é para a escola, portanto não deve ser função do professor guiar todos os passos do aluno.

          É, estou cansado.

          Responder
        • Victor Costa 21/04/2010 em 1:11 am

          Otávio, infelizmente nao posso responder em cima do seu. O blog, aparentemente, tem um limite de niveis de respostas.

          Para simplificar a ideia, vou mudar alguns termos…

          Coloquemos as disciplinas como eletivas.
          Sendo dessa maneira, o professor se preocupará mais com a qualidade da sua aula, afinal, os alunos não serão obrigados a assisti-la. Ou seja, aula boa, sala cheia. (Um ponto de vista interessante é o de Robert Langdon, personagem de Dan Brown. Em um dos livros, ele diz que mede a qualidade de sua aula pelo baruho das bancas. Se fazem muito barulho, ele não está fazendo um bom serviço).
          A confusão toda em cima da obrigatoriedade é que, na minha opiniao, a escola tem o dever de prover as disciplinas. Não discuto isso. Mas o aluno deveria poder escolher quais gostaria de cursar.

          Sobre a ligua portuguesa, analise bem… Após o primeiro grau, acredito que a pessoa já tenha base suficiente da lingua para fazer suas escolhas, entende? Se ele quisesse, poderia se dedicar mais a ela, senao, poderia aprender outra…

          Sobre a pessima resposta dada a mim pelo professor, é exatamente o tocante do assunto onde quero chegar. O ensino não deve ser jogado no aluno, mas si, ao aluno. É preciso atraí-lo, deixá-lo ver que aquilo é útil.
          No ponto onde diz: “não compreende o motivo daquilo ser bom pra ele … temos que aceitar o conhecimento de alguém…” Discordo porque, em teoria, uma pessoa com maior conhecimento deveria conseguir explicar a necessidade desse conhecimento a quem nao o tem. Se nao consegue convencê-la como irá ensiná-la? Você mesmo diz: “Quando o aluno nao quer aprender, ele não aprende.” Concordo também de que o professor não deve guiar todos os passos do aluno, mas então deixemos o aluno escolher pra onde quer andar. Lembremos que estamos discutindo o ensino de segundo grau. Em teoria (sou redundante porque é importante lembrar), em teoria este já possui uma base razoável para algumas escolhas.

          A questão de auto-medicação me pareceu mais um sensacionalismo do que um argumento. Mas vou responder.
          Não sou a favor da auto-medicação, assim como não tomo remédio apenas porque o médico receitou. Leio a bula, pesquiso na internet, consulto outros médicos conhecidos… Sou livre para criticar, para avaliar se o tratamento que estou recebendo é adequado. Na sala de aula essa opção inexiste. Cansei de ouvir coordenador e professor dizer: “Se não gosta da escola, saia. Temos uma lista enorme de candidatos querendo sua vaga.” Essa é a opção que o aluno tem hoje. Engolir mais e mais disciplinas goela abaixo, porque são obrigatórias. A obrigação deveria ser da escola de disponibilizar para que, se o aluno quiser, ele curse tais disciplinas. No entanto, o dever do aluno seria de cursar x horas de estudo com x por cento de aproveitamento para concluir cada etapa.

          Responder
    • Victor Costa 20/04/2010 em 7:58 pm

      Aproveito para dizer mais:

      O ensino da filosofia não só deveria estar a disposição de quem se interessasse por ela, como também o do direito. O cidadão enquanto indivíduo de uma sociedade, deveria saber exatamente como portar-se nela.

      E vocês? o que acham?

      Responder
  6. Raphael Douglas 20/04/2010 em 3:28 pm

    Analisando idéias acerca:

    Olavo de carvalho diz:

    “O pior é a moda da filosofia para crianças, um cabide de empregos e um abuso da inocência infantil: a filosofia não é coisa para crianças, como supõe o nosso execrável Ministério da Educação.SS Alquimicamente falando, a filosofia é o enxofre que cristaliza o mercúrio, a mente volátil, para produzir o sal – a alma perfeita. A cristalização prematura é um desastre alquímico, o congelamento da alma. Os professores de filosofia estão ajudando nossas crianças a sufocar suas percepções autênticas sob um discurso pseudo-intelectual de um artificialismo desesperador.”

    Me cito:

    “A afirmação de Olavo de Carvalho é enérgica e, de certa forma, grotesca. Entretanto, não deve ser recebida apenas com agressividade, escândalo e refutação. Parte do que ele diz tem uma grande pertinência na medida em que um jovem possui percepções ainda bastante autênticas – puras, desprovidas de certas discriminações – por que não encontrou ainda muitas resistências na vivência ou possui pouca vivência prática.”

