Crítica musical à prova de som

por Daniel Lopes – Tá, vamos dar um pouco de publicidade pra Gazeta de Alagoas. No dia 28 de fevereiro último, enquanto este que vos escreve completava 25 anos de vida, o diário publicava uma, digamos assim, resenha do disco Contra todos, o novo do Dead Fish, banda capixaba radicada em São Paulo.

Este Amálgama publicou uma resenha do CD, dias atrás — segundo ela, ou seja, segundo eu, este é o melhor disco do DF entre os outros bons e ótimos que havia lançado antes. A resenhista da Gazeta, por outro lado, não gostou do disco. E daí, o que temos a ver com isso? A moça está em seu direito, não? O problema é que a menina, Elexsandra Morone, é preconceituosa, e, sendo assim, também ninguém é obrigado a gostar do que ela escreve.

Em três parágrafos, a mulher diz não apenas que “não parece”, mas o Dead Fish está “na estrada há 18 anos”, e que “Contra todos é ruim do começo ao fim”; mas também que “talvez não dê mesmo para esperar alguma profundidade desse tal de hardcore”, vertente do rock adotada pela banda. Ora, isso é preconceito! Sim, a mulher tem direito a ser preconceituosa contra um gênero musical (pelo menos, os jornais ainda empregam esse tipo de gente em seus “Caderno B”), mas imaginem alguém escrevendo que não se pode esperar nada que preste “desse tal” de samba, ou “dessa tal” de Bossa Nova.

Não resta dúvidas de que a moça nunca pegou um dos discos antigos do Dead Fish — segundo ela, a banda “tenta fazer música a quase duas décadas”. E, pra falar a verdade, tenho cá minhas dúvidas de que sequer ela ouviu o disco que iria resenhar. “Letras que retratam o cotidiano dos integrantes do quarteto durante as viagens e em São Paulo”? Então as letras do disco no geral tratam disso?! Só se for as letras de outro disco… “A faixa ‘Asfalto’, por exemplo, trata de um episódio em que policiais pararam a van do grupo”. Um único trecho da música trata disso, a faixa não foi feita para tratar desse episódio. Acho que a Elexsandra apenas passou a vista pelo encarte.

E mesmo se “a faixa ‘Asfalto’” “tratasse” apenas disso, e que todas as outras lhe seguissem o rastro, “retratando o cotidiano dos integrantes do quarteto” (na verdade, a maioria das faixas é politizada, mas eu não sei se a menina sabe o que é isso), por que ela concluiu que não se pode esperar profundidade alguma “desse tal de hardcore”? Provavelmente porque ouviu dezenas de outros discos do gênero com o mesmo empenho com que ouviu o Contra todos.

Como se não houvessem letras ridículas em qualquer estilo musical. Tempos atrás, Daniel Piza publicou em seu blog uma lista de músicas da MPB com letras de baixo calibre. Como se não fosse verdade que as letras intimistas e politizadas de um Dead Fish rivalizam com as de um Legião Urbana. Mas raramente, na Gazeta de Alagoas como nas gazetas de São Paulo, Rio ou qualquer lugar deste imenso país, se vê um “jornalista cultural” sentando a mão num “novo nome” da MPB, porque eles estão em gravadoras que anunciam nos jornais e dão brindes aos jornalistas. Então, eles esperam até que o CD de uma banda “menor”, de um estilo que ninguém sabe bem o que significa, a começar por eles, lhes caiam nas mãos para então poderem exercer seu “espírito crítico”. Independente do estilo musical, há sempre artistas e bandas boas e medíocres. É mais ou menos como no jornalismo cultural, onde a gente tem um Sérgio Augusto, um Sérgio Rodrigues… e uma Elexsandra Morone.


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11 comentários | Dê sua opinião

  1. Diego Camara 27/03/2009 em 2:02 am

    Vamos ser francos, eu sou jornalista e um amante de música e acho que posso falar com muita propriedade sobre este assunto.

    É completamente idiota dar atenção para qualquer crítico musical, QUALQUER UM! Críticos musicais de jornaleco são completamente ridículos do começo ao fim.

    Ao começar pela arrogância deste tipo de pessoa, da superioridade extrema que tentam passar quando escrevem uma resenha – acham que estão acima do bem e do mal e utilizam qualquer coisa para mostrar sua superioridade para os “leitores médios”.

    Não gosto do Dead Fish, nem de Hardcore e muito menos do Rock Nacional com a maior cara de EUA que temos hoje em dia, porém, enquanto uma pessoa íntegra e sincera que tenha como objetivo resenhar um título da banda, eu devo não mostrar minha opinião e destilar meu ódio, mas sim pensar enquanto público amante deste som e dar meu melhor para detalhar o novo álbum e mostrar minhas impressões sobre ele. Um crítico de verdade (não temos nenhum no Brasil), deveria ser uma pessoa que conhece as características e estilos de vários gêneros musicais, e que seja também habilitada para falar algo sobre cada um deles.

    Infelizmente os críticos pensam que são como articulistas ou colunistas, e agem pior que Diegos Minardis da vida, falando baboseiras uma atrás da outra e sem ao menos pesar que o objetivo deles é informar sobre o som em primeiro lugar, e não ditar sua opinião.
    Felizmente eu já reparei que muitas pessoas deixaram para lá este tipo de gente, críticos de jornais, revistas e colunistas de música do IG, UOL, Globo. Este tipo de gente não tem nenhum compromisso com os fãs, mesmo sendo muitas vezes especialistas em algum estilo de música.

    Os melhores “críticos” são os fãs de um estilo, que saibam medir o que há de bom e ruim em cada álbum. Espero francamente que os blogs possam ajudar na difusão e na prática de resenhas no futuro, quando tivermos uma Blogosfera Musical realmente de qualidade.

