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	<title>Comentários sobre: A autoridade da Bíblia na tradição protestante</title>
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	<description>Revista digital de atualidade e cultura</description>
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		<title>Por: Salomão Paulino</title>
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		<dc:creator>Salomão Paulino</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Aug 2011 13:25:05 +0000</pubDate>
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		<description>Texto maravilhoso.Parabéns pela exposição de seu conhecimento.
Me foi muito ultíl.Desde já agradeço a vossa preciosa dedicação ao
ensino da verdade das escrituras.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Texto maravilhoso.Parabéns pela exposição de seu conhecimento.<br />
Me foi muito ultíl.Desde já agradeço a vossa preciosa dedicação ao<br />
ensino da verdade das escrituras.</p>
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		<title>Por: A Bíblia e seus &#8220;autógrafos originais&#8221; &#124; Um drible nas certezas</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/03/2010/a-autoridade-da-biblia-na-tradicao-protestante/comment-page-1/#comment-11260</link>
		<dc:creator>A Bíblia e seus &#8220;autógrafos originais&#8221; &#124; Um drible nas certezas</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 21:25:27 +0000</pubDate>
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		<description>[...] A autoridade da Bíblia na tradição protestante [...]</description>
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		<title>Por: Juan Pablo</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/03/2010/a-autoridade-da-biblia-na-tradicao-protestante/comment-page-1/#comment-11171</link>
		<dc:creator>Juan Pablo</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Mar 2010 22:37:56 +0000</pubDate>
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		<description>Gostei muito do texto.

Realmente, o fundamentalismo é o conservadorismo levado às suas últimas consequências. Este foi seu surgimento nos EUA em princípios do século XX, esta tem sido sua história.

Porém, nas últimas décadas temos visto muitos fundamentalistas se esquivando desse rótulo devido ao mau uso que a imprensa de massas faz do termo, aplicando-o ao islamismo extremista, sem os devidos recortes históricos e sociológicos.

Assim sendo, muitos cristãos defensores das mesmas teologias e ideologias que historicamente originaram e alimentaram o movimento fundamentalista norte-americano, tentam evitar esse termo e se autodenominar simplesmente &quot;conservadores&quot;.
Conseguem fazer  isso, visto que o termo “conservador” é equívoco, sem contornos teológicos e ideológicos bem definidos.

Como bem se sabe, teólogos neo-ortodoxos como Barth e Brunner, que no Norte dos EUA e na Europa são considerados conservadores, são, por outro lado, tidos como “liberais” no Sul dos EUA (Bible Belt), “quartel general” do fundamentalismo estadunidense, que é justamente onde os teólogos evangélicos “conservadores” brasileiros costumam ir estudar.

Porém, o grande equívoco da maioria desses conservadores atuais a que me refiro, é o fato de, em princípios do século XXI, continuar querendo confundir mitos religiosos com eventos históricos.

Em nossos dias é impossível fazer uma exegese bíblica intelectualmente honesta sem levar realmente a sério as contribuições da História, Arqueologia, Antropologia, Sociologia, Paleontologia, Crítica Literária etc,

Muito embora os conservadores costumem negar que sua concepção de inspiração divina inclua a idéia do ditado divino, e afirmem levar em conta os contextos histórico-sociais dos autores bíblicos, bem como as metodologias de pesquisa acadêmica; o que eles fazem na verdade, é tentar tornar a “teologia”, entendida como sua dogmática pré-definida, a norma da pesquisa, já falseando previamente o resultado da mesma. 

Podemos ver isso no exemplo que o André deu nesse texto, sobre a centenária celeuma “Criação X Evolução”. 

Basta que o exegeta se mostre aberto à contribuição da biologia evolucionista, que prova de forma não só lógica argumentativa, mas também materialmente a evolução humana, para se ver contra-argumentado com base em jargões teológicos enlatados e desgastados tais como: &quot;se a Queda de Adão não é histórica (leia-se, um evento factual), a redenção por Cristo também não será por causa de Romanos 4.&quot; Ou seja: as ciências humanas e biológicas são, na concepção conservadora (leia-se, fundamentalista), meras ferramentas discursivas que visam tornar academicamente apresentável um discurso religioso baseado na aceitação acrítica de determindas doutrinas impostas de forma autoritária. 

O conservadorismo, via de regra, subordina a própria salvação individual do crente à adesão total a um corpus doutrinário considerado inquestionável.  
É uma tentativa de reeditar a escolástica medieval, quando a teologia era a &quot;rainha das ciências&quot;, quando o conhecimento produzido pelo ser humanos somente seria aceito se, e tão somente se, estivesse de acordo com a dogmática pré-aprovada.

A luta dos criacionistas evangélicos contra Darwin é uma reedição da luta da Inquisição do século XVII contra Galileu.

Por isso que, quando alguém mostra que nem mesmo os Reformadores, que viveram cinco séculos atrás, foram inerrantistas e literalistas como os fundamentalistas de hoje, argumenta-se de forma ingênua que suas citações estariam fora de contexto. 

Há a necessidade de se afirmar a inerrância não só do texto bíblico, mas até mesmo dos dogmas cristãos, uma vez que o evangélico médio é ensinado a crer que eles seriam auto-evidentes a partir da Bíblia. 
Com isso, se nega completamente a historicidade do discurso religioso.

Qual o evangélico que nunca ouviu em sua igreja que &quot;devemos orar por fulano que passou no vestibular, para que ele não perca a fé&quot;?

A própria fé é tornada sinônimo da aceitação de conceitos pré-científicos do cosmos.

