O problema com Michael Moore

Algumas causas do cineasta são boas, mas seu ceticismo é seletivo, o autoelogio é exagerado e as produções são desonestas.

"Here comes trouble: Stories from my life", de Michael Moore

Poucos cineastas são tão capazes quanto Michael Moore de causar reações fortes e viscerais. O cineasta americano fez uma carreira a partir de documentários politicamente provocativos e uma língua belicosa. Sua autobiografia, Here comes trouble, é sua oportunidade de explicar ao leitor como ele veio a se tornar quem é hoje, e como sua história, da infância até o lançamento do primeiro documentário, continua a mantê-lo em atividade.

Para o leitor que tenta discernir o que afinal motiva Moore, transparece que não há muitos eventos marcantes ou incidentes capazes de mudar uma vida durante sua infância, algo que o leitor possa apontar como um catalisador para a criação do batalhador por justiça social que Moore enxerga em si mesmo. Ele relata vários momentos fortes, tais como o confronto contra o racismo descarado de sua comunidade, ou a ajuda a uma jovem amiga cuja vida esteve em perigo após um aborto mal executado, mas esses eventos não servem como um ponto de virada para Moore. Ao contrário, eles são meras oportunidades para ele praticar seu código moral preexistente, um esquema ético não deduzido a partir da análise crítica de um mundo injusto, mas imbuído em seu próprio sangue. Moore nos leva a uma viagem ao longo de sua árvore familiar até seus primeiros ancestrais, que chegaram em Michigan no começo do século 19. Prefigurando seu próprio destino, estes pioneiros abandonaram suas vidas confortáveis e fáceis para irem viver nas fronteiras da sociedade. Os ancestrais de Moore sofreram opróbrio social porque, ao contrário da maioria intolerante, eles quiseram ter boas relações com a população ameríndia nativa, educando seus membros na escola, e eram “supervisores dos pobres”, perturbando a ordem social composta, a qual esperava-se que obedecessem. De forma que aprendemos que justiça social, para Moore, não veio após uma colisão abrupta com a injusta realidade do mundo, mas que ele já nasceu sabendo diferenciar o certo do errado. O leitor, portanto, não vê Moore se desenvolver ao longo dos anos; ele é essencialmente quem sempre foi: um homem destinado a pôr em alerta o injusto sistema a seu redor.

Ele leva o leitor à sua cidade natal, próxima de Flint, no Michigan, um típico idílio do subúrbio americano da classe operária, pré-anos 60, onde os vizinhos todos se conheciam, estranhos chegavam nos outros para dar uma mão em algo, e onde os valores eram baseados no trabalho duro, fortes laços familiares e confiança na comunidade. Mas as coisas não eram tão perfeitas quanto pareciam, e é aí que Moore entra, para fazer algumas coisas realmente admiráveis. No ensino médio, ele é escalado para dar um discurso em homenagem a um clube social local, quando, ao invés disso, lança uma impiedosa tirada contra aqueles que supostamente respeitam Abraham Lincoln ao mesmo tempo em que mantém uma política de exclusividade para brancos. Ele concorre a uma posição no corpo escolar local, tornando-se o mais jovem oficial eleito do país, com apenas 18 anos, e consegue remover de posição um diretor incompetente e um assistente de diretor abusivo. Inicia um jornalzinho alternativo que expõe as injustiças de Flint que os veículos maiores não abordam (ele alega, convincentemente, que eles tinham medo de perder dólares de publicidade).

Que ninguém se engane, no entanto. Este livro é uma hagiografia que Moore escreveu sobre si mesmo. Suas lembranças dos eventos acima estão saturadas de autoelogio. E ele demonstra sua magnanimidade não apenas através de atos corajosos, mas mesmo de atos mundanos. Moore usa humor ao longo do livro, com sucesso mantendo o leitor antenado e virando uma página atrás da outra. Mas, quando excluímos o humor, nos resta a descrição de Moore de que seu engatinhamento enquanto bebê foi “determinado” e “pensativo”. Ele relata como “deu duro” na escola, já que estava tão a frente dos outros alunos. Ele frequentemente faz referência à sua atitude de “sabichão”, aparentemente sem consciência do fato de que às vezes não são suas ideias que deixam os outros em silêncio, mas sua atitude condescendente com qualquer um que ache ser possível ver a luz sem Moore ter antes iluminado sua consciência.

Antes de nos introduzir a este garoto prodígio, no entanto, Moore dedica o primeiro capítulo aos seus anos adultos, relatando as consequências de seu infame discurso para a Academy Awards em 2003. Após conquistar um Oscar de melhor documentário por Tiros em Columbine, ele aproveitou a aceitação do prêmio para condenar Bush como um “presidente fictício” e dizer que a invasão do Iraque foi justificada com “razões fictícias.” “Que vergonha, Sr. Bush. Que Vergonha. Quando se tem o Papa e as Dixie Chicks contra você, você está acabado.”