    Responder
  7. Blog de Um Brasileiro 20/04/2010 em 9:06 pm

    Excelente e brilhante texto. Se os jovens tivessem 20 minutos de filosofia bem aplicada por dia, em vez de 20 minutos de BBB o país programaria melhor o seu futuro

    Responder
    • Raphael Douglas 20/04/2010 em 9:47 pm

      É, doses homeopáticas em filosofia, literatura, cinema real, redação e overdose de programas inautênticos. É isso.

      Responder
  8. Bosco 20/04/2010 em 10:34 pm

    Um belo texto Rafael. E os comentários todos pertinentes. Gostei principalmente da opinião da Germana.

    Concordo quando o Raphael diz que as afirmações da revista veja são vistas por determinados pais como uma verdade incontestavel.

    Sou a favor da obrigatoriedade do ensino da filosofia nas escolas, sou daqueles que acreditam que a filosofia mudará as pessoas e o mundo para melhor.

    Responder
    • Raphael Douglas 22/04/2010 em 4:18 pm

      Pois é Bosco,

      Conheço de perto pais que fazem com que filhos comam mais ou menos alimentos dependendo do que a seção de “ciência” da VEJA diz ser o melhor. Não só da Veja. Preocupante.

      Responder
  9. Otávio 21/04/2010 em 9:16 am

    Victor,

    Essa questão da qualidade das aulas não é tão simples assim. Existe um mundo de diferença entre a propaganda que uma empresa faz de seu serviço e a qualidade do que fornece. McDonald’s é uma delícia – e é – mas não oferece mais benefício que alguns instantes de prazer; não dá pra comparar um lanche lá com uma refeição de verdade, em termos nutricionais. E não é a propaganda que esclarece alhos e bugalhos, não é a motivação. O aluno deveria ser melhor relacionado com a realidade, mas defender a não obrigatoriedade? Dá pra aprender física sem saber matemática? Escrever uma tese sem saber português? Se fulano tem que escolher tais disciplinas pra chegar nesse objetivo, então ele é obrigado a cursá-las, simples assim. Muito pior que ser obrigado a estudar isso ou aquilo é ter que decidir o que fará no vestibular aos 16, 17 anos.

    Alguns conhecimentos são obrigatórios e deveriam ser comuns, todos devem saber. Você mesmo concorda com isso ao dizer que “Sobre a ligua portuguesa, analise bem… Após o primeiro grau, acredito que a pessoa já tenha base suficiente da lingua para fazer suas escolhas, entende? Se ele quisesse, poderia se dedicar mais a ela, senao, poderia aprender outra…”

    “A questão de auto-medicação me pareceu mais um sensacionalismo do que um argumento. Mas vou responder.
    Não sou a favor da auto-medicação, assim como não tomo remédio apenas porque o médico receitou”

    Você acaba de demonstrar o não sensacionalismo: vai atrás de informação quando ela não lhe é fornecida. Mais fácil reclamar do professor que não desperta interesse pela disciplina que procurar por ela você mesmo. Só pra receber motivação vale a voz da razão do professor? No caso médico, fica claro: o cara estudou 5, 10 anos pra entender uma porção de conceitos; nem sempre é simples explicá-los em 15 minutos, pra quem não passou pelas mesmas experiências.

    Não vivemos num mundo ideal, onde professores têm respostas prontas e boas. Aliás, o mundo é não-ideal o suficiente pra que apenas alguns professores sejam apaixonantes e capazes de ensinar (ao mesmo tempo, porque há quem apaixone pela disciplina e não tenha o menor conteúdo pra passar ao aluno).

    Sinceramente: sua explicação anterior sobre xadrez é que foi sensacionalista; deixar um professor ruim encostado na parede é tão difícil assim, principalmente quando se sabe que ele é ruim? Ganhar uma partida de xadrez do Karpov é que é difícil…

