Kate Winslet entre o holocausto e o Oscar

por Diego Viana – Estreou no Brasil no último dia 6 o filme pelo qual Kate Winslet concorre ao Oscar de melhor atriz. O Leitor (The Reader, 2008, produção EUA/Alemanha dirigida pelo britânico Stephen Daldry) já valeu à atriz inglesa uma pilha de outros prêmios, incluindo o Globo de Ouro e o Bafta, e não duvido que lhe traga mais um. É um filme de excelentes atuações, não só a dela, mas também as de Ralph Fiennes, do jovem David Kross e do eterno Bruno Ganz, embora este último destoe dos demais em linguagem. Ouso dizer, porém, que dos três atores principais (Winslet, Fiennes e Kross), quem menos merece prêmios é justamente a mais premiada.

Chegaremos a isso. Primeiro, sobre o filme. Trata-se da adaptação de um romance alemão de muito sucesso, Der Vorleser, de Bernhard Schlink. Editado pela primeira vez em 1995, o livro aborda com uma delicadeza enorme o conflito moral da juventude alemã imediatamente posterior à queda do nazismo: a culpa, a vergonha, a humilhação, a impossibilidade de confiar nos próprios pais. Um dos grandes méritos do livro e, por extensão, do filme é colocar sutilmente a questão de quem eram as pessoas que levaram a cabo a Shoah.

Essa é, de longe, a questão mais difícil a colocar e mesmo a enxergar no filme (deixo o livro de lado porque não é o tema). Num texto para o Monde, por exemplo, o crítico Jacques Mandelbaum viu no filme uma enorme complacência para com os monstros do nazismo, a ponto de sugerir piedade por uma criminosa confessa que participou do assassinato a sangue frio de 300 judeus. Se, por um lado, Mandelbaum está certo ao apontar uma certa pieguice na música constante (não nos esqueçamos de que a produção é em parte americana), por outro, ele passa ao largo do que há de realmente mais terrível na situação apresentada pelo enredo (se sou vago, é intencional; não quero antecipar detalhes da história para quem ainda não viu o filme).

Mandelbaum, talvez por um envolvimento emocional muito próximo com os horrores da Shoah, está cego para algo que é mesmo mais conveniente não ver. É a banalidade extrema do mal, que chocou Hannah Arendt durante o julgamento de Adolf Eichmann. No caso apresentado em Der Vorleser, a principal acusada é uma mulher simples, analfabeta e dona de um rigor moral, a princípio, não muito diferente do de minha vó. Não obstante, é uma assassina. As outras mulheres são desagradáveis e insolentes como tantas senhoras “de boa sociedade”, cumpridoras e defensoras de todas as regras e costumes que herdamos de nossos ancestrais. E isso não as impediu de encerrar trezentas pessoas, incluindo mulheres, velhos e crianças, numa igreja em chamas.

Um filme teria de ser muito brilhante para ocultar ou questionar o fato de que esses indivíduos são monstruosos; de fato, são tão monstruosos que a consciência sã não consegue imaginar que tamanha monstruosidade possa mesmo existir. Mais terrível ainda é constatar que existiu e foi executada por pessoas tão normais, tão dignas de respeito e admiração quanto muita gente da nossa própria família e, por que não dizer, quanto cada um de nós. Pessoas que se deixaram cooptar pela máquina da violência primitiva com uma facilidade chocante.

Essa constatação perturbadora é que escapou a Mandelbaum. Qual é a fronteira, afinal, entre o respeitável cidadão e o criminoso hediondo? Haveria algo errado no sangue alemão? Aos que responderem afirmativamente, devo lembrar que a última grande doutrina de determinismo genético terminou em câmaras de gás. Mas seria, então, a propaganda massiva, o momento histórico, o rancor social, tudo isso misturado? Seja o que for, o fato de que aconteceu com pessoas tão banais, tão normais, é sinal de que o horror e a monstruosidade não são ocorrências excepcionais. Logo, estamos todos pelo menos um pouco sujeitos a escorregar para o desumano, quando por algum motivo a lucidez e a razão se deixarem obliterar.

Uma vez que tenhamos em mente a proximidade perturbadora desse mal banal e absoluto, podemos descer da abstração ficcional de Der Vorleser e voltar para o campo da realidade. Uma postura categórica como a de Jacques Mandelbaum tem a aparente vantagem de nos manter ao abrigo da insegurança diante do mal possível. Mas é uma armadilha: ela corresponde a hipostasiar e preencher a categoria do monstro criminoso, de forma que se torna impossível crer na possibilidade de que as vítimas de ontem sejam os carrascos de amanhã. Esse, sim, é o maior risco que corre a humanidade.

