Breves considerações sobre a “invisibilidade” de Deus
por Daniel Lopes – “A maioria dos nossos teólogos e alguns dos nossos filósofos se empenham em nos convencer de que Deus existe. Muito amável da parte deles. Mas, afinal, seria mais simples, e mais eficaz, Deus consentir em se mostrar!”, escreveu o filósofo humanista e materialista francês André Comte-Sponville.*
Eis uma questão que ocupa grande parte das elucubrações de crentes e descrentes. A evidência ou não da presença de Deus no nosso mundo é, por assim dizer, uma discordância que une os dois lados.
Não foi premeditado, mas as aspas do meu título têm o poder de agradar (ou pelo menos não desagradar) a gregos e troianos. De fato, para os crentes a “invisibilidade” de Deus é apenas aparente (!). E para os ateus ou agnósticos, ela é apenas um eufemismo para a inexistência de um Ser Superior.
Tomemos os argumentos de um ateu e de um crente para tornar mais claros os pontos da controvérsia.
Em 1996 o cardeal Joseph Ratzinger, hoje papa Bento XVI, teve o seguinte a dizer:
Na nossa maneira de viver e de pensar, há tantas interferências perturbadoras que não somos capazes de captar o som, que também se tornou tão estranho para nós que não o reconhecemos como vindo dEle. (…) [Deus fala] através de sinais e dos acontecimentos da vida, e através das outras pessoas. É necessário, pois, ter uma certa vigilância e perseverança para não ser dominado pelas coisas que ocupam o primeiro plano.**
É a velha tática cristã de, em vista das evidência (ou melhor, das não-evidências), pôr a culpa no receptor, ao invés de no suposto Emissor – que nesse caso seria incompetente ou apenas… suposto.
Que Deus não se faça perceber clara e imediatamente, nem mesmo em medida igual a essas “interferências perturbadoras” que deveriam ser periféricas mas que no entanto “ocupam o primeiro plano”, nos faz pensar…
O citado André Comte-Sponville conta-nos que, em sua infância católica, certo dia disse ao padre com quem se confessava: “Eu rogo a Deus, mas ele não me responde”. O padre respondeu: “Deus não fala porque ouve”. A seguir, relata André: “Isso me fez pensar por muito tempo. Com o passar deste, porém, esse silêncio me cansou, depois me pareceu suspeito. Como saber se é o silêncio da escuta ou da inexistência?”
O argumento mais propagado pelos crentes para explicar por que Deus não é tão visível foi refutado por Comte-Sponville. É aquele estruturado por Kant na Crítica da razão pura. Segundo este filósofo conterrâneo de Ratzinger e muito querido seu, se Deus estivesse “sem cessar diante dos nossos olhos”, isso levaria a humanidade à “heteronomia”, ou seja, à ausência de autonomia. Nos submeteríamos às normas morais, mas meramente por interesse. Kant: “A maioria das ações conformes à lei seriam produzidas pelo temor, somente algumas pela esperança e nenhuma pelo dever”. Em resumo, “o valor moral das ações não existiria mais”.
O filósofo ateu encontra três defeitos nesse argumento:
1) Se é verdade que Deus se esconde para nos deixar mais livres, então somos mais livres que o próprio Deus – que não tem a opção de acreditar ou não em sua própria existência – e, por conseguinte, não haveria como termos sido feitos à sua imagem e semelhança, segundo reza o dogma.
2) A teoria kantiana implica que há mais liberdade na ignorância do que no conhecimento, idéia refutada no Ocidente pelo menos desde o Iluminismo.
3) Por fim, se Kant e seus seguidores estivessem corretos, cairia por terra o mito de um “Deus Pai”. “O que vocês pensariam”, nos indaga André, “de um pai que se escondesse dos seus filhos? ‘Não fiz nada para manifestar minha existência, eles nunca me viram, nunca me encontraram’, ele contaria a vocês. ‘Deixei-os crer que eram órfãos ou filhos de pai desconhecido, para que fossem livres de acreditar ou não em mim…’ Vocês achariam que esse pai é um doente, um louco, um monstro. E teriam toda razão. Que Pai seria este para se esconder em Auschwitz, no Gulag, em Ruanda, quando seus filhos são deportados, humilhados, esfaimados, assassinados, torturados?”
