O império enquadra a revolução

-- Aviação francesa destrói tanque líbio (foto:Reuters) --

por Bruno Cava

Obama estava distante e cansado. Pronunciava as falas maquinalmente. Parecia cumprir a agenda em Brasília como um burocrata aborrecido, vagamente interessado pelos assuntos em pauta. Nem Lula compareceu para conferir maior vibração à visita do presidente americano. Num certo momento, um assessor lhe confidenciou algo ao pé-do-ouvido, e Barack respondeu: “proceed“.

A cabeça de Obama estava longe. Daqui, ordenou a Operação Alvorada da Odisséia. Os EUA estão à frente da intervenção militar na Líbia. Articularam seus aliados no Conselho de Segurança da ONU, Reino Unido e França, para aprovar a Resolução 1.973. Muito mais do que estabelecer uma zona restrita de voo sobre o território líbio (que por si só já infringe a soberania e é casus belli no direito internacional), como vem sendo noticiado, a medida autoriza amplamente a “adotar todas as medidas necessárias (…) para proteger civis e populações civis sob a ameaça de ataques na Líbia, inclusive Benghazi, porém excluindo a ocupação militar de território.”

Obama está acuado. Enfrenta crescente descontentamento nas bases mais tradicionais do Partido Democrata, bem como no movimento jovem que, turbinado pelas redes sociais, o elegeu. Entrementes, a oposição unificada ao redor da pauta ultraconservadora do Tea Party se fortalece a cada dia. Neocons e fundamentalistas cristãos pressionam Barack pela direita, ao mesmo tempo que irrompeu nas ocupações de Madison (Wisconsin) uma nova esquerda, insatisfeita com as hesitações e retrocessos do governo Obama.

O senador democrata John Kerry (membro do comitê de relações exteriores do senado) apoiou a ação militar. Usou argumentos humanitários, como nas intervenções do governo Clinton nos anos 1990, em Kosovo e Somália. Parte da esquerda mundial segue na mesma linha dos direitos humanos.

Por sua vez, os neocons republicanos igualmente clamaram pela intervenção, mas tomaram como exemplo as ações militares do governo Bush, no Iraque e no Afeganistão. Em síntese, é preciso reafirmar a liderança norte-americana na propagação dos valores ocidentais, e garantir a segurança de seu território diante do terrorismo.

Se o argumento republicano é simplesmente nefasto e fanático, o dos democratas e parte da esquerda mundial deve ser acolhido com um grão de sal. Achar que uma intervenção ocidental, por si só, possa resolver a guerra civil e promover a democracia na Líbia ignora a recente experiência no Iraque. Que, por sinal, não serve de exemplo para ninguém e, por isso mesmo, não vem sendo citado por nenhum dos movimentos rebeldes pelo mundo árabe. Ademais, de que democracia se está falando? A pacificação significa exatamente que tipo de poder soberano para disciplinar os árabes?

Acuado pela incapacidade de compor politicamente uma saída para a governamentalidade em crise, o presidente americano foi empurrado a um dilema amargo. Viu-se compelido a incorrer no mau hábito americano de intervir militarmente num país estrangeiro. E agir como um senhor da guerra, precisamente o que ele prometera não fazer. Na noite do dia 19, os Estados Unidos comunicaram oficialmente que estão à frente das forças intervencionistas.

Ou seja, Obama aderiu ao discurso de guerra & democracia, que é espinha dorsal da ordem imperial a que ele mesmo, desde o dia um da campanha, se propunha a construir uma alternativa. Some a manutenção do campo de concentração de Guantánamo e os fracassos no Iraque e Afeganistão, que a Líbia tem tudo para ser a pá de cal de seu projeto político. Esse governo frustrado completa o ciclo e retorna à estaca zero.

– Fogos por toda a Líbia de Gaddafi –
Apesar de não agir à moda John Wayne, como o antecessor, e ter conseguido negociar as abstenções de Rússia e China ante a Resolução 1.973, o presidente deu o proceed para uma aventura militar de larga escala. As repercussões de curto e longo prazo não reúnem nenhum consenso entre analistas. Na iminência de o ditador reconquistar Benghazi, num triunfo que seria a glória do regime, Barack sabia que a ação militar ganharia contornos bem mais largos do que uma mera ajuda ao estropiado exército popular do leste.

Não à toa, no dia 19, as primeiras missões não tenham se realizado com o patrulhamento dos céus líbios. Logo de início, a força aérea francesa tratou de atacar veículos terrestres, enquanto a marinha americana disparou 110 Tomahawks em direção à costa africana. Esses mísseis de cruzeiro atingem alvos a até 2.500 km, com 450 kg de carga explosiva plástica, capaz de pulverizar edificações inteiras. Na noite do dia 19 para 20, aviões bombardeiros furtivos B-2 investiram por toda a região sob controle das tropas de Gaddafi. Foram alvejados estações de radar, bases aeronáuticas, pistas de pouso, baterias antiaéreas, palácios, estradas e pontes.

