Marília e as mulheres que amam demais

por Juliana Dacoregio – A nova edição de Eu que amo tanto, de Marília Gabriela, traz um equívoco logo de saída. Uma foto enorme da autora e seu nome em letras garrafais estampados na capa, o que pode levar observadores menos atentos a supor tratar-se de uma autobiografia da jornalista. Letras menores e posfácio informam do que realmente trata a obra. São relatos reais de 14 mulheres que sofrem do mesmo problema: amar doentiamente. A autora as conheceu em uma reunião do MADA (Mulheres que Amam Demais), um grupo de apoio nos moldes do AA, que preza o anonimato e ajuda mulheres a superarem problemas decorrentes de paixões destrutivas. Os depoimentos foram colhidos por Marília e transformados em livro.

A iniciativa, sem dúvida, é boa. Divulgar o trabalho do MADA é importante, afinal muitas mulheres sofrem com a dependência excessiva nos relacionamentos, o que muitas vezes as faz perderem empregos, contato com a família, dignidade e até a própria vida. Mas a adaptação que Marília faz de cada depoimento deixa a desejar. Ela narra as histórias em primeira pessoa, se colocando no lugar daquelas mulheres, buscando agilidade e simplicidade nos relatos. Parece que sua intenção foi escrever como o povão fala, mas ficou artificial e pobre. Talvez se as próprias mulheres tivessem escrito suas histórias não soaria tão artificialmente coloquial.

Não estou desdenhando do ótimo talento como entrevistadora de Marília Gabriela, aliás sou fã dela nesse sentido, mas como porta-voz das 14 mulheres do MADA ela não foi muito feliz: como narradora, soa desajeitada e parece perder o controle de certos mecanismos que podem tanto enriquecer quanto empobrecer um texto, como as frases curtas, por exemplo, que são usadas à exaustão.

Enfim, é um livro que nada acrescenta a quem procura uma boa leitura, mas muito válido como divulgação de um problema que atinge mais mulheres do que possamos imaginar.

::: Eu que amo tanto ::: Marília Gabriela ::: Rocco, 2009, 128 páginas :::
::: compre no Submarino ou na Livraria Cultura :::


leia mais
A condição da mulher no mundo
Os medos de fêmeas e machos

8 comentários | Dê sua opinião

  1. Pingback: Alex

  2. Juan Moreno 04/03/2010 em 3:59 pm

    Eu tenho uma certa mania na hora de comprar/ler livros… aqueles que possuem o nome do autor maiores do que o título, normalmente querem vender pelo que o autor representa na mídia e não propriamente seu texto – talvez porque o texto em si não se venderia. Taí mais uma prova. Saudades dos pseudônimos!

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    • Ju Dacoregio 22/07/2010 em 6:47 pm

      Pois é Juan, concordo. Quando é uma auto-biografia ainda vá lá, ter o autor estampado em letras garrafais, fora isso, não há porque!
      abraço:)

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  5. Bosco 02/04/2010 em 10:49 am

    Nunca tinha ouvido falar no MADA, conheço uma pessoa maravilhosa que poderia ser ajudada por esse grupo. Ele está em todas as capitais?

    Responder
  6. Ju Dacoregio 10/04/2010 em 12:33 am

    Para saber os endereços e datas dos encontros do MADA, acesse:
    http://www.grupomada.com.br/pagina.php?x=enderecos&tit=enderecos
    ou envie e-mail para Grupo_MADA@hotmail.com

    Responder
  7. Alaer Garcia 09/09/2011 em 9:41 pm

    Pergunta indiscreta, mas amigavel.
    Sera que ela ja amou demais? O que é demais?- Desde Gothe ate Freud ou Nietszche ou Schopenhauer ou Heine?. Sera que esta na minha Caverna de Platao ?

    Responder

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