Queira Deus que não nos tornemos uma filial do  Bible Belt norte-americano...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Gostei muito do texto.</p>
<p>Realmente, o fundamentalismo é o conservadorismo levado às suas últimas consequências. Este foi seu surgimento nos EUA em princípios do século XX, esta tem sido sua história.</p>
<p>Porém, nas últimas décadas temos visto muitos fundamentalistas se esquivando desse rótulo devido ao mau uso que a imprensa de massas faz do termo, aplicando-o ao islamismo extremista, sem os devidos recortes históricos e sociológicos.</p>
<p>Assim sendo, muitos cristãos defensores das mesmas teologias e ideologias que historicamente originaram e alimentaram o movimento fundamentalista norte-americano, tentam evitar esse termo e se autodenominar simplesmente &#8220;conservadores&#8221;.<br />
Conseguem fazer  isso, visto que o termo “conservador” é equívoco, sem contornos teológicos e ideológicos bem definidos.</p>
<p>Como bem se sabe, teólogos neo-ortodoxos como Barth e Brunner, que no Norte dos EUA e na Europa são considerados conservadores, são, por outro lado, tidos como “liberais” no Sul dos EUA (Bible Belt), “quartel general” do fundamentalismo estadunidense, que é justamente onde os teólogos evangélicos “conservadores” brasileiros costumam ir estudar.</p>
<p>Porém, o grande equívoco da maioria desses conservadores atuais a que me refiro, é o fato de, em princípios do século XXI, continuar querendo confundir mitos religiosos com eventos históricos.</p>
<p>Em nossos dias é impossível fazer uma exegese bíblica intelectualmente honesta sem levar realmente a sério as contribuições da História, Arqueologia, Antropologia, Sociologia, Paleontologia, Crítica Literária etc,</p>
<p>Muito embora os conservadores costumem negar que sua concepção de inspiração divina inclua a idéia do ditado divino, e afirmem levar em conta os contextos histórico-sociais dos autores bíblicos, bem como as metodologias de pesquisa acadêmica; o que eles fazem na verdade, é tentar tornar a “teologia”, entendida como sua dogmática pré-definida, a norma da pesquisa, já falseando previamente o resultado da mesma. </p>
<p>Podemos ver isso no exemplo que o André deu nesse texto, sobre a centenária celeuma “Criação X Evolução”. </p>
<p>Basta que o exegeta se mostre aberto à contribuição da biologia evolucionista, que prova de forma não só lógica argumentativa, mas também materialmente a evolução humana, para se ver contra-argumentado com base em jargões teológicos enlatados e desgastados tais como: &#8220;se a Queda de Adão não é histórica (leia-se, um evento factual), a redenção por Cristo também não será por causa de Romanos 4.&#8221; Ou seja: as ciências humanas e biológicas são, na concepção conservadora (leia-se, fundamentalista), meras ferramentas discursivas que visam tornar academicamente apresentável um discurso religioso baseado na aceitação acrítica de determindas doutrinas impostas de forma autoritária. </p>
<p>O conservadorismo, via de regra, subordina a própria salvação individual do crente à adesão total a um corpus doutrinário considerado inquestionável.<br />
É uma tentativa de reeditar a escolástica medieval, quando a teologia era a &#8220;rainha das ciências&#8221;, quando o conhecimento produzido pelo ser humanos somente seria aceito se, e tão somente se, estivesse de acordo com a dogmática pré-aprovada.</p>
<p>A luta dos criacionistas evangélicos contra Darwin é uma reedição da luta da Inquisição do século XVII contra Galileu.</p>
<p>Por isso que, quando alguém mostra que nem mesmo os Reformadores, que viveram cinco séculos atrás, foram inerrantistas e literalistas como os fundamentalistas de hoje, argumenta-se de forma ingênua que suas citações estariam fora de contexto. </p>
<p>Há a necessidade de se afirmar a inerrância não só do texto bíblico, mas até mesmo dos dogmas cristãos, uma vez que o evangélico médio é ensinado a crer que eles seriam auto-evidentes a partir da Bíblia.<br />
Com isso, se nega completamente a historicidade do discurso religioso.</p>
<p>Qual o evangélico que nunca ouviu em sua igreja que &#8220;devemos orar por fulano que passou no vestibular, para que ele não perca a fé&#8221;?</p>
<p>A própria fé é tornada sinônimo da aceitação de conceitos pré-científicos do cosmos.</p>
<p>Queira Deus que não nos tornemos uma filial do  Bible Belt norte-americano&#8230;</p>
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	<item>
		<title>Por: André Tadeu</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/03/2010/a-autoridade-da-biblia-na-tradicao-protestante/comment-page-1/#comment-11113</link>
		<dc:creator>André Tadeu</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 17:46:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.amalgama.blog.br/?p=1739#comment-11113</guid>
		<description>Caro José Maurício, boa tarde.

Amigo, também acredito que deixamos nossas opiniões claras. Agora, vamos aguardar as prováveis contribuições de outros (as) leitores (as) a respeito deste assunto realmente fascinante. Realmente você acertou em cheio; pelo que notei, nossa grande divergência se encontra na teoria da inerrância nos ditos originais. Não creio nesta inspiração verbal nem nos escritos originais, pois da mesma forma, Deus estaria transformando os escritores em meros copistas, sem vontade própria.

Sobre a ratificação da autoridade bíblica pelo testemunho interno do Espírito Santo e não em argumentos racionais e científicos, ela não me parece tão predominante em círculos evangélicos brasileiros, amigo José Maurício! Cansei de ouvir palestras, pregações e etc de pessoas que querem provar a historicidade de tudo o que se encontra na Bíblia. Gente que confunde o mito, que é uma forma de verdade simbólica, com a razão. Quando você escuta, por exemplo, um Adauto Lourenço explicando que o monstro marinho citado no AT é, na verdade, um dinossauro, torna-se clara esta atitude de se querer provar a bíblia por um viés “científico”.

No mais, agradeço sua paciência em ler minhas intermináveis e chatas respostas, assim como a paciência em refutá-las sempre com educação. Não bastando, apesar de nossas posições divergentes, somos cristãos, e integrantes da mesma família reformada que, apesar do que é ensinado por determinados grupos, é vasta e não se enquadra em uma fórmula de ser ‘ reformado”. De Hodge até Moltmann, todos somos devedores a Calvino .