É curioso como, durante as últimas semanas, tanto se debateu sobre a aplicação de uma zona restrita de voo, mas o único objeto voador abatido até agora tenha sido o solitário caça Mig-23 em poder dos revolucionários. A rede Al Jazeera informou que o piloto não sobreviveu à ejeção, realizada à altura baixa demais. A aeronave foi derrubada sobre Benghazi, coincidentemente no dia dos raids da aviação francesa e em circunstâncias que não serão aclaradas tão cedo.

Além desse aviador rebelde, a TV estatal Líbia, duvidosa quanto boa parte da imprensa ocidental, noticiou cerca de 50 mortos na conta dos bombardeios ocidentais dos dias 19 e 20. Como resultado, o primeiro esboço de oposição, por parte da China, Rússia e Liga Árabe, que declararam em termos similares que a intervenção foi longe demais.

Com o novo cenário, a batalha por Benghazi encerrou inconclusa. As tropas de Gaddafi se refugiaram nas áreas próximas. Os rebeldes fortificados na capital da insurgência comemoraram os bombardeios, mas não deixaram de reclamar que veio tarde demais. As derrotas dos últimos dias enfraqueceram-nos demasiado. No dia seguinte, em Misurata, outra cidade ocupada pelos insurgentes, mais a oeste, o exército governista acirrou o assédio com tanques e blindados.

– Gaddafi perde e ganha com a intervenção –
Para a contra-insurgência liderada por Muammar Gaddafi, a intervenção estrangeira parece ter unificado de vez as regiões sob seu domínio. Não se constatam mais apenas esquadrões mercenários e alguns poucos grupos leais agitando a bandeira verde vigente. As imagens mostram também milhares de líbios entusiasmados pró-Gaddafi, num número até então inédito.

Esses defensores do ditador se propõem inclusive a atuar como escudo humano, junto a potenciais alvos. No quartel-general em Trípoli, por exemplo, o New York Times relata um cinturão humano com “centenas de simpatizantes, inclusive mulheres e crianças”. Isto indica que Gaddafi conta com respaldo popular além do previsto originalmente pelo ocidente, e certamente mais do que mercenários e o núcleo duro do regime.

Resta saber como o ataque estrangeiro polarizará a população. Aqueles refratários à ideia de um protetorado ocidental, aos moldes do Iraque pós-Saddam, tendem a alinhar-se à ditadura de Gaddafi. Esse efeito pode intensificar em função da destruição causada pelos bombardeios e das baixas civis (os eufêmicos “danos colaterais”). Se a participação de mercenários em suas fileiras vinha depondo contra o nacionalismo proclamado pelo clã Gaddafi, agora, com os rebeldes abertamente aliados à ordem imperial, o ditador tem tudo para se firmar como o guardião de uma Líbia livre diante da “dominação imperialista”.

Afinal, a rede Telesur não estava tão enganada quando alertava que os pés do colosso não eram tão de barro assim. De subestimado ditador-chanchada, Gaddafi passou a estrategista respeitável, que não deve mais ser subestimado. Hugo Chávez, o único chefe de estado a apoiar abertamente o ditador, brincou: “Que loucura?…. a loucura é imperial!”

Os revolucionários líbios, de fato, pediram a intervenção. Estavam sendo cabalmente derrotados depois que o ditador reorganizou suas forças. Mais por lei da sobrevivência do que programa político, pois até então nenhum impulso revolucionário seguia nessa direção ocidentalizante. Caso Gaddafi tivesse reconquistado Benghazi e o restante do território, como acreditavam os analistas viria a fazer inexoravelmente, realizaria uma caça às bruxas, “casa por casa” nas palavras dele. A revolução teria de reorganizar-se como guerrilha, em árdua jornada, porém autônoma.

Não se pode esquecer da Al-Qaeda. O fundamentalismo islâmico da Al-Qaeda há tempos faz tabelinha com o fundamentalismo cristão dos neocons, um se alimentando politicamente do outro. Ausente no discurso e nas lutas da revolução árabe, que já cobrem 19 países da região, a intervenção ocidental pode pavimentar o caminho para a sua penetração no país. No Afeganistão, uma década de ocupação americana não foi capaz de debelar a rede de militantes radicais, que segue enraizada pelo país. Pode ser mais uma pasquinada, mas Gaddafi prometeu estender o tapete a qualquer um interessado em organizar atentados no ocidente, e citou nominalmente a Al-Qaeda.

– Império enquadra a revolução –
A intervenção embaralhou as cartas da revolução árabe. Quebrou o seu encanto. Passou o momento romântico e febricitante, que na Praça Tahrir condensava seu devir revolucionário. Enganou-se quem avaliava que a atmosfera geopolítica dos anos 2000 e seu discurso guerra & democracia estava superada com a eleição de Obama e a falência do neoliberalismo.

Se, na Líbia, o império assumiu a missão de derrubar Gaddafi, não hesitou em sustentar o ditador egípcio Hosni Mubarak até onde pôde, e se engaja por uma “transição ordeira” que, na prática, significa neutralizar a revolução.

Simultaneamente, mantém o fluxo de apoio político, armas e recursos às monarquias tirânicas e aliadas na Arábia e no Bahrein, onde a revolução é recebida à bala e poucos têm falado em “desastre humanitário”. Neste último protetorado imperial, a Praça Pérola foi demolida, para não servir como símbolo tal qual Tahrir.

