Está na hora da oposição buscar um discurso
por Alan Souza – A oposição ao Governo Federal (hoje resumida virtualmente ao PSDB paulista) está numa situação muito pior do que aparenta. Dizer que anda buscando um vice antes mesmo de ter candidato a presidente já é uma piada recorrente, mas com fundo de verdade. E esse é justamente o primeiro problema: o PSDB tenta passar a seu distinto público que a escolha do vice fará a campanha oposicionista decolar. Ledo engano. O vice não tem o peso eleitoral que agora lhe atribuem os tucanos. Via de regra a vaga de vice só serve para selar alianças eleitorais. Tanto que Marco Maciel, o vice de Fernando Henrique Cardoso, era a discrição em pessoa – e justamente por isso foi reconduzido à vaga na reeleição de FHC.
Outra aposta equivocada da oposição está no tom de seu discurso atual. Se José Serra (ou qualquer outro tucano de alta plumagem) acha que irá derrubar a popularidade de Lula ou a ascensão eleitoral de Dilma Roussef com a exploração de temas estéreis e passageiros como o PNDH, a postura de Lula em Cuba ou denúncias frágeis contra Zé Dirceu e Fernando Pimentel, é bom colocar as barbas de molho. Tais temas não surtem o efeito desejado por um motivo simples: a maioria esmagadora do povão não as entende ou simplesmente não liga para elas.
Por fim, o maior engano da oposição: achar que tudo vai mudar com o início da propaganda eleitoral na TV. Dilma cresceu como candidata porque foi vista com Lula a seu lado. Na TV será exatamente a mesma coisa. Ou melhor, será mais explícito e apelativo. E sem um discurso definido e coerente da oposição.
Dilma não precisa de um discurso, tudo que tem a dizer é que será a continuidade de Lula. Serra precisa de um discurso que se contraponha a Lula e Dilma sem que isso possa ser entendido como mudança pelo eleitor, e sem atacar a candidata governista. É uma bela sinuca de bico.
No Distrito Federal: A herança maldita de Arruda
O governador afastado, José Roberto Arruda, conseguiu a proeza de transformar uma situação política que lhe era absolutamente favorável no pior dos reveses, produzindo um verdadeiro pesadelo pessoal e também para o povo do Distrito Federal.
Abstraia-se o pior, que Arruda está preso há quase um mês, com um processo de impeachment caminhando a passos rápidos (mas não tão rápidos quanto poderiam ser) e sabendo que não voltará à cadeira de governador. É preciso pensar adiante e ver o quanto os gestos de Arruda fizeram desaguar no pior dos cenários também para o cidadão.
Saúde, Educação e Segurança Pública no DF, que já eram áreas sensíveis, estão à beira de uma crise. Práticas de má gestão e aparelhamento político nessas áreas cobram seu preço agora que o barco está sem rumo. Fala-se insistentemente na possibilidade de paralisação de várias das obras iniciadas por Arruda, por suspeita de malfeitos e desvios de dinheiro. Isso seria um caos para Brasília, não só político, mas principalmente logístico. Imagine mudar-se para uma casa no meio da reforma e lá ficar sem saber quando as obras prosseguirão.
A base de apoio de Arruda na Câmara Distrital, envolvida nas mesmas maracutaias do governador, está desintegrada. Dois dos deputados distritais que o apoiavam renunciaram (Júnior Brunelli, da “oração da propina”, e Leonardo Prudente, do dinheiro na meia). É quase certo que Eurides Brito (a do dinheiro na bolsa) também renuncie, embora ela negue peremptoriamente.
O pior é que ao renunciar, Júnior Brunelli deixou sua vaga para o suplente Geraldo Naves. Este encontra-se preso na penitenciária da Papuda, por ordem do STJ (foi preso juntamente com Arruda). Por óbvio, irá tomar posse apenas para ser cassado – ou renunciar também.
E o mais deletério efeito da crise detonada por Arruda está mostrando sua cara na TV, na propaganda partidária do PSC: o ex-governador Joaquim Roriz, avô de todo o panetonegate, está colocando-se como reserva moral e indignado com toda a corrupção no GDF. Roriz fatura com a desgraça do DEM e avança na preferência do eleitorado, principalmente nas cidades satélite. Arruda saiu e deixou-nos com seu criador político, o patrono de todas as mazelas que afligem o DF atualmente. Para os brasilienses talvez fosse menos trágico continuar com Arruda e sua turma…
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Ótima leitura do momento.
o texto faz o retrato fiel do brasil, um brasil que agora que ter dono, um brasil que abandona os brasileiros, pois muito dinheiro esta sendo gasto para orfãos de ideias, estão fazendo com que o povo receba o peixe. com isso estamos criando uma geração de “improdutivos”, mas que votam ou seja compra de voto. nos ultimos tempos temos sempre votado no menos pior. mas como estamos vendo em alguns paises vizinhos o populismo acaba um pais. venezuela fila de gente com fome atras de pão e agua, em cuba pessoas se jogam no mar em busca de liberdade. o que nos queremos ???? nas capitais a midia cobre os escandalos. e no interior do pais é que a robalheira corre solto. esse é o brasil que queremos???? falo pelo povo calado pelas bolsas da vida. chega o brasil é bem mais que esses …………… nos temos que ser grandes, viva ao brasil que produz.
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