O teatro de Kadafi. E um pensamento sobre o Conselho de Segurança e o Brasil

-- Sem o aval do Brasil, CS declara guerra à guerra de Kadafi contra civis --

por Daniel Lopes

A diminuição no ritmo de matança na Líbia foi o primeiro efeito positivo da aprovação pelo Conselho de Segurança da resolução impondo “todas as medidas necessárias” para a proteção de civis.

Diminuição, veja bem. O cessar-fogo anunciado pela ditadura pouco depois da reunião do CS foi pura molecagem. Seu exército regular e seus bandos de mercenários continuam atacando rebeldes nas cidades de al-Magroun e Slouq, a cinquenta quilômetros de Benghazi, e continuam avançando em direção a esta. Em Misrata, as informações são de que os ataques na tarde de hoje, que incluíram tanques de fabricação russa, mataram pelo menos 25 pessoas, inclusive crianças. Se esse é o cessar-fogo que Kadafi oferece com os aviões da ONU cada vez mais próximos, imagine como seria o cessar-fogo que ele estava reservando aos rebeldes de Benghazi para assim que tivesse invadido a cidade, no sábado.

Felizmente, os líderes por trás da resolução (Obama, Cameron, Sarkhozy) parecem não ter caído na lábia de Kadafi. David Cameron disse que o ditador será julgado por seus atos, não por suas palavras. Obama disse que os termos da resolução são inegociáveis — embora sua própria disposição de combater na Líbia seja mínima. A França diz que já está pronta para atacar as forças de Kadafi.

Permanece uma grande interrogação sobre o futuro da operação. Ficará ela restrita a proteger Benghazi? Os rebeldes não querem isso. Querem a saída de Kadafi. Se ele não aceitar se mudar de boa vontade para a Venezuela, querem sua derrubada à força. Isso porque eles querem democracia, e já ficou provado que uma Líbia acomodando Kadafi e suas crias em outro lugar que não seja a prisão ou o jazigo será qualquer coisa, menos uma democracia. Além disso, isolar uma área do país e deixar Kadafi no comando do restante lembrará o Iraque pós-Primeira Guerra do Golfo — a não derrubada do iraquiano logo após sua expulsão do Kuwait apenas prolongou a agonia do país, permitindo à ditadura se reaparelhar, voltar a torturar e matar, e se relacionar com terroristas da região. Kadafi tem que cair, de preferência não como Saddam em 2003, mas como Saddam deveria ter caído em 1991.

Enquanto isso, antes que fique tarde demais, vale um comentário sobre a votação de ontem no Conselho de Segurança. O movimento surpreendende foi a mudança, nas horas que lhe antecederam, nas atitudes de China e Rússia, de oposição dura à intervenção a um lavar de mãos meio constrangido pelas circunstância. A oposição desses dois países até o último minuto e sua abstenção na votação não foram surpresa. São potências que disputam no Oriente Médio e na África (caso da China) espaço com os EUA. Do ponto de vista delas, principalmente da China, só existe uma coisa pior do que ditaduras árabes aliadas aos estadunidenses: democracias árabes aliadas aos estadunidenses. É menos constrangedor e mais efetivo você defender regimes democráticos quando seu próprio país é uma democracia. Se Egito e outras ditaduras da região, quando forem democracias, se alinharem mais ou menos à ordem global liderada pelos EUA (democracia mais capitalismo de mercado), como o fizeram os pós-ditadura Brasil, Chile e Espanha, parte do movimento “anti-imperialista” que se alimenta das esperanças da inevitável hecatombe estadunidense (e talvez, oxalá, do capitalismo) acabará dando com a cabeça na parede.

A abstenção da Alemanha também não foi surpresa. Angela Merkel é a típica conservadora isolacionista, uma espécie de George W. Bush de saias — antes do 11 de Setembro. E as abstenções de Brasil e Índia? Como dois países que almejam presença permanente no Conselho de Segurança, resolveram não desagradar nem gregos nem troianos, não se colocando nem contra nem a favor da resolução. Desse ponto de vista, foram abstenções compreensíveis. Colômbia e Bósnia, por exemplo, votaram felizes pela intervenção, em parte, porque não têm as mesmas aspirações de Brasil e Índia.

Por outro lado, será que já não é hora do Brasil mostrar o que está disposto a fazer em uma eventual vaga permanente no CS? Especialmente quando ficamos recentemente a favor do Irã na votação de sanções, contra inclusive Rússia e China, aliados apenas à Turquia, país com as mesmas não aspirações da Colômbia.

