Direito de Amar (DVD)

por Juliana Dacoregio

A estreia do estilista Tom Ford como cineasta nos brinda com uma bela história, tanto pelo enredo, quanto pela fotografia que expressa o que se passa no interior do protagonista a cada quadro.

Somos apresentados a George (Colin Firth), um professor de literatura homossexual,  e logo percebemos sua introspecção. Um homem que considera cada novo dia como a aproximação do fim inevitável. Sua insatisfação só era minimizada com a presença de Jim (Matheew Goode), seu jovem e otimista amante. Após a trágica morte de Jim, George mergulha definitivamente em sua solidão e tormento, por ter de esconder sua sexualidade. Colin Firth transmite a resignação mesclada à revolta contida, mostrando que é um ator que vai muito além do galã tímido, Mark Darcy, de Diário de Bridget Jones.

De fato é um filme sobre a homossexualidade e a angústia causada por não poder assumi-la publicamente.

O mais próximo que George chega de discutir essa condição é durante uma preleção sobre as minorias em uma de suas aulas:

Uma minoria é considerada como tal só quando constitui um tipo de ameaça à maioria. Uma ameaça real ou suposta. E é aí que reside o medo.

Se uma minoria for, de certo modo, invisível, então o medo é muito maior. É por causa desse medo que a minoria é perseguida. Assim, sempre há um motivo. O motivo é o medo. As minorias são só pessoas. Pessoas como nós.

O medo, afinal, é nosso real inimigo. O medo está tomando conta do nosso mundo, sendo usado como ferramenta de manipulação da sociedade.

Os alunos o olham entre atônitos e indiferentes depois desse discurso, mas um deles o procura e começa então um relacionamento que faz George de certa forma relembrar seu passado mais leve com o falecido amante.

Juliane Moore é a melhor amiga de George e uma figura feminina de importância no filme. É na presença dela que ele experimenta algum momento de alívio, mas que acaba rapidamente devido à angústia presente no dia-a-dia dos dois amigos. Além disso, a personagem de Moore vive apenas do passado, sem objetivos de vida, fugindo da realidade com jantares, roupas, bebida e cigarros.

Tomei duas resoluções de ano-novo. Resolução 1: chega de falar de ex-maridos horríveis e filhos que não estão nem aí. Resolução 2: fumar mais, beber mais e transar adoidado.

::: Direito de Amar ::: Estúdio: LK TEL ::: Ano: 2010 :::

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