A “nota de esclarecimento” de Renata Malkes

por Daniel Lopes – No último dia 9, Renata Malkes, correspondente do jornal O Globo no Oriente Médio, publicou uma “nota de esclarecimento” em seu blog a respeito dos “boatos” que circulavam na internet “acusando-me de ser parte do Exército de Israel e de manter um blog racista na internet”. (Como eu explico no final deste post, a nobre jornalista confundiu os tempos verbais.)

O “boato” foi levantado pelo Cloaca News, reproduzido no Amálgama e repercutido em vários outros sites, como o Biscoito Fino. Usando o Wayback Machine, o Cloaca descobriu o conteúdo do antigo blog da Renata, Balangan, que, como ela mesma observa, foi um espaço pessoal, ativo entre 2001 e 2006, que manteve “antes de atuar como repórter de O Globo ou qualquer outro veículo de comunicação por aqui.” O Cloaca não diz o contrário.

“Desde 2005”, esclarece a jornalista, “venho sido [sic] vítima constante deste tipo de ataques. Quando trabalhei como produtora de uma tevê israelense cobrindo a editoria de política no Parlamento, acusaram-me de ‘trabalhar no governo israelense’”. Em 2007, acusaram-na de falsidade ideológica.

Este editor do Amálgama entende que existem na vida denúncias infundadas e denúncias fundadas. No específico caso do post do Cloaca News, consideramos que as denúncias de racismo são fundamentadíssimas. Depois de criticar indiretamente o anonimato do editor do Cloaca, Renata diz que trechos do antigo blog “foram cortados, manipulados e interpretados de maneira maldosa.”

Mas há trechos cortados e trechos cortados. Eis um trecho cortado de 14 de março de 2002: “Achei simplesmente patético ver o Fernando Henrique na TV defendendo um Estado palestino”. Eu estaria manipulando se o citasse como exemplo do pensamento da autora, sendo que a sentença seguinte fosse algo como: Fernando Henrique sempre foi um aliado incondicional de Israel, e o Estado palestino que ele imagina tem proporções irrisórias. Mas não, ao trecho acima se segue: “Neguinho não se enxerga mesmo… Tupiniquim tem mais é que cuidar de DENGUE, meu filho…”

Outro trecho cortado, do mesmo dia: “Vocês acreditam mesmo que a resolução da ONU, por 14 votos a 1, a favor da criação de um Estado palestino vai mudar alguma coisa no cenário do Oriente Médio?! Tolinhos…” Outro: “Eles [os árabes] mentem, falam à imprensa o que querem, quando querem e depois, eles mesmo se esquecem da mentira que contaram! Todas as fracassadas tentativas de acordo provam essa teoria.” E mais outro: “Árabes mentirosos – Entre tantas barbaridades que o mecanismo de hazbará árabe divulga para ganhar as páginas dos jornais, encontrei no site da Arutz Sheva uma pequena lista de mentiras contadas pelos ‘brimos’”. (Esses dois últimos estão no finalzinho da mesma página.)

Sigam os links e vejam as frases “dentro do contexto”. As páginas são meio bagunçadas, mas em pouco tempo você localizará as passagens, e certamente encontrará outras mais interessantes.

De qualquer forma, o Cloaca lincou seis posts do Balangan na íntegra! Ei-los, novamente:

 
Aqui, Renata Malkes exulta por ter seu blog reconhecido pelo jornal israelense Yediot Aharonot como um “warblog“, ou seja, de divulgação da propaganda sionista.

Aqui, ela ataca os palestinos, ridiculariza os árabes e, de quebra, esculhamba a virilidade dos brasileiros.

Aqui, Renatinha destila baba sobre o MST, pelo apoio dos sem-terra à causa palestina.

Aqui, diz que os árabes são mentirosos.

Aqui, sobrou para a Venezuela; segundo ela, são “amigos dos brimos”.

E aqui, cara leitora, caro leitor, você verá Renata Malkes exultante por realizar seu sonho de ser aceita no Exército de Israel. (…)

 
Qualquer um pode acessá-los e tirar suas próprias conclusões. Estranhamente, Renata não informou nenhum aos leitores de seu novo blog.

