Quando confunde-se religião com práticas
por Raphael Tsavkko Garcia
É possível afirmar, como o fez Amâncio Siqueira em artigo recente no Amálgama, que o Irã é uma teocracia islâmica e, ao mesmo tempo, que é uma ditadura com diversos aspectos que merecem nosso franco repúdio.
Não há problema nisso.
Problema há quando ligam ditadura e repressão ao islamismo. Quando a ideia de “ditadura repressiva” passa a estar intimamente ligada ao islamismo, quando estamos diante não do islamismo, mas de uma leitura que, em geral, envergonha a maior parte daqueles que professam a religião.
Ditaduras independem de religião. São políticas. Feitas por homens que encontram uma desculpa para manter seu poder e perpetuar a repressão. Pode ser o Islamismo, Cristianismo ou até o Pastafarianismo – basta acreditar. Pessoas matam e morrem em nome de grandes ou de pequenas religiões. Entregam todo seu dinheiro para templos evangélicos. Trata-se de leituras deturpadas.
Obviamente a religião em si abre portas para o fanatismo, mas não pode ser totalmente responsável pelas leituras mais radicais que são feitas. Senão todos os crentes seriam fanáticos por princípio.
Imagino que nenhum cristão se vanglorie dos milhões de mortos durante as Cruzadas ou defenda a Inquisição, ou mesmo reconheça estes dois exemplos como base ou resultados do “Cristianismo”, mas apenas faces de uma igreja ou mesmo uma interpretação absurda da “palavra” de seu deus.
Quem já leu o Corão ou ao menos conhece muçulmanos o suficiente para ter uma ideia de seus costumes e práticas, vê que o suposto islamismo pregado por aqueles fanáticos nada mais é que uma versão fascista e deturpada de suas crenças. É a leitura crua, sem atualização ou interpretação honesta. É a politização de uma crença levada ao mundo estatocêntrico com o intuito de garantir a alguns o poder sobre os demais.
Seria, em paralelo, o mesmo que o Comunismo (sic) nas mãos de Stalin. O Comunismo seria naturalmente ruim pela interpretação genocida de alguns. Assim como as religiões, as teses marxistas foram usadas por milhões da pior forma possível. O problema não está na religião/ideologia, mas na prática desta, na apropriação e leituras feitas a posteriori por quem tinha claros interesses em desvirtuar aquilo que milhões seguem ou acreditam. Da mesma forma que você precisa interpretar e atualizar os escritos de Marx, que não têm nem 300 anos, você precisa interpretar e atualizar aquilo que foi escrito a 1500 ou 2 mil anos.
A própria gênese de muitas religiões se baseia apenas no interesse de um ou uns dominarem um grupo através do medo ou de promessas de benesses eternas. É bom ter isto em mente, porém: o neopentecostalismo, como tal, é nocivo desde seu princípio e por base.
Não estou aqui falando que o Islamismo ou mesmo o Cristianismo sejam “puros” — imagino já ter deixado isto claro –, que mesmo em seus ensinamentos não exista algo recriminável, longe disso, o problema na verdade são as interpretações ou, mais ainda, a insistência dos mais puristas em evoluir a si mesmos e à própria religião. No fim das contas, o problema surge quando, de apoio, religião passa a ser a razão da vida.
Religião, enquanto re-ligamento, não me parece poder ser encarado como um monolito, senão estamos ligando o homem do século XXI a um deus do século 1 ou 5. Não me parece haver conforto para um alma do século XXI em seguir preceitos que no século XV já estavam ultrapassados.
Mas o que há de reconfortante na religião permanece inalterado, a sensação de proximidade com um deus, com uma verdade, com uma forma de viver. E é isto que deve ser defendido, e não os aspectos obscurantistas que são comumente usados por aqueles em busca de poder.
Notem que sou ateu, não sigo qualquer religião e tampouco entendo a necessidade que muitos têm de encontrar conforto em um deus, em algo externo e inexplicável. Mas respeito.
