Fala que eu discuto

por Lelê Teles

PADRÓFILOS
O site da revista CartaCapital pergunta se o fim do celibato significaria também o fim dos casos de pedofilia. Ah, essa é mole. A resposta é não. Analisemos os casos de pedofilia. A grande maioria dos casos cometidos por membros (membros mesmo) da Santa Igreja tem como vítimas meninos. Percebe-se, sem muito esforço, que os padres preferem cu de menino homem. Não sei se casando com mulheres esses caras iriam perder o interesse por cu de menino. Para ilustrar, usemos o exemplo do velho Ló. Conta-se que Ló, sobrinho do patriarca Abraão, resolveu fazer a mesma enquete de CartaCapital, a saber: dois anjos do Senhor desceram à cidade em visita a Abraão e hospedaram-se na casa de Ló. Ao cair da noite, os homens da cidade cercaram a casa de Ló para terem relações sexuais com seus dois hóspedes. Ló, então, saiu em defesa dos anjos e ofereceu suas duas filhas virgens. Mas os caras retrucaram, como nos relata a Bíblia Sagrada: “Fala sério, seu Ló, não queremos meninas virgens, queremos o cu destes cabras”. O resto da história todo mundo sabe, fogo e enxofre cobriu o lar dos gomórricos sodomitas e a esposa de Ló, que nada tinha a ver com isso, foi petrificada. Moral da história: para acabar com os casos de pedofilia só jorrando fogo e enxofre sobre a Cidade do Vaticano.

FOME DE QUÊ?
Lula da Silva vai a Cuba. Sabe-se que Cuba é uma ditadura. Um preso faz greve de fome (por que diabos ninguém faz greve de sede?). E morre. Culpam Fidel pela morte do grevista. Ora, quem faz greve de fome e segue nela até o fim é um suicida. É ou não é? Queriam que Fidel fizesse o quê, forçasse o cara a comer? Aí diriam, Cuba é mesmo uma ditadura, um dissidente decide fazer greve de fome e Fidel faz dele um Foie Gras.

OS COMÍDIAS
Mister da Silva vai a Israel. Pela primeira vez na história um presidente brasileiro vai àquelas paragens. E a mídia vira-lata prefere a manchete negativa. Diz que Lula cometeu uma gafe ao não visitar o túmulo de Theodor Herzl, fundador do movimento sionista. Só que a ida ao túmulo foi malandramente posta no itinerário de Lula, sem prévio acerto com a comitiva brasileira. Mesmo assim, os jornais brasileiros acham que Lula cometeu uma gafe. O sionismo, para quem chegou agora, é um movimento político nacionalista encabeçado por uns fanáticos que desejam para si um estado independente e de maioria judaica, buscando uma organicidade, algo parecido com o ideal nazista. Os judeus não são uma raça, como todo mundo sabe. Tanto é que quando nasce uma menina a bênção judia diz: “Que Deus a abençoe como Sara, Rebeca, Raquel e Lia.” Ora, nenhuma dessas matriarcas eram judias de nascimento, todas foram convertidas ao judaísmo. O judaísmo é somente uma bela religião. Mas os nazistas e os sionistas pensam diferente. Muitos judeus não gostam nem um pouco deste Theodor Herzl e nenhum líder importante do mundo acendeu uma vela no túmulo deste senhor. Seria uma gafe se Lula o fizesse.

A LIBERDADE QUE IMPRENSA E O DEFICIENTES CÍVICOS
O Demo Demóstenes, o contra-cotas do partido racista e antidemocrático, disse, de forma cínica, que a miscigenação no Brasil se deu com o consentimento das estupradas. Para isso, valeu-se de uma orelhada em um livro de Gilberto Freyre, e de frases soltas e descontextualizadas, como convinha. Os repórteres da Folha, Laura Capiglione e Lucas Ferraz, contestaram a leitura canhestra de Demóstenes. E a própria Folha, pausa pra estupefação, pediu ao sociólogo Demétrio Magnoli, freqüentador do Instituto Milenium, que escrevesse na própria Folha chamando os jornalistas que contestaram o (anti)democrata de delinqüentes! Diga lá, tem conserto?

HÁ MALAS QUE VÊM PARA O DEM – TEMPORADA DE CASSA
Governador do DF até pouco tempo, José Roberto Arruda está em cana. É o primeiro governador na história que vai para o xilindró. O vice, PO, também do DEM, será o próximo. Leonardo (im)Prudente, do DEM, era o presidente da Câmara, um escroque. Gilberto Kassab (DEM) também teve o seu mandato cassado. Em 2008, Pedro Eliseu Filho (DEM), prefeito eleito de Araras (SP), foi cassado por abuso do poder econômico. O vereador Marco Aurélio Cunha (DEM), foi cassado por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, apontado como o campeão em doações irregulares. Se gritar pega ladrão, não fica um.