Sua fala imediatamente lhe rendeu aplausos e vaias da audiência. Ele descreve que seguiu-se nos próximos meses uma violenta campanha de difamação contra sua pessoa, combinada com ameaças de violência. Ele compara a denúncia relativamente inócua de “babaca” com as mais sinistras ameaças contra sua segurança e sua vida (algumas aparentemente chegaram perto de serem levadas a cabo, mas foram impedidas por seus guarda-costas).

Esse capítulo resume muito do que eu acho enfadonho acerca de Moore. Após fazer um discurso incendiário em um dos eventos mais televisionados do planeta, o homem que em breve irá se gabar com o leitor por seu gosto pela provocação de repente está chocado com o fato de ter havido uma resposta negativa à provocação. Ele faz o papel da Cassandra inocente, ignorante e ingênua.

Eu apoio totalmente seu direito de discursar na entrega do Oscar. Ele ganhou o prêmio e tem o direito de usar o tempo à disposição no pódio como bem entender. E lamento profundamente qualquer ameaça de violência contra sua pessoa. Isso é fraqueza e covardia. Ademais, detesto qualquer argumento intelectualmente preguiçoso que não tem nada a mais para oferecer ao debate além de acusar Moore de ser um “traidor” ou “amante de terroristas.” Mas Moore em nenhum momento nos conta em Here comes trouble sobre qualquer das críticas legítimas a seu discurso daquela noite. Em seu mundo, não poderia haver qualquer discordância lógica com o que tinha dito. Ninguém tinha um argumento contrário válido. O leitor pode até chegar a pensar que todo crítico seu era um sadista violento ou uma personalidade midiática maluca da direita. Não existe discordância racional com Michael Moore.

Quando entra em cena sua magnum opus, Fahrenheit 9/11, Moore se esforça para que o leitor entenda o quão monumental é este evento. O filme não será nada menos que o maior de todos os tempos, e é adequadamente descrito como um grande lance. Moore nos diz que seus filmes estão sendo comparados à Cabana do pai Tomás de Harriet Stowe. Se Bush tivesse perdido a eleição de 2004, Fahrenheit 9/11 teria sido “um dos três motivos principais.” (Como Bush conseguiu a reeleição, no entanto, Moore não aceita qualquer parcela da culpa. O oponente, John Kerry, ficamos sabendo, “era um péssimo candidato.”)

Para mim, Michael Moore é decepcionante. Como um esquerdista, eu e muitos outros concordamos com os argumentos que ele tenta fazer em seus filmes. Sou contra os lucros gerados por guerras, acredito que o sistema de saúde dos Estados Unidos precisa ser reformado, e penso que o lobby da indústria de armas às vezes é tão obstrucionista que pessoas inocentes acabam pagando com as próprias vidas pela teimosia dos apologistas. Ele poderia ser uma voz poderosa em prol de causas progressistas. De fato, Moore teve muitas vezes a chance em suas mãos. Ele até admite que alguns republicanos adoram seu trabalho. No entanto, para muitas pessoas, quanto mais elas observam com atenção suas produções, mais elas se afastam, incluindo muitos da esquerda política. Muita gente concorda com o que Moore está tentando dizer, mas, ao mesmo tempo, fica desencorajada com a forma com que ele tenta levantar pontos válidos por meios desonestos, enganadores e muito desagradáveis.

Em seu filme Sicko, onde tenta-se mostrar como o sistema de saúde americano coloca o lucro acima das vidas, o cineasta leva alguns dos socorristas do 11 de Setembro, “heróis da América”, para Cuba, nossa “inimiga”, a fim de receberem tratamento grátis. No entanto, o tratamento de saúde em Cuba não é grátis para estrangeiros. E nem deveria ser. O sistema de saúde cubano é mantido pelos impostos pagos pelo povo de Cuba, e não tem a intenção de servir para aqueles que estejam apenas visitando a ilha. Se qualquer estrangeiro solicita tratamento médico em Cuba, ele é encaminhado a um local exclusivo para estrangeiros, uma clínica de qualidade muito superior às clínicas dedicadas aos moradores locais, e ele será cobrado pelo tratamento. Isso é o que sempre ocorre. Exceto, claro, quando câmeras estão rodando para um documentário com o objetivo de mostrar a humanidade do sistema cubano.