Enquanto isso, no miserável e semiagrário (e sem petróleo) Iêmen, onde 50 pessoas foram assassinadas nos protestos de rua da última semana, limita-se a declarações esparsas de condenação moral, sequer cogitando de ação concreta contra o ditador sanguinário.

Cinicamente, vestida de humanidade e altos princípios, a ordem imperial continua operando no capitalismo mais perverso, o que depende da guerra. Os senhores da contrarrevolução não mais hesitarão em rugir seus canhões: o mais barulhento dos argumentos. Daqui por diante, a revolução é morro acima.

13 comentários | Dê sua opinião

  1. Daniel 20/03/2011 em 6:57 pm

    Aqui está onde discordo.

    “É curioso como, durante as últimas semanas, tanto se debateu sobre a aplicação de uma zona restrita de voo, mas o único objeto voador abatido até agora tenha sido o solitário caça Mig-23 em poder dos revolucionários.”

    Uma no-fly zone, apenas, teria sido uma opção talvez semanas atrás, quando começou a contra-ofensiva de Kadafi. Com as forças da ditadura cercando Benghazi, ela seria inútil, por isso bombardeou-se sua defesa aérea e campos de decolagem. Isso é básico para ocorrer a zona de exclusão. Portanto, muita coisa já foi destruída sim.

    *

    “Não se pode esquecer da Al-Qaeda.”

    Verdade, mas se manter em zero qualquer chance da Al-Qaeda operar em um país for o fator decisivo, deve-se defender também a permanência da ditadura egípcia no poder, bem como no Iêmen, pois com democracia nesses dois países e em outros haverá mais risco do terrorismo operar do que em ditaduras com mão de ferro sobre a sociedade.

    *

    “A intervenção embaralhou as cartas da revolução árabe. Quebrou o seu encanto. Passou o momento romântico. [O Egito] se engaja por uma “transição ordeira”…”

    Encanto? Romantismo? Quem precisa disso? Não parece até agora que a guerra contra as forças de Kadafi tenha tirado o ânimo da oposição no Iêmen, na Síria, no Bahrein…

    E se você critica a transição ordeira, que prevê um calendário de eleições no Egito, que tipo de transição você acha apropriada? Uma via revolução islâmica? Revolução socialista? Nesse caso você não estaria do lado do progresso, mas da reação.

    *

    “Enquanto isso, no miserável e semiagrário (e sem petróleo) Iêmen, onde 50 pessoas foram assassinadas nos protestos de rua da última semana, limita-se a declarações esparsas de condenação moral, sequer cogitando de ação concreta contra o ditador sanguinário.”

    Sem dúvida, situação lamentável. Mas, de verdade, você não é a favor da intervenção, é? Se não foi a favor da intervenção contra as forças de um país que haviam matado já muito mais de 50 pessoas e cercavam o berço da oposição prometendo um massacre e buscas de casa em casa, por que seria a favor da intervenção contra um governo que acabou de demitir todo seu ministério? Se, ainda assim, você for favorável, já pensou em propor a ideia a China e Rússia? Porque elas bloqueariam uma nova resolução, né? Mesmo sem autorização da ONU, você é a favor da OTAN invadir o Iêmen mesmo assim?

    *

    “Achar que uma intervenção ocidental, por si só, possa resolver a guerra civil e promover a democracia na Líbia ignora a recente experiência no Iraque. Que, por sinal, não serve de exemplo para ninguém…”

    É claro que a intervenção não vai, por si só, promover a democracia. O objetivo imediato dela foi “apenas” evitar um massacre anunciado em rádio e tevê. O sucesso da democracia vai depender da vontade e da capacidade dos líbios em primeiro lugar.

    Isso posto, a verdade é que, no quesito democracia, a situação do Iraque é menos ruim do que a de alguns países da região e fora dela. Se você olhar os índices de democracia [http://en.wikipedia.org/wiki/Democracy_Index], verá que o Iraque já passou o Irã, Síria e a China, e está para passar a Rússia. Portanto, qualquer crítica que centre o problema do mundo árabe na “tragédia do Iraque” é equivocada. E, a propósito, você já imaginou a maravilha que seria uma revolta no Iraque em 2011 com Saddam ainda no poder? E pense só na dificuldade de democracias florescerem em outros países da região (especialmente no Egito e na Tunísia) com Kadafi ou alguma de suas crias no poder se esforçando em sabotar as reformas na vizinhança.

    A derrubada de Kadafi não está implícita na resolução que passou na ONU, mas os rebeldes querem sua derrubada. Devemos torcer não para eles terem fracasso, mas para que as forças internacionais deem cobertura (literalmente) nas próximas semanas e meses enquanto eles voltam a retomar cidades rumo a Trípoli. Ou então é torcer para que, com os ataques continuados a instalações militares, círculos do exército líbio traia Kadafi e aceite levar adiante as reformas desejadas pela oposição, como está fazendo o exército egípcio.