Podemos marcar, sim, uma conversa sobre vários temas, inclusive sobre futebol, ainda mais agora, quando o glorioso São Paulo Futebol Clube ruma em direção ao tetra da libertadores(RS). Você tem meu e-mail.

A respeito de meu perfil espiritual, você pode conhecê-lo um pouco mais aqui mesmo no Amálgama

Abraços
André

http://www.amalgama.blog.br/02/2010/confissoes-de-um-evangelico-progressista/</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro José Maurício, boa tarde.</p>
<p>Amigo, também acredito que deixamos nossas opiniões claras. Agora, vamos aguardar as prováveis contribuições de outros (as) leitores (as) a respeito deste assunto realmente fascinante. Realmente você acertou em cheio; pelo que notei, nossa grande divergência se encontra na teoria da inerrância nos ditos originais. Não creio nesta inspiração verbal nem nos escritos originais, pois da mesma forma, Deus estaria transformando os escritores em meros copistas, sem vontade própria.</p>
<p>Sobre a ratificação da autoridade bíblica pelo testemunho interno do Espírito Santo e não em argumentos racionais e científicos, ela não me parece tão predominante em círculos evangélicos brasileiros, amigo José Maurício! Cansei de ouvir palestras, pregações e etc de pessoas que querem provar a historicidade de tudo o que se encontra na Bíblia. Gente que confunde o mito, que é uma forma de verdade simbólica, com a razão. Quando você escuta, por exemplo, um Adauto Lourenço explicando que o monstro marinho citado no AT é, na verdade, um dinossauro, torna-se clara esta atitude de se querer provar a bíblia por um viés “científico”.</p>
<p>No mais, agradeço sua paciência em ler minhas intermináveis e chatas respostas, assim como a paciência em refutá-las sempre com educação. Não bastando, apesar de nossas posições divergentes, somos cristãos, e integrantes da mesma família reformada que, apesar do que é ensinado por determinados grupos, é vasta e não se enquadra em uma fórmula de ser ‘ reformado”. De Hodge até Moltmann, todos somos devedores a Calvino .</p>
<p>Podemos marcar, sim, uma conversa sobre vários temas, inclusive sobre futebol, ainda mais agora, quando o glorioso São Paulo Futebol Clube ruma em direção ao tetra da libertadores(RS). Você tem meu e-mail.</p>
<p>A respeito de meu perfil espiritual, você pode conhecê-lo um pouco mais aqui mesmo no Amálgama</p>
<p>Abraços<br />
André</p>
<p><a href="http://www.amalgama.blog.br/02/2010/confissoes-de-um-evangelico-progressista/" rel="nofollow">http://www.amalgama.blog.br/02/2010/confissoes-de-um-evangelico-progressista/</a></p>
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	<item>
		<title>Por: Jose Maurício Passos Nepomuceno</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/03/2010/a-autoridade-da-biblia-na-tradicao-protestante/comment-page-1/#comment-11100</link>
		<dc:creator>Jose Maurício Passos Nepomuceno</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 09:49:49 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.amalgama.blog.br/?p=1739#comment-11100</guid>
		<description>Bom dia, caro André! 

Foi uma semana bem interessante neste debate. Não creio que prolongá-lo seja benéfico, pois pode tornar-se cansativo e entediante. Mas foi boa a experiência, em particular de conhecer mais um estudante disposto a defender um ponto de vista. 

Por enquanto, estamos na mesma direção. Deixe-me descrever o que percebo: 

a) protestantismo conservador não é definido pela palavra fundamentalismo; 
b) exageros do fundamentalismo ambos pontuam (você mais que eu) como erros;
c) escolasticismo protestante segue o anterior;
d) primordialmente: inspiração verbal/teoria do ditado: NÃO!
e) cremos na inspiração das Escrituras (tenho a impressão que ambos cremos, mas percebo que existem algumas diferenças em nosso pensamento a este respeito). 

Acho que estes pontos resumem onde chegamos e devo dizer que há uma boa concordância entre nós. O que explicaria porque os liberais também têm algumas resistências à você, como você disse em uma das suas respostas. 

Divergiremos em um ponto (há um grande indício de...): O que é e qual a abrangência da Inspiração divina das Escrituras?

INSPIRAÇÃO DINÂMICA (ORGÂNICA) DAS ESCRITURAS
Em palavras simples, segundo o meu entendimento, sem eloquentes citações de autores, reformadores, ou quaisquer outras autoridades, apenas a convicção pessoal e de muitos outros colegas pastores, cristãos do convício, para o leitor &quot;mediano&quot; também poder compreender, pois o autor é &quot;menos que mediano&quot;.  


A inspiração das Escrituras
Esta tem haver principalmente com o &quot;registro&quot; do texto sagrado. Ou seja, Deus, por uma ação divina operada pelo seu espírito, conduziu homens, como a Bíblia diz  &quot;santos&quot; (com um uso bastante técnico e não moral da palavra) com a finalidade de fazer conhecida sua doutrina, inspirando-os a registrar o que Ele quis, não eliminando a auto-consciência do autor humano, mas usando seu conhecimento pessoal, recursos intelectuais e outros elementos que os envolviam, CONTUDO (eis o ponto que creio divergiremos) preservando do registro que tais autores incluíssem no texto final (os autógrafos originais, diga-se de passagem) impressões, opiniões, doutrinas pessoais que Deus não quisesse que fizesse parte do mesmo. Isto implica em que, além de conter os vestígios claros da mente humana nos escritos bíblicos, podemos notar o seu DNA divino. 

Você citou e não eu, mas vou usar assim mesmo, a fala de Calvino sobre o fato de que a inspiração das Escrituras não pode ser provada cientificamente, mas pertence ao campo da fé: ainda: “Aqueles que desejam provar aos incrédulos que a Escritura é a palavra de Deus estão agindo tolamente, pois isto somente pode ser sabido mediante a fé” (Institutas 1.8).

Estes dias, ponderei sobre este assunto com um colega que é um grande estudioso do texto bíblico (Rev. Wilson de Angelo Cunha) e ele me levou a uma conclusão, com a qual concordei em absoluto: a crença na inspiração das Escrituras é um ato de fé, pois a mesma não pode ser provada pelos métodos científicos de observação, assim como a própria existência de Deus. 

