O novo Código de Ética Médica
por Guilherme Scalzilli – O infeliz adoece e telefona para marcar uma consulta. O “convênio” (eufemismo para plano de saúde) só é atendido duas vezes por semana, e nas próximas oito não há horários. Temendo morrer antes de ser atendido, o desvalido aceita.
Quando chega o dia, já não percebe qualquer sintoma. Vai porque marcou e, afinal, pode ser alguma doença indolor. Mandam esperar. Há uns trezentos e vinte doentes espremidos na salinha, olhos vazios à televisão que exibe desenhos animados e madames cozinhando. Crianças choram, velhos dormem, e vice-versa. As revistas, rasgadas, comidas, são vetustas: uma capa anuncia o apagão elétrico de FHC. E por que sempre a maldita Veja?
Hora e meia depois, chamam. O médico é um grosseirão à paisana, dedos sujos, barba por fazer, bafo, cabelos desgrenhados. Manda sentar, mandando mesmo, como se anunciasse um bofete. Finge que ouve as queixas do incauto, não faz qualquer pergunta, rabisca uma receita em garranchos ilegíveis e levanta-se. Acabou.
O desrespeito é a regra do atendimento fornecido pelos planos privados. Nem todas as especialidades são cobertas, clínicos gerais “atendem” quase todo tipo de emergências nos hospitais, os funcionários são brucutus, muitos consultórios não possuem condições de higiene ou conforto, as enfermeiras parecem torturadoras medievais e os médicos… serão de fato médicos?
Claro, há o risco da generalização irresponsável. Mas, em se tratando de assunto tão delicado, uma simples ocorrência dessas já seria inaceitável; e, convenhamos, não se trata de infortúnios isolados. Alguém ponderaria, prenhe de razão, que o sistema público de saúde é imensamente pior. Sim, também pagamos por ele. Só que um absurdo não anula o outro.
Planos privados baseiam-se justamente na presunção da inviabilidade da alternativa estatal. Arrecadam quantias assombrosas para estabelecer relações de consumo com seus clientes, dividindo direitos e obrigações contratuais, submetidos a regulação e fiscalização. Mas, na vida real, transformam as contrapartidas legais em deveres unilaterais exclusivos do paciente. Administradores, médicos, laboratórios, clínicas e hospitais arvoram-se as prerrogativas mais variadas, inclusive aquelas que põem em risco a vida e o bem-estar do idiota que os financia. Ele que esteja em dia com os pagamentos, senão pode morrer num corredor qualquer.
Muito poderia ser feito para refrear o descaso. Eis um exemplo tímido: exigir que os médicos lavrem pareceres após toda consulta. Não precisaria ser um tratado; bastariam algumas palavras num pedaço de papel, o mesmo que encaminhará exames ou prescreverá o medicamento. Esse mísero comentário serviria como documento para coibir diagnósticos estúpidos ou preguiçosos, além de possibilitar ao paciente leigo a comparação com outras avaliações. E note-se que ninguém está exigindo que as receitas sejam impressas, datilografadas ou algo assim. Aliás, pensando bem…
Restaria ao cidadão fazer suas contas e decidir entre ser lesado como consumidor ou como contribuinte (e, garanto, uma das alternativas parecerá menos onerosa, inútil e frustrante). Acontece que grande parte dos usuários recebe o convênio como benefício de seus empregadores, não podendo, portanto, mudar de plano quando quer. Geralmente nem reclamam, temendo parecer ingratos ou insubordinados. E os Procons negam-se a reconhecer esse relacionamento como questão de sua alçada, pois afirmam que apenas a empresa contratante pode reivindicar a observância contratual.
O corporativismo da classe médica parece imbatível graças à força dos mil lobbies em ação no Congresso. Como toda guilda poderosa, os Conselhos de Medicina impedem qualquer legislação específica, alegando que um certo código de ética seria suficiente para coibir desvios de conduta. Balela, evidentemente. A última coisa de que um doente lembrará será enfrentar burocracia e humilhações para submeter profissionais ao julgamento de seus semelhantes.