    Responder
    • Victor Costa 21/04/2010 em 1:20 pm

      Otavio,

      Seguindo na discussão, concordo com você de um modo geral que a motivação pela motivação em nada ajuda. Mas não mudo na questão de que o aluno tem que ser motivado. O ensino básico é o que o nome diz. O médio é tratado como básico. Afinal, é básico ou não? Eu não concordo que seja. Continuo a favor da não obrigatoriedade das disciplinas. O que permitiria em contra-partida que você cursasse algo que dispertasse mais o seu interesse. Quer viajar na física, vá lá. Prefere introdução ao direito, química, filosofia, qualquer outra? Escolha. A não obrigatoriedade, no meu ver, serve para que os alunos tenham mais opções de busca. E acredito que, desta forma, facilitaríamos a escolha dos jovens no vestibular, pois ele teria ao menos visto outras opções.
      Sobre a questão de como estudar física sem saber matemática, acho também impossível, então que se crie pré-requisitos, exatamente como acontece na faculdade.
      E então? Você ainda prefere o modo tradicional? Onde os alunos estudam as mesmas coisas? Eu gostei de ter estudado xadrez, história pernambucana, filosofia, sociologia, de ter feito práticas de laboratório em química e em biologia.
      Mas como fazer isso sem que as escolas ofereçam? Por outro lado, como ter que fazer tudo isso obrigatoriamente? Essa é a questão.

      Responder
      • Otávio 21/04/2010 em 6:31 pm

        Eu iria mais longe: por que é que a escola deve oferecer tudo na vida de um jovem? Não que ache que a escola não pode oferecer diversidade, não; mas hoje em dia, se o cara usa pulseira de sexo a culpa é da escola – não das discussões em casa -, se o cara não entra no vestibular a culpa é da escola – que acaba ficando com esa cara justamente porque ganha esse objetivo besta -. Quero dizer: onde os pais entram nessa conversa? Os museus? O interesse do indivíduo?

        A culpa sempre é dos outros, sempre.

        Responder
        • Victor Costa 22/04/2010 em 12:27 am

          Eu concordo que a escola deve oferecer muito na vida de um jovem. Tudo, nao.
          Culpar a escola por não ter passado no vestibular é uma questão de estatística. Estudei em colégios bons e ruins. Nos ruins, eu via que o ensino era ruim e ficava sem ter ao que recorrer. A escola deve ser o local do saber. Tudo que o aluno quisesse aprender ele deveria encontrar na escola. Agora se vai ser pela internet, na biblioteca, com o professor ou com o colega de turma… Não sei. Mas a ideia de escola que eu tenho, eh de que seja uma academia onde voce passe oito a dez horas do seu dia (Ja estudei em colegios assim e o aproveitament o do aluno aumenta muito),

          Pulseira do sexo, bem, deixemos pra lá essa história.

          E concordo com o jargão mais presente na vida humana: A culpa é sempre alheia.

          Responder
      • Allan 22/04/2010 em 1:22 am

        Victor,

        Antigamente eu tinha uma opnião similar a sua, mas hoje, apesar de ser leigo no assunto quando se trata de filosofia, não creio que a não-obrigatoriedade funcionaria de modo incentivar a busca de interesse da cada aluno. No entanto, apesar da experiência de aluno, tive vários alunos em aulas privadas e dá para perceber a falta de dedicação dos mesmos, até mesmo nas disciplinas interessadas. Algumas disciplinas, entretanto, devem ser obrigatórias para que o aluno deva ter um básico conhecimento de temas que serão necessários para a vida deles em algum momento das suas vidas, tais como geografia, matemática, física, química etc. O comentário que citei acima, deveria ser aplicado e não questionado visto que filosofia não trata apenas de biografias de filósofos e sim de um desenvolvimento de idéias que cada um deveria amadurecer. Do que adianta o cara ser muito bom em outras disciplinas (decorebas) se não consegue raciocinar coisas tão óbivias? A educação, ao menos aqui no Brasil, ainda é muito precoce, não desmecerendo os professores, mas sim ao sistema. Estamos formando memorizadores e não pessoas lógicas (raras de encontrar). Apesar de ser leigo no assunto, tive uma experiência não muito agradável com a disciplina, pois o meu professor era mais um memorizador… tratava do tema com biografias e feitos, o que é insuportável de atender.
        Enfim, eu concordo com a obrigatoreidade e faria até mais: incluiría aulas práticas e opcionais(seletivas) em período integral (6h – 4h/2h ou 2h/4h – no caso), visto que a maior parte dos nossos jovens perdem tempo com coisas fúteis.

        Responder
  10. Allan 21/04/2010 em 8:13 pm

    Concordo plenamente que deve ser uma matéria obrigatória, assim como deve voltar Moral e Cívica… o que adianta ter tanta inteligência sem ter alguma ética?

    Responder
    • Raphael Douglas 22/04/2010 em 4:16 pm

      Sua fórmula é simples e acertada. O que ofusca então as opiniões?