Este é a posição típica da maioria absoluta dos cristãos que eu conheço. Como sou do círculo presbiteriano, posso dizer dentro deste reduto que você (creio eu) postula encontrar boa parte dos &quot;fundamentalistas&quot; literalistas. 

Na parte final do seu texto, na verdade, já dentro do texto do teólogo 
&quot;Bertolaso&quot;, há um bom número de afirmações sobre os paralelos entre os registros escriturísticos bíblicos e outras escrituras antigas de outros povos. Particularmente, não tenho dificuldade alguma para aceitar que a &quot;inspiração das Escrituas&quot; tenha tomado por empréstimo através do conhecimento do autor humano, ou então, tenha chegado às mesmas conclusões que outras tradições religiosas antigas. Afinal, se creio que existe um Deus Criador e que a história dos homens deriva-se da mesma fonte, afinal, Deus não teria criado várias humanidades, mas apenas uma, não é de se estranhar que em várias regiões, muitos homens ainda soubessem algo sobre a história deste Deus e seu mundo (mesmo que compreensivamente, encontremos aproximações e distâncias em tais relatos). 

O que a inspiração faz com os autores bíblicos é que eles registrem estas histórias, segundo seu conhecimento e, em alguns textos, revelação especialíssima de Deus (ex: apocalipse), sendo tal registro preservados da inclusão de material fora dos limites da vontade de Deus. 

Creio que isto dá uma direção sobre a opinião do protestantismo conservador sobre o assunto inspiração dinâmica da Palavra de Deus. Certamente, algumas arestas do entendimento de alguns textos irão aparecer sobre nossa compreensão do texto bíblico, entretanto, temos alguns pontos de partida em comum. 

Estou grato pela chance de posicionar-me, agradeço sua compreensão, parabenizo pela honestidade de suas respostas. POdemos sim nos encontrar para um boa conversa sobre o modo como abordamos o texto da Escritura praa a exposição da verdade ali presente, falar de futebol, história em quadrinhos e outros temas...

Na morte vicária de Cristo, Deus o abençoe!  

José Maurício Passos Nepomuceno</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Bom dia, caro André! </p>
<p>Foi uma semana bem interessante neste debate. Não creio que prolongá-lo seja benéfico, pois pode tornar-se cansativo e entediante. Mas foi boa a experiência, em particular de conhecer mais um estudante disposto a defender um ponto de vista. </p>
<p>Por enquanto, estamos na mesma direção. Deixe-me descrever o que percebo: </p>
<p>a) protestantismo conservador não é definido pela palavra fundamentalismo;<br />
b) exageros do fundamentalismo ambos pontuam (você mais que eu) como erros;<br />
c) escolasticismo protestante segue o anterior;<br />
d) primordialmente: inspiração verbal/teoria do ditado: NÃO!<br />
e) cremos na inspiração das Escrituras (tenho a impressão que ambos cremos, mas percebo que existem algumas diferenças em nosso pensamento a este respeito). </p>
<p>Acho que estes pontos resumem onde chegamos e devo dizer que há uma boa concordância entre nós. O que explicaria porque os liberais também têm algumas resistências à você, como você disse em uma das suas respostas. </p>
<p>Divergiremos em um ponto (há um grande indício de&#8230;): O que é e qual a abrangência da Inspiração divina das Escrituras?</p>
<p>INSPIRAÇÃO DINÂMICA (ORGÂNICA) DAS ESCRITURAS<br />
Em palavras simples, segundo o meu entendimento, sem eloquentes citações de autores, reformadores, ou quaisquer outras autoridades, apenas a convicção pessoal e de muitos outros colegas pastores, cristãos do convício, para o leitor &#8220;mediano&#8221; também poder compreender, pois o autor é &#8220;menos que mediano&#8221;.  </p>
<p>A inspiração das Escrituras<br />
Esta tem haver principalmente com o &#8220;registro&#8221; do texto sagrado. Ou seja, Deus, por uma ação divina operada pelo seu espírito, conduziu homens, como a Bíblia diz  &#8220;santos&#8221; (com um uso bastante técnico e não moral da palavra) com a finalidade de fazer conhecida sua doutrina, inspirando-os a registrar o que Ele quis, não eliminando a auto-consciência do autor humano, mas usando seu conhecimento pessoal, recursos intelectuais e outros elementos que os envolviam, CONTUDO (eis o ponto que creio divergiremos) preservando do registro que tais autores incluíssem no texto final (os autógrafos originais, diga-se de passagem) impressões, opiniões, doutrinas pessoais que Deus não quisesse que fizesse parte do mesmo. Isto implica em que, além de conter os vestígios claros da mente humana nos escritos bíblicos, podemos notar o seu DNA divino. </p>
<p>Você citou e não eu, mas vou usar assim mesmo, a fala de Calvino sobre o fato de que a inspiração das Escrituras não pode ser provada cientificamente, mas pertence ao campo da fé: ainda: “Aqueles que desejam provar aos incrédulos que a Escritura é a palavra de Deus estão agindo tolamente, pois isto somente pode ser sabido mediante a fé” (Institutas 1.8).</p>
<p>Estes dias, ponderei sobre este assunto com um colega que é um grande estudioso do texto bíblico (Rev. Wilson de Angelo Cunha) e ele me levou a uma conclusão, com a qual concordei em absoluto: a crença na inspiração das Escrituras é um ato de fé, pois a mesma não pode ser provada pelos métodos científicos de observação, assim como a própria existência de Deus. </p>
<p>Este é a posição típica da maioria absoluta dos cristãos que eu conheço. Como sou do círculo presbiteriano, posso dizer dentro deste reduto que você (creio eu) postula encontrar boa parte dos &#8220;fundamentalistas&#8221; literalistas. </p>
<p>Na parte final do seu texto, na verdade, já dentro do texto do teólogo<br />
&#8220;Bertolaso&#8221;, há um bom número de afirmações sobre os paralelos entre os registros escriturísticos bíblicos e outras escrituras antigas de outros povos. Particularmente, não tenho dificuldade alguma para aceitar que a &#8220;inspiração das Escrituas&#8221; tenha tomado por empréstimo através do conhecimento do autor humano, ou então, tenha chegado às mesmas conclusões que outras tradições religiosas antigas. Afinal, se creio que existe um Deus Criador e que a história dos homens deriva-se da mesma fonte, afinal, Deus não teria criado várias humanidades, mas apenas uma, não é de se estranhar que em várias regiões, muitos homens ainda soubessem algo sobre a história deste Deus e seu mundo (mesmo que compreensivamente, encontremos aproximações e distâncias em tais relatos). </p>
<p>O que a inspiração faz com os autores bíblicos é que eles registrem estas histórias, segundo seu conhecimento e, em alguns textos, revelação especialíssima de Deus (ex: apocalipse), sendo tal registro preservados da inclusão de material fora dos limites da vontade de Deus. </p>
<p>Creio que isto dá uma direção sobre a opinião do protestantismo conservador sobre o assunto inspiração dinâmica da Palavra de Deus. Certamente, algumas arestas do entendimento de alguns textos irão aparecer sobre nossa compreensão do texto bíblico, entretanto, temos alguns pontos de partida em comum. </p>
<p>Estou grato pela chance de posicionar-me, agradeço sua compreensão, parabenizo pela honestidade de suas respostas. POdemos sim nos encontrar para um boa conversa sobre o modo como abordamos o texto da Escritura praa a exposição da verdade ali presente, falar de futebol, história em quadrinhos e outros temas&#8230;</p>
<p>Na morte vicária de Cristo, Deus o abençoe!  </p>
<p>José Maurício Passos Nepomuceno</p>
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		<title>Por: André Tadeu</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/03/2010/a-autoridade-da-biblia-na-tradicao-protestante/comment-page-1/#comment-11095</link>
		<dc:creator>André Tadeu</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 19:32:46 +0000</pubDate>
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		<description>Olá José Maurício, tudo bem? Espero que sim.

