A superinterpretação
por Lelê Teles – Contra fatos não há argumentos, dizem. Claro que há, contra os fatos usa-se as interpretações. Vai lendo.
Ato I: Metáfora, como todos sabem, é uma figura de linguagem que se caracteriza pelo uso de uma palavra, ou expressão, fora do seu sentido literal, dando-lhe uma dualidade de sentido. Cristo pregava por metáforas. E a metáfora, como todos sabem, é uma figura que figura na hábil linguagem política de Lula da Silva. Pois bem, alguns setores da mídia, com claro viés ideológico, resolveram induzir os seus leitores a interpretarem uma metáfora de Lula em seu sentido literal. Ao falar, ao lado de Gordon Brown, que a crise tinha sido criada por gente branca e de olhos azuis, é claro que Mr. da Silva usava uma metáfora. No entanto, os jornalões ventilaram e estimularam a interpretação de que Lula usara uma frase racista. Teve até repórter criativo que falou dos olhos não-azuis de Brown. Noblat postou uma carta de intenção, ou sei lá como se chama aquilo, de um leitor que se dizia loiro de olhos verdes e que iria entrar com uma representação para processar Mr. da Silva. Claro que somente no Blog do Noblat uma bobagem dessas teria repercussão. Lembre-se que Cláudio Lembo já usou uma expressão parecida e não foi acusado de racista.
Mas Lula teve uma segunda chance. Uma jornalista estrangeira pergunta sobre a frase e Lula olha no fundo dos olhos da moça e diz algo mais ou menos assim: Estou olhando agora para os seus olhos azuis, você não tem cara de banqueira, tem mais cara de vítima dos banqueiros. E todos gargalharam.
Ato II: Obama diz que Lula é o cara. Os caras de pau da mídia ficaram perturbados e resolveram fazer os seus leitores interpretarem a frase como um deboche, uma piada de Obama. Noblat disse que Obama tirou um sarro com a cara de Lula; lógico que Noblat estava tirando um sarro dos seus próprios leitores. Agora interpretemos a discurso midiático: a metáfora de Lula foi lida em sentido literal e a frase literal de Obama foi interpretada com sentido metafórico.
Ato III: Reunião do G-20, os mais importantes líderes do mundo se reúnem, discute-se os novos rumos do capitalismo, querem civilizá-lo; escancarar os paraísos fiscais, reduzir os subsídios dos países ricos e dar mais abertura às economias dos países periféricos. Uma imagem é produzida, a Rainha ladeada por 20 mandatários mundiais. O mundo repete a imagem à exaustão, sempre preferindo o frame em que todos sorriem. A revistaveja faz uma capa e joga a foto da Rainha em um box lá no alto. A imagem é pequena e mal se percebe a cara alegre de nosso presidente. No entanto, na reportagem da revistaveja há um detalhe da foto. Mas escolheram justamente a imagem em que só quem não ri é o nosso presidente. No detalhe, a rainha, Obama e da Silva. Todos sorriem, mas Lula está com uma cara carrancuda, olhando para cima, como se tivesse deslocado. Por que essa imagem?
Ato IV: Trancafia-se uma representante da elite loira de olhos azuis. O homem do chapéu da revistaveja faz a sua interpretação e diz que não pode existir no país o que se chama de justiça social, porque a justiça é uma só, quando a justiça ganha adjetivos ela deixa de ser justiça. Isso porque, para o homem do chapéu, a Federal prendeu Tranchesi como forma de fazer justiça social; ou seja, prender os ricos ao invés dos pobres. Enquanto isso, na Daspu…
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Lelê!
Vinha pensando num texto totalmente metafórico sobre esta situação ridícula da grande mídia, que chamo de Grande “M”. Ou escrever algo como um dicionário, com verbetes “loiro de olhos azuis”, etc… Mas, pensando bem, mesmo que eles tentem impor derrotas inexistentes ao nosso metafórico maior, a política externa continua, para usar uma (metáfora) antiga, de vento em popa e é reconhecido, mundialmente que o país que menos sofre os efeitos da crise é o Brasil, pensando bem, deixa eles, pois estão loucos de vontade de, cirurgiões que são, explicarem ao doente que ele “sifu”!
Depois de teu belo texto, nada mais resta a falar sobre o assunto!
Abraços!
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gostei,lelê.
existem basbaques bem remunerados.esse noblat é um deles.mas,ele não patrocina um programa de jazz na rádio do senado?
um abraço.
romério
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É um fenômeno natural esse de contradizer um elogio tão sincero, afinal, no Brasil todo mundo quer ser “o cara”.
Á próposito, de Bush para Obama: que mudança hein! Que baita mudança!
Um abraço!
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A inveja do tal noblat deve ser regiamente remunerada.
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