A Virgem satisfaz, mas não chega “lá”
14–01–2009 --- Envie para um amigo --- Tuitar
por Juliana Dacoregio – Na contracapa somos informados de que é um livro sem objetivos eróticos. Devo discordar. A virgem que não conhecia Picasso (Não Editora, 2007), livro de contos de Rodrigo Rosp tem toques sutis de sensualidade, mas é também repleto de erotismo escancarado. E o erotismo não está só nas palavras usadas para nomear pensamentos, ações e sensações dos personagens. Lendo os contos de Rodrigo Rosp descobre-se que um bocejo feminino pode ser algo extremamente sensual aos olhos cheios de desejo.
Os elementos de qualquer história escrita para excitar estão lá: palavras que não se costumam dizer em voz alta na sala de jantar, “estupros” consentidos, meninas ingênuas e virgens, mulheres fogosas e liberais, prostitutas, a vendedora de sex-shop que testa produtos com o cliente, submissão, sexo no banheiro do avião e homens, muitos homens e muito tarados, nos melhores e piores sentidos.
Mas ao mesmo tempo em que usa os elementos básicos do erótico e o palavreado indispensável para excitar o leitor, o autor de A virgem que não conhecia Picasso consegue passear entre o romantismo e o descaramento, o cômico e o trágico. Relatos de amor, ódio, ciúme, encontros e decepções se fazem presentes e figuram ao lado do excitante, do tesão nu e cru. Exatamente como na vida real. Um dos contos mostra que uma mentira masculina descarada usada para “traçar” uma desconhecida pode virar realidade e gerar muito mais que uma rapidinha.
Os contos não são de todo fantasiosos, mas não chegam a ser de um realismo óbvio. Algumas histórias envolvem situações e sentimentos que acontecem na sua vida, na minha e na do seu vizinho, outras já beiram o bizarro; mas mesmo o bizarro dos contos de Rosp habita nossas fantasias.
A única ressalva que tenho a fazer é quanto ao desfecho de alguns contos. Parece-me que na ânsia de criar finais surpreendentes o autor acabou errando a mão. Os finais surpreendem sim, mas uma surpresa um tanto quanto decepcionante. Rosp não cai no lugar comum, mas fica longe do brilhantismo, com exceção do conto “Ayres”, sobre um homem e uma mulher que se conhecem prestes a embarcarem no mesmo vôo. O resto dos contos mantem um bom nível durante toda a narrativa, prende a atenção, desperta a curiosidade, mas não satisfaz no final. Mais ou menos como uma ótima transa em que fica faltando “apenas” o orgasmo.
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8 comentários:



“Mais ou menos como uma ótima transa em que fica faltando “apenas” o orgasmo.”
Vixi, já não considero mais ótima…no máximo meia boca…hehehehehe
Sabrina, eu quis dizer “ótima” no sentido de ótimas preliminares, ótimo entrosamento, ótima excitação… Se bem que se tudo isso é ótimo é quase certo que se chega lá! Mas, existem muitas outras coisas entre chegar e não chegar lá do que supõe nossa vã filosofia…
Juliana,
certamente não li o livro, mas será que realmente existem objetivos eróticos no livro? Quero dizer, muita gente chamava Nelson de tarado, mas nunca consegui ver sua obra como tendo objetivos eróticos; elas passam pelo erotismo, mas não o tem como objetivo.
É, isso me deixou curioso… quando puder, passarei os olhos, só pra saber qualé.
iiii…..é?
Comprei, ñ. li..ainda…….mas conheço o autor!
É verdade, aos olhos cheios de desejo, tudo se torna sensual, pq. o olhar está alterado e a libido está em alta. Assim como aqueles adesivos pornográficos q. estão afixados dentro de orelhões, postes de rua, chamando os ‘incautos’ ,’solitários’, ‘depravados’, ‘os viciados em sexo’, ‘os iniciantes’ e toda gama de gente q. ainda não sabe e não encontrou um par certo p/ amar e ser amado. Adesivos q. a gente lê sem querer, como aquelas bobagens q. são
escritas nas portas dos banheiros públicos.
É realmente uma pena q. alguém como o Rodrigo Rosp, tão inteligente e sensível tenha escrito um livro como este, vou ficar esperando q. o talento dele se manifeste em outra obra de qualidade.
Escrevo minha opinião c/ tranquilidade pq. sei q. ele como crítico cinematográfico gosta de ouvira verdade, p/ que possa melhorar a si mesmo.
Beijo, Rô.
Francismaria, o livro não é ruim e muito menos chulo. Como falei na crítica, são contos que misturam o erótico, o inusitado e o romântico. Apenas acredito que a finalização dos contos deixou um pouco a desejar. Vale a pena ser lido, disso não tenho dúvidas.
Abraços.
Ave!….iiii, mulherada em alvoroço…Tem seu lado bom, tem seu lado não tão bom, tem o início bom e o final hahahahahahahahaha e hahahahahaha
Conheço um homem q. é bom pra ‘chavecar’ e na hora H sempre dá uma desculpa.
Não esquenta Ju, o problem é q. tu colocaste, as palavras: erotismo escancarado, estupro, sex-shop, homens tarados nos piores sentidos, descaramento, tesão nú e crú, traçar, rapidinha, bizarro e a referência do conto Ayres, q. é um misto de erotismo e pura pornografia.
Esse é o ponto “G” hahahahahahahaha.
Talvez a Francis deva ser levada em consideração, e tb. tu Dacoregio, e como diz a Barbara: iiiiii…é? É questão de cada um analisar a obra e a opinião vai depender de tannnntas ‘cousas’, né Rosp.
Nem sempre c/ ótimas preliminares e ótimo tudo se chega ‘lá’. Depois a filosofia supõe q. haja 1 mínimo de ética, estética, um quê de ’ser ou ñ. ser’, na questão, ser ou ñ. sincero, terno, delicado, onde manda a ética aristotélica q. não se adone do corpo e alma alheias p/ depois abandoná-la. E se mesmo asim ainda faltar o q. se espera é realmente ‘meia-boca’. Perda de tempo.
Qto. ao Nelson senão era tarado ‘literalmente’, desejava sê-lo, Freud explica.
Senão não teria escrito de maneira tão ‘chula’ : …trepar encima do abajur é lícito…Usa palavreado tão ‘baixo’ assim só denota pessoa q. se ñ. assumiu tem dentro de si ‘um desejo reprimido’, ou sendo benevolente, pessoa mal-educada.Sua obra realmente não tem objetivos eróticos e sim pornográficos, há uma grande diferença! O nível dele está + embaixo.
E aconselho a não se ter tanta tranquilidade ao criticar, sabe-se lá se o sujeito é capaz de ‘aguentar’ a verdade…
O livro mistura um romance equivocado, desejando misturar o sublime do erotismo e vascila no pornográfico, como se disse ‘tesão nú e crú’, os ‘viciados em sexo’ e ‘tarados de toda espécie’, estes ‘tipos’ jamais se encaixarão no sentido estrito da palavra ‘erotismo’, e sim na pornografia e até em alguma ‘patologia’ caso dos ‘tarados de toda espécie’. Onde estaria o ‘ROMANCE” q. é igual “AMOR” não, não há verdadeiramente ‘ROMANCE que combina com EROTISMO” viu McFly.
É de se dizer um sonoro: iiiiiii…
Gosto é gosto, tem quem gosta.