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  2. Eduardo Júlio 21/03/2011 em 11:24 am

    Caro Daniel,

    O Iraque está em último entre os países com a democracia em construção. À frente apenas dos países com regime autoritário. Como você afirmou, está próximo da Rússia. Mas vejamos a situação desconfortável dos cidadãos iraquianos, sem acesso a água potável e energia elétrica. Há uma interessante matéria publicada no site da UOL em setembro do ano passado, assinada por Fernanda Calgaro, que relata os problemas enfrentados pelos iraquianos. Acesse: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2010/09/12/apos-fim-da-invasao-dos-eua-refugiados-veem-iraque-destruido-e-temem-voltar-ao-pais.jhtm

    Abraços,

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    • Daniel 21/03/2011 em 12:59 pm

      Eduardo, claro que a situação sócio-econômica do Iraque é ruim. Citei o quesito democracia porque o Bruno estava falando de democracia. E nesse campo o Iraque está sim acima do Irã e de todos outros países que falei. É mais fácil os iraquianos decidirem como construir um futuro melhor vivendo em uma democracia em construção do que sob uma ditadura que, vá lá, fazia umas estradas invejáveis.

      Abs.

      —–
      PS: Na época, fui radicalmente contra a invasão do Iraque. Apenas, tento não ser arrogante a ponto de não reconhecer os progressos que o Iraque vem fazendo, e a tragédia que seria para as chances da democracia no mundo árabe se Saddam ainda estivesse no poder.

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  3. Bruno Cava 21/03/2011 em 3:32 pm

    Daniel, prezados,

    É fácil entrar num conflito, difícil é sair, como mostram Iraque e Afeganistão. O Iraque não tem democracia. Fachada. 18 manifestantes foram assassinados em protestos de rua no mês passado. Empresas multinacionais exploram os recursos e acumulam em cima do trabalho dos iraquianos. Foram assassinados dezenas de milhares ao longo da década, num regime racista em nome da humanidade. Ex-protetorado americano, agora não à toa uma panela em ebulição, em que minorias e boa parcela da população não têm acesso ao processo decisório. A revolução vem mais para negar o Iraque como modelo de democracia, do que para continuá-lo.

    O ocidente não vai conseguir impor uma democracia ocidental bombardeando um país. Não vai porque nunca conseguiu. Essa intervenção segue o receituário de “guerra justa” que, há 50 anos, vem sustenta de ditadores pela região.

    O discurso humanitário prenuncia a invasão militar, a invasão militar prenuncia a colonização capitalista, e esta prenuncia a instalação de regimes servis que manterão essa exploração em benefício da ordem imperial. Não há porque descartar o aprendizado das intervenções ocidentais no Oriente Médio, aliás, sempre em países estratégicos e/ou com petróleo.

    Em segundo lugar, não somos ‘nós’ que estamos invadindo, como diz a grande mídia. Eu não tenho nada a ver com a ONU. Não me representa. O CS-ONU é um clube elitista que representa estados-nação na medida de seu poderio, o sistema financeiro, grandes corporações (petroquímicas, bélicas, mega-empreiteiras etc), alguns organismos-satélites. A governança global não virá da ONU, que é sua inimiga, mas de lutas transversais, redes sociais, mídias livres, fóruns mundiais.

    A Al-Qaeda não é risco quando uma multidão toma o poder de ditaduras, mas é quando os falcões do ocidente metem o bedelho na região. Isso aguça a dialética do fundamentalismo, e abre o caminho (das mentes e corações), para a entrada da Al-Qaeda. Aliás, quem pariu e amamentou a Al-Qaeda foi a intervenção ocidental. É a dobradinha Bush/Osama, um não vive sem o outro.

    Intervenção do império na Líbia ou no Iêmen é perniciosa, expus a situação para mostrar o cinismo da situação, para excluir qualquer legitimidade do discurso humanitário, cujo único rendimento é falsificar os interesses políticos, econômicos e militares.

    É falso que os rebeldes não têm saída. Existe a guerrilha, árdua porém autônoma. Existe a retirada estratégica para o Egito. Existe a articulação em rede dos movimentos revolucionários no Magreb. Quando um grupo joga as mãos para os céus atrás de salvação, em vez de reorganizar-se em função das lutas, é porque o processo constituinte está terminado, e agora só resta mesmo comprar (literalmente) a esperança oferecida pela feira ocidental de direitos.

    Parte da esquerda se rende à farsa vendida pelo CS-ONU por má-consciência. Sentem que são impotentes, então não agem, e querem que outros ajam por eles, que “façam alguma coisa pra salvar vidas”. Mas só a esquerda pode ajudar a esquerda. Só outros revolucionários podem fortalecer os revolucionários (que nunca foram coitados, pois lutam), jamais o exército imperial. Toda a lógica implica um profundo problema ético, que é o de dar cheque em branco para que outros apaziguem nossa consciência pesada.

    Abraço.

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    • Daniel 21/03/2011 em 5:14 pm

      Mas, ué, alguém disse que o Iraque é uma democracia plena? Apenas acabou de entrar na zona de regime híbrido, com a nota baixíssima de 4.0, no entanto superior a Irã, Síria, China, Cuba… Isso é um simples fato, e as poucas conquistas acumuladas até agora se devem à oposição que se articulava contra Saddam porém nunca teria conseguido derrubá-lo — e o Iraque ainda estaria lá junto com Coreia do Norte nos índices de democracia.