      Responder
    • Amâncio Siqueira 26/04/2010 em 6:14 pm

      Moral e cívica estão incluídos em filosofia. Talvez a cívica pudesse ser inserida num contexto de direito constitucional (não acho que deveria ser ensinado “direito” puramente, e sim direito constitucional – acho mais pragmático). Moral e ética são matérias próprias da filosofia. Até pelo seu relativismo, são altamente filosóficas, e devem ser questionadas de maneira mais aprofundada.

      Responder
  11. Brunno Amâncio 26/04/2010 em 3:04 am

    “os fenômenos são objetivos, mas a essência só pode ser apreendida no relacionamento com a totalidade. E como estamos falando de fatos sociais, a totalidade é a história como autoprodução humana, totalidade que se abre em possibilidades cuja concretização depende dos sujeitos”. “Por isso, captar a essência implica, necessariamente, um grau de adesão ou solidariedade em relação a uma possibilidade determinada, tanto da totalidade histórica quanto do fenômeno que inserido nela vai adquirir seu sentido e significado” (Adelmo Genro)

    Na composição da reportagem da revista Veja, obra jornalística, sobre a re-introdução das aulas de filosofia e sociologia no ensino médio, demonstrou que há um limite quase intransponível para uma reflexão maior sobre tal questão. Uma reflexão maior, que transpusesse o limite imposto pela obrigatoriedade de um juízo de valor. Penso também que uma reflexão maior é um caminho sempre a percorrer para uma apreensão e/ou entendimento em permanente construção, “ad continuum”, o que dificilmente há meios de se iniciar e, tão pouco direcionar-se à um concretizando, quando o limite da reflexão é imposto, camuflado e/ou transvertido de juízos de valores, impostações ideológicas e de relativas verdades a serem aceitas.
    A obra jornalística ficou muito distante da crítica, da análise, e quiçá, da imparcialidade jornalística “o jornalista e professor Perseu Abramo desconstrói o mito da imparcialidade jornalística que – pela hegemonia da escola funcionalista americana no jornalismo mundial – erigiu-se historicamente à condição de “categoria deontológica” do saber-fazer jornalístico ou, em outras palavras, num condicionamento profissional pretensamente situado em formulações éticas. Por outro lado, pretende-se legitimar uma postura ideológica com uma argumentação “metodológica” sobre o processo de investigação da realidade circundante que caracteriza o trabalho social do jornalista. Ainda, tenta-se encarnar neste mesmo trabalho social uma fundamentação epistemológica, como se o objetivo de atingir a “verdade dos fatos” demandasse “naturalmente” algum nível de neutralidade – e ainda – que fosse efetivamente possível. Como se tudo isso fosse necessário pura e simplesmente em função de (nada mais nada menos do que o bom e velho) “bom senso” [...]” Não obstante, se furta em permitir um diálogo reflexivo que nos permita uma participação (e não apenas uma aceitação passiva ou uma negação por via de refutações).
    O argumento apresentado, ou melhor, os argumentos apresentados e que são compostos por sua vez, por opiniões, depoimentos, explicações, fragmentos de exposições de algumas aulas, e ainda trechos de ementários da disciplina de alguma escola do ensino médio numa determinada região do país, foram organizados com uma determinada objetividade. Pressupõe que o escopo da obra seja chegar ao cerne de uma verdade inabalável e indiscutível. A “verdade” será não se deve ensinar filosofia e sociologia no ensino médio? Pode até ser “isto” uma “verdade”. Até porque filosofia não se ensina em ensino algum, infantil, fundamental, médio ou superior. Filosofia se apreende. Apreende-se ou não. Filosofia talvez seja para ser vivida sem obrigatoriedade de uma funcionalidade prática ou teórica. O que se aprende e apreende, mesmo na história da filosofia, seja ela antiga, medieval, moderna ou contemporânea. É que ela se constrói num “fluindo”, num “construindo” constante. O que em qualquer sala de aula deve estar passível de perceber, deve estar perceptível, e suponho, ao mesmo tempo crendo, que as demais disciplinas poderiam fazer seus estudantes “experimentarem” isso, se sentirem participativos de um processo que pode ser de construção do que venha ser aquilo que estuda, investiga e descobre (ou até mesmo se encobre, se perde).