Teocracia nada mais é que uma ditadura fascista, mas ao invés do discurso puramente político, adotam medos ancestrais e utilizam a religião como subterfúgio para suas práticas. E encontramos isto em todas as grandes religiões e não apenas no Islamismo, que, parece, está na moda. As razões, aliás, para tal “moda”, ao menos no Oriente Médio, foram dadas neste post em que analisei o terrorismo no Cáucaso Russo.
É fato, aquilo que está em livros religiosos propicia o surgimento de fanáticos e genocidas. São livros (Bíblia, Corão…) que não só podem ser interpretados de diversas maneiras como também possuem incontestáveis mensagens de ódio, da necessidade de conversão forçada, de machismo, odes à violência etc., mas devem — como tudo na vida — ser interpretados.
E falo “interpretado” não no sentido de deturpar ainda mais ou de se seguir ao pé da letra (como quem vive sem eletricidade ou contato com o mundo exterior achando que assim agradará a deus), mas no sentido de se enxergar estes livros como peças de uma época completamente diferente e extrair destes mensagens que possam ser trazidas até os dia de hoje.
Não importa se na Bíblia de quase 2 mil anos ou, por exemplo, no Manifesto Comunista – o que está escrito é passível de e deve ser interpretado, trazido para os dias atuais, ou senão iremos nos limitar a repetir erros ou viver eternamente no passado.
Sim, o Irã é uma teocracia islâmica assassina. Mas os EUA são uma suposta democracia baseada em princípios cristãos e com presidentes tementes ao seu deus e são ainda mais genocidas. Seria então culpa do islamismo? Do cristianismo? Ou da transformação de religião em política? Ou ainda pior, na transformação da religião, de algo subsidiário, de um suporte, para um valor imprescindível e que permeia nossas vidas — acima da razão?
Alguns fanáticos islâmicos proíbem o contato entre homens e mulheres… Outros cristãos fazem o mesmo. Alguns fanáticos islâmicos colocam as mulheres como inferiores… Mas a Igreja Católica não faz o mesmo? Entre evangélicos as mulheres não são muitas vezes forçadas a deixar sua feminilidade de lado e a se submeter à vontade dos homens? Os judeus mais ortodoxos não relegam à mulher o papel de subalternas?
Mas, muitos dirão, os islâmicos são diferentes, afinal, eles matam pela religião! Oras, até bem perto do século XX os cristãos à mando da Igreja Católica faziam pior. A Inquisição durou na Espanha até princípios do século XX. E mesmo a extrema-direita dos EUA, neonazistas e gente ligada à KKK são cristãos fanáticos, que acreditam que todos os não-crentes devem morrer – além de negros, imigrantes, judeus…
Mubarak é um ditador e é muçulmano. Ben Ali era um ditador e é muçulmano. Saddam Husseim era um ditador e era muçulmano… O ponto em comum entre todos estes não é só o islamismo, mas o fato de terem chegado ao poder o ao menos terem sido apoiados por um grande país cristão, os EUA, com presidentes cristãos.
E a Nicarágua foi uma ditadura – seu ditador era cristão. O Brasil teve sua ditadura, assim como a Argentina, o Uruguai… Todos os ditadores eram cristãos.
Religião é, enfim, apenas parte do problema, senão o menor deles.

Boa, Raphael!
É preciso que as pessoas saibam separar uma coisa da outra.
E a tarefa é árdua…
Não esperava a honra de entrar numa polêmica convosco, entretanto tentarei contribuir.
Primeiramente, minha visão sobre o problema da religião e das práticas: considero a religião sim como um problema central, nada periférico. Mas não considero assim todas as religiões. Não imagino, por exemplo, uma invasão de budistas para libertar sua terra santa dos infieis jainistas. A Irlanda não teria guerras civis com fundamentos religiosos se fosse dividida entre hinduístas e budistas, ou jainistas e confucionistas. Líderes militares não conseguiriam justificar seus atos com a desculpa da religião.