Não sei não, acredito que já é tempo do Brasil mostrar em que time pretende jogar no CS. No time de EUA/Reino Unido e eventualmente Japão e Índia (por causa da rivalidade regional crescente desta com a China)? Ou no time de China/Rússia? Não existe “independência total” nesse campo que vai abrigar as disputas das próximas décadas. Pelo menos 51% de seu corpo pende para um lado ou para outro. Nos grandes partidos estadunidenses, britânicos e franceses existe, não obstante discordâncias acirradas quanto a alguns pontos, uma linha geral de valorização dos valores da democracia liberal. Em governos federais do PSDB, podemos ter alguma confiança que esses valores serão defendidos no Conselho de Segurança. Com o PT no governo, não temos a mesma confiança, e quem fala isso é alguém que votou em Lula duas vezes e uma em Dilma. Embora o histórico do governo federal sob comando petista na arena internacional esteja longe de decepcionante (apenas o reconhecimento do Estado palestino já valeu muito, mas muito mesmo), também não é uma coisa que se possa classificar de invejável.

Não estou disposto a torcer por um assento permanente no CS pelo simples fato de ser brasileiro. No campo da geopolítica, patriotismo acrítico, já inútil em todas as esferas da vida, é ainda mais imprestável e muito perigoso. Quero me convencer de que o Brasil, sob direção de PT e PSDB, terá grandes chances de, como membro permanente do CS, peitar gente do calibre de um Lieberman, um Ahmadinejad, um Kadafi, gente que quer para seus povos o que não queremos para o nosso. Até agora, não reuni confiança suficiente para levantar a bandeira.

12 comentários | Dê sua opinião

  1. Leopoldo 19/03/2011 em 8:42 pm

    Gostei do texto e concordo em grande parte. Só um pergunta a respeito do conflito na Líbia, como será possível apoiar os chamados “rebeldes” apenas com uso de força externa? Acho pouco provável que ocorra a a divisão do país em dois governos, não concorda?

    Responder
    • Daniel 19/03/2011 em 9:29 pm

      Oi, Leopoldo. É possível armar a oposição via Egito, enquanto se dá cobertura pelo ar. A oposição não quer a divisão do país, ela quer Kadafi fora e a integridade preservada. É importante que a força internacional tenha se comprometido com a Líbia “a longo prazo”. Torçamos para que tenha sucesso. É fundamental que a Líbia não continue em posse de uma ditadura que fatalmente arrumaria confusão com eventuais democracias no Egito e na Tunísia.

      Responder
  2. Ary 19/03/2011 em 10:54 pm

    Desde quando os EUA se importam com a democracia no mundo árabe? Mesmo que Kadafi cumprisse o cessar fogo, o teatro para os belicistas já estava armado e definido. Nada demoveria o ataque. O óleo já está partilhado. Imolaram o Mubarak para ficarem com a cabeça do Kadafi. Em passado recente, miraram no Afeganistão e acertaram no Iraque. Para isso, “fizeram o que fizeram” com as Torres. No final das contas, as empresas de Dick Cheney (o verdadeiro presidente dos EUA) se habilitaram para reconstruir o Iraque. Parece que Obama autorizou os bombardeios na frente da Dilma. Mandou um baita recado. CS? Duvido.

    Responder
  3. Diogo 19/03/2011 em 10:59 pm

    Petróleo baratinho a caminho…

    Responder
  4. André Egg 24/03/2011 em 11:13 am

    Concordo com quase tudo no seu artigo. Menos com esse pano de fundo que põe o Ocidente como bastião da democracia no Norte da África. Não é não. Existe muita coisa a se fazer nesse sentido, e a Europa não está, por exemplo, a fim de permitir o livre trânsito de pessoas para estudar e trabalhar. Também não sei de nenhum tipo de investimento em formação política para democracia, desenvolvimento educacional, transferência de tecnologia – coisas que o Ocidente deveria fazer para fomentar democracia na região.

    Sobre a posição do Brasil no CS, acho que ainda não acertamos a medida, e o governo Dilma aponta para direções melhores do que as do governo Lula, excessivamente simpático a ditaduras como a cubana, a venezuelana e outras.