Contudo, a história está repleta de exemplos de inversões desse gênero. Estou certo de que Mandelbaum seria capaz de citar mais de um exemplo. É por isso que o enredo de Der Vorleser precisa ser abordado com o olhar da pergunta, da perplexidade, do impasse. Episódios extremos como a Shoah não podem ser observados por um ângulo muito diferente disso, sob risco de rapidamente serem normalizados pelas categorias simples como a do inimigo diabólico, mas derrotado para sempre. É preciso ter coragem de se perguntar quem é esse inimigo diabólico; e é preciso não fraquejar diante da constatação, presente em Der Vorleser, de que ele é qualquer um e ninguém em particular. Por fim, é preciso reconhecer que ele não está derrotado para sempre, mas disseminado um pouco por cada canto do tecido social.

Se o filme, porém, não explicita o bastante essa problemática, culpe-se a narrativa linear demais, apesar do recurso do flashback que, no cinema americano, passa por supra-sumo (não me obrigue a escrever suprassumo) da heterodoxia. Entre o coração partido do protagonista e os impasses trágicos da história alemã e, convenhamos, universal, não é de surpreender que a direção escolha o primeiro. Vender ingresso é preciso, meter o dedo na cara do espectador não é preciso e ainda arrisca gerar um fracasso. Talvez seja daí que vem a condescendência que Jacques Mandelbaum aponta no filme. Desse ponto de vista, ele está coberto de razão.

*

Mas o sucesso da película está garantido, em grande medida, pelos atores, conforme eu disse no primeiro parágrafo. David Kross [ao lado], que faz o protagonista quando jovem, tem 18 anos e potencial para ser um dos grandes atores alemães de sua geração. Anote o nome do rapaz. Ralph Fiennes dispensa comentários. Não precisa fazer gesto quase nenhum para que sintamos o mesmo que sente seu personagem, como faziam os atores de Bergman e como acontece a alguém que se vê diante de uma pessoa que vive uma emoção muito forte, quero dizer, na vida real.

Porém, quem vem recebendo todos os aplausos e todas as homenagens é Kate Winslet. A meu ver, o motivo é simples. Sua interpretação é a única que vai inteiramente na linha Lee Strasberg, isto é, “à americana”. Se Ralph Fiennes atua com a elegância “sueca” em que sentimos o que o personagem sente, Winslet atua com o marca-texto hollywoodiano em que vemos claramente o que o personagem sente. Ela treme quando está com medo, pula quando está alegre, franze o cenho na melancolia. E como ela o faz com muita competência, vai papando todos os prêmios.

Não quero, com isso, dizer que ela esteja mal no papel. Pelo contrário, a escola Actor’s Studio de atuação é tão legítima quanto qualquer outra. Dada a repercussão entre os eleitores de todos os prêmios que Kate Winslet ganhou, aliás, parece ser um método muito bem considerado. Pessoalmente, fico imaginando como seria avassaladora a nazista e analfabeta Hannah Schmidt se interpretada por, digamos, Liv Ullmann ou Bibi Andersson

 
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13 comentários | Dê sua opinião

  1. Daniel de Souza Lopes 13/02/2009 em 10:55 am

    Concordo com o autor do texto, no que diz respeito à interpretação da Kate Winslet. Quando li as críticas do filme e quando vi Kate papando todos os prêmios, fiquei me perguntando:
    - Será que só eu que não estou vendo nada demais nesta interpretação a la Meg Ryan?
    É bom saber que alguém mais não viu nada de tão excelente na atuação da atriz em questão. Ontem li uma resenha sobre o filme no yahoo e ela criticava como sendo “sem graça” a atuação de Ralph Fiennes. Vai entender. Parece que as caras e bocas venceram.
    Mas o filme é legal.
    E, se for pra ficar com uma Kate, prefiro a Blanchet.
    Abraço

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  2. BRUNO RICARDO SOARES DA COSTA 13/02/2009 em 3:48 pm

    Olha nao concordo com os comentários acima sobre a interpretaçao de Kate Winslet. Acho que isso ter a ver mais com gosto pessoal do que com qualquer outra coisa. Como o próprio autor disse existe estilos de interpretaço diferentes. Logo cada um gosta de uma determinada linha de composiçao de personagem e menos de outra. O desempenho de Fiennes e do Kross sao realmene muito bons. No entanto o desepenho da inglesa é relamente esplêndido. No fim do artigo a autor cita que gostaria de ver a atriz Liv Ulman no papel. Mas como dissse sao estilos diferentes! Há quem nao aprecie muito o tipo de interpretaçao da atriz sueca, mesmo que ela esteja a quilêmetros de distancia de ser apenas boa. Quanto a Cate Blanchet, ela tem o mesmo estilo de interpretaçao que Winslet. È uma atriz muito boa, mas que nao podemos esquecer , escorregou justamente no papel que lhe conferiu o oscar: sua estridente interpretaçao no filme O aviador.