Vamos ao debate. Considero este o espaço pertinente para tal, o que não impede uma conversa pessoal a respeito deste fascinante tema. Se desejar, pode me procurar em meu e-mail.
O amigo afirma que o fundamentalismo deve ser lido de acordo com seu contexto histórico. Concordo piamente! A intenção inicial deste humilde texto foi apenas demonstrar que o conceito de inspiração verbal, predominante em ampla maioria do universo evangélico brasileiro, seja histórico, pentecostal e neo-pentecostal, não tem sua base no pensamento original dos reformadores. Uso como exemplo sempre Calvino, pois a respeito de Lutero pode-se alegar que o mesmo, no afã da batalha, não teve condição de sistematizar sua doutrina. Com Calvino a situação é claramente diferente. A clássica obra “Instituição da Religião Cristã” não pode ser considerada uma grande sistemática, haja vista a intenção clara de Calvino: escrever de maneira retórica, sendo claro e compreensível para o leitor mediano. Não obstante, é inegável que as Institutas organizaram temas doutrinários em um formato de suma. Se você analisar todas as edições deste livro, onde o pensamento de Calvino evolui ao ponto de a edição de 1559 possuir um número bem superior de capítulos e temas abordados, não verá nada próximo ao conceito de inspiração verbal. É esta a temática básica de meu artigo.
A respeito do fundamentalismo, propriamente dito, ainda irei escrever sobre o mesmo. Mas, em respeito ao amigo, vou tecer alguns comentários em  cima de seu último post. É relativamente “ compreensível “ ( e coloco várias aspas neste compreensível ) a reação dos evangélicos estadunidenses conservadores no tocante aos desafios da modernidade. Assim, os chamados cinco pontos ( Inspiração da Bíblia, Nascimento Virginal de Cristo, Sacrifício Vicário de Cristo, Historicidade dos Milagres e Ressurreição Corpórea ) são completamente aceitáveis para um cristão mediano. Acreditar nestes dogmas não o torna um fundamentalista obscurantista. O problema é que o movimento não parou nestes tópicos, mas em sua paranóia diante de assuntos como: evolucionismo, socialismo, catolicismo-romano, liberalismo teológico e etc, criou um verdadeiro “Silabo de Erros” protestante, bastante semelhante ao famoso documento promulgado pelo Papa Pio IX, grande expoente do conservadorismo ultramontano católico-romano. Vários fascículos da série “ Os Fundamentos “ fogem claramente dos chamados cinco pontos, praticamente sacralizando o modo de vida da classe média estadunidense. Será que foi uma coincidência o fato destes fascículos terem sido bancados por magnatas do segmento do Petróleo?  Acredito que não!
No tocante ao darwinismo, grande tara dos fundamentalistas, até “compreendo” (e dá-lhe mais aspas) sua reação de repúdio no início do século 20, deixando sempre claro que muitos cristãos na época não viram nenhuma incompatibilidade entre a teoria evolucionista e o cristianismo. Afinal, era uma teoria que estava sendo construída.
Mas agora, em pleno século 21, após o desenvolvimento da genética, da enormidade de registros fósseis encontrados, não há como negar que a idéia darwinista é a mais adequada para explicar o surgimento da vida através de um prisma científico. Resumindo, a evolução é um fato científico! Mas como se comportam os fundamentalistas modernos? Insistem em um criacionismo tosco completamente desmantelado pela ciência ou utilizam a máscara sutil do design inteligente!  De acordo com sua idéia, meu amigo, os próprios fundamentalistas é que perderam o bonde da história. Mas, infelizmente, não tomaram conhecimento disso.