    Agora, não dá para planejar o jogo do Brasil como sendo uma coisa pró-EUA ou pró-China/Rússia. A guerra fria acabou, China e EUA são mais interdependentes do que rivais, e o Brasil pode e deve exercer um papel dúbio para funcionar como fiel da balança: alia-se com China, Rússia e Índia para defender interesses comerciais e geo-políticos dos emergentes, e alia-se com as potências ocidentais para defender direitos humanos. de preferência com uma postura menos hipócrita que os EUA.

    É difícil, mas não impossível.

    Responder
    • Daniel 24/03/2011 em 12:51 pm

      Mas no caso, acertaríamos o passo em questões comerciais com China e Rússia em outros fóruns, como já fazemos e fazem outros países. No CS será preciso sim tomar lado — menos dizendo que seu lado é esse ou aquele, do que suas próprias convicções (que, se são sólidas, não são anuladas por interesses de curto prazo) levando para um lado ou outro.

      Responder
  5. Pingback: Os recentes acertos de nossa diplomacia | Outras coisas e afins

  6. Eneraldo Carneiro 28/03/2011 em 4:38 pm

    Daniel

    O “lado” que o Brasil precisa ter em qualquer fórum internacional, seja a AG da ONU, seja o Conselho de Segurança, é o próprio.
    Desculpe, mas acho de uma enorme ingenuidade pensar que o Mundo é dividido entre “uma linha geral de valorização dos valores da democracia liberal” e o resto. Infelizmente é um pouquinho mais compicado do que isso. Senão, como explicar o suporte sistemático dado pelos campeões dos “valores da democracia liberal” à Arábia Saudita, ao Egito de Mubarak, ao Paquistão, Bahrein, etc?
    Por mais que a posição pelos Direitos Humanos seja de princípio, não podemos ignorar o fato de que essa agenda tem sido, e continua sendo, capturada pelos interesses geopolíticos de estadunidenses e europeus. E pode inclusive, vir a ser usada contra nós no futuro, assim como a da “luta contra o terror”, e da “defesa do meio-ambiente”. Ter assente permanente no CS tem mais a ver com ter poder de veto, do que a de embarcar em aventuras só dizem respeito aos interesses imperiais.
    O terreno das relações internacionais não é lugar para simplificações amadorísticas meu caro Daniel. É coisa para profissionais.
    Sobre a Líbia em particular, confesso meu total desconhecimento dos atores envolvidos. Kadafi não é boa bisca? Decerto. Mas e os tais rebeldes, o que são? Será que eles são tão bons assim que justifique uma intervenção? Mas se for assim, porque só na Lìbia?

    Responder
    • Daniel 28/03/2011 em 6:46 pm

      Eneraldo,

      Confesso que simplifiquei sobre o “bloco da democracia liberal”, embora mantenha que só com apoio (militar, econômico e, sim, ideológico) dos países democráticos e liberais em casa é que a democracia terá sucesso onde ainda não existe. O histórico da Europa e dos EUA na África independente não é tão ruim quanto o desempenho dos próprios líderes nacionais na gestão de conflitos e na gestão econômica, mas ainda assim é um histórico de fazer vergonha. Por isso mesmo Obama tinha a obrigação de não impor empecilhos à caída de Mubarak e de influenciar na decisão do exército egípcio de sentar nos tanques e assistir as manifestações, e por isso mesmo a Europa tem a obrigação de liderar a intervenção pela queda de Kadafi. Se a Rússia quiser ajudar no sucesso da democracia em Angola, será bem vinda, mas será difícil acreditar no sucesso da empreitada, já que ela própria está prestes a ser ultrapassada pelo Iraque nos índices de democracia.

      A aposta da aliança ocidental nos rebeldes líbios não é tão grande quanto seria se esses rebeldes fossem todos versados em Thomas Paine, mas se ela quer se colocar ao lado das emergentes democracias árabes, é uma aposta válida sim, mais válido do que cruzar os braços e ver Kadafi esmagar a revolta, apesar do pedido de intervenção dos líderes da revolta. Seria imoral e burrice estratégica. Kadafi no poder, chance zero de democracia; Kadafi comandando a transição, chance zero de eleições justas; Kadafi fora, alguma chance para a democracia, que evidentemente será uma conquista (ou um fracasso) dos líbios, a OTAN tendo colaborado apenas para manter as chances vivas.

