Xingamentos que não colam
5–02–2009 --- Envie para um amigo --- Tuitar
por Camila Pavanelli – Xingamentos, quando vindos de pessoas que não conheço ou com as quais não me importo, não têm a mínima importância para mim. Mas, de maneira geral, consigo entender a lógica de seu funcionamento. Quando alguém me diz: boba! feia! chata! cabeça de melão!, eu entendo por que essas expressões são consideradas ofensivas pelo interlocutor. Afinal, ser boba, feia, chata e provida de uma cabeça do tamanho de um melão não são atributos exatamente agradáveis ou desejáveis. Alguns supostos xingamentos, porém, tenho bastante dificuldade de compreender.
Vai tomar no cu!
No meu entendimento, “tomar no cu” aponta para uma experiência sexual potencialmente prazerosa e agradabilíssima.
Quando me mandam ir tomar no cu, respondo: “eu bem que gostaria, mas atualmente não tenho ninguém na minha vida que se interesse por essa prática, etc.”
Vadia!
Vadio, para mim, é aquele que não trabalha. O problema é que o trabalho costuma ser valorizado como algo intrinsecamente positivo e bom. Nêgo se esquece de que agorinha mesmo tem político trabalhando dia e noite para manter a proibição ao casamento gay na Califórnia; tem professor trabalhando muito para explicar a seus alunos que a humanidade toda é quaquaraneta de um casal com sérios problemas conjugais; tem músico trabalhando duríssimo no disco novo da Sandy.
O mundo seria um lugar bem melhor se essa gente toda estivesse vadiando em vez de ter que trabalhar para garantir o seu.
Quando me chamam de vadia, respondo: “eu bem que gostaria, mas nasci numa família de classe média e, se eu não trabalhar, as contas vão acumular, etc.”
Filha da puta!
Essa é outra bem engraçada. Por que raios uma profissão deveria ser motivo ou objeto de xingamento? Se um desconhecido me chamasse de filha-da-mensaleira, não é que eu me sentiria ofendida, mas entenderia perfeitamente a intenção xingadora, pois gastar dinheiro público indevidamente de fato está entre as piores coisas que um ser humano pode fazer. Mas, de todos os crimes e atividades condenáveis que o xingador poderia usar, ele vai escolher logo puta? Francamente.
Por outro lado, a palavra puta é utilizada com bastante frequência em contextos eróticos: chamar a mulher de “minha putinha gostosa” costuma ser visto como algo altamente excitante. Mas, por algum motivo incompreensível para mim, nunca ocorreu a nenhum homem chamar-me de “minha psicologuinha safada” ou “vem cá, estudantinha de literatura tarada”.
Quando me chamam de filha da puta, respondo: “na verdade, minha mãe era professora de francês, mas aí ela foi promovida e virou diretora da escola, etc.”
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Nota do editor: Ainda que sabedor da civilidade de seus leitores e leitoras, o Amálgama reitera (assim, por nenhum motivo em especial) que, embora palavrões possam aparecer nos textos, eles continuam proibidos nos comentários :-p
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17 comentários:



Caro editor:
Os palavrões usados pela senhora Camila Pavanelli, estão dentro do contexto que ela pretende expor. A tese é antiga, pois a maior parte das pessoas que pretendem ofender outras, usam palavras inadequadas. Só algo que talvez eu tenha interpretado mal: essa da professora de francês não entendi o posicionamento, talvez o senhor, na sua douta sapiência possa explicar melhor. Como desabafo, talvez por um dia estressante, é válido e sai da rotina.
Um abraço.
Um puta texto :-p
Porra, do caralho!
Esse negocio do “vai tomar no cu!” passou a ser uma coisa muita engraçada pra mim de uns tempos pra cá, graças aos meus amigos e amigas. Pois muitas vezes quando eu tô com raiva de alguem eu mando ir tomar mesmo! E meus amigos falam ” Oh! doida, disperdiçando uma coisa tão boa com um diacho desse?! Manda eu ir tomar, que eu te garanto que vou adorar!”
Desde então eu agrado os meus amigos sempre, mandando todos irem tomar no cu!
Outra coisa engraçada que aconteceu comigo, foi quando tinha um pessoal da espanha fazendo um intercambio por essas bandas. Uma noite estavamos no bar, e quando minha amiga narrou uma situação super chata que aconteceu com ela, eu disse ” poxa, que foda né…”. Ai, o menino espanhol me perguntou o significado de foda, e depois de tudo explicado ele disse: Mas como isso pode ser usado pra uma coisa ruim? Foda, pelo que entendi é muito, muito bom!
