Cadê o monitoramento ambiental?

-- Efeito das chuvas no Rio de Janeiro --
por Luiz Biajoni
Segundo a FIESP, o prejuízo com chuvas no ano passado ultrapassou os três bilhões de reais apenas no estado de São Paulo. Os estragos provocados pelas chuvas na região serrana do Rio de Janeiro são incalculáveis. O Governo Federal vai gastar cerca de dois bilhões de reais, nos próximos meses, para ajudar na reconstrução de casas, infraestrutura, em aluguel social e em medicamentos, vacinas, médicos e postos de saúde.
Todo esse dinheiro poderia ser economizado e vidas podiam ter sido salvas se essas regiões, que são locais de risco constante, contassem com monitoramento ambiental. Dizer isso, nessa altura do campeonato, é meio “chover no molhado”, para usar uma expressão cara à situação. Mas chamar a atenção para o que há de mais novo em monitoramento ambiental é, ao mesmo tempo, denunciar a ignorância e o despreparo dos gestores públicos do setor ambiental e da defesa civil e, ao mesmo tempo, alertar para o perigo das nomeações não-técnicas nesses setores dentro das administrações – especialmente, administrações municipais.
Converso com Rogério Andrade, biólogo e diretor da empresa Clean Environment Brasil, da cidade de Campinas (SP). A Clean é pioneira em monitoramento ambiental no País, tendo iniciado suas atividades há 16 anos. Lida com o estado-da-arte em tecnologia para monitoramento ambiental.
Andrade conta que a globalização fez com que qualquer cidade, de qualquer país, possa ter acesso a tudo o que há de mais avançado em termos de monitoramento. E os custos destes equipamentos não são nada exorbitantes. “O avanço tecnológico e o crescimento do mercado global permitiram um barateamento na produção de equipamentos que antes eram caríssimos”, diz ele. “Hoje temos acesso, no Brasil, a tudo o que há de melhor; equipamentos que são utilizados em áreas de risco no Japão, Austrália, EUA, e que podiam alertar para situações drásticas e proporcionar tempo para medidas efetivas por parte do poder público, ainda que seja a remoção da população em áreas de risco”.
Para tomar como exemplo, a cidade de Nova Friburgo, a mais afetada pelas chuvas na região serrana, com cerca de 500 mortos e centenas de desaparecidos, tem 180 mil habitantes e um orçamento, aprovado em dezembro de 2010, de R$ 350 milhões. Sem fazer um estudo profundo do local, Andrade estima que um sistema de monitoramento com alta tecnologia, que fornecesse informações precisas em tempo real sobre as condições das encostas, dos níveis de chuva, da agressividade das águas, da situação da região afetada em Nova Friburgo podia custar menos que 1% do orçamento anual do município. Isso mesmo: com menos de 3 milhões de reais, equipamentos com a mais alta tecnologia mundial podiam estar em funcionamento nesta área de risco e podiam ter salvo todas aquelas vidas.
As questões são: os gestores desses recursos conhecem essas tecnologias? Os administradores municipais estão preparados para exercerem seus cargos? Os cargos administrativos são ocupados por apadrinhados ou por técnicos competentes?
A desgraça é culpa, antes de mais nada, da incompetência da primeira instância do poder.

Sou apenas um estudante saído agora do Ensino Médio, não conheço o Serviço Público à fundo — o ápice de contato que tive foi ouvir os atendentes de uma junta militar gritando um blá blá blá no meu ouvido — e, portanto, corrijam-me se eu estiver errado: não acredito em simples incompetência. Em minha mente, talvez na minha ingenuidade, vocês que me digam, não me são claras as proporções do apadrinhamento existente nos cargos públicos; ouço sempre, ênfase no “sempre”, que rola uma tremenda sacanagem nessa área, com qualquer um sendo puxado por qualquer outro até qualquer cargo, mas, ainda assim, algo não me desce.
Soa uma voz na minha cabeça dizendo “Ei, não pode ser tão ruim assim; tem que haver alguém trabalhando direito lá, seguindo as ordens estatais e tudo o mais”. Acredito, realmente.
O que me faz sentir são essas “ordens estatais”, ou seja lá como elas se chamam — já disse que não sei nada muito aprofundado.
Sempre me parece que o Estado prefere ações imediatas, com resultados ainda mais imediatos, como se precisasse “provar” algo ao povo o tempo todo. Prazos longos, lucros que só chegarão daqui a tempos, nada disso soa satisfatório ao Estado, e justamente por não parecer satisfatório à população. Daí, a solução tomada: ficar fazendo remendinhos num cobertor velho, sem sequer pensar em trocá-lo por um novo; ou seja, satisfazer a “síndrome de vira lata” brasileira.
aí existem dois pontos, joão: os apadrinhamentos que resultam em nomeações de pessoas desqualificadas e incompetentes para os cargos; e nomeações, digamos, mais qualificadas onde, na maioria dos casos, o técnico não consegue sensibilizar ou convencer o gestor (o prefeito, no caso) para a implementação de tecnologia preventiva. basta pesquisar quantas cidades no país contam, por exemplo, com planos preventivos de defesa civil. ou com monitoramento de níveis de cursos d´água para evitar enchentes. são iniciativas que “não aparecem”, há sempre a preferência por construir obras, viadutos, grandes prédios públicos, do que investir em prevenção. nisso, acrescente-se que ainda há a idéia de que esses equipamentos são muito caros – e isso não é mais verdade.
grande abraço.
olá luiz!
olá joão!
concordo com joão quando ele diz do apadrinhamento.
mas discordo de luiz, em relação à incompetência.
vejo como um caso de verba pública que vai pro bolso das construtoras e demais empresas que estão recebendo dinheiro para dar suporte à essa reconstrução.
mais dinheiro gasto, mais dinheiro desviado, superfaturamento e empresários amig@s/parentes de governantes – sempre há brechas na lei pras licitações! aliás, teve licitação?! – metid@s nisso, com certeza!
abraços calorosos!
opa, carol só quero deixar claro que falo, no texto, de maneira geral e não específica do caso da região serrana – usei-o somente para exemplo. vc tocou em um ponto importante, talvez mereça outro artigo, mais específico, sobre isso.
:>)