Também duvido que os iranianos aceitassem o regime de Ahmadinejad sem o apoio de um aiatolá. O que gera inclusive uma instabilidade maior. Melhor um ditador secular, que mantém a estabilidade de seu poder por meio da força, do que um que pode cair se o aiatolá tiver um sonho em que ele surja como um Djin maligno. Não pelo perigo do ditador cair, mas pela violência e a certeza de que outro será indicado pelo mesmo rádio-transmissor divino.
Confesso ter pouca intimidade com o Alcorão, que só li uma vez, inclusive há poucos dias. Com a primeira leitura o que ficou patente, além do fato do livro ser uma coleção de repetições ad nauseam das histórias de Abraão, Noé e Moisés (Jonas, Jesus e Maria, Lot em menor escala), é que não se pode dizer que “toda religião prega a paz” (não estou dizendo que você disse isso, mas é comum ver tal afirmação por aí). Esse livro é ainda mais violento que a Bíblia, pois corrobora as violências defendidas na Bíblia e incentiva outras. A única paz pregada é para os convertidos.
Você falou sobre atualização. É um fato comum as religiões se atualizarem. Alguns grupos de pessoas religiosas ainda em nossos dias continuam defendendo o direito de uma raça escolhida por deus assassinar e escravizar pessoas, mas a maioria das pessoas não admite mais a prática da escravidão. Coube à religião adaptar-se para manter elevado número de fieis ou perecer (sim, mesmo quem nega a seleção natural entende muito bem seu mecanismo). Todavia, a atualização traz um problema para a religião:
O líder religioso afirma que deus é perfeito, eterno e imutável. Logo, negar um mandamento de um deus perfeito abre um precedente de imperfeição difícil de ser sanado. A verdade absoluta não pode mentir, correto?
O Alcorão diz que “deus humilha quem lhe apraz e exalta quem lhe apraz; ilumina quem lhe apraz e confunde quem lhe apraz.” Um dos melhores versículos é o que diz: “deus é o maior dos conspiradores.” Como atualizar isso? Se isso é mentira, então deus mente. Se deus não pode mentir, isso é verdade. Uma mente religiosa não conseguirá manter-se assim se passar a refletir sobre o que é verdadeiro ou falso. Se os preceitos são mentirosos, qual a garantia de que o livro é verdadeiro? O único lugar que diz que o Surfista Prateado existe é a revista em quadrinho. Como pode alguém dizer que não acredita no quadrinho, mas acredita no Surfista Prateado?
Seu cérebro é não-religioso, ou seja, não reconhece absolutos. Isso leva a uma tolerância para revisões que a religião não pode tolerar, pois o absoluto está na sua raiz. O meu já foi religioso, embora fosse previsível que não continuaria sendo, pois estava sempre aberto ao absoluto dos outros, e a revisar o meu próprio absoluto. A equação na mente de um religioso é bem simples: um mais um, igual a zero. Um absoluto mais um absoluto, igual a nenhum absoluto. Isso em si já gera uma intolerância de princípio. A verdade do outro é mentira e ponto.
Não vejo como acabar com isso sem o fim da religião.
Aí está o problema, dividir o mundo entre religiões “boas” e “ruins”. Isto não funciona. Toda religião tem princípios interessantes e outros que envergonham, a questão é o que você faz deles, que lado você irá.
O Budismo parece pacífico, mas o Dalai Lama já foi um líder teocrático que nem de longe era este santo com seu povo. E, no Vietnã, por exemplo, monges budistas caem na porrada por cargos e posições na estrutura religiosa. Também tem seus defeitos. Toda religião tem.
Veja que eu sou um anti-religioso por princípio, mas da mesma forma que religiões são passíveis de interpretação, filosofias e ideologias também. Vou dizer que o Marxismo não presta porque tem fanático Stalinista?
Você pode provar q ñ haveria conflito na Irlanda desta forma? E, a questão religiosa é apenas parte do problema na Irlanda, bem mais antigo. e você assume um pacifismo em religiões sem que a tese jamais tenha sido provada.