    Evidenciar um prisma crítico e analítico é a pretensão a priori que a obra jornalística se faz desejosa. O ente substancial, a “verdade”, em vários momentos da constituição da mesma, não consegue emergir do obscurantismo. Obscurantismo que tenta ser iluminado, por opiniões de reconhecidos intelectuais do universo acadêmico e/ou da educação brasileira, mas sem sucesso permanece a penumbra. Todavia, o corte seco e rápido como um vídeo-clipe, e se houvesse um a trilha sonora esta, suponho, estaria em alto volume, não propicia a interação constitutiva da obra jornalística, concernente ao leitor.
    O discurso de cada professor estará repleto dos seus apontamentos, análises, críticas, verdades e mentiras que são constituídos e amadurecidos em sua subjetivadade. Por mais que mantenha-se oculto e mudo aromas e sabores de seus elementos críticos pessoais em algum momento do seu discurso eles apareceram. Seja um professor declaradamente favorável ao movimento político de esquerda ou de direita. Quiçá, de nenhuma corrente política, o apolítico, o indiferente ou até mesmo o cético. O que quero dizer é que não existe imparcialidade. O discurso não permite e o corpo não tolera. O corpo fala, o corpo grita até. Mesmo pressupostamente o mais mudo dos corpos.
    Uma reflexão sobre como a academia, a universidade que é a formadora por excelência de excelentes estudantes que virão a ser excelentes professores, supõe-se. Será que os prepara para uma suposta realidade aparentemente imutável e instransponível do ensino médio público brasileiro? Ou toda a imensa gama άριστη irão para uma república chamada instituição ensino superior pública lecionar? O ensino de filosofia dentro da graduação em filosofia na maioria das instituições públicas realmente é para se formar ótimos estudantes para darem continuidade de seus estudos no mestrado e doutorado. Isso é incontestável na maioria das vezes. Porém, será que há uma reflexão dentro da academia formadora de melhores para os melhores que há também uma outra academia que realisticamente e lamentavelmente constatamos que não consegue por em prática sua formação de excelência, a saber, o ensino fundamental e médio da rede pública no Brasil e ainda de contra peso algumas instituições privadas. Tal rede pública desacreditada durante décadas, e sem a intenção de buscar culpados ou responsáveis o governo não é de direita, mesmo após golpe ditatorial e bem antes do golpe sistema econômico, bio-econômico e bio-político não tem sido o capitalismo?
    O discurso panfletário dominante e notoriamente visível e com um volume bem maior, em nossa contemporaneidade, não é o direita ou ultra direita. E caindo as máscaras dos reveladores de “verdades” e de roupagens “imparciais” a própria revista não é de direita? “Naturalmente, ao omitir essa discussão, ele adota as acepções correntes que a ideologia dominante atribui a essas palavras. Independência e imparcialidade significam, no fundo, ter como pressuposto que o capitalismo desenvolvido norte-americano e sua hegemonia imperialista é um tipo de sociedade ‘normal’, e deve ser preservada contra todas ‘patologias’ políticas, sociais e econômicas. A exatidão quer dizer, quase sempre, a submissão do jornalista às fontes oficiais, oficiosas ou institucionais. A honradez não é outra coisa senão uma boa reputação entre as instituições da ‘sociedade civil’, no sentido atribuído por Gramsci a essa expressão, isto é, entre aquelas entidades que reproduzem a hegemonia burguesa. A responsabilidade é o respeito às leis e preceitos gerais da ordem estabelecida. A decência significa, como diz o próprio autor, ‘a censura do bom gosto’, ou seja, o reconhecimento da hipocrisia que fundamenta a moral burguesa como um valor digno de ser reverenciado e acatado.”
    Creio que realmente alguns aspectos poderiam ter sido explorados e ficaram de fora. Aspectos que citei anteriormente. Aspectos não, divagações que fazem pertinentes para reflexões ávidas de vida. E não se deve negar ninguém a querer viver. Ou não escolhemos o que queremos? Não acreditamos naquilo, ou em algo, ou alguém que desejamos acreditar? “o problema da “objetividade jornalística” encerra pressupostos profunda e marcadamente funcionalistas (e positivistas). Por um lado, apóia-se numa visão que infere “necessidades de informação do organismo social” – do ponto de vista burguês, de uma democracia liberal (com a tão famigerada liberdade de imprensa como alicerce ideológico), porém com pretensões de neutralidade, ou seja, assumindo como “normalidade passível de aceitação” ou “inevitabilidade da natureza” algo que na verdade é uma construção erigida historicamente pela atividade dos homens: o modo de produção capitalista.”
    1http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos/spe260620021.htm
    2 Ibidem