Na nota de esclarecimento, ela diz que “sempre admiti ter vergonha de determinadas posições que tive no passado”, e passa um link para um post do blog antigo, em que isso deveria estar claro. Mas é algo pálido, muito longe da firmeza das “determinadas posições” do passado. Trata-se de um post em que a escriba relata ter ficado indignada com a cena de um colono israelense agredindo verbalmente uma família palestina em Hebron, na Cisjordânia. Ora, mesmo Alan Dershowitz ficaria chocado se presenciasse uma cena dessas! Mas nenhuma palavra de Renata, por exemplo, sobre a irregularidade dos assentamentos de colonos judeus em Hebron – tão irregulares que em dezembro do ano passado a Justiça de Israel ordenou a evacuação de alguns deles. Parece que, para Renata, basta um colono não xingar um palestino para a coisa estar muito bem.

E, claro, nenhum arrependimento (pelo menos não expressado; pelo menos não que possa ser encontrado facilmente; pelo menos não substancioso o bastante para ela passar um link em seu novo blog) sobre as “historinhas” anti-árabe e o tom debochado sobre as goleadas de 14 a 1 na ONU que determinam a criação do Estado palestino (tolinhos…)

Sim, a repórter do Globo pode ter mudado bastante de opinião em relativamente pouco tempo – entre o tempo em que mantinha um blog de opinião e ingressou na redação de um grande jornal brasileiro para dar informações balanceadas direto do Oriente. Tudo é possível. Mas ainda assim seus atuais leitores, que pagam entre outras coisas por textos sobre as relações Israel-Palestina, têm o direito de saber o que ela achava das relações Israel-Palestina, não durante sua primeira infância, mas a até 3 anos atrás, no máximo.

A propósito, os leitores do jornal que acessam seu blog ao menos agora podem agradecer pela jornalista informar que se arrependeu de algumas de suas antigas opiniões, quando eu apostaria que antes eles sequer sabiam que elas existissem. Já é um progresso.

Outra coisa, o Cloaca não “acusou” Renata de “ser parte do Exército de Israel”, e sim afirmou que ela foi de tal exército. Baseado em quê? Nas próprias informações da jornalista. Ou não é isso que se infere do que ela escreveu em 11 de março de 2003? Está lá: “Servirei por um ano apenas! É um sonho que se torna realidade!” Isso depois de informar que passou em todos os testes e exames. Bem, leia a íntegra, o post está em fonte vermelha.

Renata afirma na nota que “nunca trabalhei no governo de Israel, tampouco servi no Exército israelense”, e que apenas teve vontade de ingressá-lo “para compreender melhor, por dentro, o funcionamento desta complexa máquina de guerra”. Quem mente? A Renata de 2003 ou a de 2009? Não há como as duas estarem falando a verdade.

Afirma ainda que a complicada situação do Oriente Médio não permite visões “maniqueístas”, em “preto e branco”, geralmente expressadas por pessoas que, “mesmo de longe”, “reagem com intensidade brutal” aos acontecimentos. Diz aí, Fisk.

Seria a “velha” Renata aflorando?

Quanto às “diversas facetas” do “conflito israelo-palestino”, em que sem dúvida está inserida a “complexa máquina de guerra” de Israel… bem, melhor deixá-las para os poderes de informação e análise de Renata Malkes. Os leitores do Globo que se virem.

 
[atualização, 12 de janeiro: nas últimas horas, todos os arquivos do ex-blog da jornalista desapareceram do Wayback Machine. não fomos nós! e é uma pena que os leitores do novo blog da Renata não possam mais acessar o único link para um post do blog antigo que ela passou em sua nota de esclarecimento. esta, a nota, no momento em que escrevo ainda não foi derrubada por hackers. mas é sempre bom fazer um print sreen...]