      “Revolução” de guerrilha não é o único jeito de se chegar à democracia, embora muitas vezes seja a forma mais rápida de suicídio. Concessão gradual de direitos é historicamente mais eficiente. Guerra externa contra tiranos também às vezes é eficiente, e é uma obrigação moral se no passado o ocidente tiver apoiado esses tiranos. Qualquer sucesso da democracia, no Iraque e em outros países da região, se deverá mais ao próprio povo árabe do que ao ocidente, assim como foi o povo da região, e não o ocidente, o responsável pelo declínio da civilização árabe — quando os EUA não haviam colonizado ainda sequer a Califórnia, a Arábia Saudita já era uma monarquia de fundamentalismo religioso. Guerras entre sunitas e xiitas, atraso econômico e político, nada disso foi criado pelo imperialismo ocidental.

      Quanto à Al-Qaeda, pelo amor de Deus. Basta ver o histórico de ações do grupo por quase toda a África e Ásia para ver que intervenção ocidental não é condição pra ele agir. Trata-se de um grupo especialista em matar muçulmanos que não seguem o Islã fundamentalista, e não um grupo de combate anti-imperialista.

      Guerrilha árdua, porém autônoma na Líbia? Você está preso ao modelo Che Guevara. Os rebeldes querem cobertura para derrubar Kadafi. Agora vamos ficar contra eles só porque nosso mundo preto-e-branco coloca o imperialismo como o pior dos males? Peraí, né.

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  4. Bruno Cava 21/03/2011 em 6:39 pm

    Salve, Daniel,

    Desculpe, mas eu não entro nessa armadilha de comparar ditaduras. Hitler ou Stálin? Pinochet ou Médici? Jamais escreverei uma linha a favor de uma ditadura ou de outra. Nem Saddam, nem Bush. Outra coisa. Esse pensamento binário e não tem outro jeito é como funciona a grande mídia. Tem o condão de legitimar um “mal menor”, em vez de construir, nas lutas, a democracia.

    O Iraque foi o pior lugar pra se viver nos anos 2000. Morreram pelo menos cem mil civis iraquianos, repito, 100.000. Bush prometia libertar os iraquianos, e realmente libertou esses 100 mil… da face da Terra. Esta a estimativa mais conservadora de todas.

    Veja este estudo mais analítico (http://www.brussellstribunal.org/pdf/lancet111006.pdf): 650.000 mortos iraquianos como conseqüência direta da guerra entre 2003 e 2006.

    Só os EUA perderam 4.400 soldados (e 32.000 feridos). Mais que no atentado de 9/11.

    A invasão e posterior ocupação custaram US$ 3 trilhões de dólares, 60 vezes mais que o governo Bush havia previsto. Colossais gastos com infraestrutura e armamentos, com contratos milionários oligopolizados pelas empreiteiras americanas, pela indústria bélica, pelas petroquímicas. Em parte, o povo iraquiano pagou a conta (com petróleo e trabalho), em parte gerou um déficit que contribuiu na crise financeira global (quem fala isso é o Washington Post).

    A violência contra a mulher aumentou, mais do que no tempo de Saddam (ver link abaixo).

    O Iraque não participou no ataque de 9/11 da al-Qaeda e não tinha armas de destruição em massa. Mas agora a Al-Qaeda está mais forte do que nunca. Não porque Saddam segurava a barra, mas porque a presença das tropas ocidentais incentiva a sua disseminação.

    Dados compílados deste artigo:
    http://english.aljazeera.net/indepth/opinion/2011/03/201132173052269144.html

    E antes de citar a intervenção “humanitária” no Kosovo/Iugoslávia, por favor leia este artigo do Guardian de hoje, “Kosovo: um modelo para o desastre”:
    http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2011/mar/21/kosovo-template-for-disaster-libya

    A intervenção ocidental, que logo se converte em exploração econômica e ocupação de pontos estratégicos, sim produz, de modo sistemático, a lógica da guerra civil. No Oriente Médio e, com ainda mais incidência, na África.

    Eis a história do colonialismo e neo-colonialismo desde o século 19. A própria Líbia é exemplo clássico. Suas duas regiões Cirenaica e Tripolitania, antigas províncias otomanas, foram “pacificadas” manu militare durante o fascismo italiano de Ítalo Balbo, e arbitrariamente reunidas sob o jugo neo-colonial. As capitais das duas refletem-se hoje nos pólos da revolução: Trípoli como principal QG de Gaddafi, Benghazi (Cirenaica) dos rebeldes.

    Guerrilha pode ser qualquer resistência armada a um regime que tem dominância de meios. Não necessariamente no guevarismo. O debate sobre teoria da revolução vai muito mais longe que isso e você sabe.

    Em suma, existe uma brutal e interessada simplificação em enxergar a guerra de EUA-Inglaterra-França como 1) humanitária, 2) promotora da democracia, 3) sem outra alternativa, 4) capaz de ‘pacificar” a região e “impor a democracia”, a curto ou longo prazos.

    Abraços.