Não chega a surpreender que uma revisão no Código de Ética Médica esteja sendo empreendida na surdina, sem divulgação pela imprensa ou qualquer discussão pública. A página Portal Médico informa sobre o assunto e possibilita alguma participação do público (http://www.portalmedico.org.br/modificacaocem/index.asp). Se podemos nos apegar ao pouquíssimo que nos resta, este é o momento de inquirir e pressionar os revisores – mesmo que depois só exista o consolo da vã tentativa.
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Pingback: Janaína Kadosh
A discussão sobre o novo código de ética visa remover entulhos autoritários e não reforça a tal propalada “visão corporativa” nele imbutido. O que não é verdade. Parece-me que o autor tomou um caso particular de um doente, que provavelmente não teria condições de pagar um plano de saúde, e somente tem acesso ao Sistema Suplementar de Saúde, através de sua empresa. O que no momento atual é um privilégio, pois com a nova crise mundial, em qualquer país do mundo é um luxo – ter um emprego e com plano de saúde – e que é coisa só de brasileiros. A história da medicina privada no nosso país se inicia já no descobrimento, mantendo-se como o único acesso à saúde para todos os colonos (senhores e escravos) até a primeira década do século XX. Hoje ocorre um fenômeno econômico de crise que há algum tempo é notório. A classe média não tem mais dinheiro para pagar seu plano de saúde, indo bater nas portas do SUS – o maior plano de saúde do mundo, que atende cerca de 187 milhões de pessoas – pagando por consulta o valor de R$ 10,70. Os planos de saúde, regulados pela Lei 9656/98 veem desde o ano 2000, tentando defender os consumidores, numa lógica econômica de que estes não tem o poder de barganhar os preços dos seus planos, que pagam em média R$ 30,00 por consulta ao médico. No caso citado no artigo, mesmo não tendo mais nenhum sintoma, o sujeito vai ao médico – que faz a sua renda mensal pelo volume de atendimentos, visto o preço da consulta – e saí reclamando que recebeu apenas uma receita. É notório e intrinseco no imaginário do paciente que se o Doutor não pediu nenhum exame, ou mesmo não lhe passou nenhuma receita, isso quer dizer: “Este médico não presta”. O conselho federal de medicina, bem como os conselhos regionais, tentam a todo custo fazer com que os pacientes, tanto no SUS, como no Sistema Suplementar (privado), como nos Sistemas Militares, tenham atendimento médico digno, em local apropriado e que o profissional seja remunerado dignamente pelos seus serviços, pois vidas são postas em suas mãos. Cabe a pergunta bastante pertinente, feita em campanha por todo o Brasil: “Quanto fale o médico”, e quantos profissionais seriam capazes de, após no mínimo nove anos de estudo se sujeitarem a receberem os salários e honorários aviltantes que lhes são pagos. A questão não será resolvida pelo simples código de ética, pois todos os dias vemos a Constituição, as Leis do SUS e as Leis dos Planos de Saúde serem rasgadas pelos políticos e poderosos. Estes sim que ao longo de todos estes anos veem a saúde somente como um ítem de campanha em época de eleição. Os conselhos municipais, criados para fiscalizar o sistema público são manipulados, do Ministro da Saúde ao Secretário de Saúde. Do mais simplório Município do país são ali colocados por interesse político. Talvez devessêmos lembrar a recente imagem do Sr. Presidente Lula lançando camisinhas no Sambódromo do Rio. Isto custou ao nosso bolso a bagatela de R$ 48 milhões e quem as pegou pagou no mónimo R$ 500,00 para estar ali.
Refletir sobre as condições sócios economicas da saúde do Brasil é algo bastante sério, e caso como o relatado pelo articulista, deve ser bem compreendids pelos aspectos histórico, político e econômico do nosso país.
