Entrevista com Ilan Pappe
14–01–2009 – – Enviar para e-mail
A Globo News reapresentou há poucos dias, em seu programa Milênio, uma entrevista com o historiador israelense Ilan Pappe. Recomendo aos leitores do Amálgama que assistam atentamente ao vídeo, de pouco mais de 23 minutos. Pappe, autor de The ethnic cleansing of Palestine (resenha aqui no site), é implacável em sua desconstrução dos mitos do passado e do presente de Israel. [Daniel Lopes]
Leia também:
7 comentários:



o prof pappe com sua serenidade nos dá uma lição de história que desmistifica a propaganda do governo israelense quanto ao povo palestino.
só vem a confirmar o que eu, modestamente, há algum tempo, venho afirmando que a solução do conflito aponta para um estado binacional na palestina, não há outro jeito. vide o exemplo, aliás citado pelo historiador, da áfrica do sul.
parabéns ao amálgama pelo vídeo.
abçs
obs: alguma idéia do lançamento do livro aqui no brasil ou em portugal?
[Responder]
Carlos, que eu saiba o livro ainda não tem previsão de ser traduzido por aqui. Mas o original pode ser encontrado no site da Cultura por um preço até razoável, veja: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2132895&sid=98220320510121954609826974&k5=275FECDB&uid=
Abs.
[Responder]
A entrevista está disponível aqui:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM944425-7823-SILIO+BOCCANERA+ENTREVISTA+ILAN+PAPPE,00.html
[Responder]
Excelente documentário. O conflito manter-se-á enquanto Israel fôr apenas uma base militar americana.
O actual apoio dos Estados Unidos ao governo israelita corresponde aos interesses próprios americanos. Numa região onde o nacionalismo árabe pode ameaçar o controle de petróleo pelos americanos assim como outros interesses estratégicos, Israel tem desempenhado um papel fundamental evitando vitórias de movimentos árabes, não apenas na Palestina como também no Líbano e na Jordânia. Israel manteve a Síria, com o seu governo nacionalista que já foi aliado da União Soviética, sob controlo, e a força aérea israelita é preponderante na região.
Como foi descrito por um analista israelita durante o escândalo Irão-Contras, onde Israel teve um papel crucial como intermediário, “É como se Israel se tivesse tornado noutra agência federal [americana], uma que é conveniente utilizar quando se quer algo feito sem muito barulho.”
O ex-ministro de Estado americano, Alexander Haig, descreveu Israel como o maior e o único porta-aviões americano que é impossível afundar.
O alto nível continuado de ajuda dos EUA a Israel deriva menos da preocupação pela sobrevivência de Israel mas antes do desejo de que Israel continue o seu domínio político sobre os Palestinianos e que mantenha o seu domínio militar da região.
Na realidade, um Estado israelita em constante pé de guerra – tecnologicamente sofisticado e militarmente avançado, mas com uma economia dependente dos Estados Unidos – está muito mais disposto a executar operações que outros aliados considerariam inaceitáveis, do que um Estado Israelita que estivesse em paz com os seus vizinhos.
Israel recebe actualmente três mil milhões de dólares por ano em ajuda militar dos Estados Unidos.
[Responder]
Leim que artigo esclarecedor:
“É sempre assim: toda vez que Israel reage àqueles que o atacam ou que põem em risco a sua existência como Estado; parte da mídia tende a tratá-lo como espécie de “inimigo público número um” no Oriente Médio.
Deu no programa “Milênio”, dia 05/01/2009 (época em que Israel incursionava em Gaza) e foi reprisada no dia seguinte exaustivamente pelo Canal Globonews a entrevista com o historiador revisionista judeu Ilan Pappe tomada pelo repórter da Rede Globo Silio Boccanera.
O israelense Ilan Pappe pertence à safra dos “novos historiadores”, turma que se propõe rever fatos históricos, no mais das vezes, atribuindo a tais acontecimentos a pecha de “falsos” ou “manipulados”, propondo revisionar os fatos sob a sua ótica ideológica de esquerda.
Ilan Pappe não foge à regra e segundo o seu livro “The Ethnic Cleansing of Palestine” (A Limpeza Étnica da Palestina), o povo judeu – pelo sionismo, antes mesmo da fundação do Estado de Israel em 1.948 – vem promovendo uma limpeza étnica do povo árabe na palestina, inclusive por meio de guerras.
A chamada da “Globonews” anunciava a entrevista fazendo menção à referida obra de Ilan Pappe segundo a qual “ajuda a entender os recentes acontecimentos na faixa de Gaza”.
Pois bem.
Muito conveniente essa reprise da entrevista com o marxista israelense Ilan Pappe em um momento em que Israel incursionava em Gaza – conveniente, é claro, para os padrões de um jornalismo tendente a manipular a opinião pública.