Sue exemplo di Irã, concordo. Mas veja quantos milhões foram contrários ao Ahmadinejad apesar do Aiatolá. E eles também são muçulmanos. Mas tem outra interpretação do papel do Aiatolá. São dois grupos muçulmanos brigando, logo, o islamismo é o culpado?
Religiões são desculpas.
E, quanto à atualização, convenhamos, msm os religiosos sabem que muito do que está escrito pode e deve simplesmente ser deixado de lado. Fingem que nem está alí. O antigo testamento da bíblia, por exemplo, é descartado quase integralmente pela maioria dos cristãos. Mas tá lá, ainda levam algo em consideração, ainda tem fé. O Papa diz-se infalível, mas pergunte quantos católicos acreditam nisso.
Eu também defendo o fim das religiões, mas ponho mais a culpa na manipulaçao desta pro alguns do que nos crentes como um todo.
Rafael, Henry e Amãncio,
Talvez a pior confusão que o Ocidente faz com relação ao Islã seja entre religião e cultura, mais até que entre religião e pratica religiosa.
É comum ouvir comentaristas, e até mesmo “especialistas” em Oriente Médio, relacionando o Islamismo com práticas sociais machistas, como se o cristianismo, baseada no Antigo e no Novo Testamento, fosse menos machista, ou como se esse machismo não fosse prática institucionalizada em todo o mundo cristão há apenas algumas décadas.
Outra confusão muito frequente é quando se relaciona a mutilação feminina, pratica que ainda resiste em algumas comunidades africanas, com o Islã, sendo que, na verdade, trata-se de um elemento cultural. ocorre que é em interpretações do Corão que esses grupos procuram respaldo para a continuidade desta prática. A imposição do véu islâmico às mulheres se dá mais ou menos da mesma forma. Não está explícita no Corão, mas seu uso é justificado a partir da interpretação das escrituras. Ora, o mesmo não se dá com o Cristianismo? As diferentes Igrejas cristãs não se apoiam na interpretação de trechos da Bíblia para legitimar suas práticas religiosas?
Outra característica comumente atribuída ao Islã é a intolerância religiosa. Mas seria o Cristianismo mais tolerante? Não é o que a história nos revela. O mundo islâmico sempre conviveu com cristãos de diferentes orientações religiosas e judeus. É verdade que as relações de força entre as diferentes religiões era amplamente favorável aos muçulmanos e que religiões que não tivesses em comum a crença em um único Deus não eram toleradas, mas ainda assim, durante a chamada Idade Média, havia uma diversidade religiosa no mundo islâmico impensável na Europa cristã. O cristianismo, por seu caráter universalista, simplesmente impedia a existência de qualquer outro grupo religioso. O judaísmo só sobreviveu na Europa, e ainda assim de forma bastante instável, primeiro por representar “a prova histórica” da existência do Cristo, mais ou menos como “fósseis vivos”, depois por interesses financeiros da burguesia ascendente do final da Idade Média.
Qualquer comparação entre Cristianismo e Islamismo pra legitimar aspectos da cultura árabe ou Médio Oriental é equivocada. Basta observar que todas as conquistas de direitos civis e políticos por parte dos trabalhadores, das mulheres, e de outros grupos como os homossexuais, encontraram e encontram forte resistência por parte das igrejas cristãs e se foram possíveis graças ao afastamento entre sociedade e religião. Não é o cristianismo que moldou o Ocidente dito “civilizado”, mas a sua laicização. E mesmo essa laicização não é exclusividade do mundo cristão, está presente também no mundo islâmico, com ondas de avanços e retrocessos de acordo com as condições políticas e históricas de cada região.
A verdade é que nós ocidentais sabemos muito pouco sobre o islã e sobre o mundo islâmico e mesmo o que sabemos pode estar carregado de generalizações e preconceitos.
Eduardo, perfeito! É exatamente por aí! Por vezes costumes são interpretados por religião e vice-versa, é muito difícil separar as coisas, especialmente olhando de fora. Às vezes esquecemos do cristianismo como ele é (ou como está escrito) porque é nossa realidade e olhamos com estranhamento para as demais. E com tanta propaganda islamofóbica, não surpreende.