    3 Ibidem

    Responder
  12. Raphael Douglas 26/04/2010 em 2:06 pm

    Colocação muito pertinente. Na verdade, não é o caso que a DIREITA tenha ou não apreço pela filosofia ou se deseja removê-la ou não. Inclusive, a filosofia, digo, seu ensino, vem de altos e baixos históricos tremendos: uma verdadeira montanha russa. E digo mais: quem tirou a filosofia das escolas foi a própria filosofia, a saber, o positivismo. Vejamos a história:

    Período republicano, ou seja, final do século 19, CERNE do positvismo, retirou-se a filosofia do ensino normal. justificativa? Mais espaço para disciplinas de formação cientíofica. Faz-se ciência e a filosofia fica reduzida a epistemologia. Eis a filosofia retirando a filosofia de cena. Afinal, o lema da nossa bandeira, Ordem e Progresso, é um lema do positivismo, – certo? Numa sociedade que ser quer administrativa, metafísica não tem vez! Pois bem, caminhemos. Volta em 1901 por motivos obscuros e permanece sendo ensinada normalmente ate 1911. Em 1915 torna-se optativa e em 1925 volta a ser obrigatória. Em 1932 e 1942, sabe-se, houveram reformas educacionais nesse pais. O que aconteceu com a filosofia? Passou a ser enquadrara nas ciências! Como? Sendo estudada de maneira enciclopédica e histórica, o que perdura até hoje! VITORIA do positivismo, que é UMA filosofia! Dai, some-se a isso, 56 anos depois uma tal de DITADURA MILITAR. E a filosofia com isso? Nada, lógico, foi excluida… Depois dessa malemolência troda, só voltou das cinzas em 1982. Como? OPTATIVAMENTE e queimadissima depois da imagem apregoada a ela. Doentes mentais, drogados, sexualmente indecisos, suicidas, comunistas comedores de criancinhas.. Eis a imagem e os predicados essencias apregoados a filosofia depois de tão bom regime. Não é fácil, agora, ver um punhado de jornalistas desinformados tergiversando e bavardeando sobre uma causa cuja essência desconhecem.

    Responder
  13. Rodolfo 27/04/2010 em 4:22 pm

    A reportagem da veja é tão rasa quanto o prato de sopa que tomei agora há pouco.

    Responder
  14. Raphael Douglas 27/04/2010 em 5:51 pm

    Pois é. Raso é um predicado que ainda não havia usado. Mas parece mero escândalo da minha parte apontar uma injustiça aberta como essa? A explanação histórica que fiz acima, cheia de erros gráficos e de portugues, ajuda a ir, mesmo que não completamente, ao cerne do desenvolvimento do que é a filosofia agora, entre nós. Vituperada, injuriada e anulada.

    Responder
  15. Marina Ferro 27/04/2010 em 8:47 pm

    Essa lei ai, a do retorno da filosofia, só foi aprovada por que o país vive o lulismo que, apesar dos pesares, dá mais valor a educação do que o povo da privatização. Antes do lulismo, as universidades públicas passaram 8 anos sem concurso público. Professores com 100.000 anos ainda "lecionavam" por falta de quadro.

    Responder
  16. Raphael Douglas 27/04/2010 em 11:35 pm

    Engraçado que há pouco tempo atrás ouvi um professor de uma universidade falando isso. Disse que passou 7 anos lecionando em particulares por não existirem vagas em públicas na área de humanas.

    Responder
  17. Nathan 03/05/2010 em 2:32 pm

    Veja bem… o texo tem muita razão, mas 2 dos meus 3 profssores de filosofia durante meu ensino de escola foram sim molestadores ideológicos como diz esse Reinaldo ai.

    Responder
  18. @caducotavio 03/05/2010 em 6:56 pm

    E isso vale também pra um bocado de professor de história. Sob o pretexto de ensinar história, ensinam UMA história.

    Responder
  19. Raphael Douglas 03/05/2010 em 7:23 pm

    Eu também. Professores de filosofia, matemática, física. Partidaristas em salas de aula. Todavia, pode-se panfletar através de qualquer ciência ou instituição. Por isso disse que apregoar à filosofia uma ideologia é artificial, não faz parte da sua essência. Pode-se politicar sendo até mesmo Padre, Pastor, vendedor de picolés.

    Responder
    • Judith 05/05/2010 em 4:38 am

      Acho que a coisa ainda anda assim em pedagogia. Marxistas que nada praticam.

      Responder
  20. Luã F.Veras 18/06/2010 em 2:42 am

    Quanto ao que foi colocado por Raphael:

    Concordo; tais jornais, revistas, folhetins… prescisam de escritores filosofos, principalmente para falar de filosofia. O que esperar de um jornalista cheio de vontade e alienação? Pois se não o é, em qual ignorancia se reduziria?