Joseph Ratzinger também tem algo a dizer sobre a liberdade. Desta feita, em 2001:
(…) para o cristão, Deus, por um lado, abarca tudo, sabe tudo, guia o curso da História, mas, por outro lado, dispôs as coisas de tal modo que a liberdade encontra o seu lugar.***
Há uma absurda contradição aí: como eu e meus semelhantes teríamos alguma importância no desenrolar dos fatos se Alguém já “guia o curso da História”? Acrescente-se a isso a informação de que, para o futuro papa, 1)a Igreja é a “Esposa de Cristo” na Terra e 2)seus ditames devem guiar as atitudes individuais mais que a própria consciência de cada um, e teremos enfim uma noção exata do que o senhor Ratzinger entende por “liberdade”.****
Mas voltemos à questão da visibilidade de Deus.
Para o chefe da igreja Católica, “Ele [Deus] se manifesta, mas não de forma ruidosa, não necessariamente sob a forma de uma catástrofe natural, embora as catástrofes naturais também possam ser manifestações suas.”
Os grifos são meus e levantam questões importantes. Dessa luminosa explicação, conclui-se que há desastres naturais que Deus não pode controlar; assim sendo, não é um Deus onipotente. Se pode e não controla, não é um Deus bom – já que não se sabe como a inexistência de tais eventos lamentáveis poderia atrapalhar nas escolhas que balizam a “liberdade” do homem.
No caso de um desastre ser uma manifestação Sua, algum ingênuo poderia perguntar se não dava para o Bom Senhor se fazer notar de uma maneira que causasse menos desgraça e mortes. E será que não dá para o cabeça da “Esposa de Deus” nos listar as catástrofes naturais que são manifestações dos Céus, e quais não? Não seria preciso remontar às catástrofes mais primitivas, como àquelas que ajudaram no surgimento da nossa espécie, mas, digamos, dentre as dos últimos cinco anos, quais foram as que tiveram a mão de Deus? Aliás, não deveríamos nesse caso rebatizá-las para “catástrofes divinas”, em contraposição àquelas naturais, digo, demasiado naturais?
———-
* em O espírito do ateísmo (Martins Fontes, 2007), p.93. Nas páginas 94-96, o autor refuta a justificativa kantiana para a “invisibilidade” de Deus.
** em Salz der Erde (O sal da terra, Imago, 1996), citado em Joseph Ratzinger: Uma biografia, de Pablo Blanco (Quadrante, 2005), p.154. Aí também se encontrará a citação do antepenúltimo parágrafo.
*** em “Cristianesimo e Islame”, entrevista ao diário italiano La Repubblica (01/10/2001), citado em Joseph Ratzinger…, p.163
**** ver o tópico “A consciência ‘infalível’ ” – Joseph Ratzinger…, págs. 173-179
leia mais

















Essa questão mexe bastante com qualquer ocidental pela nossa criação judaico-cristã e se libertar verdadeiramente dos “olhos” vigilantes de Deus ainda é complicado. Da minha parte, acredito que existam energias que de alguma forma regem o universo e que tais e que essa energia se deixa nomear de acordo com a necessidade, com o povo etc. Um exemplo claro da “visibilidade” demiurga é o candomblé e seus ritos e a proximidade com os deuses, que torna a questão da “invisibilidade” menos estranha de se lidar.
É, Daniel, nessa busca incessante da verdade, da sua verdade, talvez você chegue à conclusão de que Deus realmente não existe. Talvez também, eu acredite nisso. Talvez o mundo seja essa merda toda por si só e o homem é que tem toda a culpa pelo bem e pelo mal. De qualquer forma, é um desastre. Mesmo com tantas maravilhas. Bj
Bem, um comentário breve, já que são pensamentos breves, até porque este assunto rende(ria) muito.
Antes, o Peterso falou uma coisa importante, a questão de nomear. E depois (mas antes de mim) a Adriana falou “(…) é um desastre, mesmo com tantas maravilhas”.
Isso já basta. Eu apenas uso estes dois comentário anteriores para dizer que para mim o absurdo está na pergunta ainda ser feita. A igreja católica é algo mais que religião, é uma entidade sócio-política até, não vale usá-la para debater Deus. E os ateus (ou muitos deles) dizem que não há Deus só porque ele (ou Ele, enfim) não é bonzinho, não deixa tudo mastigado e não dá paz para todo mundo.
Só na confusão de achar que um deus-mais-novo-testamento deveria agradar a todos para sê-lo (ou sê-Lo, enfim) e da interpretação bruta do que era para ser uma alegoria (o velho testamento) já se tem muito tempo a perder.