A religião, em si, não é o problema. O que estraga, como tu mesmo apontou, é o fanatismo. Mas por vezes acaba sendo muito difícil distinguir um do outro; acabam se fundindo e aí tá feito o desastre. Quando religião, fanatismo e POLÍTICA se fundem, então, as coisas ficam ainda mais complicadas. Porque religião e política eram pra ser coisas imiscíveis, não concorda? E essa mistura nefasta permite situações como as teocracias islâmicas e – numa dimensão menor, mas nem tanto – a interferência latente do cristianismo no Estado brasileiro. Agora, discordo quanto ao “respeitar” religiões. Não se respeitam religiões nem quaisquer ideias; ideias a gente discute, debate, questiona, discorda e, se necessário, massacra, não concorda comigo? Tu pode não ter problema com a religião alheia, mas não é obrigado a respeitá-la. Já respeitar o indivíduo, aí é outro papo. Acho que nenhuma ideia é à prova de críticas, e o grande problema das religiões é o sistema de dogmas, do não questionar, do obedecer piamente. Isso estraga tudo. Tá, não só isso, mas também.
Eu sou idealmente um cara anti-religioso, mas não dá pra colocar toda a culpa do mundo na religião, e sim nas interpretações feitas – por mais que a gênese das religiões seja não a de explicar o mundo e sim o de dominar. No caso dos Islâmicos a coisa é pior, há um enorme preconceito e, pior, desconhecimento. são alienígenas que parecem ter surgido semana passada.
Uau!! Você sabe que não costumamos ter opiniões semelhantes em quase nada, por isso faço questão de vir dizer que assino embaixo. Texto claro, coerente, objetivo e imparcial. parabéns!
Haha, verdade!=) Milagres acontecem e são bem vindos!=)
Tenho a ligeira impressão de que esse preconceito sobre o islamismo remete a mim, então reproduzo o final do meu artugo anterior, para melhor esclarecimento:
Penso que a maneira europeia de tratar as relações internacionais seja mais positiva que a maneira americana, em especial em relação a nações com apego maior à religião. O sistema puramente punitivo tende a criar maior atavismo, um repúdio mais profundo e duradouro a influências estrangeiras, vistas como interferência não de um povo igual, mas de um poder hostil. Uma política integracionista, com incentivos ao exercício pleno dos direitos humanos, conseguiu integrar sessenta milhões de turcos à União Europeia. Aliás, a atual política internacional europeia em muito diverge do que foi em séculos anteriores. Não custa lembrar que o Islã tem hoje quase a mesma idade que tinha o cristianismo quando os europeus lançaram-se às cruzadas. Inclusive São Luiz tinha como um dos principais objetivos em sua cruzada destruir os vestígios da biblioteca de Alexandria, o qual teria sido plenamente cumprido não fosse pelo senso de conservação dos sábios árabes.
Assim como foi função dos muçulmanos preservar livros antigos da sanha religiosa dos europeus no passado, e transmitir essa sabedoria na clandestinidade, talvez seja nosso momento de retribuir o favor, permitindo aos nossos irmãos muçulmanos que conheçam uma sabedoria diferente, não por meio de uma imposição que instigue a desconfiança, e sim por meio de uma cooperação que incentive a boa vontade e a cooperação.
O Islã está próximo da idade em que iniciamos nosso Renascimento e nosso Iluminismo. Todos os povos que seguem essa religião merecem recuperar o tempo em que viviam em harmonia e tolerância entre si e com o restante do mundo. Uma civilização que nos deu Averróis e Khayyam merece o seu próprio Iluminismo.
***
Tenho uma colega de trabalho que não pintou a casa porque o esposo não quis e o pastor disse que ela deve ser sibmissa a ele. Alguém aqui acha que ela não pintaria por qualquer outro motivo além do religioso?