    No quesito; obrigatoriedade, eu tento acrescentar:

    Se não vamos impor o pensamento, como podemos obter uma contestação daqueles que não foram obrigados, com os argumentos mais apropriados para nos dizer se devem ou não ser obrigados? Afinal, é da filosofia que estamos falando.

    Não se obriga; matematica, biologia, quimica, historia, geografia e etc?… que são faculdades mais especificas e por tanto mais questionaveis quanto a esta obrigatoriedade?
    Por que deter a filosofia? Se é justamente ela, que pode, talvez, resolver os problemas alheios, ou mesmo os intrisecos às faculdades mais especificas? Ela que pode,talvez, cortar uma raiz ideologica.

    O jornalismo, deve despir-se da ditadura que o colocou a cima dos ponderaveis. Deve redimir-se por fim, diante daqueles que possuem o conteudo de suas materias, buscando-os como signos, não sendo mais o dono da carruagem, mas sim seu verdadeiro condutor.

    Responder
  21. Gutemberg Casal Barbosa 30/10/2010 em 3:01 pm

    Parabéns pelo excelente trabalho – está sendo muito útil para meu trabalho. -
    Prestarei exame na tentativa de lecionar ” filosofia ” ensino médio provavelmente em novembro, aguardando resposta no site municipal. Se você tiver mais ou menos o modelo desta prova e poder me enviar será de grande ajuda.
    Sou formado em TEOLOGIA e minha carga horária em FILOSOFIA me permite esta condição.
    Obrigado pelo seu tempo. – forte abraço
    PASTOR Gutemberg Casal Barbosa

    Responder
  22. Josafá 10/01/2011 em 9:03 am

    Li a reportagem logo após ler o artigo. Concordei com a crítica de Raphael no que se refere a “cada macaco no seu galho”. Não estou querendo invalidar a opinião proferida pelo jornalista, antes sugeriria que fosse apenas mais bem elaborada já que ela se refere a uma questão não simplória. Não estou também dizendo que esse seria um assunto totalmente fechado nos filósofos e sociólogos. Acredito que todos devam “meter o bedelho”, mas desde que façam isso de maneira razoável e não de modo superficial e tendencioso. Até entre filósofos há uma cautela quando se trata de assuntos polêmicos, muitos se resguardam a opinar naquilo que realmente entendem bem, quando resguardam um alto grau de certeza. É curioso como se recorre ao argumento da autoridade quando não se tem uma opinião segura sobre o assunto. Acha-se que citar a opinião de um especialista na área seja o suficiente para sustentar a plausibilidade e fechar definitivamente a questão. Ora, entre os próprios especialistas há, muitas vezes, uma infinidade de posições sobre um mesmo assunto. Como, então, estar certo sobre a opinião de um deles? Não seria mais plausível defender uma opinião que seja mais consensual entre eles? Não quero com isso te ensinar como fazer um artigo jornalístico (nem creio que chegará a ler esta crítica), mas somente que leve em conta tais fatores. Estou me formando em filosofia pela UnB e pretendo futuramente lecionar. Este assunto é um dos que mais me preocupa. Acredito (concordando co Raphael) que há muito que se discutir sobre a questão e que ela envolve muito mais a filosofia, (quer dizer, temos que pensar mais sobre como ensinar a filosofia) do que a política (o que ensinar da filosofia).

    Responder
  23. Daniel Aço 10/01/2011 em 5:17 pm

    Além de ter graduação e mestrado em Filosofia, possuo autoridade suficiente para falar sobre o ensino da disciplina. Acesse meu livro digital e leia, à página 40, um relato pessoal e verídico sobre isso. No mesmo livro, à página 53, exponho minha definitva concepção metafísica da realidade, nem de longe pensada por qualquer filosofista de cátedra.

    http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/2598548

    Responder
  24. Mariana Figueiredo 29/09/2011 em 4:02 pm

    O jornalista da Veja tem essa opinião porque há um senso, não sei se equivocado, de que, enquanto a direita é a elite monetária, a esquerda é a elite do pensamento. E, enquanto oposição, é a única que tem que dar-se ao trabalho de usar o pensamento e a filosofia para fazer uma lavagem cerebral nas inocentes criancinhas contra o sistema capitalista dominante e famigerado. (Pensamento deles lá!) Isso, claro, para mascarar a lavagem descarada que o sistema faz na população através da mídia, da imprensa marrom, da má qualidade na educação, do pão e circo. Sujeira total! E a Veja faz parte desse covil!