Professor Dr Aroldo Moraes Junior
Médico e PhD em Economia da Saúde pela University of Yoork
Conselheiro Auditor para investimento em saúde do Banco Mundial.
peço para interferir no codigo de etica do escritor e tambem do jornalista e do historiador e do blogueiro da internet e do resto todo!
pois se o nobre trabalhador acima requer o direito de interferir no codigo de etica de uma area a qual nao sabe NADA e por nao saber NMADA é historiador e nao MEDICO quero poder ter o direito de me meter no codigo de etica da internet e em tantos outros por ai!
por que o medico é culpado pelos problemas do seu convenio?
ja se perguntou quanto o medico recebe pra salvar a sua vida?
ja se perguntou o quanto vale isso?
enquanto isso temos os jornalistas e advogados de porta de hospital prontos a destruir carreirtas de homens e mulheres que estudaram anos e anos pra receber muito mal aguentar os maiores desaforos e ainda por cima serem os culpados da desonestidade de alguns planos de saude e do SUS por terem condutas limitrofes em su]ituacoes limitrofes
meta -se com o que voce entende
assim como esses outros … cada um faça o seu trabalho e nao se intrometa na profissao dos outros
dar um laudo no fim da consulta 1 vez d]que se ve o doente!
divirto me! pelo menos percebo que voce deve admirar muito os medicos pois dar um laudo ao fim de cada consulta é qyuerer deus fazendo consulta… ou entao e querer dar subsidios para advogados e pacientes e jornalistas e escritores para mais uma vez teb]ntar destruir pessoas boas que nao querem aparecer por ai dizendo coisas sem nexo e sem nenhum conhecimento so pra angariar mais fas!
detestei suas falas
e tenho o direito a detesta-las em publico assim como voce pode coloca-las em publico
tomara que esteja com saude Guilherme e que o seu medico de costume nao tenha lido isso pois podera nao querer mais atende-lo o que é direito dele! caso voce esteja importunando-o
Aroldo, há pertinência em alguns pontos de seu texto, contudo, o que está descrito no artigo não remete somente ao iletrado que tem acesso à rede particular por conta da empresa, ele se remete a mim, letrada, com nível superior, que passa pela mesma situação embaraçosa e agravante de um quadro de frágil estado de saúde.
Depois de nove anos de estudo, ter que se sujeitar ao aviltante salário? Quem está livre disso atualmente? Quem ganha bem Sr. PhD? Não será esse mais um caso da cegueira causada pelos muros das universidades, em que grandes estudiosos estão tão longe da realidade do mundo que já deixaram de entender a realidade do mundo? Num país em que 10% (ok, posso ter errado nessa porcentagem, não chequei) da população não tem emprego, que as pessoas ganham salário mínimo, todos se sentem aviltados, pode apostar!
Em todo caso, tenho certeza que usarei fragmentos desse artigo na carta de desligamento do plano de saúde, que trata a mim e ao iletrado sem distinção nenhuma: Lixos humanos infectos e desprezíveis.
Cara Sra Gabi,
Minha experiência, ao contrário do que possa ter sido percebido por você, não advém dos estudos intramuros de uma instituição acadêmica. Ela é fruto de várias e incontáveis auditorias em saúde no Brasil e nos cinco continentes, onde percebemos não só as mazelas do nosso povo, como de muitos outros. Só para lhe citar um exemplo: em auditoria feita por mim em Ruanda, país centro africano com uma população de cerca de 2,3 milhões de habitantes – alvo de uma guerra civil em 1994, onde foram ceifadas mais de 300 mil vidas – constatei que para atender toda a esta população existem somente três anestesistas, sendo um local e dois pertencentes aos médicos sem fronteiras. Portanto, cara senhora, falo com a propriedade de quem percorre a realidade de nosso país e a de outros, não estando sentado na cadeira de uma universidade.
Atenciosamente,
Prof Dr Aroldo Moraes Junior
Medico e Phd em Economia da Saúde pela University of York
Conselheiro Auditor do Banco Mundial – ONU
Quer dizer que se o manobrista não for bem pago ele ganha o direito de arranhar o carro do cliente? Se o piloto receber menos do que vale, ele pode jogar o avião no aeroporto? Se o professor ganha pouco, tudo bem o aluno nunca ser alfabetizado? Ninguém precisa se responsabilizar por nada?