A respeito da chamada escolástica protestante, o companheiro não deixa de ter certa razão. Não podemos julgá-la com nossos olhos pós-iluminismo. Realmente era necessário o estabelecimento de certos pilares. Agora, analisando os frutos desta escolástica dentro do próprio protestantismo, a história mostra que foram amargos. A verdadeira guerra travada entre reformados (calvinistas) e luteranos por causa de temas absolutamente secundários, como: santa ceia, forma de culto, forma da predestinação e etc, foi responsável pela perda de importantes territórios. Ao invés de uma união entre todos os grupos evangélicos, desejo, este, manifestado por parcela significativa dos reformadores, o que surgiu foi um verdadeiro ódio generalizado entre os diferentes grupos. Resultado? Os jesuítas reconquistaram todo o território sul da Alemanha, Polônia e Hungria! Até mesmo o debate salutar com teólogos católico-romanos dispostos a um entendimento visando sanar a dolorosa divisão na igreja ocidental foi abortado.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá José Maurício, tudo bem? Espero que sim.</p>
<p>Vamos ao debate. Considero este o espaço pertinente para tal, o que não impede uma conversa pessoal a respeito deste fascinante tema. Se desejar, pode me procurar em meu e-mail.<br />
O amigo afirma que o fundamentalismo deve ser lido de acordo com seu contexto histórico. Concordo piamente! A intenção inicial deste humilde texto foi apenas demonstrar que o conceito de inspiração verbal, predominante em ampla maioria do universo evangélico brasileiro, seja histórico, pentecostal e neo-pentecostal, não tem sua base no pensamento original dos reformadores. Uso como exemplo sempre Calvino, pois a respeito de Lutero pode-se alegar que o mesmo, no afã da batalha, não teve condição de sistematizar sua doutrina. Com Calvino a situação é claramente diferente. A clássica obra “Instituição da Religião Cristã” não pode ser considerada uma grande sistemática, haja vista a intenção clara de Calvino: escrever de maneira retórica, sendo claro e compreensível para o leitor mediano. Não obstante, é inegável que as Institutas organizaram temas doutrinários em um formato de suma. Se você analisar todas as edições deste livro, onde o pensamento de Calvino evolui ao ponto de a edição de 1559 possuir um número bem superior de capítulos e temas abordados, não verá nada próximo ao conceito de inspiração verbal. É esta a temática básica de meu artigo.<br />
A respeito do fundamentalismo, propriamente dito, ainda irei escrever sobre o mesmo. Mas, em respeito ao amigo, vou tecer alguns comentários em  cima de seu último post. É relativamente “ compreensível “ ( e coloco várias aspas neste compreensível ) a reação dos evangélicos estadunidenses conservadores no tocante aos desafios da modernidade. Assim, os chamados cinco pontos ( Inspiração da Bíblia, Nascimento Virginal de Cristo, Sacrifício Vicário de Cristo, Historicidade dos Milagres e Ressurreição Corpórea ) são completamente aceitáveis para um cristão mediano. Acreditar nestes dogmas não o torna um fundamentalista obscurantista. O problema é que o movimento não parou nestes tópicos, mas em sua paranóia diante de assuntos como: evolucionismo, socialismo, catolicismo-romano, liberalismo teológico e etc, criou um verdadeiro “Silabo de Erros” protestante, bastante semelhante ao famoso documento promulgado pelo Papa Pio IX, grande expoente do conservadorismo ultramontano católico-romano. Vários fascículos da série “ Os Fundamentos “ fogem claramente dos chamados cinco pontos, praticamente sacralizando o modo de vida da classe média estadunidense. Será que foi uma coincidência o fato destes fascículos terem sido bancados por magnatas do segmento do Petróleo?  Acredito que não!<br />
No tocante ao darwinismo, grande tara dos fundamentalistas, até “compreendo” (e dá-lhe mais aspas) sua reação de repúdio no início do século 20, deixando sempre claro que muitos cristãos na época não viram nenhuma incompatibilidade entre a teoria evolucionista e o cristianismo. Afinal, era uma teoria que estava sendo construída.<br />
Mas agora, em pleno século 21, após o desenvolvimento da genética, da enormidade de registros fósseis encontrados, não há como negar que a idéia darwinista é a mais adequada para explicar o surgimento da vida através de um prisma científico. Resumindo, a evolução é um fato científico! Mas como se comportam os fundamentalistas modernos? Insistem em um criacionismo tosco completamente desmantelado pela ciência ou utilizam a máscara sutil do design inteligente!  De acordo com sua idéia, meu amigo, os próprios fundamentalistas é que perderam o bonde da história. Mas, infelizmente, não tomaram conhecimento disso.</p>
<p>A respeito da chamada escolástica protestante, o companheiro não deixa de ter certa razão. Não podemos julgá-la com nossos olhos pós-iluminismo. Realmente era necessário o estabelecimento de certos pilares. Agora, analisando os frutos desta escolástica dentro do próprio protestantismo, a história mostra que foram amargos. A verdadeira guerra travada entre reformados (calvinistas) e luteranos por causa de temas absolutamente secundários, como: santa ceia, forma de culto, forma da predestinação e etc, foi responsável pela perda de importantes territórios. Ao invés de uma união entre todos os grupos evangélicos, desejo, este, manifestado por parcela significativa dos reformadores, o que surgiu foi um verdadeiro ódio generalizado entre os diferentes grupos. Resultado? Os jesuítas reconquistaram todo o território sul da Alemanha, Polônia e Hungria! Até mesmo o debate salutar com teólogos católico-romanos dispostos a um entendimento visando sanar a dolorosa divisão na igreja ocidental foi abortado.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Jose Maurício Passos Nepomuceno</title>
		<link>http://www.amalgama.blog.br/03/2010/a-autoridade-da-biblia-na-tradicao-protestante/comment-page-1/#comment-11074</link>
		<dc:creator>Jose Maurício Passos Nepomuceno</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 10:00:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.amalgama.blog.br/?p=1739#comment-11074</guid>
		<description>Olá André! 

Dando continuidade à sua tese de paternidade do fundamentalismo, ligando-o ao DNA do protestantismo conservador, fazendo-me saltar do início do século XX ao remoto século XVII, buscanso estas raízes no Escolasticismo Protestante, eu pontuaria algumas observações. 