Se dermos uma voltinha no oriente ou mesmo ouvir certas pessoas s/ cultura e com um tipo de fé particular, teremos pontos de vista tão importantes quanto estes vindos do exercício filosófico que é debater esta questão.
Mas já que falei em exercício, vim aqui mesmo para comentar a forma da coisa, do escrever em si, já que um comentário serve bem para isso. E seu texto está bem escrito, deu conta do recado neste pequeno espaço.
Prezado Daniel,
apesar do afloramento das paixões ao se discutir a existência de Deus, pode ser, como quer Searle, que simplesmente a prova da existência de entidades metafísicas não seja lá uma questão tão relevante quanto foi. Se estou certo, então, devemos julgar quais os modos filosóficos de pensar podem nos auxiliar a pensar a experiência sem que para isso devamos provar que estamos pensando. Uma das alternativas é pensar a linguagem, outra alternativa, que não exclui pensar a linguagem, consiste em pensar os modos de conhecimento que nos permitem, inclusive, falar da existência de tais entidades. Essa investigação passa necessariamente pela interrogação da crença. Mas não o conteúdo pleno do que os medievais chamavam de crença, e muito menos o conteúdo do que denominavam de fé, mas as ações da natureza humana sobre a experiência que nos permitem instituir sentidos no tempo, o que acontece, inclusive, quando pensamos de maneira religiosa.
Um forte abraço,
Cesar Kiraly
daniel:
decidi não questionar deus,pois não acredito nele.
romério
ps.e apoio integral à causa palestina.
Colegas, obrigado pelos comentários.
Antes de mais nada, digo ao Romério que não estou questionando Deus, posto que também não acredito nele. Apenas quis abordar de forma suscinta uma questão filosófica inegavelmente apaixonante, para crentes e ateus: as formas como Deus se manifesta (ou não se manifesta).
Como observaram o Rissatti e o João Grando, sim, existem outras visões de um deus, como as de algumas culturas orientais. No entanto me detive no conceito adotado pelos três grandes monoteísmos — um Deus Pai todo poderoso, criador do Céu e da Terra, onipresente, onisciente e onipotente — e as contradições que ele encerra.
Essa visão, para o bem ou para o mal, é a predominante no mundo há séculos. Por isso, não posso concordar com o João Grando quando ele diz que não podemos usar a igreja Católica para debater Deus, embora concorde que ela é em grande parte uma instituição sócio-política.
Mesmo se a idéia da visibilidade de Deus proposta pelo papa (que abordei no post) fosse defendida apenas pelos católicos, ela já seria de fundamental importância. Ocorre que mesmo os protestantes, que romperam com o catolicismo lá atrás por conta de seu autoritarismo e reacionarismo político-social, mantiveram em suas novas e diversas igrejas cristãs a noção de Deus católica.
Mais uma vez agradeço a todos por expressarem sua opinião.
Esse é um assunto muito complicado de debater, e mexe com muita gente (inclusive comigo) que acredita em Deus. Mas concordo quando o João fala que a Igreja Católica é muito mais que uma Religião, atuando como entidade socio-politica, e que não vale usa-lá para debater sobre a questão.
Pois os interesses que ela defende vai muito além da fé dos seus fieis. Logo é, muito mais que cômodo, crucial que defenda com unhas e dentesas suas interpretações, pois o que está em jogo vai muito além da fé, caindo no terreno de uma hegemonia sobre o pensamento ocidental a respeito dEle, como você mesmo já disse ai em cima.
No meu ponto de vista um dos grandes erros da nossa sociedade é a busca, ou a legitimação, de um Deus fisíco. O Grande Pai, o todo Poderoso… Enfim, um cara que carrega o mundo nas costas. E usamos essa figura pra justificar a grande maioria das nossas burradas, camuflar nossas fraquezas, assim como fazemos com o nosso pai de “carne e osso”. Gosto de pensar em Deus mais como uma ideia do que propiamente uma coisa, e acredito que o erro maior foi quando ele deixou de ser idéia e passou a reger a vida de muita gente.
Considero-me deista. As vezes agnóstico. Essa ambivalência me perturba. Um amigo maçom, com quem converso muitas vezes sobre o tema emprestou-me uma revista intitulada a Verdade, da Glesp, em que um artigo abordando o assunto ateísmo, sobre o qual estou refletindo. Transcrevo a seguir alguns trechos para comentários. Vamos lá…. Por enquanto estou dando certa razão ao articulista.