    Responder
    • Daniel 21/03/2011 em 7:27 pm

      Respeito a opinião muito particular do Gibbs sobre o Kosovo, já velha conhecida, mas discordo e prefiro a de outros analistas.

      Veja bem, comparar ditaduras não equivale a defender a menos ferrenha. Se eu digo que Raul Castro não é tão ruim quanto Stalin, não estou defendendo as ações de Raul Castro.

      De qualquer forma, você não precisa comparar as ações de Saddam com as de outro ditador, mas sua ditadura com o governo de Jalal Talabani e Nouri al-Maliki. O Iraque, hoje, é um lugar melhor para se viver do que o Iraque dos anos 90 e dos anos 2000. O erro, em 2003, foi os EUA terem invadido com poucos efetivos, naquela megalomania do Rumsfeld de que tudo ia ser fácil. O Iraque poderia ter atingido o nível de democracia que hoje possui bem antes. Por conta do mesmo baixo efetivo, não se pôde combater a Al-Qaeda no país com a força devida — porque, você sabe né, a maior parte das mortes no Iraque não foi causada por soldados da coalizão ocidental. E antes da invasão, pencas de iraquianos eram mortos pelo Estado — apenas na campanha Al-Anfal, foram mais de 180 mil mortos. Por terem apoiado Saddam no passado, os EUA tinham a obrigação de derrubá-lo, mais cedo ou mais tarde — devia ter sido em 1991.

      Mas como eu disse, não compare Saddam com Bush (que não era ditador, mas vá lá), compare o Iraque de Saddam com o Iraque de Jalal Talabani. A escolha correta não era entre Saddam e a Al-Qaeda, era entre um Iraque que comete terrorismo contra seu povo e um Iraque democrático com apoio para combater bandos terroristas. Se você acha que a democracia defeituosa do Iraque não é grande coisa comparada com o Iraque de Saddam, por que está defendendo a derrubada de outras ditaduras na região? Pelo simples fato de serem ditaduras derrubadas sem intervenção externa, você acha que em uma década esses países serão democracias como a Noruega? (Porque tem que ser como a Noruega, né não?, se for uma democraciazinha como a do Irã, a gente mete o pau.) Acha que a Al-Qaeda e outros fundamentalistas não operarão em democracias? (Porque o respeito pela democracia surgida sem intervenção está na carta de fundação da Al-Qaeda, claro.) Se o terrorismo da Al-Qaeda é tua preocupação primeira, aconselho que se junte aos atiradores de elite da ditadura do Iêmen e abata alguns manifestantes, porque a rede terrorista tem mais chances de florescer no Iêmen do que na Líbia e no Egito.

      A violência contra a mulher aumentou no Iraque? Ah, então ao invés de culparmos a cultura islâmica e apoiarmos as feministas iraquianas, vamos repor um clone de Saddam no poder, era bem melhor pra elas — ainda mais porque o regime baathista tinha estupradores profissionais em sua folha de pagamento.

      A guerra de EUA e aliados na Líbia é sim também interesseira: um massacre em Benghazi seria trágico para campanhas de reeleição dos líderes ocidentais, é importante conquistar o apoio da sociedade civil democrática líbia e antecipar uma eventual aliança pós-Kadafi, etc. Tomara que eles tenham sucesso. Bons resultados para a sociedade podem surgir de ações interesseiras, como já ensinou o velho Smith. Não vejo por que darmos as boas vindas apenas a bons resultados advindos de “idealismo”.

      Responder
  5. Eduardo Júlio 22/03/2011 em 10:09 am

    Caro Daniel,

    Afirmar que o Iraque de hoje é bem melhor do que antes da invasão é uma reflexão precipitada. O país tem chances de se tornar melhor, existe, de fato, uma porta aberta, mas, por enquanto, é uma sociedade desfigurada. Não somente pessoas morreram, as instituições também foram destruídas. Como Bruno Cava afirmou: há um retrocesso referente à posição feminina na sociedade. Leia um relato contundente sobre a situação das mulheres e das crianças no Iraque atualmente: http://grupobeatrice.blogspot.com/2011/03/situacao-das-mulheres-e-das-criancas-no.html

    Culpar somente a cultura islâmica por isso também é uma afirmação precipitada. Onde estariam as instituições democráticas? Por que antes, sob uma ditadura sanguinária, era diferente, existia mais abertura?

    Outra questão: os EUA enviaram tropas demais para o país. O numeroso exército iraquiano tinha ficado no passado (tivera um efetivo considerável em 1980 quando invadiu o Irã). Em 2003, Sadam somente fazia pose, tanto que a intervenção americana foi rotulada pela mídia, primeiramente, como guerra, termo substituído gradualmente por invasão. Foi muito fácil entrar. Uma insignificante resistência foi vista no início. O problema é que o efetivo americano não soube lidar e foi extremamente incompetente com a guerrilha urbana ao modo árabe fundamentalista, com homens bombas espalhados nos lugares mais improváveis. Mais soldados americanos por lá, mais trapalhadas cometeriam.