Contraste isso com a passagem de Here comes trouble onde Moore detalha como sua oposição à Guerra do Vietnã derivou do que viu na Canadian Broadcasting Corporation. Dada sua proximidade com o território canadense, Moore podia sintonizar a CBC, e, com o contraste entre a cobertura americana positiva dos eventos e a versão canadense mais sanguinolenta, ele descobriu que “não tinha ideia de que nosso governo era capaz de mentir para nós”, e prometeu nunca mais acreditar no que via na televisão americana. Essa parte do livro me levou de volta ao Sicko, e fiquei me perguntando como um homem com um ceticismo tão saudável em relação a seu próprio governo e mídia conseguiu ser tão facilmente engabelado pela máquina de propaganda cubana.

Em Fahrenheit, Moore mostra imagens de um Iraque feliz, com casamento, crianças empinando pipa, e uma jovem garota sorridente no playground, quando por fim bombas americanas começam a explodir. Isso é uma reminiscência do famoso anúncio da campanha presidencial de Lyndon Johnson em 1964 contra o beligerante Barry Goldwater, que mostrava uma garotinha colhendo pétalas de rosa, e então começa a contagem regressiva para o início da guerra nuclear. Moore descreve o Iraque como uma nação soberana que nunca havia atacado ou ameaçado atacar os Estados Unidos, ou assassinado um único cidadão americano. Um telespectador ignorante da história recente poderia ser perdoado por não saber que o Iraque feliz e pacífico mostrado na tela era o mesmo que tinha invadido o Irã, causando uma das maiores mortandades desde o fim da Segunda Guerra Mundial, sanguinariamente ocupado o Kuwait com a desculpa de que ele não tinha direito à própria soberania, e eliminado com armas químicas 100.000 de seus “inferiores” cidadãos curdos.

Em Here comes trouble, Moore dá duro para destruir a imagem de uma América perfeitas nos anos 1950 e 1960. Os Estados Unidos estão corrompidos pela injustiça e violência contra afro-americanos, gays e outras minorias. Mas, apesar dos esforços para informar o leitor do submundo negro da América, Moore está bem à vontade em Fahrenheit para retratar um Iraque brutalmente longe da realidade. Podia-se opor à intervenção americana sem precisar fingir que o Iraque era um paraíso.

Em Tiros em Columbine, Moore vai à casa do legendário ator e presidente da National Rifle Association, Charlton Heston, para uma entrevista. Assim que eles se sentam, no entanto, o telespectador toma consciência do que evidentemente está se tornando uma armadilha. Moore pede que Heston peça desculpas por aparecer diversas vezes na NRA após episódios de violência em escolas envolvendo armas (Heston alegou, nada convincente na minha opinião, que pelo menos algumas das aparições haviam sido planejadas antes das ocorrências). Heston, desconfortável, tenta encerrar a entrevista e começa a se retirar, estranhamente deixando Moore e sua equipe sozinhos na casa. Moore passa a seguir Heston em sua propriedade, pedindo-lhe para olhar a fotografia de uma menina vítima de violência com armas em Michigan. Moore vai embora após escorar a foto da garota na casa. Ele foi altamente criticado por essa artimanha, já que Heston sabidamente sofria do mal de Alzheimer à época. Muitos dos que consideravam as políticas defendidas por Heston repugnantes ainda assim acharam que Moore foi longe demais.

Após fazer seu infame discurso no Oscar, Moore é desagradavelmente confrontado por indivíduos raivosos e, mais perturbador ainda, ele diz em Here comes trouble, eles começam a rondar sua casa. Mas Moore ele mesmo parece não ter problema em encurralar Heston em sua própria casa. Acho que Moore acredita que o que determina o tipo de proteção que uma pessoa merece contra críticos intrusivos é o conjunto de suas crenças políticas. Devido a suas infelizes táticas cinematográficas, Moore colocou na defensiva os militantes das causas que ele adota, porque, ao invés de termos uma conversa séria sobre o assunto em questão, temos que reconhecer aos críticos que muito da informação que agora cercam o debate é falso ou enganador, graças a Moore.

Não ouvi muito de Moore ultimamente. Ele apareceu em uma manifestação do Occupy Wall Street em Denver. Quando perguntado se achava apropriado um milionário se retratar como um membro dos “99%”, Moore reagiu indignadamente e negou que estivesse entre os mais ricos do país. Mas, como nos lembra repetidamente em Here comes trouble, seus filmes estão entre os mais bem sucedidos da história da indústria de documentários. Registros mostram que ele é dono de várias propriedades, como uma mansão lacustre em Michigan e um apartamento na Park Avenue em New York. Na autobiografia, Moore faz troça com o “American Dream”, a ideia de que qualquer um com uma forte ética do trabalho pode ser bem sucedido nos Estados Unidos. Mas Moore transformou esse sonho em realidade. Para o resto de nós, o sucesso aparentemente continua sendo uma piada.