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24 comentários | Dê sua opinião

  1. Cloaca News 11/01/2009 em 4:30 pm

    Bela suíte, Daniel!
    A título de esclarecimento, gostaríamos de ressalvar que em momento algum o Cloca News fez qualquer “acusação” contra a correspondente da Globo. Tampouco fizemos qualquer “denúncia de racismo”. Apenas expusemos o “pensamento” da menina, gravados no “Balagan” e, aí, sim, ela mesma se “denunciou”, se é que estamos sendo claros. Tanto que as palavras “racismo”, “racista” e correlatas NÃO serão encontradas em nossas duas postagens a respeito desse caso.
    Questionamos seus empregadores brasileiros por manter uma repórter no Oriente Médio tão comprometida com uma das partes do conflito em curso.
    E os poucos juízos que emitimos os fizemos dentro dos limites da crítica legítima.

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  2. Maro 11/01/2009 em 9:26 pm

    excelente informações. Espero que mais gente interessada no mundo contemporâneo tenha possibilidades de ter conhecimento dessas posições da Sra. Renata Malkes, afim de tirarem conclusões sobre a reporter em si e sobre a cobertura jornalística realizada no Brasil sobre os eventos no Oriente Médio.
    Muito bom.
    Irei repassar o link para meus contatos no e-mail e no msn.

    Abs,
    Maro.

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  3. May 12/01/2009 em 2:17 pm

    Haja patrulhamento ideológico… Ah, gente, ela tem o direito de ter uma opínião própria, vcs não acham? O fato de se concordar ou não com o que ela pensa são outros 500. Quanto à masculinidade dos brasileiros, ela cita uma pesquisa, não fica teorizando.

    O que tenho visto na mídia é um patrulhamento político-ideológico horrível. Não dá, a essa altura. É o tipo de patrulhamento político que a esquerda vem cavando no Brasil. Virou politicamente incorreto ser a favor de Israel. Quem é a favor de Israel, hoje, é comparado a um nazista, a um judas. Eu não suporto mais esse patrulhamento meia boca. O Estado brasileiro vive um clima de delação, de vigilância permanente com pessoas que discordam da agenda oficial. Então, algumas idéias viram “consenso” na mídia. Israel como vilã é um consenso midiático exemplar. Outro consenso são as cotas (e olha que eu sou a favor do estabelecimento PROVISÓRIO de cotas, mas não suporto ver as pessoas que são contra serem tachadas de racistas).

    Não suporto mais esse momento policialiesco que a esquerda está criando no Brasil. Estou por pouco para mandar o Lula para aquele lugar. Ah, também não se pode dizer que o presidente é um bêbado, um dependente químico, um alcóolatra, um desbocado, um estúpido falastrão — soaria como “preconceito”, estratégia dos estadunidenses.

    Acho que a jornalista da Globo tem umas opiniões sofríveis, mas, paciência. Não é por ser jornalista que a garota vai deixar de ter religião, etnia, origem, família.

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  4. Eneraldo Carneiro 12/01/2009 em 5:29 pm

    Olá

    Estive no Cloaca, via Biscoito Fino… e passei aqui. Não sei se já viram, mas os arquivos do ex-blog Balagan acabaram de ser apagados do WayBack Machine. Eu acabei de falar sobre isso lá no Cloaca também. Sei que eles acabaram de ser apagados porque eu os estava vendo agora, e só consigo ver ainda os que estão em cache, na minha máquina. Se der um ‘atualizar’ aparece mensagem de erro, dizendo que “http://balagan.blogspot.com/2002_04_07_balagan_archive.html is not available in the Wayback Machine”, ou que “http://balagan.blogspot.com is not available in the Wayback Machine”. Isso é o que se pode chamar de queima de arquivo.
    May, liberdade de manifestação e expressão é uma via de mão dupla, no mínimo. Se você ou qualquer um tem a liberdade de dizer a bobagem que quiser, então não pode reclamar de “patrulhamento ideológico”, quando outro alguém, exercendo a mesma liberdade, disser que bobagem é aquilo que você ou qualquer um tiver dito. Você conhece o ditado: “quem fala o que quer, ouve o que não quer”? Pois então?
    Ou por acaso só você e a Renata, p. ex., tem o direito de emitir opinião? Quando vocês o fazem é exercicio de direito, quando alguém lhes replica aí é patrulhamento? Grow up!

