Dilma jogando Lula para escanteio

por André Egg
Outro dia escrevi um texto dizendo que o lulismo acabava com a saída de Lula do governo. É que eu via muita gente dizendo que Dilma era fantoche de Lula, e que ele continuaria dando as cartas num provável governo dela.
Eu dizia que ele sai de cena, e isso está acontecendo até mais rápido do que eu imaginava.
Na equipe de transição, Palocci assumiu papel chave, e considero que ele entrou como homem do Lula. Ficou no ministério, como Chefe da Casa Civil e responsável pela coordenação política. Gilberto Carvalho, assessor especial de Lula, também ficou como ministro. Justamente ele, que chora ao falar de Lula, e fica ameaçando com a volta do barbudo em 2014.
Mas à medida que o governo Dilma vai se desenhando, ele aponta para algumas diferenças importantes em relação à era Lula.
Um cara entendido em política interna do PT diz que o Palocci já está sendo fritado. Isso significaria um lulista a menos.
O ministério de Dilma também já apontou diferenças importantes: substituições nas Relações Exteriores e no Banco Central, para ficar nas que vão provocar mudanças mais imediatas e efetivas. No MRE, o Brasil adota postura mais cautelosa em relação ao Irã, e parece que vai reforçar parcerias mais tradicionais (meu colega Marlon Marques já vem escrevendo sobre isso). No Banco Central, mudou-se a pilotagem do mercado de câmbio, com a sinalização de que está com os dias contados a política de sobrevalorizar o Real para combater a inflação (veja a opinião do João Villaverde). Ao mesmo tempo, já se fala em redução da meta de inflação, atualmente em 4,5% com tolerância de 2 pontos.
Outra mudança importante foi o deslocamento de Paulo Bernardo para o Ministério das Comunicações. Isso aponta para a intenção de promover uma mudança forte no setor, com critérios técnicos. O setor é mais do que estratégico na economia do século XXI, e o Brasil tem muito que avançar. Sem um lobista da Globo no cargo, fica muito mais fácil.
Em outros setores do governo, segue tudo na mesma. Fernando Haddad mantido na Educação, onde vem fazendo bom trabalho. Orlando Silva mantido nos Esportes, onde continuará não fazendo nada, e o Brasil segue sem nenhuma política de universalização da prática esportiva – como seria de se esperar da gestão de um ministro comunista. Na Cultura, parece que a coisa vai piorar um bocado, com o feudo que já foi de Gilberto Gil passando para Chico Buarque. Ao menos Juca Ferreira era um bom executivo na pasta – seu afastamento é mau sinal.
Em geral, a área gerencial do Governo Federal já era pilotada por Dilma há muito tempo. Por isso não precisou grandes mudanças. Onde Lula reservava mais autonomia era na coordenação política, no Banco Central, e nas Relações Exteriores. Onde não precisou atender aliados de outros partidos, Dilma parece que deixa bem claro que seu governo não é o de um Lula de saias.

Ao menos, poderá não ocorrer a dualidade de poder ou poder paralelo. Ou mesmo a tutela ou ingerência. São figuras inexistentes na Constituição Federal e seria indício sério de crise.
Existem diversas formas possíveis de poder paralelo, ou dualidade, e não há constituição capaz de impedir isso.
Mas Dilma não é um Luiz Paulo Conde, um Celso Pita ou uma Rosinha Garotinho.
Pode até não impedir. Mas inibe. A CF coloca freios e contrapesos à ação política e administrativa.
Esse tipo de artigo, só pela linguagem, me cheira mal, embora até concorde com algumas coisas. Mas, essa de “…que chora ao falar de Lula, e fica ameaçando com a volta do barbudo em 2014.” não é preconceito e agressão? Ameaçar se usa quando se quer prometer um castigo, e felizmente Lula foi um presente pro Brasil, pra tristeza de alguns; barbudo, só faltou colocar sapo antes – vc se refere aos sem barba como? “Um cara entendido em política interna do PT diz que o Palocci…”Isso tb é a linguagem q a imprensa toda usou para denegrir Lula e Dilma na campanha. Quem é o cara? Ele é ntendido porque? É boato? Isso não é o que se faz para semear o que se quiser?
André,
Eu não diria que Dilma está “jogando Lula para escanteio”, mas sim iniciando o seu trabalho. É perfeitamente natural o fato deles terem características diferentes, afinal, eles têm formação políticas diferentes – e o sapo barbudo sabe disso melhor do que qualquer um, afinal, trabalhou muito próximo da Presidenta por anos a fio e a indicou mesmo assim. E a minha aposta sempre foi de que isso acontecesse, tanto, que escrevi sobre isso em dezembro ainda. O Lulismo sempre foi o Plano B do Petismo, não uma linha partidária. O comando do PT pode estar centralizado, mas não pessoalizado peronisticamente falando..
abraços
P,S: Eu veria mais o Palocci como um homem do establishment petista, não tanto de Lula – o homem de Lula mesmo é o Gilberto Carvalho. Mas Palocci não terá vida fácil, por causas que tem pouco a ver como uma eventual “deslulização” do Governo Federal e mais pela conjuntura interna do PT.
Desculpem a minha ignorância, quem é André Egg? Pelo seu texto, poderia, perfeitamente, escrever para o PIG. ” Um cara entendido em política interna do PT … ” é pura fofoca entremuros das comadres. A Dilma é a presidente deste país. E só é porque o Lula viu nela qualidades para isso. Não há rivalidade. Ela tem que governar, e bem, para não desmoralizar o empenho do Lula em elege-la. Como alguém pode fazer julgamento em 14 dias de governo? Só cigano, na bola de cristal.
Cara Ertha,
Você resumiu plenamente a história!
Parabéns!
Brandon,
Ãcho um desrespeito como algumas pessoas se referem ao Lula. Ele provou ser capaz de governar, embora sendo operário. Mas não adianta .Para estes garotos que já encontraram a democracia reestabelecida no pais, haverá sempre preconceito . Essa forma empolada, pernóstica, pretensiosa de análise só demonstra muita vaidade. Garanto que não seriam capazes de correr os riscos que Lula e Dilma correram, para que eles hoje vivam em um pais democrático. Poderiam ao menos serem respeitosos.
Texto interessante, mas “Fernando Haddad mantido na Educação, onde vem fazendo bom trabalho”… não é bem assim que funciona. Os estudantes brasileiros sabem perfeitamente disso.