Primeiro - Qual o problema do fundamentalismo? 
Dizem que os fundamentalistas se tornaram obscurantistas. De fato é a visão geral que deles se produziu em sua época, pelos mais diversos motivos e, em minha opinião, por um mais específico: o questionamento das teses darwinianas. 
Eu procuro manter sempre o mesmo método: o contexto de cada um determina as suas ações e o peso de suas palavras. Como numa briga entre marido e mulher, pode ocorrer o uso de palavras exageradas com a finalidade de demarcar um ponto de vitória. 
Os chamados &quot;fundamentalistas&quot;, reagiram ao seu tempo, como já disse em um post anterior. Isto provoca ponderações coerentes, mas também exageros e argumentos excessivos. 
Mas a tendência é que os debates e os embates sejam amenizados com o tempo e o cessar do fogo mais intenso. Como nas brigas de casais, depois há espaço para uma posição mais ponderada e palavras mais amenas. 
Estes exercícios de defesa-ataque deixam os seus resultados para as gerações que seguem. 
Portanto, o fundamentalismo não representa nenhuma ameaça tão séria à inteligência humana, à preservação de um cristianismo bíblico sensível às necessidades humanas como se tenta impor nos dias atuais, foi apenas um momento mais intenso de controvérsias, tal qual o período escolástico protestante. 
Obviamente, quando fazemos a releitura destes períodos com o olhar do século XXI, sua produção parece incoerente e, muitas vezes, demasiado agressivo. 

O problema do Escolasticismo Protestante - Século XVII

Não tenho condições de trabalhar com academicismo, apenas com algumas reminiscências, afinal não estou produzindo nenhum texto para finalidade acadêmica. 
Qual o panorama geral deste período. Bem, em resumo, podemos dizer que o período apaixonado da reforma protestante está acabando e os namorados precisam sentar e conversar sobre o futuro. 
Este período anterior ao iluminismo filosófico deu lugar a uma importante ação por parte da igreja católica romana, a chamada, Contra-Reforma. Esta, por sua vez, tentava fazer regredir o protestantismo luterano e calvinista, em particular na Alemanha, mas em toda a Europa. Sua proposta era uma recuperação da &quot;Escolástica Católica&quot;, fazendo prevalecer o pensamento Aristotélico e Tomista da filosofia católica. 
Outro aspecto desta área é que, algumas doutrinas basilares da Reforma precisavam ser revistas e estabelecidas sobre critérios filosóficos mais sólidos. Entre os protestantes, diferentemente dos romanistas, havia o livre exame das Escrituras, o que naturalmente geraria posicionamentos diferentes sobre determinadas doutrinas (só para lembrar, pense na questão da Santa Ceia, ainda no período dos reformadores iniciais). 
Para sobreviver ao ataque contra-reformado dos católicos, um dos prinicipais trabalhos seria a elaboração de pontos fundamentais de acordo entre os protestantes, para que o reino não permanecesse tão dividido. Daí o período do chamado &quot;Escolaticismo Protestante&quot; ser tão intenso na produção das grandes confissões reformadas. 
Veja, novamente retomo a questão histórica contextual. Não podemos dizer que havia obscurantismo por parte dos teólogos daquela época. Havia uma demanda que gerava uma reação. Mais uma vez, surge um daqueles momentos em que você deve se posicionar firmemente para se estabelecer contra os que apontam armas contra você (no caso deles, algumas vezes foi literal). Desse tempo de tensão surge posicionamentos oportunos e outros exagerados. Contudo, fazer a leitura a partir dos seus textos, com a mentalidade assentada em um contexto de século XXI, poderá nos levar a injustiças históricas. 
Não sou um expert em teologia escolástica, mas não acho que este monstro tenha realmente tantos tentáculos quanto os pintores atuais propõem em seus trabalhos. Pois as grandes confissões reformadas, o grande fruto deste período (minha opinião) perduram até hoje, passando por todas as diversas épocas de embates tais como o período cientificista e fundamentalista, o período neo-ortodoxo, as guerras mundiais, o pentecostalismo, o surgimento da espiritualidade neo-pentecostal etc. 

Tudo bem... aonde quero chegar? 

De forma simples, desejo dizer: 

- O Fundamentalismo Cristão era uma reação enérgica aos problemas de sua época;
- O Escolasticismo Protestante era uma reação enérgica aos problemas de sua época;
- Em ambos, havia gente preparada para dar estas respostas, as quais, por vezes, foram conduzidas pelo calor dos momentos à posicionamentos necessários, que vistos hoje parecem exageros; 
- Por outro lado, seus legados também produziram coisas boas e precisamos fazer justiça ao seu trabalho; 
- Por fim, caso você insista em questão de paternidade e fazer o protestantismo histórico continuar sendo o pai destes filhos, tudo bem. Penso que a verdadeira paternidade esteve sempre ligada às demandas destas épocas e, no caso dos escolásticos protestantes, durante a guerra dos trinta anos, as demandas giravam em torno de problemas muito sérios. 

Não sei se será possível. Se você me permite continuar o debate. Mas gostaria de discordar um pouco da tese de que estes movimentos se basearam na inspiração mecânica das Escrituras, que isto foi o enfoque principal dos seus argumentos. Também, caso me seja permitido, gostaria de falar sobre a Inspiração Dinâmica ou Orgânica que marca o protestantismo histórico em todos estes momentos. 

Caso não seja este o fórum para uma discussão desta natureza, talvez possamos combinar um encontro para uma discussão amigável, de preferência tomando um café. 