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  5. May 13/01/2009 em 9:34 am

    O seu “quando ‘vocês’ o fazem” é revelador de como você classifica as pessoas de acordo com o preenchimento de traços ideológicos que devem seguir a cartilha do politicamente correto e da esquerdalha.

    Quando um jornalista estadunidense, pensando haver liberdade de imprensa no Brasil, criticou os porres do Lula, foi duramente reprimido. Sua crítica segue na mesma linha, ainda que seja “um exercício de liberdade”… O viés da sua crítica, para mim, é patrulhamento ideológico, sim, do mesmo modo que inúmeras outras críticas que se valem da “liberdade de expressão” para censurar, patrulhar, estabelecer conceitos e pré-conceitos de determinadas visão de mundo — no caso, a visão do grupo que está no poder.

    O grande problema da jornalista é que ela defende Israel. Imagine a notícia: “Jornalista da Globo defende a Palestina em blog”… Essa jamais existiria, não é? Ou, caso existisse, seria para elogiar a coragem da profissional, que MESMO trabalhando para uma empresa REACIONÁRIA como a Globo ousa defender a LIBERDADE, os DIREITOS HUMANOS etc., etc…

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  6. Cascarravias 14/01/2009 em 5:53 pm

    Não, caríssimos reacionários recalcados, não se trata de patrulhamento ideológico. Dessa vez a pecha não tem como colar, por ummotivo muito simples: não se está querstionando o direito de uma pessoa ter opiniões favoráveis á invasão territorial, genocídio e correlatos. Está apenas se questionando o profisisonalismo e a qualidade de serviço informativo que uma empresa (organizações globo) está prestando a seus clientes através de uma ‘profissional’ que deveria exercer sua profissao de maneira um pouco mais, digamos, equilibrada, coisa que através de produção recente ela demonstrou ser incapaz de fazer. precisa desenhar?

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  7. carlos OMM 15/01/2009 em 10:10 am

    Olha, concordo com o comentário de 12–01–2009, às 2:17 pm… Vemos por aqui e por outros cantos tanto apoio ao Hamas… Qual o problema dela apoiar a causa judaica? Mesmo as idéias sionistas?

    Não pode? Por quê?

    Sinceramente…

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  8. Amilcar Barca 15/01/2009 em 11:40 am

    Israel marca o seu 60º ano de vida do mesmo modo como se instalou – a perpetrar massacres contra o povo palestino e seus vizinhos.
    A sra. Renata Malkes , apologista do terror israelense, é mais uma porta-voz da ideologia sionista étnica-racista, na tentativa justificar a carnificina e limpeza étnica perpetrada pelo Estado judeu desde a sua fundação, exibindo claramente a histórica posição reacionária do “jornalismo” da Rede Globo.

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  9. Cascarravias 15/01/2009 em 2:55 pm

    Carlos, onde você está vendo apoio ao Hamas?

    Quanto a não poder apoiar a causa sionista, você alguma vez já se preocupou em saber do que se trata o sionismo?

    Por fim, e pela enésima vez, ela dá apoio à insensatez que quiser; o ponto levantado é um só: que tipo de jornalismo é oferecido aos leitores, visto que é produzido por um militante fervoroso e extremista de um dos lados em conflito.

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  10. Pingback: arthur_dantas

  11. May 15/01/2009 em 7:00 pm

    Cascarravias,

    Primeiro, não sou sua “caríssima”, e dispenso sua ironia meia boca, tendo você feito referência ao meu comentário anterior.

    Segundo, seu discurso cínico, agressivo e cheio de clichês continua a fazer o que eu critiquei: você rotula, em vez de discutir idéias.

    Terceiro: é claro que o autor do texto critica uma pessoa, e o viés da crítica é ainda mais marcado porque ela trabalha na Rede Globo. Ele quer identificar a Rede Globo com os ideais políticos, culturais e ideológicos de uma de suas funcionárias. O blog é da Rede Globo? Não, não é. Ela publicou sua opinião pela Rede Globo? Não, não publicou. O destaque que se dá ao caso é pelo fato de a moça ser a favor da causa de Israel E jornalista da Rede Globo. Como se um funcionário da Globo, da Veja, da Carta Capital ou de qualquer meio de comunicação não pudesse ser a favor ou contra o que quer que seja.

