Burtonville invade Wonderland
por Ana Al Izdihar – Calma! Foi uma invasão amistosa, suntuosa e estrategicamente inteligente. Vou explicar mais nesta última resenha da trilogia Lewis Carroll e livro, Burton/Depp – já publicadas aqui no Amálgama – mas cuidado! Este texto é altamente mimsy spoiler! Desculpem, mas não pude evitar.
Os burtonvillenses foram aculturados por wonderlandianos, mesmo sendo eles os invasores, e se deram muito bem no novo ambiente. Podemos dizer que se adaptaram perfeita e rapidamente como um chapéu bem feito numa cabeça adequada. O chá saiu na hora errada como de costume e cabeças cortadas o tempo todo, sendo que somente uma saiu mesmo do pescoço, como era de se esperar. Coelho e lebre nervosos em seus lugares, Tweedledee e Tweedledum em discórdia, Cheshire sorrindo e sumindo, as rosas falando e a lagarta fumando. Estavam todos lá, vivos com seus olhos fumegando e seus discursos decorados alucinadamente.
E mesmo assim não se pode dizer de modo algum que o Rei Burton foi fiel à memória do Rei Carroll. De maneira alguma! Aliás, esqueçam a maldita “fidelidade ao livro”, por favor, agora e para sempre, para o bem de suas cabeças pretensamente frutíferas. Prometo que meu próximo texto falará sobre isso. Mas voltando ao Rei Burton e sua invasão: ela se dá treze anos depois de Alice ter visitado o País das Maravilhas e Através do Espelho. Ela volta para lá em mais um momento crucial de sua vida ao passar da adolescência para a vida adulta e mais uma vez seus amigos maravilhosos e lesadinhos vão ajudá-la a responder questões pessoais enquanto vivem aventuras oníricas.
Porém, paradoxalmente, como tudo o é em Burtonville e Wonderland, se você nunca leu o livro de Carroll ou apreciou os desenhos de John Tenniel vai ficar meio perdido com as referências contidas na película. Como o tabuleiro de xadrez, a armadura que Alice usa na batalha, o porquê da lebre jogar utensílios de cozinha pelo ar, as atitudes do Chapeleiro… Enfim, quase tudo. E arrisco dizer que Rei Burton faz das referências, reverências! Por falar na batalha que Alice trava, o nosso querido Jabberwocky, cantado em verso e prosa antes e depois de Carroll, está lá bem representado, desenhado e animado. De fazer inveja ao Terry Gilliam e seus dragões e jabberwocky pessoal…
A Rainha Vermelha, a de copas – representante das emoções – domina a terra das maravilhas ao mesmo tempo em que Alice é dominada por emoções que a deixam confusa, ao passar da puberdade para fase adulta. Sabemos todos que num reino em que a emoção impera tudo pode ficar pesado, choroso, medroso e hipócrita já que ninguém agüenta manter a paixão acesa por tanto tempo. Ou se ama ou se odeia profundamente, e a emoção que nos faz humanos pode nos tornar insuportáveis, sonhadores refugiados, desconfiados e tiranos. Enquanto isso, a Rainha Branca, a de espadas, espera racionalmente o melhor momento aliado ao campeão destemido e de coração puro para empunhar a espada vorpal e acabar com um monstro ressentido e alimentado por emoções sombrias.
Amigos e inimigos se reconhecem e debatem sobre as mesmas questões existenciais de sempre e Alice vai se percebendo como alguém que precisa participar disso por mais estranho e assustador que pareça. E ela consegue não somente enfrentar esse aspecto medonho como também ao final aprende a dosar emoção e razão de um modo peculiarmente louco, já que os loucos são as melhores pessoas no mundo.
Por falar em louco, o burtonvillense Depp entra no corpo do Chapeleiro Maluco e se apodera de sua alma de modo fantasticamente aterrorizante e magnífico. O Chapeleiro é um pouco pai, um pouco irmão, um pouco ideal de alma gêmea para Alice. E Alice o ajuda a reequilibrar suas emoções sem afetar sua loucura doce e necessária.
Wonderland revista por Burtonville ficou mome estonteante frumious respeitosa e trêsderamente necessária! Vá sem medo, beba o licor, coma o bolo – compre o baralho! Eu comprei! – cresça com Alice, enlouqueça com o Chapeleiro e bata palmas. Aliás, na sessão em que fui todos bateram palmas. E há tempos não via isso numa sala de cinema.
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Adorei a "crítica"
Traduziu meus pensamentos a respeito do filme!
Eu gostei bastante e fui assistir duas vezes!
Na primeira vez o pessoal realmente bateu palma (mesmo eu achando isso a coisa mais ridícula a se fazer)
Na segunda não houve nem ao menos comentários… Vai entender!
Um beijo =*
Assisti o filme em 3D (primeiro da minha vida). É visualmente deslumbrante ver as cores e movimentos clássicos de Burton em versão 3D, mas confesso que fiquei frustrado com este filme. Eu estava preparado para ver um filme que saísse um pouco do padrão Burton, mas Tim sempre será Tim (ainda mais trabalhando com Depp). Burton tem uma estética própria, um humor bobão e roteiros infantis, sem se esforçar para agradar crianças e adultos. Se vc é adulto E crianção vai gostar, se vc é muito sério, ele não se esforça para agradar a vc tb.
E a atuação de Mia Wasikowska como Alice… não me agradou muito. A atriz tem muito que atuar ainda para protagonizar outro filme hollywoodiano.
ESTA É MINHA OPINIÃO. Filme bom, mas não passa de apenas BOM. Não merece menções honrosas, apenas simples comentários!
Oi, Bill! Que bom q vc apareceu aqui!
Devo confessar que meus sentimentos por esta versão são paradoxais. Eu já sabia tudo sobre o filme antes de vê-lo e deveria achar tudo meio sem graça, mas não achei.
É uma versão livre e eu esperava que o filme fosse muito diferente do livro , mas "enxerguei" o livro ali o tempo todo! (mesmo que a maioria das pessoas não veja isso).
Amo tudo o que Burton faz, principalmente quando tem Depp no meio. Quando vejo um filme eu tenho olhos para muitos detalhes e nesse fiquei espantada com tudo.
Acho que algumas cabeças pensantes têm ainda um preconceito com as produções Disney. Para mim não é o melhor estúdio de cinema do mundo, mas já abriu mão de muito convencionalismo por causa da concorrência (com a Dream Works, a George Lucas…) e o fato de baixar o rabinho e convidar Tim Burton de volta para trabalhar lá, mostra isso. Se ler meu texto sobre Burton vai entender.
Digo isso sem querer defender o filme, e até entendo porque algumas pessoas não gostaram dele. Porém…
Para Bill e Noemyr,
Eu como crítica de cinema escolhi escrever somente sobre filmes que eu gostei. Só escreveria sobre um que não gostei se fosse "obrigada".
Obrigada por participarem. Voltem sempre!
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