Nessa senda, irônico é o fato de Karl Marx, também de ascendência judaica, depois de defecar o comunismo, aduzir que o fez para se vingar de Deus e do seu povo (mais conhecido como povo de Israel). Com efeito, servindo ao propósito de o seu ideal, o comunismo exterminou, em todo o mundo, mais de duzentos milhões de vidas humanas! Ilan Pappe, como político do partido comunista israelense – Hadash, não conseguiu introduzir, nos anos 90, o marxismo em Israel – fato que o frustrou a ponto da psiquiatria e, agora, procura vingar-se de Israel e do seu Deus por meio de burlesca ideologia conhecida como “revisionismo” – ala excêntrica esquerdista que se propõe a “desmistificar” fatos históricos e reinventá-los, ou melhor: interpretá-los a seu bel prazer, é claro.
Ideologia esquerdista? “Sim senhore, positone”.
Eis ai o venezuelano Hugo Chaves e a revisão (reinvenção) da história da América Latina pelo tal
bolivarismo!
Mas, é tão distorcido e contraditório o revisionismo do marxista judeu Ilan Pappe que ele não foi capaz de explicar na entrevista que concedeu a Globo como é que a população ÁRABE ISRAELENSE sói cresce no estado de Israel: árabes comerciantes; árabes padeiros, árabes joalheiros, árabes donas de casa, árabes professores, árabes cientistas, árabes músicos, árabes engenheiros, árabes advogados, árabes médicos, enfim e que convivem com o cidadão israelense judeu, harmoniosamente, dentro do território de Israel!
Ora, para quem (Israel) quer fazer e “sempre fez” “uma limpeza étnica” (da população árabe)
segundo o revisionismo de Ilan Peppe, muito estranho não é mesmo?
Aliás, reflexo dessa crendice absurda e risível do revisionismo foi visto no “Manhattan Connection” (GNT da rede Globo), ocasião em que o jornalista Lucas Mendes chegou ao cúmulo de ponderar se os mísseis qassam não seriam preparados e disparados pelo próprio mossad (serviço secreto israelense) contra o próprio territorio de Israel a fim de justificar o ataque na faixa de Gaza por motivos eleitoreiros… Tal disposição de torcer os fatos foi de pronto rechaçada pelos outros comentaristas, ainda bem para a história!
Só faltava essa!
Mas o revisionismo é isso aí, tão aberrante quanto à ideologia que o sustenta. Tendente a acreditar em papai Noel.
É preciso ser honesto e deixar de transferir a Israel uma responsabilidade que não é sua! O povo árabe palestino foi quem conduziu o Hamas ao governo de Gaza! Escolha do povo palestino! Ele próprio o fez! Se os palestinos desejam de verdade a paz, já passou da hora de promovê-la, não acha Willian Waack?
Este jornalista propôs-se a responder a questão do “o quê”, afinal, seria agir de forma proporcional por parte de Israel, já que a pregação da imprensa era a de que a IDF – Israel Defense Force estava usando força desproporcional em Gaza.
Pois bem. Se a saída em relação ao Hamas (que tem como fundamento de governo a extinção de Israel) não é a militar e sim a política, você não acha Willian, que o povo palestino, ele próprio, precisa lançar mão dela (política) diante do seu governo, o Hamas? É que transferir para Israel tal tarefa é mesmo muita leviandade.
Lamento a perda de vidas, inclusive de crianças palestinas. A cena daquelas cinco irmãs mortas é mesmo de fazer chorar e é, de fato, uma perda terrível e muito preocupante. Agora, o governo palestino do Hamas deveria prezar pela vida dos seus concidadãos e estes, por sua vez, verificarem que governo almejam.
Por outro lado, impensável minimizar os efeitos dos mísseis qassam sobre os israelenses!
Mas, retornando diretamente a Ilan Pappe, outra frente distorcida do revisionismo é o pacifismo.
Eu disse pacifismo e não o exercício da paz!
O exercício da paz e o pacifismo são coisas antagônicas.
O pacifismo propõe o automartírio de uma nação pelo fato de ser mais forte do que a outra que lhe ataca! Coloca de joelhos o mais forte diante do mais fraco em nome de uma paz alijada, capenga.
Excêntrico e confuso, mas é isso mesmo que o pacifismo é!
Israel possui um povo organizado que ama estudar, que ama a liberdade, que trabalha e desenvolve tecnologia de ponta, e que por amar a paz desenvolveu poderosa tecnologia militar. Um povo que combate de verdade a corrupção.
Já o “fatah” palestino, corrupto, desvia as milionárias “ajudas” estrangeiras para o seu deleite pessoal, cujos membros residem em mansões, viajam para o exterior, mantém vultosas contas bancárias lá, desfilam em limusines em detrimento do seu povo que vive em estado de miserabilidade.
O Hamas, por sua vez, arma-se até os dentes, pouco se lixando para o pescoço de suas crianças e suas mulheres. Aliás, o seu líder morto pela aviação de guerra israelense, à época do conflito, Nizar Rayyan, confirma esse fato ao gerar filhos para incitá-los, covardemente (ele mesmo não ousou fazê-lo), a explodirem-se em meio a civis israelenses como homens bombas, caso que ocorreu com um dos seus filhos.