Concordo que o problema não é solucionado apenas pelo código de ética (principalmente no país do jeitinho). Mas daí a culpar forças superiores, única e exclusivamente…
O mundo não é feito só pelos ricos e poderosos. Aliás, no país da impunidade, que diferença faz quem é o culpado?
Resumindo,
esse Prof Dr Aroldo Moraes Junior
Medico e Phd em Economia da Saúde pela University of York
Conselheiro Auditor do Banco Mundial – ONU, se enquadraria perfeitamente no perfil de médico citado no artigo.
Resumindo o que? Não entendi…
É interessante observar que muitos dos espaços como este são utilizados para desabafos e não para discussão, pois são poucos que apresentam argumentos coerentes, com preocupação sincera em abordar o problema sem superficialidade. Isso sem falar nas ofenças gratuitas, que desviam o tema central da discussão. Me parece com aquele pensamento das torcidas organizadas, em que a diferença de categoria serve de canal para expressão das frustrações diante de um sistema injusto. Freud explica.
Por fim, temos a reprodução dos mesmos conflitos sociais que alimentam o processo o qual criticamos, quando poderáiamos utilizar esse meio para realmente gerar uma mudança de atitude e um bem comum.
Precisamos de argumentos. Argumentos e evidências.
Olá Gui. Gostei muito do seu texto, e tenho que concordar com você quando o assunto é (convênio médico).
Sendo eu mulher de um médico já abordamos em inumeras conversas esse tema e não chegamos a um concenso, ou seja não dá para saber o que é PIOR quando o assunto é saude.
Entrando no pensamento do Sr. Eliseu abaixo argumentarei e colocarei propostas para mudança de atitude:
Tenho inúmeras passagem pelo (plano de saude publico e privado) umas boas outras não, o fato é que com os planos de saúde nós esquecemos da importância da relação Médico&Paciente. Ou seja, pelo plano vamos a qq profissional que esta lá credenciado e não temos nenhuma afinidade com aquele médico, e muito menos referência. Somente focamos em (NÃO PAGAR A CONSULTA), ai nos estrepamos como o autor, meu amigo Guilherme relatou no texto.
Outro aspecto vergonhoso são os contratos, neles existem as famosas carências e número máximo de exames que podem ser realizados mensalmente (leiam o que o Plano de Saude do seu empregador oferece) . Se vc tiver que fazer 1 tomografia por dia para acompanhar a evolução de um trauma, e o contrato só cobre um por mês e vc está la internado, de duas uma, ou vc paga, ou vc vai para o SUS. Se os profissionais do Hospital forem descentes e exercerem a profissão com dignidade vc passa para o SUS e recebe o tratamento devido sem saber, senão irão pedir para seus familiares um gordo cheque. Sem contar nos “médicos” que mesmo dentro de um Hospital 100% SUS cobram pelo procedimento…
Denunciem esse profissional para a Diretoria do Hospital e se for o Hospital que está cobrando faça uma queixa crime contra a instituição e também denuncie para os orgãos regulamentadores. Pois em um Hospital que atende SUS e Particular não existe cota para um serviço ou para outro, estas instituições tem que prestar todo o socorro a sua vida.
Quanto ao código de ética e as inúmeras resoluções do CFM, se ouvesse fiscalização e nosso conhecimento destas “leis” o mais importante na minha opinião, não estariamos sujeitos a essa carnificina. Um exemplo é o próprio antagonismo do Código de Ética e os Planos de Saude. O primeiro diz que é vedado o comércio da medicna, e o segundo o comercializa… Dá para entender? Eu não entendo!
Só sei que não existe um culpado, e não podemos culpar 100% os médicos, mesmo achando que a classe muito colaborou para estar tão desprestigiada. Nem esperar que uma legislação ou um codigo de ética resolva esse problema. Temos sim que exercer nosso papel de cidadão buscar conhencimento de nossos direitos e deveres, saber dos direitos e deveres que quem nos prestam serviço.