    Responder
  2. dnshc 27/03/2009 em 1:02 pm

    nd a declarar sobre Elexsandra Morone,
    + tenho uma coisa a dizer…

    SOMOS NOS CONTRA TODOS…

    Responder
  3. Illy Barquette 28/03/2009 em 2:25 pm

    Parabéns pela resposta à “crítica” da Elexsandra…concordo com tudo!

    Dead Fish é bom demais!!

    Estou cansado de ouvir pessoas como a Elexsandra criticarem a banda sendo que mal a conhecem, por isso fazendo de forma bastante superficial…

    Responder
  4. Anderson 28/03/2009 em 2:32 pm

    Cara, eu lá na comunidade do orkut iniciei uma campanha pra encher o email dela de mensagens sobre essa resenha.
    Fiz isso, pq pra mim essa critica foi o fim…
    ninguém é obrigado a falar bem do cd ou gostar de dead fish…
    o minimo que se pede é gente que faça um trabalho decente, não isso ae que ela fez….
    Que mostra o qual preguiçosa e incompetente ela é…

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  5. Anderson 28/03/2009 em 2:32 pm

    Taí o que eu mandei pro caderno b e nunca responderam…

    Elá todos do Caderno B. Me chamo Anderson e através da Internet tive acesso a resenha do disco Contra Todos da Banda Dead Fish de Vitória, feita pela jornalista Elexsandra Morone. Infelizmente a resenha foi de uma infelicidade que é impossível não se manifestar a respeito.

    Antes de tudo, quero ressaltar que não há problema algum o jornalista, em seu próprio nome, ou em nome do jornal ao qual trabalha emitir opinião contrária ao que nós fãs esperamos, ainda mais de um trabalho tão importante pra fã e banda quanto é Contra Todos.

    O estopim desse email eh na verdade a falta de comprometimento do jornalista com seu próprio trabalho.
    A PREGUIÇA da jornalista em questão é algo que salta aos olhos nos texto. Uma busca rápida na grande rede e ela encontraria diversas entrevistas da banda comentando o novo trabalho faixa a faixa. Dessa forma não teria oferecido ao leitor do jornal informações falsas, como a mesma traz sobre a música Asfalto.

    Além disso, teria analisado as letras da banda ao longo desses 18 anos e percebido que há algo nelas muito mais além do que a “tosqueira juvenil” apregoada por ela. Ou será que questionar o consumismo desenfreado da população mundial e seus efeitos em nosso planeta, em nossas vidas e em nosso caráter é algo tão infantil assim?

    Entretanto, o que mais entristece é o preconceito exalado pela jornalista como em passagens como: Vá lá, talvez não dê mesmo para esperar alguma profundidade desse tal de hardcore. Os preconceituosos, como a própria raiz da palavra sugere desconhecem o objeto do seu ódio, dessa forma, escrever algo sobre qq assunto sem exalar desconhecimento e despreparo torna-se muito dificil. Se fosse uma jornalista preparada e principalmente competente teria vencido todo seu preconceito e feito seu trabalho direitinho, mesmo que no fim das contas nem emitisse opinião favorável á banda e ao cd.

    Infelizmente, o que se percebe na resenha é que, como acontece na grande maioria das vezes, as pessoas são cegas pelo preconceitos e nem não conseguem enxergar nada além do próprio ódio.

    Por fim, lamento o tipo de jornalista que faz parte dos quadros desse jornal, que com todas as facilidades da internet não é capaz de coletar informações descente do alvo de seu trabalho, e dos leitores de Alagoas, que infelizmente são obrigados a ter acesso a tanto desinformação, incompetência e principalemente preconceito de quem na verdade deveria dar o exemplo.

    Responder
  6. dnshc 28/03/2009 em 2:33 pm

    me passa o e-mail dela ai
    pq eu faço questao de enchela de msgs

    falta de conhecimento eh f…

    Responder
  7. Anderson 28/03/2009 em 2:33 pm

    cadernob@gazetaweb.com

    cara tai o email do caderno b, que foi onde saiu a resenha…

    o dela ae
    lekemorone@gazetaweb.com

    Responder
  8. Estêvão dos Anjos 30/03/2009 em 8:47 pm

    Olá, sou jornalista e conheço o trabalho da Elexsandra Morone, que convenhamos é excelente. Creio eu que muitos, ou melhor, todos vocês estão deixando o lado fã falar mais alto. Achei os comentários feitos a ela um pouco exagerado, tá certo que vocês não concordem, mas é a opinião dela, e da mesma forma que alguém pode chegar e dizer que o Dogma 95 é uma proposta oportunista (isso é apenas um exemplo) ou que o dadaísmo nada acrescenta a artes plásticas, ela se posicionou contra uma “escola” , um movimento em uma determinada fase ( o novo disco do Dead Fish), portanto, considero um ótima ideia o posicionameto contra o TEXTO dela, mas ele ultrapassou a fronteira da discussão, virando mais uma ofensa pessoal do que uma contra argumentação. Não cheguei a ler a crítica e tbm não ouvi o disco por isso não posso avaliar nenhum dos dois, mas me baseando nesse texto posso tecer esse comentário.

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  9. Daniel 31/03/2009 em 12:46 am

    Estêvão, eu não me preocupei em agredir a moça. Não me responsabilizo pelas opiniões nos comentários. Um jornalista tem que ser crítico, tem direito de não gostar disso ou daquilo. Só não pode ter preconceito. Fiz o texto porque vi preconceito, ignorância e arrogância na breve resenha da Elexsandra.

    Abs.

    Responder
  10. DÉBORA 15/07/2009 em 10:54 am

    teoria repassada

    Responder
  11. Pingback: Mais que um crítico, um informante. | Fone de Ouvido.

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