    Quanto ao “genocídio”, isso já é inferência sua, porque obviamente a moça não pensa assim nem a população inteira de Israel, que é favorável à ação bélica contra o Hamas.

    Você não questiona “qualidade de serviço onformativo” nenhum, e acho muita desfaçatez sua achar que ninguém além de você sabe ler nas entrelinhas. Se vc estivesse preocupado com “qualidade” etc., criticaria algum texto que a jornalista escreveu para aRede Globo, não para seu blog pessoal.

    Seu discurso é meia boca, eivado de inconsistências para tentar justificar patrulhamento ideológico raso, rasteiro e desonesto.

    A propósito, pesquise sobre Haj Amin al Husseine. Veja lá quem é o grande inspirador da OLP, do Hamas e de tantos outros grupos muçulmanos terroristas que pregam abertamente a destruição dem Israel e negam a existência do Estado de Israel. Sionismo perto do que fez e de quem foi al Husseine é brincadeira de criança.

    Da próxima vez, a propósito, desenhe. Mas pesquise, informe-se e estude, antes.

    Responder
  12. Cascarravias 15/01/2009 em 7:17 pm

    Primeiro: o que voce dispensa ou não, não me interessa a mínima.

    Segundo: onde está cinismo e clichê? quando não se diz o que você quer ler, o autor está desviando do assunto? Se você acha que é clichê chamar assassinato em massa de clichê, invasão territorial com o deslocamento da população nativa de ocupação, imagino que disponha de termos mais adequados. Quais seriam?

    Terceiro: isso é claro pra você, que está cheia de certezas sabe-se lá tiradas de onde. Vocêpoderia, por exemplo, reproduzir passagens do texto, ou dos meus comentários, que atestem isso que você diz que ‘está claro’? Não interessa – de novo: NÃO INTERESSA se o blog é ou não da Globo. O fato é que se a empresa adora alardear a existência de um ‘padrão Globo de qualidade’, seria mais adeuqado que tivesse mais cuidado com o CV de seus funcionários. Não se trata das preferências eleitorais, de crítica literária ou de resenha. Trata-se de uma pessoa que ao exercer sua profissão (escrever) demonstrou a forma como aborda o tema que ela foi designada para noticiar. Ela pode ser a favor ou contra o que ela quiser; ruim é quando ela redige com a exaltação unilateral do que é a favor e a depreciação humilhante do que é contra.

    O genocídio é referência ao sionismo. Mas serve pra guerra de hoje também. Tudo bem é inferência minha, mas acho que tem ampla aceitação chamar de genocida a ação que elimina mais de mil pessoas em menos de vinte dias, iindistintamente crianças, senhores e senhoras…

    eu não escrevo pra blog pessoal nenhum, pois não o tenho.

    Sei bem sobre os assuntos que a senhorita indica com ares de conhecedora de verdades escondidas. Mesmo que os ataques de diferentes organizações palestinas chegassem perto das cifras mortíferas apresentadas por Israel, uma questão vem antes de tudo isso: existiriam movimentos de libertação da Palestina, se ela inicialmente não tivesse sido invadida e ocupada? Existiria campo de refugiado cheio de gente prontinha pra comprar discurso radical se essas pessoas continuassem morando em suas terras,como antes de 1947? Sionismo não é brincadeira de criança nem se comparado ao que fez o III Reich. Porque um governo alemão querer estabelecer um Estado para os arianos é barbárie e sucessivos governos israelenses mantendo um estado para judeus é civilizado e democrático? Parece realmente que é preciso desenhar.

    Responder
  13. May 16/01/2009 em 1:20 pm

    Eu desisto de “bater boca” com você pela web, tenho mais o que fazer. “Trata-se de uma pessoa que ao exercer sua profissão (escrever) demonstrou a forma como aborda o tema que ela foi designada para noticiar”… E então, onde, tendo sido “designada” para “noticiar” “o tema”, a jornalista em questão “demonstrou” redigir com “exaltação unilateral do que é a favor”? Em que site da Globo, ou em que programa da Globo News ou da TV Globo ela foi anti-ética ou tendenciosa? O exemplo de escrita da moça trazido aqui é só o do blog pessoal dela… Existe uma diferença entre o que ela escreve no blog e o que ela escreve no espaço do seu trabalho, os contextos não são os mesmos.