A religião não é o maior problema, e sabemos que um mundo não religioso também teria conflitos. Mas está longe de ser um problema ínfimo, periférico. E digo mais: nenhum iluminismo é possível sem laicismo.
Oi Amâncio, na verdade não era em si direcionada a você, mas foi bem geral. Deu pra notar que sua questão é outra, mas venho há muito notando uma crescente islamofobia (como seria de se esperar) e um imenso desconhecimento sobre as bases mais simples da religião islâmica!=)
Eu concordo, aliás, com a parte final do seu texto. Apenas tenho certo problema com a idéia de permitir que os muçulmanos conheçam uma sabedoria diferente.. Tenho resistência em nos chamar de sábios!=P Especialmente quando boa parte do radicalismo muçulmano se dá como resposta à nossa “sabedoria”.
Seu segundo parágrafo remete à maneira americana (majoritariamente falando: há europeus que pensam assim, americanos que não), que também condeno. Falei sobre sabedoria no sentido de que somos todos sábios, enquanto seres humanos. Por isso sabedoria diferente, e não “nossa” sabedoria, ou “a” sabedoria. Lembrando que a sabedoria que conhecemos hoje foi, em grande parte, legada por eles no passado medieval.
Na verdade me remetia à sociedade “judaico-cristã” como um todo, mas sua explicação foi muito boa!
TODAS as religiões são perigosas pois procuram a hegemonia total, o domínio dos pensamentos e ações do povo. E isso é ditadura. Sempre que uma religião se julga majoritária ela tenta (e muitas vezes consegue) eliminar as outras e qualquer contestação aos seus mandamentos. Lembrem o que a Igreja Católica já fez, matando MILHÕES de pessoas, aterrorizando populações com torturas e fogueiras. Os muçulmanos de hoje são os que os católicos já foram, reprimindo qualquer pensamento ou ação que seja contra o Islã (ou o que eles dizem ser contrário). Mulheres são tratadas como objetos, propriedades dos pais e dos maridos, em TODAS as sociedades muçulmanas.
A verdade é uma só, TODA religião é um mal, uma estupidez, pois é baseada em absurdos, em seres sobrenaturais inexistentes e em conceitos de punição e de terror. Somente quem não pensa pode ser religioso.
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Pq todos os intelectuais ateus tratam “aqueles que acreditam em Deus” como idiotas???
Eu sou cristão, creio no exemplo de Jesus.
Mas tb acredito no livre-arbitrio, cada um faz da vida oq quiser.
Creio que a salvação é pessoal, isso quer dizer que não é se mostrando aos outros o quanto tú é crente que vai conquistar o reino dos ceus e a consolação.
Jesus ensinou a sermos humildes, caridosos e misericordiosos. Impor a nossa vontade sobre os outros não condiz com a essas virtudes.
Machismo? Sim, pode ser interpretado como machismo o versiculo do velho testamento que o homem é chefe da familia, porem diz que o homem tem que respeitar a mulher como o seu corpo.
Porem isso não quer dizer que o homem não possa dialogar com sua esposa nas decisões familiares. O homem que impõe algo injusto para a esposa é caridoso?
Onde quero chegar é na resposabilidade.
Todos temos nossa responsabilidade sobre nossos atos e não podemos nos esconder disso.
Qualquer teocracia que imponha valores religiosos está tirando a responsabilidade e o livre arbitrio dos individuos.
Onde está o merito de seguir os mandamentos?? Se está na lei e os homens tratam de executar a “justiça divina”?
Na realidade os erros cometidos pelos homens em nome da religião foram erros dos HOMENS e não das doutrinas.
O materialismo, o comunismo tb não matam ninguem.
Paranéns pelo texto Raphael, mostra a fundo como a religião, numa visão deturpada e corrompida, é usada para legitimar regimes ditatoriais ao redor e também para se cometer crimes em nome de Jeová/Allah/Deus/*Insira o nome da divindade aqui*.
Possuo amigos muçulmanos que ficam muitos tristes com essa imagem que é passado dos muçulmanos e do islã, como se todos fossem intransigentes e fanáticos.