    Se Sadam tivesse saído em 1991, poderia ter sido bem pior, porque naquele período existia democracia em alguns lugares do mundo. No Brasil, ainda estávamos reconstuindo a nossa, sob o comando do risível Collor, uma piada. No mundo árabe, no começo dos anos 90, democracia era uma palavra inexistente, uma fantasia ocidental. O Iraque talvez tivesse caído mais facilmente nas mãos dos fundamentalistas. Já li um artigo em que o autor afirmou que o Bush pai foi sábio em não levar adiante o processo de retirada de Sadam naquele momento. Um caminho ou outro, todos foram equivocados.

    O certo é que teremos que esperar muito tempo. Por enquanto, qualquer afirmação será especulativa.

    No mais, aproveito a oportunidade para convidar você para conhecer o meu blogue de música http://trilhatranse.blogspot.com/

    Abraços,

    Responder
    • Daniel 22/03/2011 em 1:18 pm

      Obrigado. Música é o que há, o resto é detalhe :-)

      Responder
  6. Marcos Monteiro 22/03/2011 em 6:25 pm

    Olá Pessoal,

    Antes de mais nada, peço que todos leiam notícias de diversas agências internacionais antes de postar comentários. (o inglês é indispensável para se obter uma versão “confiável” da informação).

    Todos meus comentários abaixo são baseados em informações das seguintes agências:
    http://www.aljazeera.com (rede Árabe de notícias)
    http://www.bbc.com (rede Inglesa de notícia)
    http://www.cnn.com (rede popular Americana de notícias)
    http://www.washingtonpost.com (versão política das notícias americanas)

    FATOS:
    Importante: todos os dados abaixo, com exceção da parte “término dos fatos:” são baseados em fontes internacionais. Se você quiser (e souber ler inglês) pode confirmá-los nos links acima.

    A França fez o primeiro ataque à Líbia, salvando a cidade de Benggazi (veja detalhes na parte “Sobre a França”).
    Residentes da cidade de Aldabiya foram (e estão sendo) bombardeados por mísseis e tanques do Gaddafi por dias. Os civis que conseguiram fugir dizem que “não são centenas e sim milhares de pessoas que morreram na cidade.”
    Residentes da cidade de Misratah também estão sendo bombardeados a dias pelas tropas do Gaddafi. Um residente local afirmou que: “apesar do bombardeiro da UNO destruído diversos tanques do Gaddafi, ainda existem muitos tanques na cidade. Por favor, não parem o bombardeio”.
    Embora o governo Líbio ter aclamado dezenas de motes de Civis, não há provas (e o governo já foi solicitado a mostrá-las) do ocorrido. Enquanto um general de uma das bases do Gaddafi afirmou que ninguém morreu em um determinado bombardeio, o governo afirmou que “dezenas de civis” morreram neste mesmo local.
    O governo Líbio afirma que “dezenas de civis” estão morrendo no bombeiro. Eles também afirmam que os rebeldes são da Al Qaeda e que nenhum civil foi morto pelas tropas Líbias.
    É verdade que, segundo agência de notícias internacionais, muitas pessoas em Tripoli não querem o bombardeiro da UNO. (lembrando que o governo Líbio diz para o povo de capital que o mundo quer colonizar a Líbia e que o governo nunca matou civis). Ao menos centenas de pessoas foram presas e torturadas e mortas na capital. Isto faz com que qualquer um na capital que queira mostrar apoio à UNO fique calado.
    Em Benghazi, os cidadãos líbios estão “extremamente” agradecidos pela ação da UNO. Isto ocorre pois eles sabem que sem o bombardeio que a UNO proporcionou, milhares deles já estariam mortos (promessas do Gaddafi)
    O povo Egípcio (país com maior influência no mundo Árabe) é a favor da intervenção da da UNO na Líbia.
    Logo após o início do bombardeio a Líbia, houveram relatos pelo governo líbio de “dezenas de civis mortos” no bombardeiro. O secretário geral da liga Árabe (que apoiou a resolução da UNO), Amr Moussa, criticou o bombardeio dos EUA/UK baseado em relatos do governo líbio. Após descobrir que se tratava de uma nova mentira do Gaddafi, Amr Moussa, afirmou que a operação deveria continuar. O governo Brasileiro também caiu na mesma mentira, fazendo pronunciamento pedindo que o bombardeio parasse.
    Será que a França, Inglaterra, EUA, Canadá, (outros) e 2 paises árabes devem parar de atacar os tanques e bases líbias e deixar o ditador terminar de matar os civis?

    Sobre a França:
    Após a demissão da ministra francesa dos Negócios Estrangeiros, Michèle Alliot-Marie, o primeiro ministro Frances Francois Fillon foi a primeira nação a reconhecer o Governo Interino situado em Benghazhi como governo legítimo da Líbia. Muitos acreditam que foi uma forma de silenciar a oposição francesa que criticava a posição dos franceses de apoiar os ditadores.
    Segundo os próprios líbios em Benghazi, os ataques franceses no último sábado (19/03) à uma frota de tranques e veículos terrestres salvou Benghazi. Entendam: sem estes ataques às tropas do Gaddafi, a cidade teria sido tomada. Palavras do ditador: “Não teremos misericórdia.”