Não tenho problema com pessoas que gabam-se de suas conquistas. Uma vida de trabalho duro merece reconhecimento, e ninguém devia ter que mostrar falsa modéstia diante de conquistas realmente admiráveis. Mais que os muitos autoelogios, o que é tão incômodo no livro é o fato do leitor ficar com a ideia de que o autor quer ser agradecido por suas conquistas. Foi Michael Moore, e ninguém mais, quem confrontou as injustiças e fez do mundo um lugar melhor para você e eu. Espera-se que demonstremos nossa gratidão.

Descrevendo um editor que certa vez o demitiu, Moore condena o “liberal cuja consciência é tranquilizada pela generosidade de seu talão de cheques, desde que os recipientes de sua bondade olhem para o outro lado e não se importem com o que fez ele ganhar todo aquele dinheiro.” Fica claro nas páginas de Here comes trouble que o próprio Moore vê a si mesmo como o liberal cuja generosidade em reformar a sociedade deve ser louvada, desde que nós, os recipientes de sua bondade, não nos importemos com a maneira com que ele conquistou seu dinheiro, corrompendo causas dignas com uma obra cinematográfica desonesta.

::: Here comes trouble ::: Michael Moore :::
::: Grand Central, 2011, 448 páginas :::
::: compre na Livraria Cultura :::

9 comentários | Dê sua opinião

  1. Thiago Silva 23/02/2012 em 2:46 pm

    Ótimo texto. Há tempos Moore, e em seu encalço Chomsky, conseguiu o desconfortável posição de só ser levado a sério pela esquerda “pavloviana”. Ele se tornou um verdadeiro campeão de imposturas e desonestidade intelectual.

    Responder
  2. Pablo Vilarnovo 23/02/2012 em 5:24 pm

    Eu vi Tiros e Columbine e gostei muito. Menos do que Moore queria dizer e mais porque ele atirou no que viu e acertou no que não viu (desculpe, mas tive que usar). Ele passa o filme inteiro atacando a NRA e a indústria de armas nos EUA apenas para no final do filme “decobrir” que no Canadá há mais armas por habitante do que nos EUA. No final de contas ele descobre que o problema da violência nos EUA é muito mais complexo que sua proposição inicial que é extremamente superficial. Outros fatos como alardear que os EUA enviaram ao Taleban mais de 240 milhões de dólares entre 2000 e 2003 sem contar que esse dinheiro foi destinado a programas da ONU e ONGs para distribuição de alimentos e outros casos.

    Agora, é muito errado classificar filmes do Michael Moore como documentários. São extremamente editados, cortados, com eventos postos fora de ordem apenas para “provar” um conceito dele mesmo. É o que chamamos de fruade intelectual. Fazer um documentário existe uma honestidade que Michael Moore absolutamente não possui.

    Infelizmente o estilo de Moore deu cria com o inacreditável panfleto político-empresarial de Al Gore que, pouca gente diz, mas é só é passível de ser exibido nas escolas inglesas caso alguém informe às crianças dos erros científicos lá expostos como uma “verdade incoveniente”.

    Ótimo artigo.

    Abraços liberais

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  3. Ary 23/02/2012 em 5:49 pm

    Um blog para a direita se divertir. Qualificar Chomski como impostor deve ter exigido apenas um ranço ignorante.

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    • Marcio 24/02/2012 em 9:01 am

      Você deveria se informar mais sobre o sistema de saúde Cubano antes de falar tanta bobagem…..

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      • Marcio 24/02/2012 em 9:04 am

        Entrou como resposta…mas não foi para você Ary….e sim para o autor do texto.

        Responder
  4. J. Fernandes 25/02/2012 em 8:38 pm

    Alguém aqui acreditou que o autor do texto é de esquerda??

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    • Luis Henrique 12/03/2012 em 3:18 pm

      Eu não, é que ser liberal nos EUA é ser “de esquerda” por lá…

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  5. Roger Rero 17/03/2012 em 9:57 am

    Raramene vi uma critica bem feita a MM que venha de um americano. O MM nao e’ de esquerda, do memso modo como entendemos essa posicao no Brasil, mas tem posicoes bastante proximas. E’ importante no contexto americano o que ele fala. Seu discurso no recebimento do Oscar nao foi infame. Na verdade os americanos detestam MM porque acham que quem ganha dinheiro tem que louvar o capitalismo. Ele e’ irreverente e bastante radical sim. Se quiserem ler uma resenha mais equilibrada, que nao mostra o rancor de direita da resenha acima, vejam esta aqui do NY Times. Se nao leem ingles traduzam no google.
    http://www.nytimes.com/2011/09/12/books/here-comes-trouble-by-michael-moore-book-review.html

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