E por isso que eu digo que esse texto é foda!
Ótimo texto!!
Eu e um amigo pensamos mais ou menos assim, mas na verdade não analisamos o palavrão, mas os vemos como meras palavras…
“Me paga uma cerva?”
“Vai tomá no cú!”
“Tá eu vou, mas me paga a cerveja?”
Abraço!
Este texto é para ficar nos anais da história da palavronologia brasileira! Meus parabéns, senhorita Camila pela sua desenvoltura com a grossura. Grossura da língua falada, é claro…
Matou.
Uma vez eu ouvi o seguinte: que nossos palavrões vinham mais ou menos de duas vertentes: uma concepção grega de ofensa, e uma latina. Pros gregos, o que pegava era a ascendência e descendência, então ofender membros da família é o jeito mais eficaz e irreparável de ofender alguém – ou de sentir-se ofendido. Para os latinos, havia uma coisa pudica com o corpo, um problema sério em expor as partes íntimas. Tanto – eu li – que a coisa de despir os condenados estva na intenção de humilha-los mais. Sendo assim, quando dizem bastardo (e filha de
coisas como cadela, etc etc) querem que vc se sinta ofendida como uma grega se sentiria. Já dizer caralho, buceta, tomar no cú, querem que vc incorpore o furor romano. Agora, filha da puta e tomar no cú podem ser distorções brasileiras dos modos de magoar alguém, incluindo ai no meio um bom toque de moralismo etc…
Mas tudo isso são conjecturas, há que se encontrar especialistas em cultura grega e atina e saber se já nos tempos clássicos as putas, os ociosos e os pederastas eram assim mal vistos….
bjos!!
hahahahahha!!!! Como diz o Rafael, esse texto entrou nos anais, quer dizer, entrou PROS anais…
Adorei!
Bwahahahahaha!!!!!!!! Disse tudo, Camila!
E como diria Rafinha Bastos, dependendo da pessoa e da situação mandar tomar no cu é elogio…
Oie…
Adorei o texto, como seria se a gente levasse tudo ao pé da letra né!!!
Muito bom mesmo, parabéns!
É interessante como nunca nos perguntamos sobre isso e esse texto vem fazer isso de forma bastante engraçada. Mas tamb´m não tem como nós pensarmos quando falamos eles, afinal eles, em sua maioria são impulsivos. Ou alguém diz um “obrigado Jesus” ao dar uma topada?
Não sei porque não saíu meu comentário, postado aquando do recebimento do e-mail do Amálaga. Vá-se entender esta rede mundial. Nele dizia que todos me conhecem por não aprovar linguagem chula. No entanto aceito o artigo da senhora Camila Pavanelli, porque ela escreveu num momento de crise (TPM, senhora?) e unicamente para adultos. Deve ter motivos de sobra para vituperar deste modo. Também sou como ela: os xingamentos ferem-me quando vêm de pessoas a quem respeito. Os outros, francamente, os outros não me atingem. Senhora Camila espero que esteja mais calma. Creia, a sua caravana passa, não obstante … Um abraço.
Joaquim Azevedo
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Senhor Joaquim,
O comentário que você fez anteriormente foi respondendo ao feed/email, e não tinha como entrar mesmo na página do post. Para entrar aqui, há que comentar diretamente no site.
Abs.
Daniel
editor
Poha vei ,
vc é nerd pra caaraca’
Caabaço!!
Essa história de “tomar no cu” é mesmo interessante….quer dizer, interessante é o sentido que se atribui ao xingamento. Me fez lembrar de certa vez em que presenciei um desentendimento entre dois homens num bar. Um deles era gay. Quando foi mandado a ir tomar no cu, ele deu uma gargalhada das mais gostosas e disse:” Ai delícia, tomo mesmo!Uma, duas, três vezes…e quantas mais vc me mandar!”…rsrs..depois disso, não teve espaço para mais nenhuma discussão….
Ou veyy,
Amei amei essas frases, parei para pensar muito, e sakuei que voce esta certa.
Apatir de hoje vou colokar esas frases em açao
hohohohohohho
bjss
Já me chamaram de tudo, mas percebí que já faz muito tempo que não me chamam mais de côrno. Será que já passou da hora de trocar de mulher e não me toquei?