Mas enquanto essa consiência é de uma minoria, tento valer os meus direitos e deveres escrevendo isso para quem sabe ajudar, e esclarecer mais pessoas.
E para não prejudicar minha saude e não disperdiçar o montante que pago para o plano de saude e para o IR faço o seguinte: Pago pela consulta em um medico de confiança, não se esqueçam que a RELAÇÃO MÉDICO PACIENTE não tem cobertura do plano de saude. Se necessário for uma internação me interno em um bom hospital que atende pelo Convênio e pelo SUS. E se for necessário realizar exames vou a um laboratório de confiança.
Como saber se o laboratório é de confiança, se o médico e bom, se o hospital tem recursos?
Hoje temos uma excelente ferramenta a internet, onde estão disponíveis foruns de discuções sobre diversos temas, inclusive sobre os da medicina, e para saber do médico referencia pessoal é o melhor caminho, quem aqui não tem um amigo médico, ou médico na família, ou uma tia que conhece um Dr? Consulte com ele(a), ou peça que ele indique um colega. Consultar o CRM é sempre bom, no site do http://www.portalmedico.org.br tem essa ferramenta, basta digitar no local apropriado o nome ou o CRM do profissional para ver se está ativo ou não.
O fato é que pelo montante de impostos que pagamos não deveria existir PLANO DE SAUDE.
Concordo que a situação dos planos de saúde (público e privado) é complicada, além da relação entre médico e paciente ser bem conturbada. Achei excelente o artigo o Guilherme e os comentários postados aqui. No que pude perceber, há defensores de ambos os lados, dos médicos e do lado dos pacientes, como o ph lá e a Gabi. Já o comentário da Telma levantou os dois lados e não ficou, na minha opinião, de nenhum deles.
Meu comentário está meio vago, pois não tenho muitos argumentos para defender um dos lados, mas sei que as pessoas não confiam nos médicos e vice-versa (não estou generalizando, nem todos pensam assim). Gostei bastante do argumento levantado pelo Eliseu, no que diz respeito a usar este espaço para desabafos e não discussão . Porém, não sentei na frente do pc para ficar lendo o que os outros escreveram e só concordar ou não com o que dizem. Vou expor meus pensamentos. Na minha opinião, o código de ética tem de ser mudado sim. Eu tenho somente 16 anos e sonho em ser médico. Já o li o código todo e sei tudo o que ficou pendente ao meu ver.
Se esse código fosse tão perfeito, não haveriam reclamações por parte de pacientes e nem de médicos. Pessoas morrem todos so dias na fila de um hospital a espera de um milagre que nunca chega. Também vem a falcer de desgosto com a falta de humanidade de alguns profissionais. Não protejo os pacientes, pois eles também não são santos, mas são tratados como lixo muitas vezes. Não há médicos nos hospitais (não são todos). Os que lá estão, às vezes não são especialistas na enfermidade dos pacientes e quase de nada adianta. Enquanto esse e outros problemas perdurarem, o código de ética deve ser alterado, estabelecendo atendimento digno aos pacientes e tratamento digno aos prestadores do serviço da arte da cura.
Atenciosamente e aradecido por me permitirem expor minhas idéias
Daniel Ribeiro Diniz.
Apenas uma dúvida: o que deve ser mudado no Código de Ética Médica ?
Acho que em vez de ser mudado deveria sim era ser cumprido.
Outra dúvida : por que estaria sendo manipulado na “surdina” ?
Obrigado.
Eduardo Rodrigues – Médico.
Generalização banal…
Chega a ser triste…
Dr.Aroldo ,concordo plenamente com o senhor, pois sou médica auditora e nós conseguimos ter uma visão mais ampla da coisa que para os leigos é mais difícil ,mal sabem eles que nos bastidores nós os defendemos e ajudamos muito mais que alguns poderosos e também filosofos que se quer sabem que o conceito de saúde vai muito além da palavra médico ,tem saneamento, cultura ,segurança pública e vários outros itens que afetam diretamente a saúde do ser humano.Quanto a nossa profissão infelizmente sempre leio nessas discusssões coisas do mais baixo calão ao nosso respeito.As pessoas revoltadas deviam denunciar os maus profissionais ao invés de mal tratarem a todos.Isto é muito triste, pois como em todas as profissões existem bons e maus ,não é a profissão que dita a índole da pessoa.