…………” Afirma-se que o Big-Bang, se deu quando uma singularidade cósmica, um ponto com densidade infinita r infinita temperatura explode. É a Grande Explosão. Cria-se o Universo. (apud Victor Brecheret Filho, in “Jornal do Instituto de Engenharia – fevereiro de 2006, pág. 7) A mesma fonte afirma também que “ANTES ERA O NADA”. Nada absoluto. Nem espaço, nem tempo. Nem matéria, nem energia. Dido eu : Ora não havendo matéria como definir-se-ia a densidade ? Não havendo energia, como haveria temperatura que é definida na Física como sendo o “grau de calor”, e calor é forma de energia ? Vê-se que as explicações puramente científicas esbarram com incógnitas inextricáveis.
Se antes havia o NADA como desse nada surgiu o Universo ? Desde Parmênides até Sartre os filósofos concordam que o nada é o não ser. Como o não ser se converte espontaneamente em ser ? E que forças se agruparam para ocasionar a explosão de que se fala ?
Parece que a única explicação plausível é que o NADA descrito nessa teoria se refira a uma ausência de coisas contidas no nosso Universo. Intui-se então que antes havia “coisas” inexistentes no Universo que nos rodeia , mas existentes em si. A falta de termo mais adequado, foi usado, talvez com impropriedade, o NADA para exprimir aquilo que não conhecemos. Visto desse ângulo fica evidente que preexistia um Ente ao nosso universo. É óbvio que cristãos, maometanos, judeus, agnósticos e ateus, são obrigados a concordar com isso. Quanto aos primeiros, nada a observar, mas quanto aos últimos cabe um raciocínio lógico. Para os agnósticos, aí está a prova que faltava. Deus existe porque já havia algo antes do Universo. Talvez possamos dar outros nomes a esse Ente, mas isso não altera sua subsistência. Para não ser deista, termo que os agnósticos e ateus abominam, digam que crêem em uma força superior. Vai dar na mesma.
Para os ateus fica evidente que um Ente que criou o mundo. Chamem-no de energia, ou de a “própria Natureza”. Tudo é mera nomenclatura. Se uma mesa é table em Inglês, isso não muda as características do móvel. Assim, sejam quais forem as convicções dos homens TODOS são obrigados a aceitar a existência de um Entre superior, que existia antes do nosso Universo e, portanto, está acima das leis que o regem. Do mesmo modo que table e mesa não indicam incoerência entre os objetos, as palavras que designam Deus não conduzem a incoerências, seja Alá, God, Iavé, Deus ou, por mais estranho que pareça…..Natureza.
Esse raciocínio conduz a afirmar que, racionalmente, não há ateus. Quem assim se intitula está apenas se contrapondo a idéias a respeito de Deus defendidas por inúmeras religiões, e não a idéia fundamental de existência de um Ser supeior………”
Bom, páro aqui. O artigo é longo . Antes depois do trecho acima transcrito há ainda muita coisa. Contudo, achei que isso aí é o cerne da questão. Fica à disposição dos comentários, pois tudo me deixou bem reflexivo no meu “deismo-agnóstico”.
Na cultura cristã, quando se afirma que o ser humano é feito à imagem e semelhança de Deus, é porque, ao contrário das outras criaturas, somos ‘pessoas’, isto é, dotados de consciência do próprio eu e do mundo ao redor. É nesse sentido que somos “semelhantes” a Deus. Mas a doutrina cristã ensina que Deus é ser divino, e portanto não podemos imputar a ele nenhuma das características do ser humano, pois o que é humano não pode ser divino (é aí que entra a doutrina católica da Encarnação – a Segunda Pessoa da Trindade, inacessível a humanidade pois está escondida na divindade, que ninguém pode ver, sentir ou tocar, encarna-se como um homem, para dar a conhecer, de maneira palpável, a sua existência).
A Igreja católica crê que Deus é criador do mundo, e distinto do universo, ou seja, nada do que vemos na natureza constitui de alguma forma a Divindade, pois o Criador é completamente distinto (no sentido de sua substância) da sua criação. Os átomos e partículas subatômicas, a matéria escura que compõe a maior parte do universo, as galáxias, buracos negros, as leis da física, o tempo, o espaço, em nada disso pode-se encontrar Deus, pois ele transcende a matéria.