HELOÍSA HELENA, MARINA SILVA E O SUICÍDO POLÍTICO
Marina Silva acreditou que o partido verde iria amadurecer com a sua chegada. Marina distanciou-se de Lula e aproximou-se de Gabeira. Gabeira é aquela raposa velha e oportunista. Conhecido por sua fleuma e ridicularizado pela mídia pela velha tanga de crochê e pelas sementes de cânhamo que tentou trazer para o Brasil, virou herói no dia em que, irreconhecivelmente irascível, apontou o dedo para Severino Cavalcanti pedindo a sua renúncia, alegando que Severino era um despreparado. Só que, como todos sabemos, jabuti não sobe em árvore, se ele tá lá é porque alguém o colocou, e quem colocou Severino na presidência da Câmara? Ora, a turma do Gabeira. Gabeira chutou um cachorro morto. Agora convenceu Marina a ir para o PV, lançou a sua cândida candidatura e trouxe para apoiá-la o DEM e o PSDB, veja você. Agora Gabeira é César Maia. Juca Ferreira, ministro da Cultura, abandonou o PV e Heloísa Helena abandonou Marina. Heloísa Helena e Marina Silva são dois casos clássicos, dois cases, de suicídio político. Helô passou de senadora a vereadora e disso não passará; Marina virou um passarinho à mercê de estilingues e baladeiras.

DA BURQA AO TUBINHO
As mulheres ocidentais acham que ficam horrorizadas ao verem algumas mulheres muçulmanas usando burqas, mesmo sem saber que muitas mulheres gostam das burqas. O que mais as horroriza é o fato de que esta veste é uma imposição masculina, veja você. O fio dental não é também uma imposição masculina? Pois tente ir ao shopping de fio dental e logo surgirá um segurança (homem) que a fará vestir uma burca. Fio dental só onde eles permitem. E as mulheres magérrimas e irreais das revistas, não são imposições do universo masculino? As barriguinhas saradas não são imposições masculinas? Elas não dizem sempre “Ah, homem não gosta de mulher gorda, homem não gosta de mulher flácida, homens não gostam… homens!” Seu marido, minha senhora, não a obriga a vestir-se, como fazem os afegãos? E ele deixa a senhora usar decote, ele deixa a senhora usar bikini mínimo no churrasco dos amigos? Na França criaram uma lei que impede que as mocinhas muçulmanas vão às escolas usando chador, dizem que o chador é uma vestimenta religiosa e que a escola é laica. Muito bom, muito bonito. Mas e as mocinhas francesas não vão à escola com vestes cristãs? E a vestimenta ocidental não é uma vestimenta cristã? Pergunte aos ex-nus índios brasileiros.


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3 comentários | Dê sua opinião

  1. André Egg 25/03/2010 em 12:49 pm

    Muito pentelho eu, vir comentar uma bobagem destas.

    Digo isso porque o texto é muuuuuuito bom – e concordo com tudo, gosto de tudo, queria ter escrito isso tudo.

    Só uma coisinha, meio periférica. Sionismo é um movimento laico e de esquerda. Herzl nem era judeu (da religião judaica), e o partido que controlou o Estado de Israel desde sua fundação até pouco tempo atrás era o esquerdista e laico Partido Trabalhista.

    Os caras que fundaram e sustentam aquele país são uns loucos socialistas que foram lá viver em kibutzin – de modo que neste tema específico a redução caricata ficou desfuncional.

    No mais, o Lula não tinha que visitar o túmulo mesmo.

    E tem ainda a história do Ministro das Relações Exteriores de Israel, aquele porra-louca que não me lembro o nome (Liberman?). Diz a imprensa daqui que, em represália, ele se recusou a encontrar Lula. Mas foi bem o contrário – ele queria encontrar com Lula e não podia – ficou puto porque o protocolo manda que ele se encontrasse apenas com o Amorim.

    Em suma, os caras que estão no governo lá são uns amadores – nossa equipe é de profissionais. Por incrível que pareça!

    Responder
    • Daniel 25/03/2010 em 6:00 pm

      André, só uma observação: há o sionismo de extrema-direita também, profundamente racista, anti-árabe. E é esse sionismo que dá as cartas há muito tempo em Israel, razão pela qual figuras humanistas como David Grossman procuram se distanciar ao máximo do termo.

      Abs.

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  2. Bosco 31/03/2010 em 9:11 am

    Só há uma maneira de acabar com esses abusos na igreja. Entregar todos os que gostam da frase: “vinde a mim as criancinhas”, a policia, tirndo-lhes os votos, liberar o casamento de padres com homems ou com mulheres conforme o gosto de cda um. Diminuiria crimes como o dos dois recrutinhas na base aérea de Fortaleza, e o assassinato de muitos padres por garotos de programas como vem acontecendo muito no Ceará. Resumindo, os que gostam de adultos casariam sem problemas com homems ou mulheres, os que gostam de nenê seriam banidos e presos pois nem para babá serviriam.

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