      Por que não invadir todo país onde há ditadores? Porque uns têm armas nucleares; outros são essenciais para manter a economia global girando (nem é preciso lembrar que quando há crise financeira, quem sofre são os pobres do mundo, não os ricos); porque os países da OTAN não estão com muito dinheiro pra queimar; porque mesmo que fossem intervenções que comprovadamente transformariam países em crise em Suiças, China e Rússia bloqueariam; e, finalmente, porque é preciso priorizar a derrubada de ditadores à beira de invadir uma cidade de 700 mil habitantes, prometendo em cadeia nacional ir de casa em casa e derramar sangue.

      O Brasil vai no CS fazer vista grossa a ditaduras que nos rendem bons dividendos (como os EUA fazem com a Arábia Saudita e nós com a China), ou também vamos fazer vista grossa a ditaduras apenas por ideomania (Cuba, líderes africanos “libertadores”, Síria…)? Em o Brasil já sendo membro permanente, por exemplo, não teria sido preciso enviar tropas para a Líbia, mas já pensou o Brasil bloqueando a resolução? Como disse no texto, não reuni confiança suficiente para levantar a bandeira do assento permanente. Não estou nem um pouco certo de que nossa estranha diplomacia não inventará de bloquear resoluções levando como peso maior fetiches como “países emergentes” e “relações Sul-Sul” — o cúmulo do amadorismo e da irresponsabilidade.

      Abs.

      Responder
  7. Eneraldo Carneiro 28/03/2011 em 8:55 pm

    Daniel

    Amigão, acho que estamos falando de planetas diferentes.
    No planeta ‘Terra’ onde moro eu não vejo EUA e UE intervindo à favor da democracia, nem na Líbia, nem no Afeganistão, nem no Iraque. Não, definitivamente eles não tem um bom track record na questão.
    Por outro lado, para você ver como o Mundo é um lugarzinho complicado, sabe qual país do Mundo o Nelson Mandela visitou primeiro, como Presidente da África do Sul? Cuba. Para agradecer o apoio, inclusive e especialmente militar, dos cubanos contra o regime do Aparteid. Não me recordo que qualquer potência Ocidental tenha sequer cogitado encarar os Sul Africanos no mano a mano. Da mesma forma não me consta que alguém esteja cogitando o uso da força para obrigar Israel a cumprir as dezenas de resoluções da ONU, e os honrar minimamente os acordos que assinou, por exemplo. Um entre inúmeros.
    Por outro lado é bom lembrar, que uma das últimas vezes em que os EUA se pôs a armar, financiar e treinar “combatentes da liberdade”, teve como efeito colateral o 11/09/2001. Lembra?
    Quanto ao assento permanente no CS amigo, eu não o defendo para que o Brasil se torne gendarme do Mundo sob comando dos EUA, campeão da verdade e da democracia, mas para melhor proteger os NOSSOS interesses como país. Que é o que TODOS os outros fazem, caso você não tenha reparado.
    Não entendi se você acha que “fazer vista grossa a ditaduras” é ruim no geral, só é ruim quando o Brasil faz, ou quando os EUA faz, ou se depende dos motivos para fazer. Ademais me parece que você faz uma leitura extremamente equivocada do que tem sido a política externa do Brasil nos últimos 8 anos, se acha que o que moveu e move a dipomacia brasileira é o que você chamou de “ideomania”.

    Responder
    • Daniel 28/03/2011 em 11:35 pm

      Olha, Eneraldo, não vou debater agora isso de EUA e UE nunca intervirem a favor da democracia, ou se eles têm mais responsabilidade pelo fracasso de outras sociedades do que essas próprias sociedades ao longo de seu desenvolvimento. Não nego as hipocrisias, ok, você tem razão. Mas elas não existem apenas no campo das grandes potências — prefiro muito mais um Paul Wolfowitz, que advogava a derrubada de Saddam desde quando este era cliente dos EUA, do que os esquerdistas que advogavam sua derrubada nos anos 80 e depois, quando Saddam virou “anti-imperialista”, foram fazer turismo em Bagdá. Agora, às outras questões.