Ao aplicarmos o conceito humano de paternidade em Deus, realmente fica difícil entender o porque de ele permitir tanta desgraça no mundo (me abstenho de citar exemplos pois são milhares, e todos sabemos quais são). Mas, segundo a Igreja Católica (ponto de referência para os artigos em questão), Deus seria como que o “primeiro motor” da Criação, e a partir daí, teria deixado que as coisas seguissem o curso da lei natural, não interfirindo na sua própria obra. Essas idéias foram desenvolvidas por Santo Tomás de Aquino, só não lembro bem em qual obra dele (Suma Teológica?) Assim, quando ocorre uma catástrofe natural, é porque em qualquer lugar do universo é assim – em Netuno, por exemplo os ventos podem atingir 2000 km/h, imagina se vivessemos por lá?; a todo instante corpos se chocam no universo (cometas, estrelas e até mesmo galáxias), e se pudessemos estar por perto de qualquer um desses lugares, seria algo catastrófico para nós. Ora, nosso planeta faz parte desse universo, portanto não escapa desse fenômenos naturais, que Deus deixa correr por não interferir na progresso do Universo. Se fantasiarmos Deus com nossa alegorias humanas, como a paternidade, certamente seria um monstro sádico, que tem prazer em ver a desgraça dos filhos, pois qual seria a explicação par alguém que é onisciente e onipotente ficar impassível diante do mal? Pela ótica cristã, somos meras criaturas, como todo o resto do universo, e portanto sujeitos ao que há de bom e ruim na natureza; a diferença é que o ser humano recebe de Deus a oportunidade de poder, um dia, partilhar do âmago divino, livre de todas as limitações que sua condição de criatura impõem. Aí entra a chamada economia da salvação, que é o cerne da cultura judaico-cristã, de que Deus se revelou ao homem, quer que ele siga preceitos para poder um dia, partilhar do divino, mas essa já é uma outra história…
Gostei do comentario do Henrrique.
também gostei, muito, do comentário do Henrique.
ou como diria um sábio antigo, “vós sois deuses, mas se esqueceram disso.”
É. É bacana esse Deus do Henrique, simpático até, só que não tem nada a ver com o Deus judaico-cristão, ou pelo menos ao que se poderia chamar de Deus mainstream. Salvo alguma seita particularmente excêntrica, fundada em algum manuscrito perdido…quem sabe onde pode levar a imaginação e a criatividade humanas?
Seja como for não é esse Deus indiferente, até onde se pode constatar, aquele a quem adoram e por quem pregam as principais denominações cristãs, inclusive a maior delas a ICAR.
O Deus deles é um Deus pessoal; que se interessa à minúcia pelas vidas e destinos dos humanos; que ouve suas preces, e as atende conforme o Seu capricho; que opera milagres, intervindo portanto na ordem natural das coisas. Que castiga de forma implacável quem não O adora, tendo destruido diretamente, ou promovido a destruição de inúmeros povos descrentes Dele (todo o Velho Testamento). E não satisfeito em destruir, castiga, tortura, e pune por toda a eternidade (Novo Testamento). Mas que também nos “ama” (de alguma forma). E, sim, fundamental, o Deus judaico-cristão mainstream também é um Deus que se revela aos humanos, através de profetas, e de textos sagrados. Enfim, definitivamente Este não é um Deus que simplesmente detona o Big Bang, e daí vai arrumar outra coisa para fazer.
É claro que muitos, podem não se identificar em absoluto com esse Deus que descrevi, se identificar com o Deus que Henrique descreveu, e continuar se reivindicando católicos, assembleistas, luteranos, etc. E daí argumentar que eu estou de má vontade, e por isso me apego a criticar um Deus em que “ninguém” mais acredita, porque todos, hoje em dia, exceto os menos esclarecidos, tem uma concepção mais sofisticada da fé. Podem recitar, como de costume, as passagens específicas, Às vezes obscuras, dos Evangelhos que corroboram sua visão. Podem citar grossos volumes escritos por dedicados teólogos em seu apoio, etc. So que isso não diminui em nada o problema, que é o fato de que aqueles que alegam crer em Deus, simplesmente não tem, sequer, ao menos, qualquer acordo acerca do que seria esse Deus. Isto é não existe acordo sobre o que a palavra “Deus” significa. E no entanto, tem a soberba petulancia de declarar que “Deus existe”(palavra também empregada aqui numa forma totalmente diferente da usual).
PAZ A TODOS,
Parabens Eneraldo Carneiro, seu comentario na minha opinião foi direto e sem mais-mais-mais, existem grande diferenças entre o deus que o povo acha que acredita e o deus escondido nas linhas das ditas escrituras sagradas, que eles proprios não conhecem, ser maléfico e cruel, em contradição com o deus de bondade que rezam e pedes coisinhas para sua vida material, parabens pela sua lógica e ideologia, paz a ti a todos.