    O governo alemão fez aproximadamente 6 milhões de vítimas judias, e que eu saiba os judeus não montaram nenhum grupo terrorista para atacar a Alemanha. Não aprovo o Sionismo, de modo algum, mas também não aprovo o Hamas, nem a OLP, nem nenhum grupo terrorista muçulmano-árabe.

    Entendeu?

    Responder
  14. Cascarravias 16/01/2009 em 3:10 pm

    Ela é uma pessoa só, e até onde se tem notícia, com um único cérebro. A forma como ela vê os árabes e Israel no blog é a mesma como ela os retrata no blog ou em sua coluna lamentável no jornal impresso. Um exemplo foi o tratamento que ela deu ao conflito essa semana: ‘mortes dos dois lados da fronteira. ponto. Referência alguma ao fato de que pra cada israelense morto, mais ou menos onze palestinos – e um terço dos israelenses morttos por seu próprio exército. O contexto é simo mesmo – trata-se da mesma e única pessoa, que não tem como guardar seus preconceitos na geladeira quando vai pra redação do jornal. Como eu disse antes, ela pode até envernizar o vocabulário pra descrever a situação no jornal, mas não é necessária muita perspicácia pra perceber a cosmologia por trás do texto.

    Os iosraelenses montaram grupos terroristas sim senhora. Primeiro pra ocupar a Palestina, onde já morava gente o bastante, que foi ‘removida’ a fuzil e bombas. Depois de instalados, criaram não ‘movimentos’ terroristas, mas agências de Estado terroristas: Aman, Shin Bet, Mossad. Por mais barbaridades que tenha cometido, como foi mesmo que Adolf Eichmann chegou a julgamento?

    Chamar OLP, FPLP, Fatah ou qualquer desses de terrorista depende do ponto de vista adotado. Terrorista pra mim é a organização que invadiu as terras e matou os familiares dos membros desses movimentos, que pra mim são de resistência. Você poderia insinuar que eles deveriam se subordinar a isso e tentar pela ‘via pacífica’, eleitoral ou coisa do tipo; bem, nem mesmo essa alternativa lhes é dada.

    Responder
  15. May 17/01/2009 em 8:15 pm

    Não fuja do assunto, você critica o blog pessoal da gariota, não o que ela publica como profissional.

    Os “nomes” dados às coisas, como terrorismo e defesa, por exemplo, dependem da linha editorial de cada revista e jornal… Se vc trabalha para a Caros Amigos, vai escrever a mesma notícia de um modo, se trabalha para a Veja, obviamente vai modificar a nomenclatura e o viés ideológico da informação dada. Mas isso qualquer estudante de Letras aprende no primeiro semestre do curso, será que eu preciso dar aula de Análise do Discurso pra você?

    Veja bem o que vc criticou e como justifica o fato de que não critica um comportamento profissional, mas a pessoa de uma moça que é judia e que, “por acaso”, defende Israel.

    É claro que existem posicionamentos diferentes, o que eu acho insuportável é esse patrulhamento ideológico da esquerda que se reveste de “crítica neutra”, e foi isso que eu observei desde o início.

    Responder
  16. Cascarravias 18/01/2009 em 9:44 am

    quem foge do assunto, distorce respostas e bate nesse espantalho sem parar é voce. u critico o blog E o trabalho profissional dela. Porque pra mim, simplesmente, são uma única coisa, a expressão do que essa criaturionha pensa sobre o mundo em geral, e esse conflito em particular.

