23–02–2010

Uma metamorfose ambulante chamada Paulo Octávio


por Alan Souza * – O governador interino do DF, Paulo Octávio, vai ganhando contornos de indefinível. Ele, que renunciou à própria renúncia em nome da governabilidade e para tentar resistir à ameaça de intervenção federal no DF, tornou-se a principal causa de insegurança política para o DF.

Na sexta-feira da semana passada Paulo Octávio deu como certo que iria renunciar ao governo do DF. A decisão foi comunicada formalmente pelo próprio governador aos líderes de seu partido, o DEM, e repassada por assessores a jornalistas. Convocou-se a imprensa e marcou-se hora e local do fato. Eis que, antes de entrar na sala em faria um comunicado oficial à imprensa, Paulo Octávio virou-se para os assessores e comunicou que não iria renunciar. Os assessores ficaram abespinhados. Ninguém sabia como PO mudara de opinião tão radicalmente em alguns minutos – e sem motivo aparente.

Paulo Octávio, assim, renunciou à própria renúncia (no que tem um precedente ilustre: o senador Aloízio Mercadante, do PT/SP). A reviravolta burlesca provocou a ira de seus próprios correligionários e fez com que a Câmara Distrital do DF, subitamente tomada por um acesso de civismo e moralidade, andasse rápido com os processos de impeachment de Paulo Octávio.

Na mesma sexta-feira em que renunciou à sua renúncia PO havia prometido que ontem (22)  iria desfiliar-se do DEM – eis que seu partido, também subitamente convertido à moralidade, parecia querer expulsá-lo. Pois PO anunciou que não vai se desfiliar do DEM e quer convencer o partido a apoiá-lo. A decisão aumentou a fúria dos demos contra o seu único governador, e gerou novas ameaças de expulsão (diga-se de passagem que PO parece não temer tais ameaças, já que elas nunca passaram – e provavelmente nunca passarão – de ameaças).

O blog do jornalista João Bosco Rabello revelou que assessores e amigos convenceram PO a renunciar à renúncia da renúncia (está ficando complicado…). Talvez por isso PO tenha desistido de sair do DEM. Deve estar avaliando que ao renunciar agora conseguirá manter-se no DEM e, se escapar de condenações na Justiça, talvez volte a ser candidato no DF, a senador ou algo parecido. Não é nada esdrúxulo, o cidadão do DF não parece se preocupar com a qualidade de quem elege. Joaquim Roriz é o avô da confusão atualmente instalada no DF, criador político de Arruda e Paulo Octávio. Seus três governos anteriores são coalhados de denúncias de desvios de verba, fisiologismo e uso da máquina pública para favorecimentos pessoais. E Roriz caminha impávido, segundo as últimas pesquisas de opinião, para eleger-se pela 4ª vez governador do DF, já no 1º turno, neste ano.

* Alan Souza, Brasília-DF. Blog: prof.alan.blog.uol.com.br.

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  1. Anselmo (23–02–2010 5:39 pm)

    eu vivo renunciando à renúncia de beber. A cada ressaca eu prometo: vou passar umas três semanas sem beber. Dura, em média, três horas. Depois eu começo a pensar em outra coisa e, quando vem o convite e dou por mim, estou no bar.

    mas pobre DF. No ano do cinquentenário passa por isso. Pior doque isso só o Coritiba, time de futebol rebaixado no ano de seu centenário.

    -Responder

    Alan Souza:

    Anselmo, uma coisa que aprendi na vida nestes quase 40 anos: quando você achar que já viu de tudo, a vida se encarregará de provar o contrário.

    Dito isto, pergunto: você já viu quem é o novo governador do DF, o deputado distrital Wilson Lima?

    Pobres de nós, brasilienses. Restou-nos apenas rezar para que o fundo do poço não esteja tão longe…

    -Responder