    Sobre os EUA:
    Governo amerciano demorou dias para pedir ao ditador sair do poder. O presidente dos EUA recebeu inúmeras críticas por este motivo. Após pedir para o ditador Gaddafi sair, o governo americano informou a impressa que seu consulado foi ameaçado e que se o presidente pedisse para o ditador sair, as pessoas no consulado estariam em “sério perigo”. O presidente dos EUA esperou o consulado ser esvaziado para fazer o pronunciamento.
    Obama não é o Bush e Iraque não é a Líbia. Não confundam.
    Obama deixou claro: só iremos intervir se a liga árabe, a UNO e a NATO apoiarem.
    Muitos criticaram o Obama por tentar durante semanas parar o ditador Líbio com política (sanções). De fato, as sanções não resolveram.
    A operação na Líbia é muito criticada dentro dos EUA. Motivo: Iraque. Para os americanos, a operação no Iraque foi o maior fracasso dos últimos tempos. (até o Bush admitiu)
    Na líbia, os EUA só aceitaram entrar na operação se a liga Arabe apoiasse a operação.
    - Baseado em notícias do Washington Post, o Obama foi bravamente criticado como “muito passivo” ou “irresponsável” por solicitar apoio da liga Arabe para apoiar o povo árabe. Muitos políticos americanos criticaram o Obama por não fazer nada até que a UNO apoiasse.
    - ANTES de aprovar o no-fly zone, os militares americanos falaram ao mundo: “não se iludam: o no-fly zone começa com um ataque às bases terrestres da líbia”.
    - Segundo diversos telefones de civis recebidos pela rede de notícias Al Jazeera, muitas das bombas dos EUA/UK destruíram tanques que tinham o objetivo de continuar a matança de Civis.
    No mais, os EUA estão tentando passar a liderança para algum órgão internacional. O fato é que é difícil encontrar alguém que queria “pagar” para libertar o povo líbio do ditador.

    Sobre a Inglaterra:
    O primeiro ministro inglês, David Cameron, vem insistindo nos últimos meses por uma intervenção na Líbia. Isto fez com que muitos críticos americanos disessem: “O Obama deveria ter a postura do David Cameron”.
    Muitos políticos ingleses acreditam que é uma grande furada, pois “para que gastar dinheiro em uma guerra que pode demorar meses.”

    (término dos fatos: minha opinião pessoal)
    È claro que existe interesse internacional em manter o óleo estável e remover o Gaddafi.
    Lembramos: o Gaddafi já proporcionou diversos atos de terrorismo ao redor do mundo e em seus vizinhos. Basicamente, ele não tem muitos amigos.
    Acredito que apesar da intervenção na Líbia estar sim relacionada ao petróleo, o que você faria se você fosse presidente Americano/Inglês/Frances?
    Deixar dezenas de milharas de líbios morrerem (e ser julgado por não ter feito nada) ou atacar o governo líbio para neutralizar seu poder limitar (e ser criticado como imperialista)?
    Sinceramente, após ter apoio inédito do mundo inteiro para parar um genocida, eu não teria dúvida.
    Gaddafi: quantas vidas você ainda irá tirar?

    Responder
  7. Marcos Monteiro 23/03/2011 em 12:41 pm

    Depoimento de um cidadão na cidade de Misrata:
    (para aqueles que não sabem ler, este está agradecendo os bombardeios da UNO que acabaram com tanques que estão destruindo a cidade)

    “Back now to Misrata, which has seen some of the heaviest fighting in recent days. The town is cut off, but a spokesman for the rebels, Mohamed, has told the BBC: “Misrata was in a desperate state yesterday, we almost lost all hope, but the strikes came at a good time with good intensity and frequency. They even managed to take out some convoys inside the city which was very impressive. Gaddafi’s forces have been hiding in a hospital… I can tell you that there’ve been zero casualties from international strikes… There are snipers on top of buildings; Gaddafi’s forces are still stationed on the main street – Tripoli street – but there’s no random shelling anymore… I’ve been able to go out, I’ve seen bakeries and groceries open for the first time in many days. The strikes made such a difference – Gaddafi’s forces are scared of them. I want to express our gratitude and appreciation for these actions, we will never ever forget!”

    Responder
  8. Bruno Cava 23/03/2011 em 9:38 pm

    Só numa outra dimensão, a do cinemão, se pode acreditar que os bombardeios massivos e generalizados de EUA-Inglaterra-França estão matando os “bad guys” e libertando o povo líbio do jugo tirânico de um ditador.

    Essa propaganda descarada “Thank you, America” dava até um filme de Hollywood, com George Clooney no papel do coronel protetor dos direitos humanos.

    Chomsky passou décadas demonstrando, por A + B, que bombardear um país não realiza os direitos humanos e que uma democracia não será imposta pela força militar. Mas o cinismo segue em alta, apesar do Wikileaks.

    Até entendo a construção de discurso para legitimar o ilegitimável (o ataque descarado aproveitando de termos vagos de uma resolução do “club”), mas cair nessa é muita necessidade de apaziguar a própria má-consciência. Aliás, o que geralmente está atrás de muito humanitarismo, no raciocínio superficial que se podem salvar vidas com 200 Tomahawks, 300 bombas de 2000 lbs e 5.000 marines.

    O bem vence o mal, espanta o temporal.

    Responder

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