Até que enfim………Alguém tem que dizer a essas pessoas que a realidade que nós vivemos é muito diferente daquela imaginada.Estamos sendo tratados como inimigos.Parabéns!
Não sei porque o CFM/CRMs vão alterar o Código de Ética dos Médicos!
Eles mesmos não o cumprem quando analisam as denúncias dos cidadão vítimas – ou de seus familiares – de negligência, imprudência e/ou impericia médica.
Seus laudos/pareceres administrativos são eivados de falsas verdades, omissões grosseiras pois, certos da impunidade e, assim, nivelam a medicina por baixo.
Mentiram ardilosamente, com a maior desfaçatez, nos laudos/pareceres a respeito da denúncia (de médicos) que fiz em decorrência da negligência/imprudência ocorrida com a minha mãe, em 2004, no Hospital Quinta D’Or (R.J).
desejo saber o que diz respeito a infração no artigo 45 do código de étca médica
Não vou comentar o poste. Vou fazer um desabafo: Minha esposa (TEM PLANO DE SAUDE), sentiu uma forte dor nas costa, levei ao clinico que encaminhou ao nefrologista pediu exames e encaminhou ao gastro que pediu exames e encaminhou ao angioLogista que pediu exames e encaminhou ao ortopedista que enrrolou passando um analgésico.
A dor voltou quando o analgésico passou o efeito. Levei a um clinico particular que de posse dos exames pediu outros e diagnosticou o problema. Sarou a minha esposa.
Ufa! Que maratona cara e desnecessária tive que cumprir. Gastei dinheiro, gasolina, estacionamento, tempo e uma prestação cara com o plano que não resolveu o problema quando precisei.
Alguem pode me dizer por que isso é tão comum e impossivel de melhorar?
Lamentavelmente, estamos atravessando mudanças neste País que há poucos anos saiu de uma ditadura militar, para viver hoje o que chamam utopicamente de “socialismo democrático”, que caminha inexoravelmente para uma ditadura de esquerda. Tudo agora é público, socializado. Saúde é direito do cidadão e dever do Estado. Mas desde quando o Estado cumpre com seu dever? Esta situação lastimável em que a saúde se encontra é devida a escolas médicas que foram abertas sem as minimas condições. Só pra gerar quantidade, e as medicinas de grupo diminuirem a qualidade de atendimento por preços “populares”. E daí persiste a frase de um economista americano da decada de 60 “Quase nada no mundo existe que alguem não possa fazer um pouco pior por um pouco menos, e a vitima deste alguem é aquela que foca apenas no preço”. O codigo de ética precisava ser mudado, mas não nos termos em que nós medicos somos escravos de um sistema . Ficamos sujeitos a intervenção de leigos, principalmente da classe de jornalistas, que agora acham que podem tudo porque a lei de imprensa caiu… é preciso que cada classe profissional se esmere na proficiencia tecnica e na honestidade de propositos, sem conspurcar os seus respectivos codigos de ética como ervas daninhas que se vergam diante do vendaval vindouro da foice e do martelo, simbolo tão execrável quanto a cruz suastica. Qual o destino da liberdade do médico que, por estudar mais, saber mais e estar mais preparado que seus pares, ganhará somente o que consta numa tabela injusta feita por incompetentes que querem nivelar por baixo toda uma classe? E ainda se fala em corporativismo? É preciso dar um basta nessa hipocrisia politica para construirmos um país melhor para nossas gerações vindouras. E manter o direito que um profissional tem de enriquecer pela capacidade e pelos seus resultados, e jamais por atos ilicitos por seres abomináveis que se dizem representantes do povo brasileiro!