Grande abraço a todos!





um método de avaliação 


Tomando por base sua proposta da paternidade do fundamen



INSPIRAÇÃO DINÂMICA (OU ORGÂNICA)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá André! </p>
<p>Dando continuidade à sua tese de paternidade do fundamentalismo, ligando-o ao DNA do protestantismo conservador, fazendo-me saltar do início do século XX ao remoto século XVII, buscanso estas raízes no Escolasticismo Protestante, eu pontuaria algumas observações. </p>
<p>Primeiro &#8211; Qual o problema do fundamentalismo?<br />
Dizem que os fundamentalistas se tornaram obscurantistas. De fato é a visão geral que deles se produziu em sua época, pelos mais diversos motivos e, em minha opinião, por um mais específico: o questionamento das teses darwinianas.<br />
Eu procuro manter sempre o mesmo método: o contexto de cada um determina as suas ações e o peso de suas palavras. Como numa briga entre marido e mulher, pode ocorrer o uso de palavras exageradas com a finalidade de demarcar um ponto de vitória.<br />
Os chamados &#8220;fundamentalistas&#8221;, reagiram ao seu tempo, como já disse em um post anterior. Isto provoca ponderações coerentes, mas também exageros e argumentos excessivos.<br />
Mas a tendência é que os debates e os embates sejam amenizados com o tempo e o cessar do fogo mais intenso. Como nas brigas de casais, depois há espaço para uma posição mais ponderada e palavras mais amenas.<br />
Estes exercícios de defesa-ataque deixam os seus resultados para as gerações que seguem.<br />
Portanto, o fundamentalismo não representa nenhuma ameaça tão séria à inteligência humana, à preservação de um cristianismo bíblico sensível às necessidades humanas como se tenta impor nos dias atuais, foi apenas um momento mais intenso de controvérsias, tal qual o período escolástico protestante.<br />
Obviamente, quando fazemos a releitura destes períodos com o olhar do século XXI, sua produção parece incoerente e, muitas vezes, demasiado agressivo. </p>
<p>O problema do Escolasticismo Protestante &#8211; Século XVII</p>
<p>Não tenho condições de trabalhar com academicismo, apenas com algumas reminiscências, afinal não estou produzindo nenhum texto para finalidade acadêmica.<br />
Qual o panorama geral deste período. Bem, em resumo, podemos dizer que o período apaixonado da reforma protestante está acabando e os namorados precisam sentar e conversar sobre o futuro.<br />
Este período anterior ao iluminismo filosófico deu lugar a uma importante ação por parte da igreja católica romana, a chamada, Contra-Reforma. Esta, por sua vez, tentava fazer regredir o protestantismo luterano e calvinista, em particular na Alemanha, mas em toda a Europa. Sua proposta era uma recuperação da &#8220;Escolástica Católica&#8221;, fazendo prevalecer o pensamento Aristotélico e Tomista da filosofia católica.<br />
Outro aspecto desta área é que, algumas doutrinas basilares da Reforma precisavam ser revistas e estabelecidas sobre critérios filosóficos mais sólidos. Entre os protestantes, diferentemente dos romanistas, havia o livre exame das Escrituras, o que naturalmente geraria posicionamentos diferentes sobre determinadas doutrinas (só para lembrar, pense na questão da Santa Ceia, ainda no período dos reformadores iniciais).<br />
Para sobreviver ao ataque contra-reformado dos católicos, um dos prinicipais trabalhos seria a elaboração de pontos fundamentais de acordo entre os protestantes, para que o reino não permanecesse tão dividido. Daí o período do chamado &#8220;Escolaticismo Protestante&#8221; ser tão intenso na produção das grandes confissões reformadas.<br />
Veja, novamente retomo a questão histórica contextual. Não podemos dizer que havia obscurantismo por parte dos teólogos daquela época. Havia uma demanda que gerava uma reação. Mais uma vez, surge um daqueles momentos em que você deve se posicionar firmemente para se estabelecer contra os que apontam armas contra você (no caso deles, algumas vezes foi literal). Desse tempo de tensão surge posicionamentos oportunos e outros exagerados. Contudo, fazer a leitura a partir dos seus textos, com a mentalidade assentada em um contexto de século XXI, poderá nos levar a injustiças históricas.<br />
Não sou um expert em teologia escolástica, mas não acho que este monstro tenha realmente tantos tentáculos quanto os pintores atuais propõem em seus trabalhos. Pois as grandes confissões reformadas, o grande fruto deste período (minha opinião) perduram até hoje, passando por todas as diversas épocas de embates tais como o período cientificista e fundamentalista, o período neo-ortodoxo, as guerras mundiais, o pentecostalismo, o surgimento da espiritualidade neo-pentecostal etc. </p>
<p>Tudo bem&#8230; aonde quero chegar? </p>
<p>De forma simples, desejo dizer: </p>
<p>- O Fundamentalismo Cristão era uma reação enérgica aos problemas de sua época;<br />
- O Escolasticismo Protestante era uma reação enérgica aos problemas de sua época;<br />
- Em ambos, havia gente preparada para dar estas respostas, as quais, por vezes, foram conduzidas pelo calor dos momentos à posicionamentos necessários, que vistos hoje parecem exageros;<br />
- Por outro lado, seus legados também produziram coisas boas e precisamos fazer justiça ao seu trabalho;<br />
- Por fim, caso você insista em questão de paternidade e fazer o protestantismo histórico continuar sendo o pai destes filhos, tudo bem. Penso que a verdadeira paternidade esteve sempre ligada às demandas destas épocas e, no caso dos escolásticos protestantes, durante a guerra dos trinta anos, as demandas giravam em torno de problemas muito sérios. </p>
<p>Não sei se será possível. Se você me permite continuar o debate. Mas gostaria de discordar um pouco da tese de que estes movimentos se basearam na inspiração mecânica das Escrituras, que isto foi o enfoque principal dos seus argumentos. Também, caso me seja permitido, gostaria de falar sobre a Inspiração Dinâmica ou Orgânica que marca o protestantismo histórico em todos estes momentos. </p>
<p>Caso não seja este o fórum para uma discussão desta natureza, talvez possamos combinar um encontro para uma discussão amigável, de preferência tomando um café. </p>
<p>Grande abraço a todos!</p>
<p>um método de avaliação </p>
<p>Tomando por base sua proposta da paternidade do fundamen</p>
<p>INSPIRAÇÃO DINÂMICA (OU ORGÂNICA)</p>
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