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  3. Diego Viana 13/02/2009 em 5:08 pm

    Daniel, puxa, quem me dera poder escolher entre as Kates… você deve ser um D. Juan de altíssimo nível! :-)

    Bruno, acho que é mais do que uma diferença de técnica de composição do personagem. Não é qualquer ator que consegue colocar seu personagem na própria carne e na própria voz; neste filme, pelo menos, Kate Winslet não faz isso, ela segue (à risca, mas enfim) uma série de fórmulas de emotividade. É claro que isso é um direito dela, mas 1) fica um pouco estranho ao lado de atores mais sólidos e 2) não deveria valer tantos prêmios assim.

    O que eu quis dizer quando disse que imaginava uma Liv Ullman, por exemplo, no papel, é que, nesse caso, em vez de dizer “ah, ela deve estar nervosa, porque está com cara de nervosismo”, eu me veria obrigado a pensar: “pqp, quanto nervosismo!”

    Não é uma questão de natureza técnica, mas constitutiva: é nisso que consiste a arte do ator.

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  4. Bruno 13/02/2009 em 5:55 pm

    Acho que nâo tinha compreendido bem a natureza dos seus comentários. Não sou fã de atores e sim de talentos que emprestam suas voezes e corpos á personagens contundentes;complexos;apaixonantes.
    Tenho que admitir que Kate Winslet nao teve , em O leitor. o melhor desempenho de sua carreira. A atriz já teve interpretaçoes melhores. Em Pecados íntimos e Brilho eterno de uma mente sem lembranças, ela teve perrfomaces superores a esta.Nestes longas pude percebeu o que você mencionou ” colocar o personagem na própria carne e voz ” . É verdade também que a inglesa vai ganhar o oscar quando menos merece. Também é bem verdade que em 2008 , ela teve atuaçao melhor em Foi apenas um sonho. Mas o que eu quis dizer é que mesmo com essas ressalvas e mais aquelas apontadas por você, a interpretaçao de Winslet nao deixa de ser ( tudo bem, acho que exagerei no ” esplendida ”! ) ótima.

    Parabéns pelos seus comentários Diego e pelas elucidaçoes.

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  5. Daniel de Souza Lopes 13/02/2009 em 10:33 pm

    Diego, acho que vc entendeu que, quando eu falei que preferia a Kate Blanchet, quis dizer que a preferia enquanto atriz. Infelizmente não sou um D. Juan de altíssimo nível.
    Abraço

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  6. Ricardo Ferreira 16/02/2009 em 1:12 pm

    Car@s amig@s,
    deixem-me que lhes diga que Kate Winslet é só e nada mais do que a melhor actriz da actualidade.
    Não me refugio nos argumentos das premiações e indicações aos óscares(imensas para a sua idade – aliás, foi a mesma Winslet que fez história nos Globos de Ouro deste ano), mas antes prefiro recomendar-lhes grandes interpretações como a de «Íris», «Finding Neverland», «Little Children», «Life Of David Gale» ou mesmo «Eternal Sunshine Of the Spotless Mind».
    Meus amigos, estamos perante a melhor. A melhor.
    Concordo que a sua interpretação em «Revolutionary Road» não tenha sido nada de brilhante, tal como prevejo no «The Reader», mas isso não invalida o talento IMENSO da actriz que já merece, há muito, um óscar…pois actrizes como Blanchet, Anne H. ou mesmo Meryl Streep, por muito boas que sejam, não conseguem ter o carisma e talento multi-facetado de Winslet.
    Tenho dito.

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  7. Klauss 16/02/2009 em 9:16 pm

    Concordo com o Ricardo, só tenho uma coisa a acrescentar Kate irá ganhar o Oscar sim, para desespero de muita gente que não entende nada de interpretação, sensibiliade, entrega e perfeição, mas Kate supera a isso tudo, aprendam antes tecer comentários irracionais e desnecessários, pois Kate faz parte de uma unanimidade que a elegem como uma das melhores atrizes do mundo!!!!

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  8. Diego Viana 17/02/2009 em 6:23 am

    Daniel, claro que entendi; a alusão a Don Juan foi um chiste.

    Ricardo, não estou negando que Kate Winslet seja talentosa. Meu comentário foi a respeito desse filme exclusivamente. De qualquer forma, “a melhor” é um exagero gigantesco. Aliás, sobre Meryl Streep, asseguro que ela está muitos, muitos, muitos degraus acima.