Ricardo Zanoni
A área do conhecimento, da ciência que estuda as origens do Universo, é a Cosmologia. A qual tem visto grandes avanços nas últimas décadas, juntamente com a Astrofísica e a Astronomia. Não obstante, é, ou são, áreas, onde há muitas perguntas sem resposta, e provavelmente sempre será assim. O sentido da Ciência é o de buscar incessantemente respostas as nossas indagações acerca da Realidade. Perguntas são feitas, respostas encontradas, que levam a novas questões, que levantam novos dados, que modificam respostas anteriores, etc. e assim vai.
Contudo o autor do artigo a que você se refere, demonstra não ter a mais remota idéia acerca do que é a Ciência, de como ela funciona (estudo que por sua vez se chama Epistemologia), e de sua História. Para esse autor a ausência de respostas a uma dada questão, em um dado momento, representa um obstáculo que só pode ser transposto, “preenchendo” a lacuna com algo que não explica nada, pois é ainda mais inexplicável: Deus. A suprema “incógnita inextricáverl”.
É de uma extraordinária petulância, a forma como o autor desse texto, sendo tão profundamente ignorante, se arroga a postular que “..Intui-se então que antes havia “coisas” inexistentes no Universo que nos rodeia , mas existentes em si. ..”, que “…É óbvio que cristãos, maometanos, judeus, agnósticos e ateus, são obrigados a concordar com isso..”, e por fim “…Para os ateus fica evidente que um Ente que criou o mundo. ….”. É de uma pretensão e arrogãncia de tirar o fôlego.
Devo confessar que sempre me impressionam, no sentido negativo, esses exercícios de prestidigitação verbal um tanto patéticos, que pretendem demonstrar que ateus-acreditam-em-Deus-mas-dão-outro-nome-rá-rá-rá. É de uma extraordinária má fé, fazer, como faz o autor desse “texto”, um pastiche barato de vulgarização científica , apostando na ignorãncia e desconhecimento do leitor médio.
Se faz também uma certa confusão entre os termos agnóstico e ateu. Primeiro eles não são incompativeis. Teísmo e ateísmo tem a ver com crença, você acredita, ou não acredita. Gnosticismo e agnosticismo tem a ver com o que você sabe ou não sabe. Eu não sei se você tem uma geladeira em sua casa, pois nunca fui lá, portanto sou agnóstico em relação à existência de uma geladeira em sua casa. Mas acredito que haja uma geladeira na sua casa. Percebeu a diferença?
Então em termos de religião, um agnóstico é alguém que NÃO SABE se Deus existe. Um ateu é alguém que NÃO ACREDITA que Deus existe. Um ateu pode ser agnóstico, não acredita e não sabe, ou gnóstico, isto é, que não acredita e sabe que Deus não existe.
Seria mais útil a todos, se esses deístas tão espertos pudessem, primeiro, chegar a um acordo acerca do que é afinal esse “Ser Superior” de cuja “existência” (e o quê que isso quer dizer no contexto) não tem a menor dúvida, antes de dizer às pessoas que elas não (des)creem no que elas pensam que (des)creem.
Li os comentários acima sobre a opinião de ateus cristaos agnosticos e gnósticos sobre a existencia de Deus,se olharmos este tema pelo prisma da perspectiva de que somos seres duais ou seja corpo e espirito, e que estamos aqui de passagem,por um curto periodo de tempo,ja que nascem milhares de pessoas por dia e tambem morrem milhares todos os dias ,podemos chegar a conclusão que fomos enviados para cá com objetivo de desenvolver nosso carater,sendo assim temos liberdade de escolha já que temos diante de nós o bem e o mal , se escolhermos o bem seremos bons exemplos,as pessoas nos respeitarão e nos sentiremos bem por isto,assim como Mahatma Gandhi que usou seu livre arbítrio fazendo o bem lutando contra a desigualdade e transformou uma nação , o mundo hoje o cita como um grande benfeitor poderia citar outros ,todos temos conciencia e sabemos lá no intimo que Deus existe muito embora muitos não conheçam seus atributos ,não sabem como ele é ,alguns já o viram , e outros já falaram com Ele Moises por ex ,Jesus Cristo entre outros .Isto é algo muito pessoal, eu sei que Deus existe eu sinto sua presença , e sei que Ele quer que eu escolha o bem e tudo irá bem nesta vida e na vindoura.