Doutor ANDRÉ como o senhor pode ser tão corporativista a ponto de querer defender sua “bendita” classe, atacando uma pessoa que mostra uma realidade que só “vocês” que pensam, por terem estudado anos e anos, serem “semideuses”. Ora, Doutor André, muitas outras profissões também estudam anos e anos e não são tão arrogantes como o senhor; que de maneira infeliz faz uma ameaça indireta no seu último parágrafo. Ainda bem que a medicina honesta e séria não é feita apenas de “doutores Andrés”. O tiro saiu pela culatra, seria melhor o senhor rever sua maneira de defender sua “bendita” classe. NÃO SOU MÉDICO, NÃO SOU HISTORIADOR, NEM MESMO CONHEÇO O SENHOR GUILHERME, APENAS SOU MAIS REALISTA NA DEFESA DAS CLASSES, QUAISQUER QUE SEJAM ELAS.
Fácil de se ver que este assunto não tem uma solução fácil. É fato que a população não dispõe, numa grande proporção, do atendimento que gostaria, seja no Sus, seja em convênios. Os motivos são vários: serviços médicos desestruturados, poucos profissionais, profissionais despreparados (técnica ou humanamente despreparados), profissionais desestimulados, profissionais cansados(é verdade!). Verdade também que existem lugares piores (e também melhores) que aqui. Verdade também que os motivos desse problema são muitos: educacionais, sócio-econômico-culturais, políticos, corrupção, maus profissionais, má-formação, etc. Gente, os médicos antes de tudo são pessoas, falíveis, cheias de defeitos (como todoas as outras) e também de virtudes, que erram e acertam, que se alegram e também se entristecem. Verdade que alguns se sentem semi-deuses. Lamento. Porém, encontro este fenômeno em todas as outras profissões (ou não?). Temos bons e maus médicos, engenheiros, manicures, serventes, advogados,etc. Compartilho com partes da preocupação e da visão de todos os que me antecederam. Seria importante que a população tivesse acesso ao debate sobre o ato médico, e também sobre os problemas que enfrentamos diariamente. Talvez assim, nos ajudassem e compreendessem melhor o quão é dura, hoje, esta profissão. Compartilho também que é mais fácil para o médico entender melhor sobre a sua profissão e por isso ter condições mais reais de discutir seus problemas, mas sem a necessidade de querer ser o dono da verdade(que por si só aparece quando os fatos são honestamente explicados). Seria estranho se assim não o fosse. Ora! Quem melhor para opinar sobre as dificuldades dos professores senão eles mesmos? Sim. A classe médica ainda tem um bom salário quando comparado com a maioria da população brasileira. O problema é que a nossa população é que tem um remuneração muito aquém do que deveria. Agora gente, só quem tem um parente médico sabe dos sacrifícios destes. Basta ver onde estão os maiores índices de depressão, separação, suicídio. A carga tributária: aviltante! A qualidade de vida não tá boa. Sei que não somos os únicos não. Agora uma pergunta: você preferiria consultar-se num belo consultório, confortável, com um médico descançado, barbeado, que tem tempo e recursos para se atualizar e se especializar(custa caro!), ou noutro com características opostas? Eu, com certeza no primeiro! Sou médico. Me formei com aquele sonho de ajudar o próximo. Às vezes, é difícil de ajudar até a si mesmo! Acerto, outras vezes penso que poderia ter feito melhor. Rimos. Choramos. Não somos melhores e nem piores que ninguém. É assim em todas as outras profissões! Como melhorar (e podemos melhorar, e vamos melhorar) ? Com muito trabalho, educação, com afirmação e luta por valores éticos como honestidade, empenho e respeito com o próximo e com a coisa pública, e sobretudo com AMOR. Mas, esse é um trabalho meu, seu e de todos. Não adianta apenas ficarmos achando que a boa vida é a do próximo. A defesa da ética começa mesmo e até nos pequenos detalhes. Respeito e compreendo a opinião e peocupação de todos vocês. Colegas médicos: sigamos em frente! Obrigado!