    Eu não reclamei dos nojmes dados às coisas em veículos de imprensa corporativa, deles eu sei bem o que esperar. Acontece que VOCE classificou os movimentos árabes de terroristas, e como VOCE já tinha levantado em resposta anterior que determinada classificação era ‘inferência minha’ (pra chamar a ação israelense de genocídio, fiz o mesmo com VOCE tratando os movimentos de resistencia como terroristas. entende agora? quem precisa de aulas de análise de discurso, ao fim e ao cabo, é VOCE.

    outra questao de interpretação: eu critico o trabalho profissional de uma moça que (não me interessa se judia, eslava ou tutsi) adota uma postura POLÍTICA bastante clara e definida, militante, radical, e com base nela vai cobrir um evcento e produzir textos que são alardeados e vendidos supostamente seguindo um padrão ultraprofissional de isenção. Dizer que ‘por acaso’ defende Israel é só outro malabarismo retórico seu que seuqer merece atenção. Dizer que sionista ‘por acaso defende Israel’ é dizer que membros da Opus Dei ‘por qacaso defendem Cristo’.

    O que eu acho insuportável é direitista achar que pode falar a asneira que quiser, defender os disparates que achar melhor, e quando confrontados coma crítica, adotarem esse comportamento cínico de chamar de patrulhamento ideológico. Se você acha que ‘a esquerda se reveste de crítica neutra’, não deve se dar ao trabalho nem de ler as justificativas das críticas vindas da esquerda. Uma das grandes referências sociológicas de Marx foi o velho (judeu) ter escrito que não existe crítica neutra.

    Responder
  17. May 18/01/2009 em 4:56 pm

    O que vc conhece do trabalho profissional dela? Não deu nenhum exemplo até agora, para saber se suas críticas à atuação profissional da moça podem ser minimamente válidas. Isso é leviano e desonesto, é má-fé de sua parte. Sua crítica é pessoal, no sentido de censurá-la, patrulhar suas opiniões, que foram expressas em um blog pessoal, como eu já disse n vezes. Não falei que ela é neutra, longe de mim, nem disse que há discursos neutros. Mas vc se apossa da idéia de que sua opinião é neutra, única e verdadeira, acima do bem e do mal, e não é.

    Assuma que seu viés é stalinista, ditatorial, como se ela não tivesse o direito de pensar como pensa. Seria mais honesto, em vez de posar de defensor da Justiça. É só o que eu penso.

    Pode me insultar como quiser, isso não faz a menor diferença pra mim. Você não sabe minha história, o que faço ou quem sou para saber que experiências tenho para opinar como faço.

    Você desqualifica os que não pensam como vc, é lamentável. Seu vocabulário deixa isso claro, além de sua postura, anti-democrática e arrogante.

    Esta é minha última postagem, não vou continuar esse diálogo.

    Até mais,

    Responder
  18. Cascarravias 18/01/2009 em 8:50 pm

    eu conheço o trabalho dela no Globo, jornal que embora detestável eu leio todo santo dia. o viés é perceptível, ja mencionei dois casos dessa ultima semana.
    Por que criticar posturas de direita é patrulhar? Tem como explicar isso algum dia? onde foi que a censurei? censurar é dizer que ela não tem direito de dizer. eu estou dizendo que ela está errada. eu nao disse que voce insinuava que ela era neutra. disse que voce nao entendeu nada se acha que eu me considero neutro, ou se acha que alguem criticou a brilhante escritora ali esperando isso.

    não, meu viés não é stalinista. mas eu de fato não acho que ela pode pensar o que pensa. não acho que ninguém tem o direito de pregar opressão e extermínio, como é parte do programa sionista. Hora nenhuma eu posei de defensor da Justiça, de onde foi que voce tirou isso? desde o início eu deixei bem claro que minha postura é de contrário a uma sionista militante, e que é patético a organização de midia onde ela trabalha levantar a bandeira da excelência com esse tipo de gente em ação

    não sei sua historia nem me interessa saber. quem gosta de fazer inferências sem base pra isso é voce, a meu respeito, sei lá com que razão.

    onde eu desqualifiquei os que nao pensam como eu? onde esta a arrogancia? éimpressionante como as posturas direitistas são monotonamente repetitivas. é sempre patrulhamento, ditatorialismo, arrogancia… ou burrice e lavagem cerebral.

    qaual a dificuldade de entender uma coisa tão simples? 1-acho pregar a opressão e o exterminio, ainda mais utilizando critérios supostamente racialistas e com verniz teológico, um absurdo. 2-essa mocinha abraça uma ideologia com essas características (e isso nao é inferencia minha, é o programa sionista) 3- as organizações globo alardeam pelos quatro cantos que é uma ilha de excelência, incluindo aí um pressuposto falso de que isso inclui ‘isenção’.