muito bonito alceu, mas tenta falar isso para as criancinhas do haiti, do sudão, da somalia, e você vai perceber que enquanto vc se acha um ser abençoado em sentir a presença de deus em sua pessoa, elas nem tem esse sentido, sabe porque? vou te responder, o deus que vc acredita só existe em vc, e em mais ninguem, cada um constroi o seu deus proprio, ou em grupos, tanto faz, todos eles são pura imaginação individual ou coletiva. pois o deus nada mais é que uma criação do homem para responder perguntas que ele ainda não sabe a resposta, ou para satisfazer seu ego, a figura ou imaginação de deus é muito bonita, se ele realmente existisse, se vc prefere acreditar em uma mentira, tudo bem, cada um tem seu livre arbitrio, mas quando tiver um tempinho, pare e tente ver as miserias mundias, e seja tambem a omissão desse teu deus, e por um momento deixe de ser egoista, pois o deus que vc criou, para ser realmente justo, pai e criador, não poderia ter dois pesos e duas medidas em relação a vc e os miseraveis espalhados pelo mundo, ja sei, vc acha que deus não tem culpa disso, a culpa é só do homem correto? é por isso que eu não acredito nele, não preciso de deus para nada, apenas faço a minha parte quando posso, resgatanto e tentando ajudar esses filhinhos esquecidos pelo seu deus criador, pai bondoso e onipotente, deus da misericordia e do amor, realmente é muita asneira. paz a ti e a todos.
Ninguém jamais viu a Deus e, no entanto, quanta gente de norte à sul deste planeta, desde que o mundo existe, discute a sua existência. Eu nao tenho dúvidas quanto a existência de Deus, mas nao precisei que ninguém me provasse nada. Aliás, nao haverá jamais provas. Para mim, só vai encontrar a Deus e ter a certeza de sua existência, aquele que q u i s e r encontrá-lo. Ele disse: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o coraçao”. Prestem atençao que aí tem uma condicional. Daí, e só daí é que você vai vê-lo em todo o universo. Vai sentir o poder do seu amor e essa é uma experiência espiritual, nada que o nosso intelecto possa explicar. Quanto aos ateus, respeito sua opçao de viver sem Deus, afinal creio que Deus nos dá essa opçao, pois Ele bate sempre na porta de nossas vidas, mas somente vai entrar se e quando você abrir a porta. Ele nunca vai se impor. Nao tenho a pretençao de querer convencer ninguém de minha fé. Eu a conquistei a duras penas. Foi um longo processo. Paz para todos.
Renata,
primeiramente agradeço pela compreencão das opções dos ateus, esse é o primeiro passo para uma pessoa integra e consciente, contudo tambem não quero te convencer de nada, no entanto todas as palavras que temos em escrituras sagradas, são meras conveções de homens, inclusive o proprio jesus cristo, não o historico e sim o dito filho de deus, ( pesquise os concilios da igreja catolica, niceia, trento e outros), e vc vai ver que tudo foi criado pelo homem na sua ignorancia de entender os enigmas do universo no qual ele ainda não os teem e para satisfazer suas necessidades economicas e de poder, sempre foi assim, é pra isso que a crença em religião e consequentimente em deus serve, desejos e anseios humanos, nada mais, como vc mesmo disse, vc conquistou a duras penas, não entendi, será que o teu deus teve que dificultar, sei lá como, para que vc pudesse acreditar nele? vc não acha isso meio contraditório e mesquinho? isso para um deus? claro – acredite vc pode ser a mesma pessoa boa e integra sem ter esse peso, digamos assim, de acreditar em algo imaginário, paz para voçe tambem e para os seus.
“Eu nao tenho dúvidas quanto a existência de Deus, mas nao precisei que ninguém me provasse nada. Aliás, nao haverá jamais provas. Para mim, só vai encontrar a Deus e ter a certeza de sua existência, aquele que quiser encontrá-lo.”
É assim que funciona?
Queria saber: não é assim que crianças fazem para criar amigos imaginários?