    Klauss, seus argumentos são tão bem colocados, seu tom, tão seguro e sua expressão, tão clara, que me sinto até intimidado de cogitar a possibilidade de discordar de qualquer afirmação sua. Desculpe ser irracional a ponto de pensar que ninguém, nem Kate, pode superar a perfeição; desculpe pensar que isso é uma contradição gritante… esse tipo de pensamento é desnecessário, como você diz, aliás, pelo visto qualquer pensamento é desnecessário. Pode ficar tranqüilo, estou certo de que ela vai ganhar o Oscar, mas, só por curiosidade, você se lembra do que Nelson Rodrigues diz sobre a unanimidade?

    Responder
  9. Bel Botter 17/02/2009 em 5:32 pm

    Caro Diego,
    parabéns pela bela análise do filme apresentada nesse texto. Concordo com a sua observação de que um dos pontos fortes do filme é a expressão corajosa da “banalidade extrema do mal”; e achei muito pertinente a conclusão a que vc chegou sobre o perigo de não se reconhecer que, de fato, a maldade, a violência e a loucura estão sempre muito mais próximas do que gostamos de acreditar (a coisa da normatização e tals…).

    Agora o mais legal foi que o seu texto me ajudou a entender um pouco melhor os motivos pelos quais o filme me emocionou tanto. Eu tentava explicar isso para a Camila (do RRE) há algumas horas, pelo Skype, quando ela me sugeriu que eu lesse a sua análise, e acho que agora tenho um pouco mais de clareza para retomar o bate-papo com ela e tentar dizer por que e como o filme me tocou tanto…

    Sobre a Kate Winslet, já adianto que sou suspeita para falar qualquer coisa, pois sou super fã dela… mas, de verdade, não tive essa mesma percepção que vc teve, de uma atriz fazendo caras e bocas para expressar os sentimentos da personagem. Não sei absolutamente nada sobre “escolas” de interpretação, mas o fato é que eu também senti, ao longo do filme, o que Hannah sentia (principalmente aquela angústia crescente durante o julgamento, com fortes toques de orgulho e vergonha… angústia orgulhosa e austera que a gente sente que vai transbordar, mas que Hannah acaba por conter, sabe-se lá por quais meios subjetivos…).

    Responder
  10. Diego Viana 18/02/2009 em 9:41 am

    Oi Bel, obrigado pelo comentário, o primeiro que menciona a questão principal, sobre a proximidade e a banalidade do mal, que se reproduz a cada geração, onde menos se espera, e que o crítico francês preferiu ignorar por motivos infelizmente claros demais… Sobre Kate, eu não quis causar esse rebuliço todo aí acima… só mencionei que a atuação dela é hollywoodiana demais pro meu gosto, mas enfim. É que cansei de Hollywood, entende? Perdi o hábito…

    Responder
  11. Bel Botter 18/02/2009 em 7:17 pm

    Diego,

    A sua resposta me fez pensar que não foi apenas o crítico francês que “preferiu” não mencionar o que, de fato, nos pareceu – a vc e a mim, pelo menos – o grande e mais desconcertante enclave do filme… É mais gostoso, mesmo, devanear sobre as “kates” e “cates” desta vida, vc escolhendo entre uma delas etc… ;-)

    Hollywood cansa mesmo. Acho que te entendo, embora não possa dizer que tenha “perdido o hábito”… Os filmes que me interessam ou os filmes em que atuam pessoas que me interessam, continuo a vê-los – e ainda por cima no cinema, sempre que a aposta é mais alta…

    Responder
  12. Maria Cavalcanti 23/02/2009 em 1:03 pm

    Caro Diego,

    li sua análise dias atrás, porque queria ir ao cinema e não sabia se ver O Leitor não seria perda tempo (filme americano, hollywood, orcar e essa coisa toda).

    Gostei tanto do que você escreveu que fui ao cinema, e acho que seu texto em parte guiou meu olhar: percebi claramente a questão da banalidade do mal que o filme coloca… Essa é a chave. Algum outro filme já teria abordado o holocausto sob esse ponto de vista? Não me lembro.

    (Kate Winslett já ganhou o Oscar, pronto. Ela é ótima atriz, mesmo. Mas imaginar a Liv Ulmann no mesmo papel me lembrou o quanto essa personagem poderia ganhar em complexidade e sutileza.)

    Obrigada!

    Responder
  13. Barbara Dantas 12/03/2010 em 8:20 pm

    Eu gosto muito do trabalho de kate wislet, mas o trabalho dela que eu particularmente mas gosto,nao que nao goste dos seus outros trabalhos ,mas eu sou apaixonada por ¨TITANIC¨… eu nao sei o porque mais me faz bem!!! Mia,12 de maio de 2010.

    Responder

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