    Responder
  19. Michel Hamou 02/06/2009 em 11:27 am

    Porque vocês não mostram sua cara?
    Covardia pe terrível.
    várias pessoas eram e são contra a criação do estado Palestino pela mão de terrosrtas (vide arafat, hamas, etc).
    renata nao era imparcia em seu blog, mas vcs sao um monte de setrume, cegos em seu odio e inveja contra Israel e qqer judeu que tenha alguam posição que..cloaca..isso é pseudonimo..é a isso q vc se reumem..
    fazer fofoca alheia e ERRADA.

    Responder
  20. Gato Précambriano 02/06/2009 em 6:39 pm

    De que maldita catacumba fedorenta saiu esse Troll agora, depois de quase seis meses, meu deus do céu? Valha-me Nossa Senhora!

    Responder
  21. francisco martins 30/03/2010 em 10:43 pm

    então , o sonho de renata malkes foi servir um ano no segundo exercito mais covarde do mundo(o primeiro é o dos estados unidos). Deve ter sido maravilhoso pra ela colaborar para o exterminio e expoliaçao de palestinos. Israel esta usando nos palestinos os mesmos metodos que hitler usou nos judeus na segunda guerra. outra coisa, por que israel nao assume que tem mais de 200 ogivas nucleares. os judeus de bem que existem no mundo nao podem apoiar os crimes do estado sionista de israel.

    Responder
  22. André von Kugland 24/10/2010 em 8:35 pm

    A judia pediu —parece— para o archive.org deletar os posts do blog racista dela.

    Responder
  23. Ricardo 03/02/2012 em 2:40 am

    O mais triste de tudo é saber que esta “jornalista” ainda faz parte de “O Globo” e nos “brinda” com suas “imparcialíssimas” opiniões.

    Fosse a Globo uma emissora decente teria demitido a sua funcionária por expressar opiniões que, sob qualquer ponto de vista, não condizem com o que uma empresa de comunicação deve transmitir.

    Em seu blog no portal G1 já transparecem em vários momentos comentários preconceituosos contra palestinos e quem não apoia integralmente o Estado de Israel – sem , claro, a mesma voracidade expressa no seu blog pessoal agora fechado. Não é idiota a esse ponto.

    Confesso que nunca vi nada parecido em toda a minha vida. Uma extremista de nível nazi passando-se por todo esse tempo (até ser descoberta pelo Cloaca News) como uma correspondente “séria”.

    E o mais triste é procurar o nome da dita-cuja no google – pelo nome que usou em Israel, Rinat Malkes – e descobrir que ela está associada a jornais de extrema-direita de Israel, associações e movimentos com posições extremistas (como o Beitar) e acusação, junto com a canadense Lisa Goldman, de serem espiãs israelenses há uns cinco anos. Esta última é conhecida no mundo anglo-saxonico por ser uma ativista pró-Israel na mídia (e também relacionada aos mesmos grupos, com as mesmas posições extremistas).

    Que curriculo, hein?

    Basicamente, o pior do lixo ideológico do mundo a serviço da Rede Bobo.

    De nada adianta inventar desculpas esfarrapadas e mascarar fatos inegáveis. E lamento que esse caso não tenha gerado maiores protestos dos envolvidos, exigindo uma retratação pública da Rede Globo e da jornalista.

    Responder
  24. Ricardo 03/02/2012 em 2:47 am

    Fica uma dúvida:

    Se a correspondente fosse de origem palestina e muçulmana (eis outro detalhe curioso: porque TODOS os correspondentes dos principais jornais do Brasil no conflito palestino-israelense são judeus?) e fizesse exatamente a mesma coisa, só que invertendo os papéis, qual seria a reação da mídia e dos “intelectuais” de plantão?

    Responder

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