    Responder
  25. Thais 30/09/2011 em 10:29 pm

    Não concordo com que fala da sociologia ser uma pseudo ciência, você fala como se fosse uma degenerescência a equiparação das duas disciplinas. Sou professora de sociologia, sempre gostei de filosofia, e vejo sua importância, contudo, se a filosofia desse conta de todos os problemas, em todos os níveis não haveria outras formas de pensar. Partiremos da filosofia, sempre a utilizaremos, mas ela não é a única forma de ver o mundo, colocá-la nessa posição parece muito mais dogmático e ideológico do que outra coisa. Mas isso é a simples opinião de uma professora de uma pretensa ciência, o que o sei sobre a verdade e a filosofia?

    Responder
  26. Mateus pretenso pseudo-cientista 16/01/2012 em 10:13 am

    Só queria dizer que a filosofia é supra científica, não sub! Assim como, também não o é a sociologia. Se há cada vez menos consenso que bom! Quanto mais consenso, menos pensamento…
    http://confins.revues.org/6544
    As aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen, vale a pena dar uma sacada…
    Devo falar, também como um pretenso futuro pseudo-cientista – social, que o recurso de autoridade é uma coisa muito triste de ser visualizada meu caro amigo…
    Não podemos negar o impacto do jornalismo e sua relevância na história… O que seria da literatura, por exemplo, sem pessoas como George Orwell e John Reed?
    Tampouco devemos fechar nossos olhos ante onde são oriundas as fontes, no caso em questão de uma mídia corporativista, antiética, imoral, sem nenhum compromisso com a factualidade de suas opiniões e que se utiliza do conceito de imparcialidade (como se este não fosse fruto de um devaneio enebriado pela má intenção , ou no mínimo ingenuidade ideológica. Só de escrever em português já não se está sendo imparcial! Pra dizer o mínimo, poderia passar o dia citando exemplos, fontes e “conceituando”) para pregar suas próprias ideologias e fazer a sua lavagem cerebral a torto e a direita (literalmente). Não pense que são argumentos ad homine, perceba que só estou contextualizando a fonte da informação, posso embasar todos os adjetivos que proferi a tal meio de “comunicação”.
    Enfim, o que quero dizer na minha prolixidade é que a implementação do ensino de filosofia e sociologia deve sim ser discutido com a sociedade civil, mas quem começa essa discussão divulgando a “vesga” já começa muito mal. Devem ser debatidos, do mesmo modo que deve ser debatido o conteúdo programático de matemática (90% das fórmulas e problemas só apliquei e mal no 2º grau, se o aluno faz a questão do seu jeito, ou sem cálculo o professor presume a culpabilidade inconstitucional, inclusive, e reprova esse aluno…),, de química, de biologia, de geografia (aprende-se tudo sobre o Rio Nilo e nada sobre o capibaribe e se continua a sua extinção/poluição), História, também como pretenso futuro professor, não calendário como pensam geralmente positivistas, apesar de não precisar disto para argumentar e nem ter uma opinião embasada ( disciplina que se não servir para contar estórias, também não possui grande utilidade na vida de ninguém), enfim, todas as outras disciplinas que estão na grade curricular e principalmente as que não estão (música foi acrescentada agora, finalmente!).
    Mas principalmente, o que deve ser questionado é o próprio papel da educação como emancipadora do ser humano, para além das instâncias educativas/ disciplinadoras. Me perdoe mas vou citar um pseudo-cientista social (chamado Itszvan Mèszáros) que diz que a educação atualmente se dá mais fora do que dentro das instituições. Estas são, cada vez mais, instâncias disciplinadores e cada vez menos, instâncias emancipadoras da razão humana. É justamente isto que este tipo de publicação tendenciosa, manipuladora e falseabilizadora da realidade tem medo, a emancipação do pensamento humano. Quanto mais indivíduos que pensem por si existirem, menos leitores eles terão!
    A Filosofia e a Sociologia são essenciais nesse aspecto do conhecimento. “Matemática que é boa” não! Matemática é pragmática, sempre! Só ensina a contestar contas erradas e é por isso que é tão valorizada pela racionalidade instrumental latente nessa matéria.

    Sei que o artigo é novo, mas te vi faceboketeando e resolvi conferir…
    =)

    Responder
  27. Xavana Celesnah 16/01/2012 em 1:25 pm

    Arrasou.

    Responder

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