Isso cheira a psicologia: você tem essa certeza porque empurrou essa idéia na cabeça, e só foi reforçada graças a atribuições de fatos ocorridos durante sua vida à divindade. Não sei como se chama isso, mas isso ocorre também com pessoas que acreditam em ets e assombrações, porquê essas dizem ter tido experiências pessoas… enfim…
Acho triste alguém se fechar a sua certeza comprovada apenas pela sua certeza adquirida dentro de sua cabeça… Assim estaria provada a existência de diversas outras coisas… E todo louco estaria certo…
“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o coraçao” Psicologia barata da bíblia. Encontrasse muita coisa do tipo. Crentes usam para justificar sua crença ou para tentar “atingir os corações” das pessoas com dúvidas sobre a vida. Usam do mesmo artifício em tantas outras coisas… Claro, há coisas realmente aproveitáveis em livros religiosos, até que esses comecem a manipular a mente das pessoas (podem dizer que é mentira mas basta procurar evidencias disso que se acha fácil, eu tenho o desprazer de ter uma mãe que não respeita pessoas além de ser agressiva com pessoas de crenças diferentes ou que não creem em algo, “porque ela acha que o ser humano deve acreditar em algo, senão não é ninguem”)
Sou totalmente contra qualquer tipo de fundamentalismo, seja ele religioso ou ateísta.
Não sou contra religiões, sou contra quem quer fazer de sua crença uma verdade absoluta.
Eu sempre procuro a verdade dos dois lados, e acho que o mundo seria melhor ser as religiões fossem apenas filosofias de vida, fossem como o budismo ou coisas mais pacifistas, porque as religiões hoje em dia em sua maioria só separam a humanidade. Não que a solução seja o fim das mesmas, mas como citei antes, reduzi-las à filosofias de vida.
Sou ateu porque não creio em qualquer divindade, acho ridículo o fundamentalismo ateu e pessoas pseudo-ateístas… Ateísmo é unicamente a não crença, o que for adicionado já é outra coisa. Serei ateu até que me provem o contrário, não com trechos da bíblia, que não é confiável e muito provavelmente pode ter sido muito bem manipulada durante todos esses anos,
e também não há valor experiências pessoais, porque assim estariam provadas a existência de ets, lobisomens, monstro do lago ness, fantasmas, curas milagrosas via oração (vide a matéria do fantástico sobre a cidade dos excluidos. jornalista: “funciona?” senhora: “as veis sim as veis não”)…
Provavelmente encontrarei a verdade quando eu morrer (coisas com a qual parei de me preocupar faz muito tempo). Se nada ocorrer, não estarei consciente disso mas, nunca saberei se deus não existe mesmo ou ele não dá a mínima. Aguardo ansiosamente testemunhar as próximas grandes descobertas da ciência, apesar de falível e de não ser absoluta, fez, faz e fará muita diferença na história e evolução da humanidade…
Opa, esqueci de completar:
“Claro, há coisas realmente aproveitáveis em livros religiosos, até que esses comecem a manipular a mente das pessoas (podem dizer que é mentira mas basta procurar evidencias disso que se acha fácil, eu tenho o desprazer de ter uma mãe que ALÉM DE não respeita pessoas além de ser agressiva com pessoas de crenças diferentes ou que não creem em algo, “porque ela acha que o ser humano deve acreditar em algo, senão não é ninguem” ELA ACREDITA EM TUDO QUE OUVE E VÊ NA CANÇÃO NOVA, GASTA PRA CACETE COM O QUE ELES VENDEM E BASEIA SUA VIDA NO QUE DIZ OS LIVROS DELES)”
putz, mãe, amo a senhora, mas a senhora ficou cega e surda, pelo fato de ser facilmente influenciada… além de ter aderido a CN devido a outras demais fraquezas… queria poder dizer isso pessoalmente, mas ela se transforma. A agressividade dela é assustadora.
Pois o que realmente me irrita é a condescendencia:
“Quanto aos ateus, respeito sua opçao de viver sem Deus, afinal creio que Deus nos dá essa opçao, pois Ele bate sempre na porta de nossas vidas, mas somente vai entrar se e quando você abrir a porta. Ele nunca vai se impor. Nao tenho a pretençao de querer convencer ninguém de minha fé…. “
…e a hipocrisia, já que o deus abaãmico reserva o fogo e os tormentos do inferno para os blasfemos, hereges e apóstatas, e todo e qualquer um que realmente exercitar o tal do livre arbítrio. Felizmente tudo não passa de um conto de fadas, e não precisamos nos preocupar com isso.
“Ele nunca vai se impor” é ótimo, como se antes da separação entre Igreja e Estado alguém tivesse realmente alguma opção. Como se alguém tivesse opção hoje, nos lugares onde a religião ainda comanda a vida e a morte das pessoas.
concordo completamente com o ultimo paragrafo
se deus existe pq ele nao aparece ou nao faz algo
pra parar com essas mortes,fomes,miseria etc
ele simplesmente nao existe!!!!
para mim nao!!!
Pingback: Mauricio Vieira
Pingback: Uma fábula anti-católica