      Pode ser que os rebeldes líbios façam em 2021 um atentado nos EUA. Mas é improvável. Os EUA pegaram a primeira coisa que viram pela frente, a Al-Qaeda, pra tirar os soviéticos do Afeganistão. Deveriam os EUA ter mandado sua força própria e entrado em guerra com os líderes senis da URSS? Catástrofe na certa. Deveriam ter deixado a URSS de posse do Afeganistão, sabendo como sabemos hoje que o vexame russo naquelas bandas ajudou a acabar com o comunismo soviético? Acho que o erro maior foi abandonar a região após a queda do império soviético, não?, com aquela besteira de fim da história. Da mesma forma: Saddam deveria ter sido derrubado logo em 1991? O Iraque não deveria ter sido invadido em 2003? Já que foi invadido, não deveria ter sido com um efetivo maior? Podemos discutir se valeu a pena perder tanta vida pra se livrar do regime de Saddam, mas não podemos deixar de notar que a revolução árabe em 2011 está com bem mais chances de sucesso com Saddam na cova. Fui contra a invasão em 2003, provavelmente seria de novo, mas não gosto de me pautar apenas no “anti-imperialismo” para explicar a tragédia árabe — aquela região já tinha fechado a mente e deixado de inovar quando os EUA não haviam colonizado ainda sequer a Califórnia. Mas uma coisa devo dizer. Se o quesito em conta é democracia, os índices não mentem: o Iraque está na frente de China, Cuba e Irã (até o Afeganistão é mais democrático que o Irã). Isso não quer dizer que o Iraque seja uma história de sucesso, apenas que está em curva ascendente, o que não é o caso dos outros países citados. É bom que Mandela tenha viajado para Cuba para mostrar que não tinha amigos apenas no mundo capitalista, e fico mais feliz ainda que ele nunca tenha cogitado adotar o sistema cubano em casa. A África do Sul é uma história de sucesso. Outra das primeiras ações de Mandela ao assumir o poder foi restituir seu país à British Commonwealth, formalmente comprometendo-se à defesa do estado de direito, livre mercado, liberdade individual etc. Tomara que a Líbia um dia tenha um líder com metade do talento dele.

      Curiosamente, ressabiados com a experiência do Afeganistão anti-URSS, estão todos agora receosos de elogiar abertamente os rebeldes líbios, e cautela nunca é demais, mas o simples fato é que a composição dos rebeldes, com muita gente da classe média e profissionais educados, não bate com o perfil médio da Al-Qaeda. A Al-Qaeda, movimento de inspiração imperialista, quis derrotar a URSS e, no segundo round, os EUA. Os rebeldes líbios têm algo parecido em mente? A probabilidade mínima disso ocorrer não justificaria a não-intervenção. Gosto do fato da Europa estar ao lado deles e teria gostado que o Brasil não se omitisse. Mas é só uma opinião.

      Se o assento permanente no CS é tão importante para a defesa dos nossos interesses, esse é um motivo a mais para tomarmos atitudes positivas que nos ajudem a chegar lá. Ter reconhecido o estado Palestino — medida positiva da diplomacia de Lula — foi um movimento moral e que deu apoio ao Brasil entre os árabes. Não ter apoiado a intervenção na Líbia não contou ponto absolutamente com ninguém — líbios, egípcios, democratas árabes na região e no exílio, quase todos apoiam a intervenção para derrubar Kadafi. Verdade que não votamos contra a resolução, mas nos omitimos. E por quê? Porque somos a favor de medidas drásticas apenas quando “todos os canais” tenham sido esgotados? Mas, em tese, os canais nunca se esgotam. É possível, com essa “Teoria dos Canais”, ter sido contra a guerra para expulsar Saddam do Kuwait, contra a guerra do Kosovo… canais é o que não falta. Você viu a nota que o PT soltou contra a intervenção na Líbia? Objetivamente se colocam a favor de um ditador apenas em nome do anti-imperialismo. Isso é o que eu quis dizer com ideomania — dar mais importância à ideologia do que aos interesses mais fundamentais do país (ganhar os corações dos democratas árabes e angariar apoio no CS para chegar ao assento permanente).

      Responder
  8. Artur 30/03/2011 em 11:04 pm

    até o Brasil entrar no CS, o Kadafi ja foi deposto.

    a democracia israelense ja elegeu um novo governo e o liberman tem grandes chances de voltar ao segundo plano.

    agora na teocracia esquerdista do Irã, Ahmadinejad só sai no dia que Alah desejar. (ou como na libia, se nós ocidentais ajudarmos o povo iraniano a ganhar sua liberdade)

    Responder

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

----- Consulte os arquivos do Amálgama ||| Publique ||| Contato ||| Para reproduzir nossos textos -----