Mas eu não vejo a globonews trazer “especialistas” para falar dessa ideologia Hamas que é o considerado o “fraquinho” no conflito. Também nada diz a respeito dos “casamentos” entre marmanjos árabe-palestinos e menininhas de seis anos de idade e assim vai…
Então, Israel deveria ter sido colocado de joelhos por ser o mais forte e suportar os mísseis atirados contra si, afinal, como bem lembrado por Lucas Mendes tais mísseis acertam as pessoas só de vez em quando!
No Sudão vimos os pacifistas agitarem bandeiras brancas e o povo de Darfur dizimado cruelmente e ainda estão sendo. A imprensa? Que nada! Bandeiras brancas bem hasteadas!
Em 1993, na Somália, enquanto agitavam os pacifistas as suas bandeiras brancas, Mohamed Farrah Aidid ria e massacrava o povo com a sua milícia. Quando Clinton, enfim, resolveu agir militarmente, os pacifistas bradaram e hastearam as suas bandeiras brancas pedindo “um cessar fogo imediato” das tropas americanas…
Pera ai. Deixa-me entender: contra a agressão armada bandeiras brancas, é isso? As tropas americanas, melhores armadas, jamais poderiam insurgir-se contra a maltrapilha milícia de Aidid e o melhor a fazer seria acenar bandeiras brancas para ela não é; mantendo-se o estado caótico de coisas criado pela milícia?
Agora sim dá para entender o seqüestro da menina Eloá no Brasil: eliminar Lindemberg, como por diversas vezes teve a chance a polícia militar seria atentar contra o pacifismo; logo, o melhor mesmo foi deixar a garota morrer nas mãos do facínora, seu algoz, mantendo-se o estado caótico de coisas criado por ele mesmo.
Ah! E o sequestro daquele ônibus no Rio de Janeiro em que o bandido matou a refém – tem até filme brasileiro a respeito – exterminá-lo seria uma tremenda desumanidade, o certo mesmo foi manter o estado caótico de coisas criado pelo próprio marginal e a vítima seqüestrada pagou o pato, Certo? Certíssimo na visão do pacifismo!
Mas não é só.
Outro ponto de vista revisionista, bem atual, é o de atribuir à ofensiva israelense no sul do Líbano em 2006, como sendo “um fracasso total” a fim de desacreditar a operação militar em “Strip Gaza”. Contudo, depois do término da ofensiva contra o Hezbollah nunca mais ele lançou um misseozinho sequer no território israelense como vinha fazendo antes da ofensiva de 2006!
Pretender “revisionar” um passado distante vá lá, mas os fatos ocorridos no ano de 2006 são muito recentes para iniciar uma distorção!
Portanto, senhores da imprensa, não dá mesmo para induzir toda e qualquer opinião. Vão devagar. É horrível a guerra? Sim, é. A paz deve triunfar? Imediatamente.
Agora, tentar incutir a idéia de que os judeus querem proceder a uma limpeza étnica na palestina com base no revisionismo ressentido de Pappe é mesmo demais.
Eli-Ezer Emess”
link: http://eli-ezer-emess.blogspot.com/2009/09/globonews-o-revisonismo-de-ilan-pappe-e.html
[Responder]
Este proprio ultimo comentário bem demonstra uma costumeira estratégia: a utilização da máquina de propaganda para tentar desacreditar fontes que tenham uma opinião independente. Penso que a Alemanha Nazista também adotava este tipo de conduta, bem como o de massacrar populações indefesas: talvez hoje, o uqe se veja, seja uma repetição da história, onde quem foi vítima tornou-se algoz. Pobre dos Palestinos. Que Deus os proteja!!!!
[Responder]
Não vi aqui nenhum argumento consistente e sério contra o prof. Ilan. Ser marxista, de esquerda não é argumento!! Ser ressentindo também não já que todo seu humano é movido pela culpa e ressentimento traços inerentes a existencia humana. Evidentemente quando extrapolam causam sofrimento ao ressentido e se este tiver poder, destruição. É verdade, stalin foi um criminoso execrável mas ele não era marxista!!! O comunismo de estado de stalim nada tinha a ver com o comunismo de marx. Aliás é bom lembrar que hitler foi um ditador da direita mais reacionária..e adivinhem que ajudou a colocá-lo no poder??!! O capital inglês e americano – com a ajuda do capital judeu que por trás destes também colaborou imensamente – q na época se borravam de medo do comunismo. Muitos judeus não engolem este fato até hoje.
O desvelamento da mitologia sionista dos professores Pappe, Norman Finkelstein, Noam Chomsky, Avi Shlaim só para citar alguns é de uma coragem moral e intelectual admirável. O assim chamado estado de israel vem sofrendo uma derrota significativa na opinião pública no mundo inclusive entre judeus americanos onde o lobby judeu exerce uma influência desproporcional no congresso americano mas que na opinião pública daquele país vem mostrando sinais de insatisfação crescente.
Certas verdades no iníciio são ridicularizadas, num segundo momento violentamente atacadas e por último patetica e cinicamente admitidas.
A bomba atomica não será em última análise garantia para a sobrevivência de israel. Exerce evidentemente um incostestável poder de persuasão mas é bem provável que os próprios israelenses graças a eles mesmos destruam-se a si próprios a medida que não reconheçam certos fatos históricos.
Vejamos o que a história nos reserva
[Responder]